segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Simpatias e Encantamentos para o Ano Novo

Simpatias e Encantamentos para o Ano Novo
:: Miriam Carvalho :: 

2011 - Regido MERCÚRIO
A razão, o intelecto, o raciocínio, a comunicação e a argumentação.

Regências e Correspondências.
- Mercúrio: natureza andrógena, bipolar, mutável
- Impulso: raciocínio, eloqüência e argumentação
- Atributos: intelecto, pensamento, sensações e comunicação
- Dia da Semana: quarta-feira
- Cores: laranja e tonalidades de azul
- Pedras: cornalina, lápis lazúli, Opala
- Animal: Chacal, serpente
- Aromas e Perfumes: Petitgrain, cítricos.
- Metal: alumínio e mercúrio
- Elemento: Ar 
- Partes do Corpo: ombros, braços, mãos, língua, tireóide e cerebelo
- Flores: Acácia, Madressilva, Lírios, Prímula, violeta, Trevo e Margarida.
- Ervas: Anis, Camomila e Sabugueiro
- Verbos: comunicar, pensar e aperfeiçoar
- Palavra chave: pensar, analisar

TÔNICA PARA 2011
- Realinhar formas de comunicação.
- Desenvolver a coragem e determinação.
- Praticar a percepção de tudo a seu redor
- Garimpar pensamentos e sensações positivas.
- Captar o que se instala no mundo e em sua vida.
- Patrulhar conquistas e fracassos como fatores naturais.
- Cultivar a força interior através do Mental Concreto e da inteligência.
- Policiar raciocínio dedutivo e a auto-expressão

MIKAEL OU MIGUEL - REGENTE DE MERCURIO
Salmo 118 - elemento: fogo sutil (Espada/Balança)
Seu nome significa "Príncipe da Luz", grito de batalha. Comandante do Exército Celeste. Controla as chamas, quando acender uma vela peça para queimar tudo que é passageiro e permissão para o eterno brilhar.
Preside também os raios solares.
Os raios solares destroem as trevas e trazem a luz.
Padroeiro dos policiais, Arcanjo da coragem, defende e protege.
Hierarquia angelical - Arcanjos - Ancora com flores.
São os lideres entre os anjos, os generais do céu.
Estão ligados aos espíritos planetários.
Auxiliam os homens nas situações de perigo físico.

SIMPATIAS PARA A PASSAGEM DO ANO

SIMPATIAS FUNCIONAM?
Funcionam porque todo ato de vontade é uma forma de magia. 
Magia é a capacidade de realização, que emana de forças psíquicas, que transforma em real uma vontade dirigida.

RITUAL DE DESPEDIDA
Antes de encerrar o ano, acenda uma vela branca, faça uma oração e escreva numa folha de papel branco tudo que houve de triste, desagradável, frustrações, falta de realização, dissabores, medos, inseguranças, incertezas, mágoas, bloqueios enfim, tudo que você vivenciou no ano que passou e que pretende excluir de sua vida neste novo ano. Em seguida queime a folha na vela desmaterializando qualquer crença negativa ou padrão pensamento.

Depois da passagem do ano, pode ser no dia seguinte, pegue outra folha de papel e escreva tudo que você almeja para o ano novo como: saúde, trabalho, dinheiro, realização em todas as áreas de sua vida, amor, felicidade etc. 
Dobre guarde dentro de um livro de orações até o ano seguinte.

INICIAÇÃO

No dia 1º do ano, em qualquer hora que esteja tranqüila e serena, acender uma vela branca. Se solte, relaxe e olhe durante 3 minutos para a chama da vela e, em seguida, faça a seguinte prece de afirmação:

ORAÇÃO DE INICIAÇÃO
- Deus de infinita bondade
- Que eu seja banhada pela luz primordial
- Que eu esteja unida com a sabedoria Terra
- Que eu identifique meu espaço dentro do conceito cósmico
- Que eu tenha percepção das energias sutis
- Que eu seja um espelho da força do amor 
- Que eu limpe as nuvens de minha visão
- Que eu saiba o que é preciso saber
- Que eu revele a verdade e o caminho mais sábio
- Que eu enxergue através da perspectiva superior
- Que eu aceite o ser humano sem julgamentos
- Que eu possa sempre manter a tolerância
- Que eu exerça o significado real do amor
- Que eu possa aceitar e usar minha própria força
- Que eu e meu Eu Superior atuem em conjunto
- Que eu mantenha sempre a calma interior
- Que eu respeite o livre arbítrio do outro
- Que eu tenha o equilíbrio entre as polaridades
- Que eu irradie luz através da própria força criadora
- Que assim seja e assim será! Sempre!

CRESCIMENTO PROFISSIONAL E PROSPERIDADE
Dia 6, dia de Reis, coloque uma romã dentro de um saquinho confeccionado de pano vermelho e ofereça aos 3 Reis Magos: Baltazar, Gaspar e Melchior. 
Pendure esse saquinho atrás da porta e deixe lá o ano inteiro. 
Poderá ser feito também no dia 20 de março quando começa o ano astrológico.


PORTAL MÁGICO
Escolha um local dentro de sua casa ou no jardim para criar um "Portal Mágico". Pode ser um canto em seu quarto, no local de trabalho, perto de uma árvore, ou ainda perto de uma planta que você goste. No dia 1º. , depois de tomar seu banho, vá até esse local e comece a imaginar anjos, seres encantados, fadas entrando e saindo. Acenda um incenso, faça uma oração ou um salmo de sua preferência, consagrando esse local, como seu cantinho mágico de poder.
Durante o ano, recorra a esse local toda vez que precisar de uma intervenção mágica ou ajuda angelical.

Esse ritual também poderá ser feito:
- Em qualquer dia de Lua Nova;
- Dia 20 de março quando começa o ano Astrológico;
- Ou sempre que mudar de residência.


PARA CARTEIRA SEMPRE CHEIA DE DINHEIRO
Na véspera do ano conserve com você 7 moedas correntes, de qualquer valor. 7 minutos antes da virada, distribua para amigos ou familiares que estiverem presentes e guarde a última com você. 
Deixe-a na carteira, será o seu talismã.


PROSPERIDADE PARA A FAMÍLIA
Na passagem do ano, coloque um punhado de arroz cru em cada canto da casa, mentalizando fartura, prosperidade e saúde para todos. 
Retire esse arroz no dia 6, de Reis e jogue em um jardim.


CEIA DE PASSAGEM DO ANO

Procure colocar sobre a mesa alguns ramos de trigo, eles vibrarão fartura. A sopa de lentilhas não poderá faltar. Você deverá comer 3 colheres da sopa antes de qualquer outra refeição, fazendo 3 (três) pedidos diferentes, um para cada colherada. Peça com fé.


PARA CONQUISTAR UM NOVO AMOR
Compre um quartzo rosa, deixe-o submerso em água e sal grosso de um dia para o outro, no dia seguinte depois de passá-lo em água corrente, deixe-o exposto ao sol durante, no mínimo, uma hora. Use esse quartzo rosa na virada do ano, mantendo-o na bolsa ou na cabeceira da cama durante o ano.


VARREDURA
Dia 31, antes do Sol se pôr, faça o seguinte ritual: 
Risque no chão, com giz ou carvão, um circulo de mais ou menos um metro e meio. Entre dentro desse circulo e, com uma vassoura, comece a varrer de dentro para fora do circulo, tudo que estiver difícil em sua vida. Para cada varrida diga em voz alta o que está varrendo. Exemplo: tristeza, raiva, solidão, falta de dinheiro, desamor, desavenças, desesperos, ciúmes, enfim, tudo aquilo que você quer deixar para traz. 
Respire fundo, saia do circulo lentamente, lave a vassoura em água corrente e acenda dentro do circulo uma vela branca para que a chama do fogo preencha o local com luz e ilumine seus caminhos no decorrer do ano.

Poderá ser feito também no dia 20 de março quando começa o ano Astrológico ou em qualquer dia no início da Lua crescente.


PROTEÇÃO DA ENTRADA
Dentro de um copo de vidro, transparente, coloque sal grosso até a metade. Em seguida coloque um espiral feito com fio de cobre deixando a ponta 3 centímetros para fora do copo. Esse copo deve ficar na porta de entrada, do lado esquerdo de quem entra. (Pode ser atrás da porta).


ORIXAS - SEQUÊNCIA

Acender uma vela branca para cada um e oferecer:
- Exu - para abrir todos os caminhos.
- Ogum - quebrar todas as dificuldades
- Oxossi - desenvolver transformações saudáveis.
- Xangô - para desburocratizar e trazer justiça.
- Iansã - ter energia de um guerreiro com força para vencer 
- Oxum - Conquista de bens materiais e instalar o amor
- Obá - ajudar nas preocupações
- Logum Edé - fortalecer a alegria de viver
- Iemanjá - lavar a alma e mostrar a prosperidade
- Nanã - Para sermos sábios. Resolve questões de herança.
- Ibêji - colocar a doçura em nossos pensamentos
- Obaluaê - Curar dores. Afasta espíritos desencarnados.
- Ossaim - para manter o equilíbrio
- Oxumaré - proporcionar riqueza e fortuna
- Ewá - firmar positividade nos relacionamentos
- Oxalá - harmonia, equilíbrio com bênçãos.

SALVE A LUZ DAS DIVINDADES!
NESTE ANO MEU LAR ESTÁ PREENCHIDO SOMENTE DE FELICIDADE!


BANHOS DE LIMPEZA OU ENERGIZAÇÃO

- Atrair dinheiro
7 galhinhos de salsa
7 cravos da Índia
7 pedacinhos de canela em pau
3 folhas de louro
1 pitada de noz-moscada
Ferver 1 litro de água, colocar o material e abafar.
Deixar esfriar e jogar do pescoço para baixo.

