segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Vidência

Eu fico pensando com os meus botões...
Será que os grandes profetas e videntes sofreram a angústia que eu sinto?
Assistir em silêncio à vida das pessoas que amamos sabendo que elas vão sofrer tanto no futuro, tentar avisar e não poder fazer nada...
Observar os abutres aguardarem os restos e não poder espantá-los?
Ver o mal triunfar dia após dia sobre o bem sem ter provas, sem ter meios para impedir...
Olhar a erva daninha crescer dentro do próprio lar e não conseguir arrancar...
Eu fico pensando com os meus botões e tenho vontade de sumir, de fugir, de desaparecer...
Eu sempre luto até o último minuto, mas desejo jogar fora a minha armadura e desistir de todas as coisas em que tanto acreditei até hoje...
Quando acontecer o que eu sei que vai acontecer.... eu não sei se estarei ali para estender a minha mão...
Estou muito cansada de tudo isso!

Cruzes e fardos

Cruzes não são fardos.
Todo caminho tem cruzes.
Fardos são as cruzes que não nos pertencem e que carregamos por benevolência, gratidão, bondade...
As montanhas que encontramos no caminho podem ser vistas como obstáculos a serem transpostos ou como bençãos da natureza a serem contempladas e elementos que nos forçam a diminuir o ritmo, a refletir mais e a exercitar o corpo que O Criador Nos deu.
Não reclamo das minhas cruzes, nem das minhas montanhas. Elas foram essenciais para eu me tornar quem eu sou hoje.
Mas reclamo dos fardos que carreguei por benevolência, gratidão e bondade. Eles se tornaram feridas abertas que dificilmente fecharão e dores que estraçalham a minha alma com tanta violência que ás vezes desejo não viver.
Essas cruzes que não eram minhas se tornaram minhas e hoje também me pertencem.
Há algum tempo atrás não havia espaço para rancor, ódio ou mágoa no meu coração. As únicas manchas eram das minhas tristezas. Hoje eu não reconheço parte de quem eu sou. Pois parte de mim se tornou sombria, tão sombria que até eu tenho medo.