Uma bagunça dentro de mim. Uma vontade de dizer tudo o que tenho para dizer e uma pseudo censura em prol da harmonia e do bem estar geral. Doses cavalares de tarja preta, de cala a boca, de segura a onda.
E eu sou a melhor atriz do mundo sempre sorrindo, sempre fazendo sorrir enquanto deixo fluir dentro de mim um rio de lágrimas, uma cachoeira de choradeira e muitas noites sem dormir. O descontrole é inevitável, o desequilíbrio fica claro e a eterna tensão volta a ficar presente. O custo para tentar manter tudo pelo menos um pouco controlado e para evitar um surto psiquiátrico? Cerca de R$ 500,00.
Tenho pensado muito na minha mãe e na minha avó. Tenho pensado no que elas sonhavam para nós, no que elas esperavam de e para nós, no que elas queriam para nós. Tenho pensado na infância e adolescência maravilhosa que eu tive ao lado de tantas pessoas que significavam tanto para mim e para elas. Tenho pensado nas pessoas que me viram crescer e que viram meus irmãos crescerem, que participaram das nossas vidas, das nossas perdas, das nossas conquistas. Pessoas que sempre estiveram ao nosso lado. Pessoas que estarão ao nosso lado até a nossa morte.
A nossa história é resultado de uma história maior, a história de nossos avós e de nossos pais. Histórias que incluem pessoas especiais como a Edna, a Cecília e o Paulinho, o Valmir, o Carlinhos, e seus filhos, nossos amigos. Pessoas como a tia Ana que cresceu com a minha mãe desde a época em que moravam na vila e cujas mães foram amigas antes mesmo delas existirem. As pessoas do grupo escoteiro que foram indispensáveis para a nossa vida e o desenvolvimento do nosso caráter e nossos amigos de acampamentos e de aventuras. O Ranz, o Casagrande, o Romolo, o Junior, o Márcio Morita... A Janete que trabalhou com a mamãe na CVM e depois juntou-se a nós com seus filhos no 75. A Lúcia que é uma das únicas pessoas no escotismo que conheceu o nosso pai, ou o Edinho que foi um dos únicos amigos que o conheceu também.
Em determinados momentos da nossa vida essas pessoas são as pessoas que importam. Fiz muitos amigos, conheci novas pessoas, comecei amizades que tem uma importância enorme para mim, mas essas pessoas que fizeram parte da existência maior que é a existência da minha família, dos meus pais e avós, essas pessoas tem um valor diferente. É como se fossem da família. Algumas amizades acabarão ou vão se perder com o tempo e a distância. Não as amizades que existem desde antes de nascermos ou que nasceram conosco.
Eu sempre darei valor às pessoas que estiveram ao lado dos meus pais e avós, que ajudaram a minha mãe em sua luta contra o câncer, que estiveram conosco quando perdemos o nosso pai e quase morremos.
E não poderia deixar de lembrar das pessoas que cresceram conosco no Barramares e dos inúmeros amigos que fizemos ali.
O amor que sinto pelo meu irmão e pela minha irmã é complicado, é carente, é temeroso, é cheio de desespero e medo da perda. Na minha vida eles estão sempre em primeiro lugar. Eu não dou um passo sem contar para eles primeiro ( a não ser que esteja surtada é claro!).
Amo o Dio, mas os meus irmãos vem antes. Estar disponível para meus irmãos é minha prioridade. Não espero reciprocidade, não busco recompensas, é uma necessidade minha. Às vezes exagero, mas sempre por amor. Defendo os dois com unhas e dentes e tudo o que estiver ao meu alcance.
A verdade é que eu vejo o quadro geral.
Enfim... momento complicadinho, chato, delicado... Dentro de mim apenas a seguinte pergunta: Should i stay or should i go?