- Limpeza da aura
3 galhinhos de alecrim
3 galhinhos de arruda
1 colher de sopa de camomila
1 colher de sal grosso.
Ferver 1 litro de água, colocar o material e abafar.
Deixar esfriar e jogar do pescoço para baixo.

- Energético para o amor
7 pétalas de rosa branca
7 pétalas de rosa vermelha
7 colherinhas de óleo de amêndoas doce
7 gotas de óleo essencial de lavanda.
Ferver 1 litro de água, colocar o material e abafar.
Deixe esfriar e coe.
Adicionar 1 vidro pequeno de Seiva de Alfazema.
Colocar em um vidro e passar no corpo, no dia a dia após o banho.
Pode ser usado a dois.

- Stress, fadiga e depressão
3 cravos da Índia
3 gotas de óleo essencial de lavanda
3 galhinhos de alecrim
7 galhinhos de arruda
7 pétalas de rosa branca
7 galhinhos de manjericão.
Ferver 1 litro de água, colocar o material e abafar.
Deixar esfriar e jogar do pescoço para baixo.

- Eliminar energia negativa provocada por magia. 
(Fazer na lua minguante)
3 colherinhas de bicarbonato de sódio.
3 ramos de alecrim
3 ramos de arruda
3 ramos de hortelã
3 colherinhas de Tomilho.
Ferver 1 litro de água, colocar o material e abafar.
Deixar esfriar e jogar do pescoço para baixo.

LIMPEZA E ENERGIZAÇÃO DE AMBIENTES 
(Lar ou Escritório)

- Examine sua vida atual e veja o que criou para si mesma.
- Sua casa é seu templo, uma representação simbólica de você mesma.
- Você cria um padrão trabalhando a intenção.
- Encha a casa ou escritório com sensações de paz.
- Use cores suaves em paredes, quadros e objetos.
- Limpe os cantos e armários, livre-se de tudo que é inútil.
- Livre-se de objetos que tragam para o presente, energias de um passado triste. 
- Os objetos devem estar associados a boas lembranças. 
- Associações negativas sugam energia do espaço.
- Crie um ambiente vibrante, alegre, colorido, claro e cheio de luz. 
- Distribua plantas em abundância por toda casa. 
- Remova qualquer objeto que impeça a porta de abrir totalmente.
- Descubra que representa ou simboliza o amor para você e encha sua casa com isso.
- Comece a projetar um novo campo energético e notará que a vida e as pessoas ao seu redor responderão a essa nova energia e o Universo que a cerca aderirá transmitindo o que está projetado.
- Se alguém sofre de depressão, colocar luz em todos os sentidos, natural ou artificial e passe a usar cores alegres!

PROGRAMAR UM CRISTAL DE USO PESSOAL.

Os cristais podem ser programados para uma única finalidade, ou algo muito importante que você deseja alcançar. 
É uma forma de potencializar e amplificar a energia da vontade.

Para programação use apenas cristal branco 
(união de todas as cores)
Escolha um momento ideal, para não haver interrupções , permaneça durante 5 minutos simplesmente se soltando, conscientize-se de que algo muito especial vai acontecer e comece o ritual:

1. Segure o cristal entre as duas mãos, apontando na direção do sexto chacra, Frontal, o terceiro olho, que fica entre as sobrancelhas.
2. Enquanto segura o cristal visualize um raio de luz conectando você e o Cristal, ligando seu 6O chacra à ponta do cristal, até sentir que a comunicação está feita.
3. Passe mentalmente para o cristal a função a que ele se destina, através das ondas de pensamento para uma vontade dirigida. Seja bem objetiva e clara, usando afirmações positivas, deixando que a presença Divina guie seu propósito com amor e sabedoria. 
4. Reforce dizendo: Este é o meu Cristal e está programado em nome da Luz Divina, do Amor Maior e da Harmonia Universal para ...................................

Exemplos para programação:
- Cristal para saúde ou cura de doenças.
- Proteção 
- Meditação
- Realização afetiva
- Realização Financeira
- Criatividade no trabalho
- Sucesso nos objetivos
- Harmonia familiar
- Energização de Água 
- Energização de Plantas e Animais 
- Banhos. Etc.

TAÇA DA PROSPERIDADE

1 pirita (molécula cúbica) facilita ganhos materiais
7 cítricos - símbolo da riqueza
1 ponta de cristal branco - irradia paz e harmonia
1 ametista - transmuta energia negativa em positiva
1 ônix - facilita a aquisição de bens 
1 quartzo rosa - traz amor
1 quartzo azul - traz equilíbrio
1 quartzo verde - saúde
1 cornalina (ágata de fogo) concretiza objetivos
1 turquesa - Vibração fortemente curativa e poderes cerebrais.
1 crisopraso - suaviza o coração trabalha o perdão.
1 ágata vermelha para acelerar os processos estagnados.

Deixe as pedras em água e sal grosso imersas por 12 horas.
Depois, deixa-as tomar sol no mínimo 1 hora.

No primeiro dia da lua cheia, coloque as pedras já limpas em uma taça de vidro transparente, cubra-as com água filtrada e deixe exposta em sua casa como enfeite em um local visível.

Troque a água uma vez por semana. - 5ª. Feira dia de Júpiter.

 

Além dessas dicas seguem mais algumas âncoras:

CORES X DIA DA SEMANA
Cada dia da semana vibra uma cor. 
Use-as para harmonização através de flores, velas, roupas etc.
Domingo - Amarela ou Laranja - Arcanjo Miguel 
2ª feira - Branca- Arcanjo Gabriel 
3ª feira - Vermelha - khamael
4ª feira - Verde - Arcanjo Raphael 
5ª feira - Azul - Arcanjo Tzadkiel
6ª feira - Rosa - Arcanjo Hanniel 
Sábado - Lilás - Arcanjo Tzapkiel

INCENSO
Acender um incenso na entrada, começando pelo lado direito, corra todos cômodos cruzando todos os cantos até chegar novamente no ponto inicial, fazendo a seguinte afirmação em cada canto: Nesta casa há cantos, cada canto tem um anjo, em nome do pai, do filho e do Espírito Santo, Amém.

SINO
Abrir as janelas e tocar um sino em cada cômodo, mentalizando a saída de tudo que houver de negativo no ambiente. Em seguida, preencher com música suave e assoprar canela em pó em todos os ambientes. A canela traz prosperidade.

AGUA
Na lua crescente ou nova, respingar água de fonte com um raminho de trigo, alecrim ou de pinheiro em todas as dependências da casa. Pode ser também água benta se preferir.
Em seguida ler o Salmo 90.

FLORES
As flores sempre foram usadas em comemorações de alegria, amor ou dor. Possuem freqüência vibratória e elementos fluídicos em sua cor e perfume. Anote algumas delas para lar ou escritório.

Angélica..Resgata auto-estima e reconhecimento de qualidades.
Cravos.................. Facilitam conquistas e realização de sonhos. 
Crisântemos...........Protegem contra inveja e trazem abundância.
Dália...................... Realização profissional (escritórios).
Lírios:.................... União familiar - energia do compartilhar,
Rosas:................... Embelezam e limpam ambientes.
Tulipa:....................Traz fama (escritório)
Violeta:...................Desperta lealdade.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rituais para a virada do ano

Rituais para a Virada do Ano 2010/2011
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Rituais para a Virada do Ano 2010/2011
:: Graziella Marraccini :: 

O Ano de 2011 é regido pelo planeta Mercúrio. Na Cabala, este planeta tem analogia com a Sefira de HOD, que é chamado também de Esplendor e Glória. Seu arquétipo tem analogia com o Deus Grego da inteligência, do pensamento e da comunicação. Ele corresponde ao número 8 que é também o número do infinito quando deitado. Ele também corresponde às cartas do Tarô de número oito. Numa leitura, os oitos são muito favoráveis, pois indicam a realização de negócios, boa comunicabilidade, viagens possíveis e bom aprendizado. 
Na noite do Réveillon, prepare uma vela amarela num prato branco sem uso. 

Escreva num papel branco - a lápis - primeiramente o nome do Arcanjo (Gênio Cabalístico) que rege este planeta e é o Mikael, (ou Miguel), também chamado de Perfeito em Deus. Mercúrio, o mensageiro dos Deuses rege a poesia, a música e a astronomia e estimula a vontade de obter conhecimento. 

Em seguida, escreva seus desejos para 2011, salientando aqueles voltados para o comércio, trabalho, comunicação, estudos e aprendizados e, finalmente, as viagens. Peça também saúde para os órgãos respiratórios que são regidos por este planeta. 

Agradeça a ELOHIM TZABAOT (Deus das Legiões do Bem e da Concórdia) 
Escreva em seguida seu nome. 

Coloque o papel sob a vela (sobre o prato e num lugar seguro!) e acenda a vela alguns minutos antes da meia noite. Deixe a vela queimar por inteiro e no dia seguinte de manhã, recolha as cinzas e jogue-as na terra, num jardim ou numa praça. 

