quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pensando na pobreza e na dureza de um surto psiquiátrico

   Hoje entendo quando dizem que não existe doença para os pobres. Antes da minha avó morrer quando eu ficava doente ou passava por alguma crise psiquiátrica sempre tinha alguém para cuidar de mim, fazer a comida, me dar os remédios na hora e coisas do tipo.        Atualmente se eu fico doente ou coisa parecida eu mesma tenho que me virar para tudo isso pois não tenho ninguém para fazer as coisas para mim. Imagino como deve ser difícil para as pessoas que não tem dinheiro ou que são sozinhas no mundo. Ter que lidar com toda a rotina cotidiana de comida, limpeza, arrumação e fazer isso se sentindo mal é terrível. Invejo profundamente as pessoas que nunca tiveram outra opção e por isso fazem isso naturalmente e com uma força que não sei de onde vem. 
   Um vizinho meu surtou e tiveram que chamar o corpo de bombeiros. Ele tem transtorno bipolar (assim como eu) e teve um surto psiquiátrico, ficou agressivo entre outras coisas. Foi retirado com camisa de força na frente de um monte de pessoas gritando coisas e fazendo gestos. Está internado num sanatório público, sedado e sem previsão para sair. 
Entrei em parafuso. Já tive cerca de 3 surtos psiquiátricos mas nada parecido com isso (pelo menos que eu me lembre). Só a hipótese de ficar internada num hospital público como o Pedro II me deixa em pânico. Já é difícil em clínica particular quando ficamos trancados com grades, sem poder fazer ligações, com a mala revistada na entrada e muitas coisas retiradas. Sem poder ter várias coisas que são importantes para nós conosco. Nem consigo imaginar como deve ser num hospital público, pois eu conheci o Pedro II e se tivesse que ficar ali não sei se aguentaria.
   As pessoas pensam que o transtorno bipolar é bobeira, mas só percebem como é sério quando acontece algum suicídio (ou tentativa) ou algum surto psiquiátrico sério. Hoje em dia eu deixo de fazer qualquer coisa para ter um plano de saúde e quando contrato um eu faço questão de verificar primeiro as emergências psiquiátricas, as clínicas e as condições contratuais, pois uma internação pode durar dias, semanas ou meses.
   Ninguém planeja surtar, mas todo bipolar sabe que isso vai acontecer pelo menos uma vez na sua vida. Não existe cura e os remédios que existem para estabilizar um bipolar são muitos, nem sempre funcionam, podem parar de funcionar de repente e normalmente são caríssimos. Que merda!

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