quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Espelho

E todas as pessoas se olharam no espelho da vida e viram a verdade. 
A verdade feriu e desorientou os que eram seguros de si.
A verdade curou e orientou os que eram inseguros a respeito de si mesmos.
Os bons enxergaram que também eram maus.
Os orgulhosos e vaidosos enxergaram seus defeitos.
Os crentes em suas religiões enxergaram sua falta de fé e de amor pelo próximo.
E assim foi enquanto todas as pessoas vivenciavam o espelho de suas vidas.
E todos acharam que a verdade transformaria as pessoas fazendo os aspectos ruins se tornarem bons. Houve esperança para os seres desse mundo.
Todas as pessoas voltaram às suas vidas comuns e por algum tempo carregaram o espelho dentro de seus corações transformando e curando.
O tempo passou, como sempre passa.
E a verdade foi recolocada no seu lugar.  Longe das mentes e dos corações.
E foi como se nada tivesse acontecido e cada um voltou a viver para si.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Força

São 3 horas da manhã de um dia que vai ficar marcado na minha vida.  Ter Santo não é uma questão de ritual, é uma questão de fé, de confiança e de entrega.  Eu tenho Santo.  Várias coisas indicaram dentro de mim que o meu Santo não estava satisfeito com alguma coisa, mas eu não sabia o que podia ser, mas eu tenho certeza que eu tenho Santo e a minha confiança Nele é tão maior que qualquer coisa na minha vida que eu senti e entreguei nas mãos Dele, pois eu não tinha como saber o que estava acontecendo.  Ele me guiou através de diferentes caminhos (alguns opostos inclusive), diferentes pessoas, diferentes insights e eu resolvi seguir cegamente tudo o que pintasse pela frente. O resultado tem sido incrível e sei que ainda há muita coisa para acontecer nesse caminho louco que eu estou.  De tudo ficou a certeza de que Eles são a minha força motriz. Eu pensava que eu estava mais uma vez naquela ladainha de lamentações e tendências depressivas, mas descobri uma força, um tufão aparecendo dentro de mim.  Essa é a palavra que eu mais sinto no momento: força.
Aprendi que santos e puros são apenas os Orixás e os Voduns. Aprendi que esse é o momento em que eu mais precisarei confiar nos Santos que eu tenho.  Conheci alguém que ainda é pura de coração.  Agradeço a Eles por me mostrarem o caminho, por me mostrarem opções, por me fazerem ouvir diferentes vozes dizendo a mesma coisa e por me amparar quando eu estava prestes a cair. Cair feio.  Não consigo dormir, pois tenho muito o que pensar e refletir. Preciso me preparar. Mas dessa vez eu não vou com a inocência que eu tinha no meu coração e nem disposta a me calar.  Domingo eu vou acabar as minhas tatuagens. Eu amo tatuagens. Gostaria de poder fazer mais. Nas minhas veias o sangue que corre é quente.  O meu peito pulsa forte. Algo está para acontecer, algo grande.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sem memória

