quarta-feira, 24 de março de 2010

Insônia

Talvez não seja insônia, talvez seja parte de um todo e talvez esse todo seja parte de algo muito mais complicado. Sempre é mais complicado do que da última vez, sempre parece pior, sempre parece diferente. Tenho passado mais tempo na horizontal do que na vertical. Meu corpo parece que faz parte da estrutura da cama. Adoro quando chega a noite. Hoje eu entendi tudo. É meio como morrer estando viva. É meio como não viver vivendo. Trocando o dia pela noite eu passo menos tempo "viva". Teoricamente não faz diferença pois eu fico acordada até às 5, às vezes até às 6 da manhã, mas durmo até meio-dia, mesmo que tendo o sono interrompido várias vezes por causa das pessoas que vivem normalmente e me ligam pela manhã. A questão é que hoje eu percebi que quanto menos tempo eu passo acordada durante o dia claro, menos eu preciso viver. Eu não tinha me dado conta que o que acabou comigo não foram as perdas que eu tive. O que acabou comigo foram as decepções, as inúmeras intrigas, etc etc etc. Eu não tinha percebido o quanto eu tinha sido atingida por tanta coisa. Toda vez que eu acordo eu rezo para a noite chegar novamente. Quanto menos eu durmo mais eu blasfemo. Sinto falta da época em que o que mais me fazia feliz era a luz do sol. Eu quero acordar desse sonho ruim!

domingo, 21 de março de 2010

Os paralelepípedos da rua xingu (entre Deus, eu e o meu irmão)

A coisa mais linda. Tinha passado um dia maravilhoso. Uma chuva serena caía e a noite estava quase viva de tão aconchegante. Eu tinha acabado de descer a serra pensando no meu irmão, preocupações normais de irmã mais velha... se ele estava se cuidando direito, se ele estava indo ao médico fazer os check-ups regulares que todo mundo deve fazer, se ele estava se alimentando direito, se ele estava precisando de alguma coisa... aquele aperto no peito de irmã que sente falta, que quer ligar para perguntar, que quer torrar o saco por amor...
É uma merda ter irmão assim, fechadão, que não fala nada, que não divide nada. Mata irmã como eu de preocupação, me enche de psoríase, me faz gastar uma nota com valium e remédio pra gastrite... rsrsrs
Então...
A noite estava viva de tão aconchegante e eu pensando no meu irmão. Não conseguia parar de pensar nele. O dedo no celular pra ligar, mas sem coragem por causa do "muro" que cresceu entre nós há algum tempo.
Então aconteceu.
Eu quase bati o carro de tão lindo. E todo mundo vai achar tão idiota mas foi tããããoooo lindo.
Eu entrei na rua xingu e ela é de paralelepípedos. Na verdade a rua em que eu estava também era mas não tinha a mesma iluminação.
Então eu entrei na rua xingu e os postes iluminavam a rua de tal maneira, iluminavam os paralelepípedos de tal maneira que causavam um efeito, uma imagem, uma pintura....
Era uma obra de arte. Foi um presente de Deus. Foi impressionante. Eu me emocionei.
Não podia parar o carro.
Sabe orgasmo? Aquela coisa que acontece com a gente, que a gente percebe que está chegando e vai sentindo e vai sentindo e então explode, acontece e você queria muito, mas muito mesmo que durasse mais que alguns segundos, mas não dura e você tenta aproveitar o máximo possível aquela explosão, aquele clímax, aquele êxtase, e nenhum é igual ao outro e você sempre fica sem ar e ofegante tentando reter pelo menos um pouquinho daquela sensação, ou do que quer que seja aquilo?
Então, foi a mesma coisa. A luz era perfeita, os paralelepípedos eram perfeitos, a umidade era perfeita, a distribuição das poças de água era perfeita. Tudo era perfeito e fez com que a cor da rua simplesmente mudasse e tudo mudasse por uma fração de segundo. E foi tão lindo, tão espetacular, tão sublime, que meus olhos se encheram de lágrimas, e depois eu ria sozinha e agradecia por ter presenciado um puta momento como esse que só artistas, ou loucos, ou bipolares, ou deprimidos como eu conseguiriam ver, ou uma irmã com uma puta saudade do irmão e uma puta preocupação e que estivesse pensando tanto nele no momento e estivesse vibrando tanto amor e tanta saudade que tivesse tido a benção de ganhar esse presente de Deus. Para qualquer um pode parecer bem idiota, mas tudo bem, também achavam Van Gogh idiota, Da Vinci, e um monte de gênios que viam coisas como essa e tinham visões simples e singulares como essa e depois faziam coisas incríveis ou simplesmente se inspiravam por coisas como essa. E também não importa. Isso é entre os paralelepípedos, os postes, a chuva, entre Deus, eu e o meu irmão.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Antes de partir