Vista uma roupa amarela clara e use ouro (evite a prata). Roupas coloridas também são adequadas à energia de Mercúrio: abuse das cores pastel. Você pode enfeitar a mesa com flores amarelas, especialmente, margaridas. 
= Para manter ou obter a saúde, reze o Salmo nº 29 ou 70;
= Para melhorar o aprendizado e a inteligência, reze o salmo nº 39;
= Para se destacar profissionalmente, reze o Salmo nº 79;
= Para se proteger de assaltos, reze o Salmo nº 90;
= Para se proteger durante as viagens, reze o Salmo nº 120;






domingo, 19 de dezembro de 2010

Ladainha do cansaço

Cansa. Cansa muito. Eu sei que ninguém tem culpa, mas eu também não. E cansa. Cansa ouvir tantas reclamações a meu respeito como se eu fosse tão imperfeita que não merecesse viver ou estar entre os outros. Cansa ser pressionada a funcionar de uma forma que eu não consigo e ainda ter que ouvir que eu podia me esforçar um pouco mais. Cansa tentar agradar o tempo todo e nunca ser o suficiente. Cansa tomar tantos remédios para ficar pelo menos um pouquinho equilibrada, sofrer todos os efeitos colaterais e limitadores das medicações e ainda ter que ouvir que eu sou uma dependente química como se eu fosse viciada em crack ou coisa do gênero. E cansa ouvir tanta reclamação da minha hiperatividade e desorganização mental e física quando eu paro de tomar as medicações. Cansa ser tratada como um fardo quando eu estou deprimida e não consigo levantar da cama. Cansa ouvir o tempo todo que eu não consigo levantar da cama. Nunca está bom para ninguém. Cansa tentar dar tanto amor, tanta atenção e ouvir que eu não estou dando nada. Cansa estar sempre à disposição e ouvir que eu nunca estou à disposição. Cansa colocar todos em primeiro lugar e ouvir que estou colocando todos em último. 
Cansa ouvir que eu durmo o tempo todo apesar de todos saberem que eu só consigo dormir depois das 4 horas da manhã e acordar depois de meio-dia. É simples. Façam as contas. Uma pessoa normal dorme em média de 6 a 8 horas por dia. 4 + 8 = 12, logo eu durmo exatamente o mesmo que as pessoas normais, só que num horário diferente, entretanto comum às pessoas portadoras de transtornos psiquiátricos, principalmente Transtorno Bipolar. Cansa ouvir que eu uso a doença para me justificar em relação a tudo quando patologicamente a doença é o denominador principal da minha vida. Cansa ouvir que a doença não é nada quando todo mundo pode se informar e descobrir que a doença é uma deficiência bioquímica, fisiológica, independente da minha força de vontade ou do que eu deseje. Cansa ouvir que eu não preciso tomar um valium para "baixar a bola" quando estou sem medicação há 3 meses e praticamente entrando numa fase maníaca já que é a única maneira de tentar me controlar. E cansa ser tratada como uma viciada só porque eu digo que preciso tomar um valium pra "baixar a bola" já que o único motivo de eu sentir que preciso tomar o medicamento é tentar evitar ser inconveniente, desagradável e exagerada a ponto de incomodar ou magoar as pessoas que eu amo e respeito.
Cansa sentir uma imensa fadiga por causa do hipotireoidismo e de tantas outras coisas relacionadas às minhas doenças, às medicações ou até mesmo às minhas condições espirituais e emocionais e ser tratada como uma preguiçosa. Cansa passar 24 horas, 7 dias por semana vivendo a mesma rotina insuportável de cuidados com a casa sem ter nenhuma ajuda e quando peço ajuda não obter nenhuma. Cansa ouvir que a minha obrigação é fazer coisas que eu não quero só porque eu não estou ajudando financeiramente. Cansa amar trabalhar e não conseguir arrumar um emprego. Cansa ouvir que eu tenho que fazer "assim ou assado" quando eu tenho a minha própria maneira de fazer as coisas, mesmo que não seja a melhor, a ideal ou a que todos desejam. Cansa tentar ser como as pessoas que eu amo e respeito desejam que eu seja para agradá-las. Cansa não conseguir controlar as coisas que eu odeio em mim. Cansa me comportar de uma maneira que eu não acho adequada e não conseguir evitar isso. Cansa não conseguir controlar o que sai da minha boca. Cansa tomar tanto remédio, ir a tantos médicos e não ver melhora nas minhas doenças, nas minhas atitudes, na minha depressão,  na minha fase maníaca, no meu hipotireoidismo, na minha fadiga. Cansa não conseguir dormir nem tomando remédio para dormir. Cansa ter que acordar sem ter dormido nada por ter que cuidar da filha, da casa, dos outros e ninguém cuidar de mim. Cansa as pessoas acharem que cuidar de mim é me dar alguma coisa material quando o que eu quero é um pouco de carinho ou ajuda pra lavar a louça ou que alguém faça o almoço. Cansa não conseguir descansar. Cansa ter que explicar que o fato de eu estar desocupada a maior parte do tempo ou deitada não significar que eu tenha conseguido ficar descansada. Cansa sentir dor de coluna o tempo todo. Cansa não conseguir levantar da cadeira sozinha. Cansa estar inchada o tempo todo. Cansa ter problema de pele o tempo todo, queda de cabelo o tempo todo, sangramentos estranhos e inexplicados o tempo todo. Cansa ouvir que eu sou capaz de coisas que eu mesma não ache que eu sou capaz. Cansa estar sempre "pisando em ovos" nas minhas relações com as pessoas. Cansa não saber como agir. Cansa engolir o que eu não quero engolir. Cansa ver as pessoas de mau caráter serem tratadas como santas e as santas serem tratadas como mau caráter. Cansa ter que aturar o que eu não quero aturar. Cansa perder as pessoas que eu amo mesmo elas estando vivas. Cansa não ser capaz de aplacar a dor dos meus entes queridos. Cansa não saber os limites, ou saber os limites e não conseguir respeita-los. Cansa querer dizer não e dizer sim, querer dizer sim e dizer não. Cansa estar quando eu queria ir e ir quando eu queria estar. Cansa aceitar quando eu não queria aceitar e não aceitar quando eu queria aceitar. Cansa sorrir e sorrir e sorrir quando tudo o que eu queria fazer era chorar. Cansa saber de tanta coisa e não poder contar. E que tanto cansaço não me tire a vida quando eu decido viver, pois o cansaço é tão grande que mesmo pra morrer eu fui obrigada a viver.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Telma

Eu lembro do barulho das chaves e da bolsa sendo jogada em cima da mesa. Isso significava que a minha mãe tinha chegado em casa. Depois os passos até o banheiro da suíte dela e uma pausa para o ataque dos filhos, da mãe, da empregada, de todo mundo. Essa é uma das lembranças mais fortes. E o cheiro dela. O cheiro inconfundível de acqua fresca que perfumava qualquer ambiente em que ela estivesse. A vovó Hélia servindo a mesa para ela jantar e ela sentada na cabeceira comendo sua salada e tomando seu mate. Mas também lembro da mãe que ia comigo e com meus amigos para as noitadas onde bebíamos litros de cerveja, participávamos de rodinhas de violão, conversávamos sobre qualquer coisa... momentos em que além de minha mãe ela era como qualquer um de nós. Hoje em vejo que ela era tão super protetora comigo, mas tão super protetora, que eu passei a vida toda grudada nela como gêmeas siamesas.  Se ela saía com seus amigos eu ia junto, se eu saía com os meus ela ia junto, se ela resolvia fazer um curso me inscrevia junto, se eu desejava fazer um curso ela entrava junto. Eu demorei a entender o porquê dessa atitude dela, mas consigo perceber que tinha relação com o traumatismo craniano, com a observação constante das possíveis sequelas que poderiam ter havido e por causa do transtorno bipolar, que soube que ela diagnosticou logo mas provavelmente não quis tratar por causa das medicações. Hoje em dia eu não lembro tanto do câncer e do que nós duas vivemos juntas por causa da doença, eu consigo lembrar mais das coisas boas. E hoje eu sei que ela sempre soube quem eu era, a doença que eu tinha, e tudo o que eu enfrentava, mesmo que ela nunca tenha conversado comigo diretamente sobre o assunto. Ela me preparou para muita coisa.
Eu lembro das fases do cabelo. Fase careca por causa da quimeoterapia. Fase joãozinho por que o cabelo tinha voltado a crescer. Fase meio que black power porque o cabelo estava gigante mas ficava em pé, só que como não era "original black" não ficava armado (rsrs)...
E um dos momentos mais doces que eu tive com ela foi quando ela já estava perto de falecer e a medicação estava fazendo as unhas dela ficarem escuras. Ela nunca pintava a unha, eu nunca tinha visto minha mãe pintar a unha, ela dizia que eram unhas de médica - cortadas bem rente e bem limpas. Eu sugeri que ela pintasse as unhas de uma cor colorida para disfarçar o tom escuro e ela aceitou. Eu nem acreditei. Achei o máximo. E pela primeira vez lá estava eu, enquanto ela estava deitada na cama já meio debilitada, pintando as unhas dos pés da minha mãe de um vermelhão bem forte. Ela não podia tirar nem as cutículas por causa do perigo de infecções, mas ficou lindo e foi um dos momentos mais especiais que eu tive com ela.
E nossa terapia de família na época em que eu fiquei ultra rebelde. Nossas discussões homéricas. E tantas outras lembranças muito legais.
Quando fomos ao show do Kid Abelha no maracanãzinho, quando ela me levou ao show do Lulu Santos que era um dos meus ídolos na época e depois contou para todos os amigos que eu subi em cima da mesa e fiquei gritando que amava ele. E quando ela me levou no show da Cássia Eller com o namorado dela e morria de rir porque eu ficava gritando e porque eu fiquei horas na porta do camarim para pegar um autógrafo até a mulher da Cássia Eller falar que ela não estava em condições de atender ninguém.
Ninguém nunca acreditou tanto em mim, teve tanta fé em mim como a minha mãe.
Ela quase pirou quando eu entrei na PUC. Falava pra todo mundo que eu era "filha da puc". 
Ela curtia com nós 3. Curtiu o intercâmbio da minha irmã, as aventuras do meu irmão, meus inúmeros namorados, e casos, e afins. 
Quando eu chamei ela pra conversar para dizer que eu ia perder a virgindade sabe o que ela fez? Me levou no nosso ginecologista, que tinha sido professor dela e feito os partos de nós 3, pediu para ele conversar comigo e me dar pílula. Depois me deu uma lingerie de cor vinho de veludo super chique e foi conversar com meu padrinho para pedir o apt dele que estava vazio emprestado. Essa era a minha mãe.
E mesmo não acontecendo como eu havia previsto, nem quando ou com quem eu havia previsto, quando eu perdi a virgindade foi simplesmente assim: eu sentei na cama dela pra falar de alguma coisa que  não tinha nada a ver com isso e ela olhou para mim e disse que meus olhos estavam com um brilho diferente e que ela tinha percebido que eu tinha me tornado uma mulher. Eu fiquei pasma. Ela soube só de me olhar.
E quanto tempo ela me levou para dormir na cama dela com ela por causa dos meus pesadelos e da minha mediunidade.
Eu poderia ficar falando sem parar dela, e gostaria, mas quis apenas fazer uma pequena homenagem à mulher espetacular que eu tive como mãe. 
Saudade daqueles olhos, daquele sorriso, das expressões que sempre tinham seus próprios significados, de ouvir ela cantar nas reuniãozinhas, de cuidar dela, de ficar com ela no hospital, e de aprender, como eu nunca mais aprendi e nem acredito que vá aprender com alguém.
É isso. Mãe, eu te amo, e eu nunca encontrei outra pessoa igual a você. Receba esse amor imenso e incondicional onde quer que você esteja, e de sua netinha Sophia também. E se você estiver mesmo reencarnada na minha filha, como a vovó Hélia dizia, saiba que eu cuidarei de você com o mesmo amor e o mesmo cuidado que você cuidou de mim e espero que eu possa aprender um pouco mais com o seu espírito através da minha filha.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