Quinta feira fui me consultar com o psiquiatra que trabalhava com a mamãe, na clínica em que ela era sócia.  A Sophia foi comigo.  O caminho já foi um ritual de passagem, uma sucessão de memórias e sentimentos. Acabei estacionando no mesmo lugar que estacionava com a mamãe (lembrava vagamente do lugar) e não sabia o que esperar.  Olhava em volta e reconhecia cada pedacinho daquele lugar que foi uma parte tão importante da minha infância. Lojas, lanchonetes, e o famoso calçadão com aquela loja de quina na esquina da rua.  Andei com a Sophia sentindo aquele aperto dentro de mim e tentando explicar o que significava cada coisa e o que eu estava sentindo.  Então aconteceu um lance muito estranho.  Eu parei em frente ao local onde costumava ficar a clínica em que passei a maior parte da minha infância.  Eu olhava para a frente e via a clínica na minha mente mas não havia mais nada ali.  Havia sido demolida e estava em obras.  Não havia mais nada ali, nada que era tão importante pra mim e que representava tão bem a minha mãe e o que nós tínhamos vivido juntas. Ela trabalhava, às vezes eu dava uma de secretária, lanchava nos lugares em volta, ia na lojas americanas comprar um monte de chocolate, bala, refri, coxinha de galinha, etc etc etc...  Depois, passava a maior parte do tempo na sala do psiquiatra, que não trabalhava no mesmo dia que ela, e dormia no sofá, fingia que era psicanalista, fazia dever de casa, lia revistas, livros.  Ele me chamava de Tatibitati.
Minha mãe morreu há 10 anos.  Não ia nesse lugar desde um pouco antes dela morrer.
Cheguei lá e não reconheci a clínica, não sabia para onde ir, liguei para a secretária (que é a mesma até hoje)  e ela me guiou para a clínica que eu já tinha ido milhões de vezes.
Eu simplesmente apaguei o local da minha mente.
E quando aquele psiquiatra que me chamava de Tatibitati me viu, além de não me reconhecer me tratou como uma qualquer.  Sequer olhou para a minha filha ou fez questão de conhecer.  Foi frio, rápido e controlado como uma caricatura de um psiquiatra, daquelas que a gente vê em filme, com óculos na ponta do nariz e fala mansa, baixa e pausada.
Depois levantou, me deu uns remédios, mandou eu voltar em 15 dias  e...
apertou as minhas mãos...
o cara que me viu nascer, crescer, que me chamava de Tatibitati apertou as minhas mãos, passou por mim e saiu sem olhar para trás, sem olhar para a neta da pessoa que trabalhou com ele por mais de 20 anos e que foi sócia dele, e que frequentou a casa dele...
Eu pirei.
Eu estou pirada.
Não sei o que pensar ou o que fazer.
Pra ajudar meus amigos mais próximos e familiares não têm noção do que tá acontecendo comigo, dentro de mim, dentro da minha mente, de como eu estou completamente perdida, enlouquecida, doida.
Que bom que ainda consigo me analisar e enxergar tudo isso.
Mas até quando?
E como é que eu apago isso da minha memória? e porque ?
Às vezes a gente sorri chorando por dentro.
Às vezes a gente ganha perdendo.
Às vezes a gente vive morrendo.

"Algo"

As noite continuam passando, as rugas continuam chegando, tudo mudando...
nada mudou
continuo desejando a liberdade que prende nossa alma no tempo
continuo desejando o êxtase que só é possível se entramos de cabeça no desconhecido,  ou se entramos furtivamente numa fantasia de sedução
Não é pelo resultado, é pelo caminho até ele.
A deliciosa caminhada dos sinais e dos símbolos que terminam numa explosão de... "algo"....
Quero meu "algo" sempre diferente, sempre inesperado, sempre cheio de cenários inusitados...
Quero aquele convite no meio da madrugada, quero um sequestro louco, quero um beco escuro.
Minha inspiração de poetisa anda parada, em greve, anda bloqueada...
Minhas outras inspirações continuam a ebulir pelos meus poros me encharcado de suór e molhando minha pele...
Continuo à espera... mais do que nunca estou solta, liberta da prisão do que havia meu tornado...
Lap top, garrafas e mais garrafas de smirnoff black ice e uísque...
nada de gelo, pra que gelo?
Meus caminhos sempre serão repletos de fantasia....
Os duendes e gnomos da  mamãe, as fadas e entidades da minha vida, e as histórias que brotam na fonte da minha mente....
Sempre serei sedenta do novo, das histórias, das fantasias...
Falo de tudo, falo de todos, falo de você.
No momento, preciso falar de mim e do que estou esperando agora.

Amigos e amigos

De que adianta crescer? Observo meus amigos de longa data, pessoas que cresceram comigo, me observo e vejo as mesmas crianças de sempre.  Sentimentos de posse, vingança, intolerância, desejo por poder, por mais e mais e mais dinheiro.  E as coisas boas que deveriam se desenvolver dentro de nós? Até mesmo para passarmos como exemplo para os mais novos, para os nossos filhos. Fala sério!
Um se escondendo do outro, um querendo ver o outro morto, um sem falar com o outro... e não estou falando de casos isolados, estou falando de muitos... isso é que é pior!
Por isso que o mundo é como é.  Ninguém consegue resolver suas questões, sempre tem que ter uma confusão, e todo mundo é culpado e todo mundo é inocente.
Não quero fazer parte disso.  Como posso fazer para não participar disso?
Não quero ficar sem falar com ninguém, mas também não quero amizades que me tragam coisas ruins, que me coloquem para baixo.
Não é o mundo que precisa ser curado, somos nós.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