E lembre-se: 
se eu estiver morrendo e este for o meu grande segredo...
você não terá direito a nenhuma lágrima quando eu partir!
O verdadeiro amor, a verdadeira amizade, eles existem enquanto existe vida.
Você nunca terá como recuperar o que ficou para trás.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Trinta e seis pontos de luz

Longos anos

a vida passando num sussurro

passos dados no escuro

tudo o que se vai.

A presença da solidão

entre tantas ausências

apenas reminiscências

do tempo que passa.

A vida faz graça

os lábios sem sorriso

o coração partido

nada a ser celebrado.

A chama da vela oscila

trinta e seis pontos de luz

nas costas pesa a cruz

apago os sinais de quem sou.

 

Operação Irregular Despeja na Chuva Família Indígena em Itaipu (Niterói)



Operação Irregular Despeja na Chuva Família Indígena em Itaipu (Niterói)

Seg, 01/Mar/2010 01:35 Denúncias
  

Por Murilo Marques

 

Na última quinta-feira, dia 25/02/2010, no loteamento Maravista, em Itaipu (Niterói - RJ), uma família de índios Guajajara - Pajé, esposa e sete crianças entre 2 e 14 anos - foi despejada na chuva, na lama, sem tempo sequer de recolher todos os seus pertences.

 

Uma mega-operação foi formada – que contou com representantes municipais da Secretaria de Obras, Meio Ambiente, Assistência Social, Conselho Tutelar, Fiscalização, Controle Urbano e apoio da Guarda Municipal, Polícia Civil e Polícia Militar, somando mais de 50 pessoas – para derrubar uma simples casa de barro e taboca (taquara); a ação foi comandada pessoalmente pelo Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói, José Antonio Fernandes (Zaff), que teve a sua cara de deboche registrada em vídeo, além de haver afirmado diante de dezenas de testemunhas (para justificar a operação) que: “Índio em Niterói só o Araribóia!”

 

O jornal O Globo – Niterói que tinha conhecimento total da operação, assim como conhecimento prévio da intenção da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de agir contra os indígenas, não enviou nenhuma equipe ao local com a possível intenção de preservar a imagem do secretário Zaff – um político que certamente não quer ser visto pela opinião pública como racista nem algoz de crianças indígenas – ou, numa hipótese pior ainda, para não testemunhar possíveis truculências, em um caso flagrante de omissão profissional. Uma viatura da Polícia Civil estacionou na entrada do terreno e policiais desceram em direção da casa cerca de cinco ou dez minutos antes da chegada dos agentes municipais, mas ao verem uma câmera de vídeo retornaram ao carro (o que faz crer que, com a ausência de uma câmera para testemunhar, a ação poderia ter sido mais severa).

 

Sob a justificativa de que se tratava de área de preservação ambiental, não houve notificação prévia do despejo, pegando todos de surpresa em um dia de muita chuva e lama. A casa, construída dentro de um loteamento reconhecido pela própria prefeitura (ver mapa em anexo), em terreno comprado com dinheiro próprio, foi derrubada logo em seguida, sem nenhuma chance de conversação.

 

Os agentes públicos já entraram na propriedade dizendo ao Pajé Shimon Tenetehara que arrumasse “suas coisas”, pois teria que sair imediatamente e “decidir logo” se iria com a família “para um abrigo ou de volta para o Maranhão”. Diziam ao Pajé, entre outras coisas, que é difícil arrumar matricula nos colégios públicos da cidade e que os seus filhos “tomam as vagas de crianças de Niterói”.