"E a verdade vos libertará" - parte 1

E a verdade vos libertará. A verdade liberta mesmo quando carrega dor, renúncia, sofrimento. Eu recebi um email que veio com essa frase e muita coisa veio na minha cabeça, coisas que eu tenho pensado e não tenho escrito. 
Após várias pesquisas e leituras sobre Transtorno Bipolar eu fiquei com uma pergunta na minha cabeça que não sei se tem resposta: O que em mim é doença e o que em mim sou eu?
A vida como Bipolar é fantástica na maior parte do tempo, emocionante, excitante, intensa, cheia de prazer... Na maior parte do tempo a verdade é essa. E também é verdade que a maior parte dos Bipolares entrar num tratamento é renunciar a toda essa vida fantástica de sexo, drogas e rock n´ roll (nem todos os Bipolares usam drogas, ou são promíscuos, mas a maioria é). Pegue como exemplo um Cazuza, um Elvis, uma Janis Joplin, e eu estou falando de pouquíssimos exemplos pois a lista é gigantesca. Além de muitos dos criadores e grandes inventores e cientistas da humanidade. Se eles escolhessem ter feito tratamento eles não teriam sido quem eles foram, não teriam vivido o que eles viveram. Provavelmente também não teriam morrido do jeito que morreram e nem tão cedo, mas a verdade é que o tratamento torna a vida cinza, sem graça, monótona, insignificante. Eu diria que um Bipolar ou morre por causa das consequências dos seus momentos maníacos, ou morre em consequência das fases depressivas ou morre por causa do tédio quando está em tratamento. Ou seja, no final das contas ele acaba morrendo, em geral se matando (voluntariamente ou involuntariamente) de qualquer jeito.
O pensamento é "medicada eu não sou ninguém, não significo nada".
E o pior é lidar com a percepção das fases quando medicada e num evento social. Porque apesar de medicada o comportamento ainda assim poderá ser maníaco ou depressivo, ou os dois.
Palavrões em excesso, tom de voz alto e alterado, piadas inconvenientes, não deixar os outros falarem, contar mil histórias sobre feitos incríveis da própria vida, álcool em excesso, comentários sobre a vida sexual, sobre a vida íntima e sobre sexo em geral. E isso só pra citar o básico. E por mais que tudo isso seja percebido é praticamente impossível controlar.
E o excesso de sinceridade, de honestidade, de franqueza. A necessidade de defender o próprio ponto de vista mesmo que isso custe um momento importante, uma pessoa importante. O perigo constante de um surto psicótico.
Tudo isso é exaustivo emocionalmente, fisicamente, espiritualmente.
E a verdade é que eu já não sei mais o que é melhor - viver como Bipolar sem tratamento ou com tratamento. O tratamento não trouxe tanta melhoria na minha qualidade de vida quanto eu esperava e não me fez melhorar como mãe, como familiar, como amiga, como profissional... Quando eu estava em fase maníaca pelo menos eu amava e curtia a vida e era mais dinâmica, mais produtiva. Esse é o problema. Fazer um Bipolar optar por deixar de ser produtivo ou dinâmico voluntariamente é quase impossível. Para chegar-se a um resultado de equilíbrio com a medicação pode-se levar anos, em geral 20 anos até que se acerte a medicação ideal. Medicação que é para a vida inteira, todos os dias, de manhã, de tarde, de noite, vários remédios diferentes, mudados o tempo todo. É horrível!
A verdade é que eu ia falar sobre uma coisa nesse post e acabei nesse assunto, então vou dormir e amanhã escrevo sobre o que iria escrever mesmo.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Sonho com o Rene

Sonho super estranho com o Rene.  Eu estava num lugar, um tipo de galeria de artes,num coquetel. Ele chegava de surpresa com a Edna e me beijava com um daqueles beijos de quem não se vê há séculos. Seus braços ao meu redor me prendendo de encontro à parede, uma coisa tão íntima, tão nossa. As pessoas em volta, meus amigos, todos notavam e batiam palmas e assobiavam e diziam pra nós irmos embora.  Ele me pegava pelas mãos e me levava para um carro bem velhinho que parecia estar parado há uma eternidade, parecia não ser usado há uma eternidade. Estava do lado de fora na orla de copacabana. Parecia um corsa hatch modelo bem antigo de cor escura. Quando ele abria o carro dava para ver que os bancos estavam cobertos por um tipo de estofado velho e puído, parecia um tipo de veludo cinza. O carro cheirava muito forte a xixi de gato e mais alguma coisa mas eu entrava no carro como se estivesse entrando num Porshe. Lembro que estávamos no final de copacabana, quase no leme, e que estava chovendo um pouco ou tinha chovido,pois o chão estava molhado com aquele brilho de umidade e ele ia dirigindo e eu olhava o mar. Tinha um caminhão estacionado de uma forma que impedia ou dava a impressão de que impediria que nós virássemos no primeiro retorno que deveríamos pegar e eu perguntava se ele não ia retornar e para aonde estávamos indo. Nessa altura já estávamos no leme, perto do final da praia e então eu acordei. Ficou em mim a sensação forte e muito real da presença dele, dos beijos carinhosos e apaixonados que me fizeram lembrar os tantos que demos quando ele era vivo, o cheiro estranho e forte do carro e a sensação de que tudo aquilo parecia real e parecia um pouco "a cara" dele, o jeito dele mesmo, algo que ele realmente teria feito se estivesse ainda entre nós, pois ele sempre surgia assim e eu largava tudo para ficar com ele. Acordei tão subitamente, como se ele tivesse feito ou dito algo que me assustasse e me tirasse do sonho. Não lembro o que foi mas lembro dessa sensação. Acordei às 6:30am. Uma saudade daquele beijo, daquela pele, daquele cheiro, daquele abraço, daqueles momentos cometas que nós vivíamos e que eram só nossos e que eram tão únicos e especiais em que eu tinha a impressão que só nós dois importávamos e de que eu era e sempre seria tão importante para ele. E o lance de estarmos no leme, no local que foi tão importante para nós dois, onde nos descobrimos de todas as formas, onde vivemos tantas experiências que só nós dois sabemos, onde nos amamos tanto, onde ele me ensinou tanta coisa. Onde ele fez jantar para mim, leu para mim. E onde aconteceu a noite onde eu agi da forma que achava correta e deixei de fazer o que o meu coração mandava e do qual eu nunca vou esquecer ou me perdoar.  Agora a saudade dói tanto, meio que massacra por dentro, sabe? A nossa relação não era normal e era bem doida e eventual, mas era tão especial.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Too much information

Essa é uma frase que tem um novo significado para mim - too much information. Eu costumava ouvir as pessoas falando isso e não me dizia nada.  Entretanto, ontem ao encontrar velhos amigos e conversar horas e horas até o dia nascer eu percebi que existe um limite tênue dentro de mim por causa do Transtorno Bipolar e da medicação que faz com que às vezes eu fale mais do que a pessoa gostaria de ouvir ou mais do que eu deveria informar. A intimidade é algo nosso, o próprio nome já diz, e não deve ser compartilhada com outras pessoas, principalmente os detalhes, principalmente se expomos outras pessoas, ainda mais se forem as pessoas que amamos. Nessas horas sinto uma raiva imensa por não ter controle algum sobre a doença e sobre o efeito da medicação em mim. E penso em todas as vezes que saio de casa e volto chateada com tudo o que eu possa ter falado onde quer que eu tenha ido. Porque o pior é que o que foi dito já foi dito e não tem como ser apagado. Então eu acabo sendo "a doida", ou "a inconveniente", ou "a sem noção", e por aí vai. E no final das contas tudo se resume a "too much information" para quem está ao meu redor. Será que eu devo me trancar em casa e zerar a minha vida social?
"Ser ou não ser eis a questão".