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Cheguei a conclusão que tem certas coisas que não fazem o menor sentido.  Tanto dinheiro para nada.  Não se aproveita, não se vai a uma peça decente de teatro, a um show.  O pior é ter dinheiro e não ter porque se seu dinheiro está emprestado ou "investido" na mão de outras pessoas, na verdade você não tem dinheiro nenhum.
De que vale isso ?
Estou ficando cada vez mais cansada dessa situação.
Eu deveria estar vivendo, aproveitando, investindo em mim mesma, curtindo a vida.
E as outras pessoas é que estão fazendo isso.
Estou com muita muita raiva, estou triste, estou magoada, estou decepcionada.
O pior é que a culpa é minha.
Nossas prioridades mudaram e eu nao sei o que fazer.
Preciso tomar uma atitude. Urgente. Ou vou pirar ou morrer.

Véu

Imaginem tirar o véu da frente do seu rosto depois de anos de escuridão?
Como na "caverna" de Platão, o que pode assustar mais:  a ignorância ou o conhecimento?
Enxergar o que não se quer pode desencadear um desastre, liberar um monstro enraivecido e magoado de dentro de nós.
Queimo por dentro. Estou perdida. Enraivecida. Tenho medo do que pode sair de mim.
Era mais otária do que diziam, na verdade mais otária do que poderia ser possível.
Mas não sou mais.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

A louca

O maior talento da louca é parecer sempre normal e feliz.  A dor cresce como uma erva daninha dentro do peito e de repente destrói tudo por dentro e por fora.  O maior erro da louca é achar que consegue lidar com seus problemas sozinha.  Os problemas a dominarão sem que ela perceba.  A louca pensa que se socializa, mas é uma ilusão.  Ela será eternamente sozinha, pois nem mesmo outra louca conseguirá perceber a dimensão e a complexidade do seu problema.  É uma vida solitária e ilusória.  Dentro da sua mente existem outros mundos, existem vozes, existem outras pessoas, existem ordens que só ela ouve, existem paranóias, obsessões.  A louca tem duas opções: viver a batalha que é ser ela mesma, ou desistir da luta e morrer.  A lâmina estará sempre sobre a sua cabeça.  Às vezes, tão perto que tirará um pouco do seu sangue, às vezes tão longe que ela acreditará que é feliz.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Pedaços de mim

Desnuda a minha alma
se achar algo me conta
quero descobrir quem sou
juntar os pedaços com vida própria
misturar eu e eu e eu
demorar em cada uma
cada uma que eu sou
existir em cada dimensão
espalhar meu espírito
sair um pouco de mim
não preciso fazer sentido
só preciso coexistir

Carnaval vem aí

Vou passar o carnaval no Rio, mas tô puta. Queria muito viajar, ir para outra cidade, curtir uma praia, uma bagunça. O resguardo de Santo termina só no domingo e não quero deixar a vovó sozinha. Acabei de ler que a Britney Spears está na fase maníaca do transtorno bipolar dela e está doidinha. Tento lembrar se eu cheguei a ficar assim alguma vez. Estou tomando só um remédio agora e tenho tanto medo de passar por isso de novo. Eu até gostava de ficar doidinha, cá entre nós, mas eu sempre fui uma doidinha "tranquila", se é que existe isso. Tanta tranquilidade e calmaria às vezes me deixa de saco cheio. Tenho pena dela. Acho que ela gosta disso porque com certeza ela sabe que pode ser tratada. Mas ficar doidinha é muito bom.
O foda de ficar em casa no carnaval é que todos os seus amigos estão viajando e você fica sozinha. Queria curtir um churrasco, uma macarronada em casa, uma cervejinha gelada com uma musiquinha... Será que só eu ainda tenho essa pilha toda, ou será que eu fiquei presa nos programas que meus pais faziam e não percebi que a "onda" agora é outra ??? hahahahaha
Será que eu sou um dinossauro ???
Estou com uma virose que me deixa com diarréia o dia todo e não consigo levantar da cama, então a única coisa que eu tenho para fazer hoje é escrever, escrever, escrever...