 

Um dos agentes municipais que coordenavam a operação se recusou a falar – por celular - com o advogado da família, Arão da Providência, da Comissão de Direitos Humanos da OAB - que se encontrava preso em um engarrafamento na Ponte Rio Niterói, se dirigindo para o local com a escritura do terreno e o mapa do loteamento – mandando derrubar a construção imediatamente. Alegaram que uma árvore havia sido cortada pelos indígenas, o que caracterizaria crime ambiental, mas registros em vídeo feitos no terreno antes mesmo da chegada da família Guajajara (e durante todo o processo de construção da casa) provam que o local era um antigo campo de futebol tomado por um capinzal – não havendo árvores a serem cortadas.

 

Diante da alegação de que - exatamente defronte ao local aonde os agentes estacionaram as viaturas - há um casarão de dois andares com cerca de 20 árvores cortadas no terreno (os tocos escandalosamente aparentes) e que a 50 metros da humilde casa Guajajara há uma mansão de três andares construída sobre a pedra (o que é ilícito ambiental previsto pelo Sistema Nacional Único de Conservação) e habitada por norte-americanos, fica claro que a mega-operação da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói contra a habitação indígena se caracteriza como um nítido exemplo de racismo e perseguição contra os índios brasileiros, os servidores municipais se calaram e seguiram no seu trabalho de coação e destruição.

 

Enquanto a casa era derrubada, membros do Conselho Tutelar afirmaram com cinismo terrorista que era preciso “levar as crianças”, pois estariam “expostos em situação de risco sob a chuva” (as crianças, todas matriculadas em escolas públicas da região estavam bem, felizes e protegidas da chuva e sob o amparo e o aconchego familiar momentos antes da operação que derrubou o seu lar – como provam as imagens em vídeo). A tortura psicológica cruel e desnecessária - imposta por puro sadismo, como um tormento a mais - só cessou quando chegaram os parentes de Shimon Tenetehara que vivem no Rio de Janeiro, entre eles um advogado.

 

A esposa do Pajé, Maria, que teve pertences destruídos, passou mal durante a operação, desmaiando e ficando caída no chão. Nenhum dos cerca de 50 servidores e representantes municipais, tão ciosos em aterrorizar a senhora, que sofre com a pressão alta, fez a mínima menção de socorrê-la ou de chamar uma ambulância. As crianças choravam em desespero sob a indiferença dos agentes.

 

Durante a ação, o taxista Marcos Miranda teve o seu direito de ir e vir cerceado por um policial civil que o mandou parar, sendo impedido de aproximar seu carro do terreno, mesmo tendo declarado que estava fazendo um trabalho para o advogado Arão da Providência – só podendo subir a rua com a operação finalizada.

 

Agentes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói já haviam estado no terreno na segunda-feira, dia 22/02, alegando que averiguavam uma denúncia de que haviam “cortado uma árvore” e expressaram a preocupação com a possibilidade do local se transformar em uma “favela indígena” (o que denota mais inquietação quanto aos danos na cotação da área no mercado imobiliário do que propriamente com a questão ambiental). No dia seguinte, representantes da família indígena foram à Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói e conversaram com os fiscais que lá estiveram e esses disseram que não havia processo administrativo nem flagrante ambiental, afirmando que nada fariam contra a família que se encontrava no local.

 

Na ocasião, os representantes Guajajara – proprietários do terreno – manifestaram o interesse de apresentar ao secretário Zaff um Plano de Manejo Sustentável, projeto que daria destinação à propriedade, aprovado pelas populações tradicionais de Niterói e pelo Fórum Estadual Intersetorial “Voz aos Povos: Quilombolas, Assentados e Acampados Rurais, Indígenas e Pescadores Artesanais”, entre outros conselhos. Ficou marcada uma reunião com o secretário Zaff para ontem, dia 26/02, às 11 horas da manhã, o que indica que esse atropelo de agenda feito pela secretaria – em ação, marcada pela total ausência de contraditório e pelo desrespeito à dignidade humana, sobre uma área na qual não havia processo administrativo até o dia 23/02 – pode ser interpretada como fruto de decisão pessoal de José Carlos Fernandes, o Zaff , que não quer saber de projeto de manejo sustentável, muito menos de famílias indígenas habitando em Niterói.

 

Ontem, 26/02, agentes municipais foram de manhã à casa de uma vizinha solidária, moradora tradicional, e com uma atitude debochada, rindo e fazendo piadas de mau-gosto, retiraram pertences da família indígena que ela havia guardado e levaram para o Depósito Municipal.