sábado, 30 de outubro de 2010

Quando o telefone toca

Esqueci o celular na casa da minha cumadre em São Paulo e me sinto feliz. Não lido muito bem com telefone e ter menos um perto de mim é uma maravilha. Nunca tinha parado para pensar em porque eu tenho tanto problema com telefones até meu amigo sofrer esse acidente de carro horrível e parar na CTI em estado grave. Lembrei de todos os momentos em que o telefone tocou para anunciar a morte de algum ente querido ou de todas as vezes em que fiquei esperando esse momento acontecer. Tantas mortes associadas ao telefone, tantos acidentes. Eu lembro que quando a vovó Ricardina faleceu depois de dias na UTI a situação com o telefone foi até meio peculiar. Não lembro porque naquela noite eu tinha decidido ir dormir na rede na varanda e apesar dos protestos de todo mundo assim o fiz. O telefone tocou no meio da madrugada e eu caí da rede ao ouvir o segundo toque. Quando cheguei no quarto da minha avó Hélia e olhei para o seu rosto eu já sabia do que se tratava. Quando o telefone tocou lá em casa na véspera do meu aniversário e o Dio ficou lívido e começou a gaguejar eu também já sabia do que se tratava. Então, o toque do telefone tem um aspecto fúnebre, de terror, para mim. Quando o telefone toca eu me apavoro e penso nos meus irmãos, na minha sobrinha, no Dio, na minha filha, nos meus melhores amigos. Não consegui desfazer a associação entre o telefone e a morte de alguém que eu amo. Nesse momento em que um dos meus amigos mais queridos está lutando pela vida no CTI a sensação é justamente essa, um terror constante quando o telefone toca, mesmo acreditando que vai dar tudo certo. E quando sei que meu irmão está viajando, e quando a minha irmã não chega na hora que costuma chegar. Eu sei, eu sei que é uma loucura, uma paranóia, mas não consigo agir de forma diferente. Não sei se é por causa dos aspectos psiquiátricos da minha mente ou se é da minha própria personalidade, mas o fato é que eu sou assim. E, cá entre nós, para quem já perdeu praticamente toda a família e ainda uns amigos muito importantes e jovens, até que eu lido bem com o meu dia a dia.

sábado, 23 de outubro de 2010

Oco e vazio

Olhei seus olhos, seu belo rosto, seus cabelos. Tentei observar o resto do seu corpo, sempre ativo, sempre cheiroso e cheio de um vigor sexy que nunca seria para mim. Não consegui ver nada, apenas um vazio, como se aquele corpo estivesse oco. A verdade é que eu senti como se a alma já tivesse ido embora e o corpo ainda estivesse preso e aguardasse a liberdade. O medo de que isso fosse verdade era tão grande que eu não consegui chorar, não consegui derramar uma lágrima sequer. Olhava para o seu companheiro desesperado, inconsolável. Olhava para sua mãe que parecia já saber que não havia muita chance de sobrevivência e para o pai que agia como se tudo fosse uma questão de tempo. Sentia o cheiro de CTI, de enfermeiras e médicos, ouvia os barulhos costumeiros e sentia como se eu mesma estivesse vazia. Vazia de esperança. Não era uma questão de pessimismo, pois acreditar numa melhora acho que todos acreditam. Mas faltava aquela esperança de quem sente, de quem tem alguma intuição de que haverá vida no futuro, e não morte. Voltei para casa praticamente em silêncio e pronta para aquele telefonema que eu já conhecia bem com a notícia derradeira. A única coisa que me fazia acreditar num destino diferente era pensar que não era possível que eu perdesse mais uma pessoa tão importante para mim nessa vida, novamente. Ele estava oco e vazio, eu me sinto oca e vazia. 

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Feliz aniversário vovó Hélia

Hoje eu acordei com uma sensação estranha de que morreria logo. Escrevi um post sobre isso e depois salvei na caixa de rascunho. Depois percebi que hoje seria aniversário da minha avó Hélia e pensei se uma coisa não estava relacionada com a outra. Minha filha acordou estranha, com forte dor de cabeça, não quis ir à escola. Estamos as duas deitadas na cama abraçadas, ela dormindo e eu escrevendo. Ontem um amigo muito querido e muito importante sofreu um sério acidente de carro e ainda corre risco, eu mal consegui dormir. O mês foi muito intenso, muito cheio de dor, de sacrifício, de tragédias e lágrimas. Outro amigo querido está em NY para fazer a décima cirurgia decorrente do câncer, talvez fique parcialmente cego. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Não consigo dar conta de tudo emocionalmente. 
Mas hoje seria aniversário da minha avó Hélia e foi uma das primeiras coisas que eu pensei quando acordei. Como seria o seu bolo, o que eu daria de presente, como as crianças se divertiriam, que comida ela desejaria que eu fizesse ou se iríamos ao restaurante. Como eu ficaria feliz por ver a família toda reunida independente das diferenças, pois a vovó era o pilar da família e o que ela mandava era praticamente uma ordem (rs).
Gostaria muito de ir à praia com meus irmãos e sentar em silêncio por alguns minutos para homenagear a mulher maravilhosa que ela foi, nossa segunda mãe, e a pessoa mais importante na vida da minha filha. Gostaria de sentar com eles, de abraça-los e lembrar das coisas mais irritantes e das mais divertidas a respeito dela. Porque eu a amava mas ela era uma mulher muito difícil também.
Lembrar de Guapi, lembrar da porra do strogonoff de frango dos fins de semana, da implicância com nossos amigos e namorados (pelo menos a maioria deles, exceto os da minha irmã, rsrs). Lembrar que em uma das últimas vezes em que ela esteve internada o que realmente a incomodava era o fato de terem tirado a sua dentadura. Em trinta e poucos anos de vida eu nunca tinha visto a vovó sem dentadura ou a própria dentadura (rs) e para mim foi como se um segredo imenso tivesse sido revelado naquele momento. Eu fiquei responsável por limpar a dentadura para ela.
Os domingos em que nos reuníamos ao redor da mesa para comer a comida que ela pedia que eu cozinhasse e que transformava um simples almoço em horas de harmonia familiar.
A timidez que ela sentia ao pedir que comprássemos uma roupa íntima ou um vestido para ela. A felicidade quando ganhava presentes, mesmo que fossem doces ou fatias de bolo. Os lanches compartilhados com Sophia.
Ela e Sophia deitadas na cama toda noite sem exceção, mal cabendo na cama, porque Sophia só dormia ao lado dela e num travesseiro específico que ela tinha. E ai de quem falasse alguma coisa ou tentasse interferir!
O brilho nos olhos quando recebia a visita da minha irmã e da outra bisneta, Júlia. Ela sentia tanta falta das duas, tanta falta da outra bisnetinha e falava tanto delas.
E os natais? A loucura dos natais onde eu recebia ordens sem parar para fazer compras, para cozinhar isso e aquilo, para encomendar tal e tal prato com a amiga dos quitutes. Dezenas de presentes que cada um de nós três tínhamos que providenciar, pois a surpresa tinha que ser geral. Dezenas de presentes para as crianças, não importando o preço, a dificuldade para adquirir, a distância para conseguir, desde que comprássemos tudo o que havia sido desejado. Para então vê-la sentar na cabeceira da mesa e seus olhos brilharem, e um sorriso cheio de anos de vida, de satisfação e de sabedoria enfeitar seu rosto ao assistir o "papai noel" Diogo distribuir os presentes e as crianças gritarem e correrem pela casa mostrando as novidades.
A avó que me perturbou a vida inteira, que brigou comigo a vida inteira, para se tornar a minha melhor amiga e o meu maior amor. Que me ensinou as lições mais importantes, que cuidou de mim como uma águia cuida do ninho, que fez absolutamente qualquer coisa que fosse possível quando achava que alguém não servia para mim ou alguma coisa, mesmo que eu não concordasse com ela. Que me ensinou a ser uma mulher melhor, uma pessoa melhor, que me mostrou os meus erros e me ensinou a perdoá-los para que eu pudesse passar a acertar. Que mesmo sabendo a "louca" que eu sou me aceitou e tentou me entender. Que salvou a minha vida tantas vezes, junto com o meu irmão.
Essa avó que me conhecia tanto, que me amava tanto, que mesmo tendo sido cuidada por mim na maior parte das suas doenças e dos seus problemas, não me deixou estar ao seu lado no último momento pois sabia que eu enlouqueceria, e assim foi. Pode ser que ela não tenha tido consciência ou escolha, mas é como eu sinto que foi, pois foram os únicos dias em muito tempo de vida que não nos vimos ou ficamos juntas.
Nesse aniversário dessa mulher incrível que foi minha avó eu gostaria de agradecer a Deus por ter sido sua neta, por ter sido sua amiga, por ter sido sua aprendiz, por ter cuidado de seu corpo, de suas doenças, de suas feridas e de sua alma, por ter compartilhado a felicidade da sua vida junto com meus outros amores, meus irmãos, e nossas filhas. Queria agradecer por ter a minha irmã e o meu irmão ao seu lado na hora da sua passagem, pois eles são os Titãs dessa família, e queria agradecer pela força e coragem que eles tiveram para passarem por tudo o que tiveram que passar em um dos piores momentos das suas vidas, pois apesar de ter sido responsável pelo enterro de minha mãe e de minha outra avó e ter abraçado seus corpos sem vida, e passado momentos difíceis, sei que não passei o que eles passaram. E se eu tive um surto psicótico ao receber a notícia, imagina o que não poderia ter acontecido se eu tivesse vivido o que eles viveram?
Nesse dia de celebração do dia em que a minha avó nasceu eu gostaria de celebrar com essas mínimas lembranças perto das tantas que eu tenho. E dar as mãos aos meus irmãos, mesmo que estejamos distantes no momento, e dizer que vocês são a minha vida, os meus amores, e que a vovó ainda vive entre nós nos nossos atos, nos nossos encontros, na nossa tolerância uns com os outros, em suas bisnetas, nos nossos princípios e valores, na nossa espiritualidade, nas nossas lembranças, nos nossos gênios terríveis e no amor que nos une, independente de qualquer coisa.
Parodiando as palavras que ela costumava usar às vezes comigo - pela nossa família, eu faço absolutamente qualquer coisa! Feliz aniversário dona Hélia Castro da Silva, mãe de Telma Maria, sogra de Jorge Luiz, avó de Tatiana, Taís e Diogo e bisavó de Sophia e Júlia.
(ps: chorando para caralho e doida pra abraçar meus irmãos)

gfdvh

Hoje eu acordei estranha com uma sensação de que iria morrer em breve. Não aquelas sensações psicóticas, mas uma espécie de pressentimento estranho como se a ampulheta estivesse no final e, no fundo da minha alma, eu sentisse. Talvez eu nem morra logo, mas meu coração não está se sentindo nem um pouco menos apertado. Tive vontade de ligar para várias pessoas com quem eu gostaria de conversar, me desculpar ou apenas dizer o que sentia. Um ímpeto de resolver todas as questões mal resolvidas que importassem para mim e de tentar deixar tudo esclarecido. Pensei nos meus joguinhos de computador e nos pontos que eu perderia (rs). 