 

O atual secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Niterói - herdeiro da Expresso Barreto, uma das empresas de ônibus que mais desrespeitam o usuário no município - é bem conhecido pela sua ligação afetuosa com o mercado imobiliário. Quando vereador, Zaff não apenas demonstrou ser um ótimo amigo das empresas do ramo, como apresentou moção de congratulação à Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Niterói, a ADEMI, em 2007. Uma das realizações de Zaff quando edil foi a de conceder título de Cidadão Niteroiense ao seu bom camarada Stuessel Amora, um nome fortemente ligado à especulação imobiliária que promoveu campanha impiedosa e racista contra a presença de índios em Niterói em 2008, apresentando, inclusive – por meio da Soprecam, entidade da qual é eterno presidente -, uma liminar acatada por um Juiz da Terceira Vara Federal visando “impedir o aumento da população indígena em Camboinhas”.

 

Engana-se quem pensa que o Governo Jorge Roberto Silveira cometeu um equívoco ao escolher um personagem tão desvinculado ao ambientalismo como José Antonio Fernandes para a pasta de Meio Ambiente e Recursos Hídricos. O prefeito – cujo ato final de seu último governo foi a aprovação do PUR (Plano Urbanístico Regional), que passava por cima de toda legislação ambiental e de proteção ao patrimônio histórico, prevendo edificações sobre áreas de proteção ambiental e sobre sítios arqueológicos da cidade – paga ao jovem herdeiro do setor de transportes a sua fidelidade ao setor imobiliário.

 

A ação covarde e racista promovida pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos no loteamento coalhado de placas de “vende-se” (não é segredo para o poder público municipal que o terreno ao lado da casa do Pajé está sendo vendido com o “habite-se” incluído, o que significará uma derrubada considerável de árvores), sob a alegação de se tratar de uma “área de proteção ambiental”, demonstra uma clara preocupação de que a área desvalorize com o possível surgimento de “uma favela indígena” - segundo a expressão cunhada por Stuessel Amora - e nenhuma preocupação com o meio ambiente em si.

 

O único crime que os Guajajara desalojados em Maravista cometeram foi o de serem pobres – indígenas – e de construírem uma humilde casinha de taquara; o único “ilícito” cometido pelo Pajé Shimon Tenetehara foi o de ser indígena e ocupar – legalmente – uma área cobiçada pela especulação imobiliária.

 

A dor e a impotência do casal indígena e o terror experimentado pelas suas crianças ficarão gravados na carne. Dinheiro algum pagará por esse dano. Graças à imagem em movimento – e à invenção da câmera digital - esse terror ficará para sempre marcado na carreira política do senhor Zaff, junto ao seu desprezo pelas populações pobres e marginalizadas, o seu racismo, a sua desfaçatez, a sua total ausência de compaixão, a sua covardia. O Governo Jorge Roberto Silveira tenta imprimir – a ferro e fogo – a imagem de que a Região Oceânica de Niterói não é “Terra de Índio” e, sim, uma Mônaco provinciana destinada a novos burgueses e bem-nascidos. Mas a verdade luminosa que o Brasil inteiro é – por direito ancestral – berço e morada legítima dos Povos Originários – e de seus descendentes – para sempre resplandecerá nessa terra.

 

 


Fonte: Murilo Marques .

Nuvens

Saem do olhos, saem do céu,

saem da mente as nuvens.

Haja luz para tanta escuridão,

só o sol é fiel.

E vem a dor da claridade,

o fogo que queima a íris,

as chamas criando cinzas

das cinzas da verdade.

Saem as nuvens, sobe o pó,

o que era, não é mais.

A alquimia traz o nada.

Antes tão grande, hoje menor.

 

 

quarta-feira, 3 de março de 2010

Consumo, presentes, entre outras coisas

As pessoas enchendo seus carrinhos no supermercado. De tudo um pouco e caixas de cerveja, garrafas de vinho, smirnoff ice. Todos querem "relaxar", "curtir" (?), beber do néctar que entorpece a mente e o corpo em relação aos problemas e aborrecimentos da vida. A existência está reduzida a isso? O quanto conseguimos realmente aguentar? No meu carrinho 100g de salaminho para comer enquanto bebo umas latas de cerveja itaipava que ficaram largadas na geladeira. Uma garrafa de vinho demi-sec frisante para misturar com licor de cassis e fazer um "kir" improvisado. Preferia uma garrafa de chandon ou coisa melhor, mas a vida não está para gastos desse tipo. Me prometi voltar ao mercado quando estiver mais perto do meu aniversário para me dar de presente coisa melhor. Fiz uma lista mental de presentes e me surpreendi com o quanto eu mudei. 
  1. biografia de "Bonnie and Clyde"
  2. LG touchscreen ou smartphone touchscreen
  3. pen drive de 4GB ou mais
  4. pingentes dos símbolos dos meus Orixás (de ouro porque não usaria outra coisa para representá-los)
  5. uma caixa de Imedeen
  6. uma caixa de Ineov
  7. perfume poison (todos, amo todos)
  8. máscara para cílios da clinique
  9. sapatos e mais sapatos pois estou sem nenhum
  10. adoro ganhar lingerie mas não é qualquer um que pode me dar, né?
  11. shampoo e condicionador kerastase, lanza, sebastian, matrix...
  12. queria um chapéu de malandra... rsrsrs
  13. estou precisando de óculos escuros
  14. prancha de cabelo (mas acho que vou ganhar da minha cumadre), eu nem uso muito, mas é importante quando faço franja... rsrsrs
  15. livro "Ewe Orisa"
  16. livro "Orixás", "Lendas africanas dos Orixás", "Nota sobre o culto aos Orixás e Voduns" - Pierre Verger
  17. livro "Comida de santo"
  18. livro "Marley e eu"
  19. livro "O mundo de Sophia"
  20. mais uma tatoo

Que lista mais doida e sem sentido. E fui para a cama pensando na lista. E li os posts que escrevi nos meus últimos aniversários. E chorei muito. E não dormi. Agora são 07:07am e eu ainda estou aqui, escrevendo sobre coisas que eu gostaria de ter, que eu gostaria de ganhar, pensando nos meus últimos aniversários e no que eu estava sentindo naquela época. E a única coisa que eu consigo pensar nesse post de aniversário, além da lista de presentes que existe na minha mente, é que eu preciso urgentemente pintar o cabelo pois odiei o preto que usaram para disfarçar as luzes que eu não tinha gostado, que eu preciso fazer as unhas pois não as faço desde meados de janeiro, que eu preciso fazer manutenção dos tratamentos para manter o corte que eu escolhi e nas roupas e acessórios que eu gostaria de usar na minha festa. Me conhecendo como eu conheço isso significa que eu estou fugindo a mil por hora dos problemas principais, pois é totalmente contra a minha personalidade estar pensando isso a essa altura do campeonato. São coisas que não me importam nem um pouco na verdade e nunca importaram. Mas dizem que consumir é uma válvula de escape, né? e que ganhar presentes acalma a alma e o coração. Estou há um mês sem medicação e os obstáculos mais idiotas estão aparecendo para me impedir de comprá-los. Será um aviso, um sinal? Ou será que eu estou mais fodida do que imagino? Vai saber!