sábado, 16 de outubro de 2010

Camisa de força

Em pé eu não fico. A dança do corpo e dos sentidos é impregnada de cores e prismas. Os olhos só vêem o que os olhos querem ver, o coração não sente. O coração não sente. Estico a mão e toco a camisa de força. Corpo preso, mente presa, coração preso, boca presa, olhos presos. Hora do comprimido branco, hora do comprimido azul, hora do comprimido pequenininho, hora do comprimido rosa, o relógio dos comprimidos girando sem parar. A vida passando através da janela. Levanta e deita, levanta e deita, levanta e deita. Tudo parece uma coisa só. Nada de café, nada de almoço, falta de apetite, falta de vontade, falta de desejo. Cama, cama, cama, cama. Hora do banho queira ou não queira. Não sei se é quarta ou sexta feira. Em pé eu não fico. Comida eu não quero. O relógio dos comprimidos não para. Eu e a cama, a cama e eu. Saudade, muita saudade. Camisa de força pra segurar a vontade, a verdade, a sinceridade, o excesso de capacidade. O coração não sente. Da janela imagino como está sendo lá, da janela assisto ao que deixei de assistir.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

No colo dos meus fantasmas

Deito no colo dos meus fantasmas. O cheiro do perfume Leite de Rosas da vovó Hélia me deixa entorpecida e o mundo para de girar.  Somente o abraço apertado de minha mãe é capaz de me curar e o sorriso contagiante de meu pai que alcança a minha alma e me enche de paz. Um pouco das piadas sem graça do vovô Lorival, uma pitada da inocência e da doçura da vovó Ricardina e todo aquele amor que só eles poderiam me dar. Não é só deitar no colo dos meus fantasmas. É ouvir os conselhos da vovó Hélia e ouvi-la reclamar das coisas dela. É meditar ao lado do papai e ouvi-lo falar sobre a sabedoria dos grandes mestres. É sentir a grandiosidade da minha mãe e lembrar de onde eu vim, de tudo o que aprendi. E eu deito minha cabeça no travesseiro sabendo que não estou só e me preparo para sonhar, e para deitar no colo dos meus fantasmas.

Os vagalumes do meu céu

Meu pai adorava sentar comigo no portão da casa da vovó Hélia em Guapimirim. É claro que ele tinha momentos especiais com meus irmãos também, mas cada um tinha uma personalidade e esse momento era só meu. Ele sentava ao meu lado e me convidava para observar o céu. Contava histórias das estrelas, me ensinava a magia das estrelas cadentes, me falava de lendas sobre deuses, heróis, amor. Naquele tempo a noite era um véu escuro de verdade, não havia nada que ofuscasse a sua escuridão. 

Corto os pulsos ou me protejo?

A evolução, a iluminação espiritual, tudo isso requer uma série de concessões e sacrifícios e coisa e tal, mas depois de muita reflexão eu conclui que existe um limite. Se há estresse em consequência de alguma coisa que tenhamos que mexer na nossa vida então não há mérito no sacrifício e na abnegação. Algumas coisas violentam a nossa paz de espírito de tal maneira que não valem o preço. A nossa dignidade não tem preço! A nossa verdade não tem preço. O respeito por nós mesmos não tem preço. A nossa saúde não tem preço.
Dizer não, às vezes, é uma evolução e nos ilumina espiritualmente. 
Tolerar e aceitar certas coisas pelo bem maior é questionável. 
A doação e a tolerância podem intoxicar tanto a nossa alma, em alguns casos, que geram doenças e manifestações físicas.
Corto os pulsos ou me protejo? Para quem realmente deseja e é capaz de cortar os pulsos essa é uma reflexão  muito importante.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

O Woody Allen é Foda!

Uma personagem de Woody Allen, assim eu fui definida, Também me chamaram de personagem do programa "Os normais". E teria muitos outros exemplos e comparações. Estou viajando na bomba de remédios especial para o período e que me deixa meio aérea, perceptiva de uma maneira sobrenatural...
O Woody Allen é FODA! Olhar na tela um pouco do que nos consome é tranquilizante. 
Nos definem como deficientes mentais, mas não concordo com isso. Somos diamantes mentais. Não vai dar para terminar esse post, estou numa profunda mental trip e no estado letárgico dos visionários. Posso ser de tudo, mas me rotular apenas como deficiente mental é me desvalorizar demais....
esse post terei que continuar depois pois estou grog, enrolando a língua e os pensamentos....
Amanhã vai ser espetacular!!!!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Should i stay or should i go?

Uma bagunça dentro de mim. Uma vontade de dizer tudo o que tenho para dizer e uma pseudo censura em prol da harmonia e do bem estar geral. Doses cavalares de tarja preta, de cala a boca, de segura a onda.
E eu sou a melhor atriz do mundo sempre sorrindo, sempre fazendo sorrir enquanto deixo fluir dentro de mim um rio de lágrimas, uma cachoeira de choradeira e muitas noites sem dormir. O descontrole é inevitável, o desequilíbrio fica claro e a eterna tensão volta a ficar presente. O custo para tentar manter tudo pelo menos um pouco controlado e para evitar um surto psiquiátrico? Cerca de R$ 500,00.
Tenho pensado muito na minha mãe e na minha avó. Tenho pensado no que elas sonhavam para nós, no que elas esperavam de e para nós, no que elas queriam para nós. Tenho pensado na infância e adolescência maravilhosa que eu tive ao lado de tantas pessoas que significavam tanto para mim e para elas. Tenho pensado nas pessoas que me viram crescer e que viram meus irmãos crescerem, que participaram das nossas vidas, das nossas perdas, das nossas conquistas. Pessoas que sempre estiveram ao nosso lado. Pessoas que estarão ao nosso lado até a nossa morte. 
A nossa história é resultado  de uma história maior, a história de nossos avós e de nossos pais. Histórias que incluem pessoas especiais como a Edna, a Cecília e o Paulinho, o Valmir, o Carlinhos, e seus filhos, nossos amigos. Pessoas como a tia Ana que cresceu com a minha mãe desde a época em que moravam na vila e cujas mães foram amigas antes mesmo delas existirem. As pessoas do grupo escoteiro que foram indispensáveis para a nossa vida e o desenvolvimento do nosso caráter e nossos amigos de acampamentos e de aventuras. O Ranz, o Casagrande, o Romolo, o Junior, o Márcio Morita... A Janete que trabalhou com a mamãe na CVM e depois juntou-se a nós com seus filhos no 75. A Lúcia que é uma das únicas pessoas no escotismo que conheceu o nosso pai, ou o Edinho que foi um dos únicos amigos que o conheceu também.
Em determinados momentos da nossa vida essas pessoas são as pessoas que importam. Fiz muitos amigos, conheci novas pessoas, comecei amizades que tem uma importância enorme para mim, mas essas pessoas que fizeram parte da existência maior que é a existência da minha família, dos meus pais e avós, essas pessoas tem um valor diferente. É como se fossem da família. Algumas amizades acabarão ou vão se perder com o tempo e a distância. Não as amizades que existem desde antes de nascermos ou que nasceram conosco.
Eu sempre darei valor às pessoas que estiveram ao lado dos meus pais e avós, que ajudaram a minha mãe em sua luta contra o câncer, que estiveram conosco quando perdemos o nosso pai e quase morremos. 
E não poderia deixar de lembrar das pessoas que cresceram conosco no Barramares e dos inúmeros amigos que fizemos ali.
O amor que sinto pelo meu irmão e pela minha irmã é complicado, é carente, é temeroso, é cheio de desespero e medo da perda. Na minha vida eles estão sempre em primeiro lugar. Eu não dou um passo sem contar para eles primeiro ( a não ser que esteja surtada é claro!). 
Amo o Dio, mas os meus irmãos vem antes. Estar disponível para meus irmãos é minha prioridade. Não espero reciprocidade, não busco recompensas, é uma necessidade minha. Às vezes exagero, mas sempre por amor. Defendo os dois com unhas e dentes e tudo o que estiver ao meu alcance. 
A verdade é que eu vejo o quadro geral.
Enfim... momento complicadinho, chato, delicado... Dentro de mim apenas a seguinte pergunta: Should i stay or should i go?