terça-feira, 2 de março de 2010

Meu aniversário, entre outras coisas

Faltam 10 dias para o meu aniversário. Faltam 9 dias para completar 1 ano do falecimento da minha avó. Faltam 10 dias para completar 1 ano em que a minha vida mudou para sempre e que tudo o que eu conhecia desapareceu e se modificou violentamente. No aniversário do ano retrasado eu "casei" e ganhei da minha avó um presente inesquecível, no do ano passado eu a enterrei e no desse ano eu pretendo me acabar de dançar e beber até cair. Que loucura a diferença entre esses 3 anos. Não sei como será e pra falar a verdade eu estou morrendo de medo. Não sei passar o aniversário sem a família que eu conhecia e eu não tenho mais essa família. Eu sou uma pessoa franca e, por mais que eu tente ser comedida no blog, há coisas que eu não consigo deixar de falar. Meu aniversário está chegando e eu não sei se quero estar ao lado de algumas pessoas. Também sei a cara de quem eu não quero ver de jeito nenhum. Sei que estou numa fase completamente descontrolada e que minhas atitudes podem ser extremas se algo estragar a minha felicidade nesse dia e sei que isso é ruim. Quero convidar mas quero deixar bem claro que o convite é individual. Quero deixar isso bem claro para algumas pessoas. Eu não vou estar bem. Eu vou sorrir, eu vou beber, eu vou dançar e com certeza estarei bem espirituosa, mas por dentro eu sei que vou estar na merda, destruída e que vou estar por um fio em relação à minha sanidade mental. Eu me conheço. As pessoas comentarão o quanto eu estou bonita, o quanto eu estou bem para a minha idade, elas irão rir muito comigo e de mim... eu chamarei a atenção ao dançar, farei amizade com o barman e perguntarei o nome dele e ele vai caprichar na hora de botar a bebida no meu copo, eu sei porque é sempre assim. Sei que vou passar todo o momento dentro da boate, ou em qualquer uma das festas que estou planejando completamente presente até o momento em que der aquele estalo. Aí, fodeu! É o mês 8 ou 80. O mês em que eu estarei comemorando e cortando os pulsos ao mesmo tempo. O mês em que eu estarei sorrindo radiante para todos e me escondendo nos cantos dos lugares, nos banheiros, para chorar e sentir toda a dor que eu já estou sentindo. Uma confusão só. Prazer e dor, sorrisos e lágrimas, festa e luto. Estou marcando a missa para todos os meus familiares: pai, mãe, e os avós que morreram todos nessa época, incluindo minha avó que eu enterrei no da do meu aniversário no ano passado (apesar de não lembrar do enterro e de nada). A data em que eu nasci se tornou também a data em que eu enterrei a minha avó. Que merda né? Que venham as festas então. E as lágrimas. E peço aos Orixás que eu sobreviva a esse mês e que não mate ninguém também. Espero sinceramente que as pessoas tenham a consciência de tudo isso e não ultrapassem certos limites que não devem ser passados. Espero que respeitem a minha data, essa data, e que não me façam lidar com coisas que eu não tenho que lidar e que não estou nem um pouco interessada em lidar. Espero que percebam que eu estou por um fio e que isso não é bom. Dez dias e feliz aniversário para mim, entre outras coisas.

segunda-feira, 1 de março de 2010

No embalo da chuva

A chuva cai lá fora como uma dádiva, como uma canção. Eu lavo o banheiro, cheiro de lavanda, silêncio e meditação. Minha filha dorme como o bebê que já não é mais na minha cama cansada da manhã na escola. O apartamento parece dormir com ela. Se todos os dias fossem assim... que maravilha viver! O coração apertado preocupado com os amigos no Chile. O coração mais leve com a cura que está chegando com Orumilá. Salve Oxum! Salve Iansã! Salve Otolu! E os Orixás voltam a responder. O quarto da minha pequena é uma bagunça só. Do jeito dela, bem moleca. E eu recolho fronhas sujas, lençóis, cobertores, roupas. E recolho lembranças, pensamentos, esperanças, risos e manias insuportáveis deles dois. Sapatos largados pelos cantos, meias e camisas amarrotadas. E a minha pequena, que já não é mais tão pequena, dorme na cama embalada pelo friozinho da tarde chuvosa e pela cantiga dos pingos que batem no chão, nas plantas, no ar. Quero que o tempo pare e que eu possa gravar esse momento singelo, caseiro, dentro de mim. No final das contas não importa o turbilhão da vida, importa essa pequena, esse apartamento, esse barulho gostoso da chuva lá fora. Importa as msgs deixadas pelos amigos e pela minha irmã no orkut, no facebook e no universo virtual. Importa esse cara que levanta todo dia às 5:30h para garantir que os meus remédios sejam comprados, que ela tenha biscoitos para lanchar e que eu seja mimada como sempre fui com tudo o que é possível ser dado por ele. Mesmo nos momentos mais difíceis eu nunca fiquei sem meus dois vícios - internet e tv a cabo. O resto é tão pequeno, tão insignificante perto da grandeza de tudo isso e desse momento. O resto é o resto. Resto é lixo, comida para os porcos e para o lixo do astral. Eu só vejo luz em tudo isso o que eu vivo. Uma pequena luz de 8 anos, uma grande luz de 37, um luz muito elevada de 33 e outra pequena luz de 7. E muitas outras luzes que me cercam e me iluminam. Que delícia esse barulho da chuva! No meio desse aconchego todo eu tenho que voltar para algo mais "terra", mais "chão". Eu tenho que acabar de arrumar o meu apartamento e voltar para a vassoura. rsrsrsrs