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

TDAH

Quase 6 meses depois de começar o tratamento com a Dra Magda recebo uma notícia impressionante e que se tivesse sido descoberta antes poderia ter mudado toda a minha vida. Além do Transtorno Bipolar fui diagnosticada com TDAH e esse diagnóstico significa uma grande mudança na minha vida. Explica toda a falta de foco, toda a distração, o excesso de impulsividade, a dificuldade de terminar as coisas e de me manter nas coisas e nos caminhos que escolho. Agora vem a "luz". Começo a tomar ritalina junto com os remédios para o Transtorno Bipolar e a expectativa de melhora na minha qualidade de vida é de 200%.
Mal consigo esperar para começar!!!!!

sábado, 11 de setembro de 2010

O casamento do "menino lindo"

E chega o dia que nunca pensei que chegaria. Aquele moleque, aquele pirralho, o menino lindo, o menino maluquinho vai casar.  Nada importa pois o mais importante é vê-lo feliz. A única coisa que importa é ver toda a família reunida - as crianças participando como "daminhas", eu participando como madrinha e a nossa irmã sensata entrando com ele na cerimônia com todas aquelas pessoas olhando para nós, para a nossa família. Nada mais importa. Essa é a nossa família e ninguém poderia representá-la a não ser nós, as mulheres da família Barboza. A emoção da minha irmã pensando na entrada com todos os nossos amigos ao nosso redor, a minha emoção vendo meus irmãos amados entrando e preparada para prestigiar o caçula do clã e as nossas filhas atravessando o corredor que leva até o altar para prestigiar o tio amado. 
Dias correndo atrás dos vestidos perfeitos, horas marcadas com os profissionais que prepararão nossos cabelos e nossa maquiagem, e a certeza de que representaremos perfeitamente nossos pais e avós falecidos. Não existe ninguém melhor do que a minha irmã para representar a minha mãe, nem mesmo eu. 
A Sophia super nervosa pensando em todas as pessoas que estarão olhando para ela, que é super tímida, enquanto ela estiver andando até o altar. A Júlia toda boba sentindo-se uma princesa com o vestido branco e a faixa da cintura.
Nada mais importa. É o casamento do nosso menino lindo e nós somos a sua família, a única família que ele tem, então estaremos lá.
Não consigo mais dormir pensando em todas essas coisas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Campanha para ajudar um pai desesperado

Amigos,

a ex-mulher do meu querido amigo Marcel sequestrou a filha de ambos e desapareceu. Todos os contatos possíveis foram cortados e ele não tem notícias dela há muito tempo. Ele foi escoteiro no mesmo grupo que  eu quando éramos jovens e depois mudou-se para os EUA onde se tornou um soldado americano. A carta dele está em inglês, mas tentarei traduzir o mais rápido possível. Peço a todos que ajudem, entrem como membros do grupo no facebook pois precisamos de muitas pessoas para chamar atenção e divulguem por favor. Quem puder ajudar de alguma maneira diretamente mande uma msg para mim. Obrigado a todos desde já. O link para entrar no grupo do facebook está no final da carta.


Hello, my name is Marcel, and I am a Soldier currently deployed to Iraq. I have a situation back at home where I might be able to use the help of FaceBook members in making public the manner in which a Judge violated a Federal Law designed to protect Servicemembers like myself that are deployed. 
Judge Marina Garcia-Wood of the 17th Circuit Court of Florida in Fort Lauderdale, FL violated the Service member’s Civil Relief Act (SCRA), despite my Attorney’s attempt to bring to her attention the applicability of the SCRA and a letter from my Commanding Officer that explained why I was not able to appear in court. This letter in fact fulfills the requirements of the law, and explains in detail how it applies to my case. The Judge simply refused to look at the paperwork and disregarded the whole notion, this is recorded in the court records. This Law was designed to protect Servicemembers against many situations, chiefly among them is Default Judgments were there may be a defense to the action and such defense depends on the Servicemember’s presence.

This is the whole story:
Earlier this year as I prepared to deploy, I made plans to have my only daughter, 13 year old Isabelle, visit me in the state of Hawaii where I am stationed. Due to the distance, she lived in the Orlando-FL area, we had not seen each other since September of 09’. Unfortunately due to terms of my divorce, in which I have joint custody of Isabelle, visitation is reached by agreement of both parties. Which is complicated at best, every time I would like to see my daughter I have to beg, cajole and modify my plans in some way, despite the fact that these visits are always planned around holidays, extended weekends and vacations. It is always on my ex-wife’s terms, and not giving consideration as to what is best or fair for our daughter. So as I tried to "negotiate" Isabelle’s visit, I was told that if I wanted to see her I needed to purchase a ticket departing Orlando, but returning to Atlanta. And only for a maximum of 5 weeks, which initially she tried to keep it down to 4! I asked myself at this point why, and then posed the question through to Holly and I was told that they were planning on moving to GA and that they were doing so it for over one year now. 
There was no choice for me in this matter, if I wanted to see my daughter prior to departing to Iraq for a minimum 12 month tour I had to agree to that ticket and timeline arrangement. 
What I did was to conduct some research online and found out that the current Florida law requires that in order to move the child a parent notify, via the court system, the other parent, as well as present a NEW VISITATION PLAN. Upon receipt of the letter the parent has 30 days to object or agree to the move and the visitation plan. I thought that this was perfect, I would be able to have a guaranteed visitation plan, that would spell out WHEN and HOW I would be able to see my daughter! 
The only issue here was how to get my ex-wife to take the proper steps. In other words, how to get her to follow the law. I hired an attorney that practiced in Volusia County, where they lived, she drafted a letter advising of the law, the required steps needed to be taken in order to move beyond 50 miles, the risks of foregoing those steps and it also a visitation plan that I would agree to. All she had to do was to enter the agreement and they would be able to move. My visitation plan called for 3 visits a year, alternating Christmas and Thanksgiving. Well, what followed was a little game of cat and mouse, where we were unable to obtain a straight answer for weeks, with finally a complete turn down, and Holly expressing that they had no interest in a visitation plan at all. In fact she tried to convince my daughter that this was silly and unnecessary and that Isabelle should decide, a 13 year old. My attorney referred me to an attorney in the county where my divorce was completed to further pursue the matter. They planned on moving shortly after Isabelle flew to HI. 
I hired an attorney, who once again made an attempt to negotiate an agreement. Which was turned down. At which point we applied for and successfully obtained an injunction preventing the move and requiring Holly to purchase a return ticket to Orlando, FL. Instead of following the order she moved, in contempt of the court. Followed shortly by her purchasing a ticket to Florida, albeit to Ft Lauderdale and not Orlando. Given that she failed to follow the court instructions and that we had no address whatsoever for their residence, and concerned as to her true intentions, Isabelle stayed in Hawaii until the matter could be cleared and we could get more clarification on the follow0on hearing to the injunction. During this hearing my attorney attempted to obtain a stay on any decisions until I could be present, when my attorney highlighted and attempted to point out the section of the SCRA that pertained to the matter the judge simply refused to look at the SCRA. My attorney asked if the Judge was refusing to consider the SCRA and the Judge confirmed that yes, indeed she was. The Judge ordered the return of Isabelle, despite the lie told in court by Holly’s attorney regarding her residence. They in fact have a home in Atlanta!


Anybody that is interested in helping by any means necessary is welcome to it!!! You can send e-mails to anyone and any entities that you like!!! Newspapers, newscasters, government figures, anyone! I am open to any and all suggestions!!! Thank for the support and all the kind words!!!





quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pensando na pobreza e na dureza de um surto psiquiátrico

   Hoje entendo quando dizem que não existe doença para os pobres. Antes da minha avó morrer quando eu ficava doente ou passava por alguma crise psiquiátrica sempre tinha alguém para cuidar de mim, fazer a comida, me dar os remédios na hora e coisas do tipo.        Atualmente se eu fico doente ou coisa parecida eu mesma tenho que me virar para tudo isso pois não tenho ninguém para fazer as coisas para mim. Imagino como deve ser difícil para as pessoas que não tem dinheiro ou que são sozinhas no mundo. Ter que lidar com toda a rotina cotidiana de comida, limpeza, arrumação e fazer isso se sentindo mal é terrível. Invejo profundamente as pessoas que nunca tiveram outra opção e por isso fazem isso naturalmente e com uma força que não sei de onde vem. 
   Um vizinho meu surtou e tiveram que chamar o corpo de bombeiros. Ele tem transtorno bipolar (assim como eu) e teve um surto psiquiátrico, ficou agressivo entre outras coisas. Foi retirado com camisa de força na frente de um monte de pessoas gritando coisas e fazendo gestos. Está internado num sanatório público, sedado e sem previsão para sair. 
Entrei em parafuso. Já tive cerca de 3 surtos psiquiátricos mas nada parecido com isso (pelo menos que eu me lembre). Só a hipótese de ficar internada num hospital público como o Pedro II me deixa em pânico. Já é difícil em clínica particular quando ficamos trancados com grades, sem poder fazer ligações, com a mala revistada na entrada e muitas coisas retiradas. Sem poder ter várias coisas que são importantes para nós conosco. Nem consigo imaginar como deve ser num hospital público, pois eu conheci o Pedro II e se tivesse que ficar ali não sei se aguentaria.
   As pessoas pensam que o transtorno bipolar é bobeira, mas só percebem como é sério quando acontece algum suicídio (ou tentativa) ou algum surto psiquiátrico sério. Hoje em dia eu deixo de fazer qualquer coisa para ter um plano de saúde e quando contrato um eu faço questão de verificar primeiro as emergências psiquiátricas, as clínicas e as condições contratuais, pois uma internação pode durar dias, semanas ou meses.
   Ninguém planeja surtar, mas todo bipolar sabe que isso vai acontecer pelo menos uma vez na sua vida. Não existe cura e os remédios que existem para estabilizar um bipolar são muitos, nem sempre funcionam, podem parar de funcionar de repente e normalmente são caríssimos. Que merda!

A grande viagem do espírito: a vida!

A grande viagem do espírito: A Vida!
(Wagner Borges) 

(Apenas Alguns Toques Para Dizer Que Vale a Pena Viver... e Aprender)!
A vida não espera. 
Por onde você for, o tempo não pára, mesmo que você queira. 
O que ficou, ficou...
O que se foi, passou...
É a vida em movimento. Somos viajantes eternos em suas trilhas.

Parece que somos passageiros na eternidade, mas a verdade é outra: somos eternos dentro do temporário. Ou seja, somos o eterno no movimento da vida que segue...
Na natureza, tudo passa! O traço característico da existência é a impermanência. 
As coisas mudam, sim, mesmo que você não queira. Pessoas e situações vão e vêm em nossas vidas, entram e saem na esfera de ação do nosso viver. Isso é assim mesmo! 
Há um tempo para tudo: o amanhecer, o meio-dia e o anoitecer. Da mesma forma, há um tempo para semear e colher; nascer, viver, partir, renascer e seguir...

Tudo passa! O que marca é a experiência adquirida.
As culpas e mágoas também passam! 
No rio da vida, as águas do tempo curam tudo, pois diluem no eterno as coisas passageiras.
As coisas estranhas que aconteceram, os dramas que rolaram e as palavras que feriram também passam... se você permitir. Sim, se você se permitir notar que o tempo leva tudo, e que a vida segue... mesmo que você esteja emburrado agora.
Aquele ranço antigo ou aquelas emoções apagadas que, vez por outra, bloqueiam a sua alegria, fazem parte do que é temporário, mas você é eterno. 
Essas emoções passam por você, mas que tal virar o jogo? 

Que tal passar por elas, sem se deter, apenas tirando a experiência e seguindo na vida?
Sim, tudo passa mesmo! As estações se sucedem no tempo certo: primavera, verão, outono e inverno. Isso não é bom ou ruim; é apenas natural. Como é natural o espírito imperecível entrar e sair dos corpos perecíveis ao longo da cadeia reencarnatória. Como é natural seguir para frente, pois o tempo não pára e a vida segue...
E, do centro da Consciência Cósmica, o Grande Arquiteto Do Universo, o Supremo Comandante de todas as vidas e de todos os tempos sorri e diz a todos:
"Tudo passa, menos o Meu Amor por todos.

As experiências vão, mas o aprendizado fica.
É impossível deixar de existir, pois a evolução é inevitável!
Todos estão destinados à Consciência Cósmica, mesmo que não entendam isso agora. Porém, se o desentendimento é passageiro, a felicidade advinda do processo de evoluir continuamente será imperecível.
Tudo a seu tempo! 
Enquanto evoluem e aprendem a arte de viver, passem e vivam... e não se detenham até alcançar a meta!
O Amor é o que vale"!

(Estes escritos são dedicados às pessoas que perderam seres amados, seja pelo motivo que for. Que a luz do discernimento e dos sentimentos mais elevados possa devolver a elas o tesão de viver e o gosto de aprender novas lições na existência. Que elas percebam que cada dia leva consigo a maravilha do momento, que sempre passa...
Que elas se permitam ser felizes novamente, somente pelo motivo de que existir é um privilégio. E viver é fantástico)!

Paz e Luz.
(São Paulo, 19 de agosto de 2004.)

NOTA: Enquanto eu passava estes escritos a limpo, lembrei-me de um maravilhoso texto do sábio hindu Sry Aurobindo (1872 –1950). Penso que sua inspiração espiritual possa ser um presente para os leitores, bem aqui no fim destes escritos que, como a vida, também passam... e ensinam!
Seguem-se as suas belas palavras numa verdadeira seqüência luminosa, dedicada Àquele Poder Maior que é a causa da vida de todos nós, temporários na aparência, eternos na essência.


A SABEDORIA DE SRY AUROBINDO

...Levanta teus olhos em direção ao Sol. 
Ele está lá nesse maravilhoso coração de vida e luz e esplendor. 
Observa, à noite, as inúmeras constelações cintilando como outras tantas fogueiras solenes do Eterno no silêncio ilimitado, que não é nenhum vazio, mas pulsa com a presença de uma única existência calma e tremenda. 
Olha lá Orion, com sua espada e cinto brilhando, como brilhou aos antepassados Arianos há dez mil anos atrás, no começo da era Ariana; Sírius no seu esplendor, e Lyra percorrendo bilhões de milhas no oceano do espaço. 

Lembra-te que estes mundos inumeráveis, a maior parte deles mais poderosos que o nosso próprio, estão girando com velocidade indescritível ao aceno desse Ancião dos Dias, a quem ninguém, exceto Ele, conhece, e contudo são milhões de vezes mais antigos que teu Himalaia, mais firme que as raízes de tuas colinas e assim permanecerão até que Ele, à sua mercê, sacuda-os como folhas murchas da eterna árvore do Universo. 
Imagina a perpetuidade do Tempo, considera a incomensurabilidade do Espaço; e então lembra-te que, quando estes mundos ainda não existiam, Ele era ainda o Mesmo. 
Observa que além de Lyra, Ele está, e no longínquo Espaço onde as estrelas do Cruzeiro do Sul não podem ser vistas, ainda assim Ele lá está.
E então volta à Terra e considera quem é este Ele. 
Ele está bem perto de ti. 

Repara naquele homem idoso que passa perto de ti, abatido e curvado, apoiado em seu bastão. Imaginas tu que é Deus quem está passando? 
Há uma criança rindo e correndo ao sol. Podes tu ouvi-Lo nesse riso? 
Não, Ele está ainda mais próximo de ti. Ele está em ti, Ele é tu mesmo. 
És tu que ardes lá longe, há milhares de milhas de distância, nas infinitas extensões do Espaço, és tu que caminhas com passos confiantes sobre os turbulentos vagalhões do mar etérico. 

És tu que colocaste as estrelas em seus lugares e teceste o colar de sóis, não com mãos, mas por este Yoga, esta Vontade silenciosa, impessoal e inativa, que te colocou hoje aqui, ouvindo a ti mesmo em mim. 
Olha para cima, oh filho do Yoga antigo, e não sejas mais medroso e céptico; não temas, não duvides, não lamentes, porque em teu aparente corpo está Aquele que pode criar e destruir mundos com um sopro.

- Sry Aurobindo -
(Texto extraído do maravilhoso livro "Sabedoria de Aurobindo" – Editora Shakti.) 

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Quebram-se os mundos

Quebram-se os mundos, 
posso enfim voar,,
livre da minha morte,
entregue à própria sorte,
dos sonos mais profundos,
bater as asas, cessar,
descobrir o outro lado,
do jeito mais complicado,
descobrir outra maneira,
desistir de respirar,
uma inexistência inteira,
simplesmente abandonar.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Feliz aniversário, menino lindo!

Era uma vez um menino que parecia mais doidinho do que o “menino maluquinho”.  Ele não usava uma panela na cabeça porque usava capacete para fazer todas as atividades loucas que ele pedia para a mãe dele o inscrever. Um menino hiperativo, especial, rápido como a velocidade da luz e invencível. Tinha um sorriso maior do que o universo e cachinhos que logo passaram a não existir. Esse menino tinha puxado os traços da mãe, a doçura e os cachinhos do pai e encantava a todos que o conheciam.  E esse menino cresceu.  Suas atividades  loucas ficaram famosas e apareceram na televisão, e viu a sua cidade lá de cima do céu quando pulou de pára-quedas, e fez amizade com os peixinhos quando tirou sua carteirinha de mergulhador, e sentiu o maior frio do mundo quando esquiou e fez snowboarding, e rasgou muitas ondas surfando com sua prancha. Os desenhos criativos que ele fazia desde criança se tornaram idéias e projetos e ele estudou e ganhou um diploma. As idéias se juntaram com as idéias de outros amigos e ele abriu um negócio e passou a ganhar dinheiro do jeito que todo mundo imaginava que seria – em contato com a natureza, de chinelos e numa casa imensa muito legal que tinha até uma piscina, ao invés de em um escritório. Era uma vez um menino que perdeu o pai e cresceu numa família de mulheres, cada uma mais forte e mais diferente que a outra. Foi mimado por uma avó que era uma matriarca, viu a irmã das brincadeiras de criança virar uma bem-sucedida executiva, aprontou pra caramba e cuidou muito de uma irmã maluca e teve a melhor mãe do mundo que também se foi bem cedo.   Apesar de eu me lembrar do menino franzino, elétrico, sempre queimado de sol,  o menino cresceu e se tornou um homem.  Esse menino agora não está sempre sujo de terra ou coberto de areia.  As pernas ainda continuam finas como as de um desenho do Ziraldo, o sorriso continua do tamanho do universo e ainda tem os olhos mais brilhantes que eu conheço. E esse menino agora vê duas meninas, filhas das suas irmãs, correrem atrás dele querendo aprontar as mesmas estripulias que ele fazia na infância e o vendo como um herói. Uma cheia de criatividade e talento para as artes como ele e outra cheia de cicatrizes das atividades loucas iguais as que ele praticava. Menino lindo que se transformou no meu melhor amigo, que fez tatuagem no mesmo momento que eu, que salvou a minha vida tantas vezes, que me impediu de morrer, que lê as loucuras do meu blog.  Menino lindo que acordava com minha filha subindo nas suas pernas, que me abraçava bem apertado à meia-noite com lágrimas nos olhos, que curtiu comigo e com nossa irmã tantas alegrias, tantas festas, tantas viagens, tantas perdas... Um menino que cresceu  numa família de mulheres incríveis, numa família tão pequena que cabia nas mãos.  Esse menino se tornou um homem, mas nunca deixará de ser aquele menino que eu vi crescer. Esse menino lindo.