sexta-feira, 29 de agosto de 2008
sábado, 23 de agosto de 2008
Dia após dia (surreal)
Porque deveria?
Um grande desperdício,
apenas mais um dia.
Chegadas e partidas,
tantas que eu não queria.
Continuar é um suplício
para uma alma que já teria
ido, voado, subido, passado.
Ninguém entenderia.
Horas que são séculos,
anos que são um dia!
Um capítulo dessa novela e
cenas que ninguém mais cria
Telas de Dali.
Ele entenderia.
Meu tempo acabou faz tempo,
continuo aqui, quem diria?!
Surreal?
Dia após dia.
Alerta
'Venho aqui alertar a todos sobre um perigo real e desconhecido do grande público, e pedir para que divulguem para o maior número de pessoas possível No começo, achei que o acidente que ocorreu com meu bebê de 1 ano e 2 meses fora uma fatalidade,apenas, mas o médico que o atendeu, que ficou tão escandalizado com a dimensão do ferimento, me alertou que isso vem se tornando caso comum. Decidi então consultar algum advogado para saber se havia alguma ação judicial por danos, lesão corporal culposa, e ele me afirmou que já havia dúzias deles. Mas percebi que poucas pessoas são alertadas para esse perigo. Eu estava no shopping Galeria, em Campinas, onde moro, com meu filho, Evandro, na época com 1 ano e 2 meses. Depois de ele, e eu, conseqüentemente, nos sujarmos de sorvete, fui com ele ao banheiro do shopping pra lavar as mãos e um pouco da roupa. Após limpar-nos, coloquei-no apoiado sobre minha perna e me pus a secar nossas mãos naquele secador de mãos com vapor quente, o 'INFERNO PORTÁTIL', literalmente. Logo que o 'bicho' foi acionado, meu filho levou um susto e, com o espasmo do susto, seu braço foi direto no ferro por onde sai o vapor. Ele deu um grito, e continuou gritando com o braço lá. Foi tudo muito rápido frações de segundo, mas pareceu uma eternidade pra mim, e principalmente pra ele! Eu, num impulso próprio de mãe, agarrei o braço dele para puxar, pois achei que a força dele não era suficiente, ainda mais com tanta dor; e foi aí que senti a corrente elétrica também. Percebi que meu filho não estava sendo apenas queimado pelo calor do aparelho, mas também pelo choque que estava levando. Fomos salvos porque gritei, 'tá dando choque', e uma senhora ao lado teve a presença de espírito e a rapidez de puxar a tomada próxima. Meu filho chegou a desmaiar, e eu por muito pouco não desmaio também. A Senhora que puxou o aparelho maldito da tomada é Médica, e me levou primeiramente ao posto médico do shopping. No meio do caminho, já percebemos a gravidade. O braço do meu filho estava em carne viva. Ela me deu um calmante e a ambulância presente no shopping nos levou até o pronto socorro infantil do Hospital Vera Cruz. Lá, o médico que nos atendeu ficou horrorizado com a dimensão do ferimento. E ele me explicou que o real perigo destes secadores é justamente não ter um isolamento adequado, pois a mão está molhada, e gotículas podem ser sugadas e/ou entrarem em contato com o interior do aparelho e causarem um choque. Todos sabem que eletricidade e água não combinam, parece que só os inventores deste troço é que não fazem idéia disso. Meu filho ficou, além de muito traumatizado e com dores fortes - mesmo sob medicação -, internado por um mês tomando antibióticos e analgésicos fortes fez já 3 plásticas para reconstruir a mão e o ante-braço, que tinham queimaduras de 3o grau; uma delas em Baurú. Hoje, um ano depois do fatídico dia, ele ainda tem várias cicatrizes, perdeu a sensibilidade em algumas partes, mas, Graças a Deus, o funcionamento de mão/braço é praticamente normal. Entrei com uma ação penal contra o Shopping e contra o fabricante do maldito 'inferno portátil', a tal de PALLADIUM, e, repito, não sou a única. Alerto mais uma vez sobre o PERIGO REAL destes aparelhos. Se não tiver toalhas de papel no banheiro, ou carregue consigo uma, ou deixe as mãos se enxugarem sozinhas, ou na roupa, mas FUJAM destes objetos. Só eu, e com certeza demais vítimas, sabem bem o que eu passei e ainda passo DIVULGUEM, por favor. Obrigada, Anendra Soares Vidigal, Professora de Ensino Fundamental em Campinas, SP |
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Pequena tigresa
melhor pedaço de mim
do caos, do nada, do todo,
do não que se torna sim.
Olhos negros, felinos,
pequena tigresa, Sophia,
volátil luz no ar,
salta as nuvens, esguia.
Te descubro, me descubro
em cada olhar, cada sorriso,
pedaço de minha alma,
absoluta, tudo que eu preciso.
Crise (de novo!)
Bem, eu não acordei de cabelo vermelho e nem cortado, não terminei minhas tatoos, mas fui no churrasco do meu irmão (motivo pelo qual não fiz mais nada). Ultimamente tá complicado ficar legal, mas estou tentando. Eu não passava por um momento assim há muito tempo, onde tudo está uma merda e parece não ter saída. Sorrimos para as pessoas e elas nem imaginam o que estamos passando em casa, o que estamos passando juntos, o que estou passando sozinha. Ao mesmo tempo sinto uma fúria dentro de mim, uma vontade de lutar e vencer. O pior é que a culpa é toda minha. Isso está acabando comigo. Eu vejo o Dio nervoso e meu coração se aperta. Se eu fosse ele, se eu fosse meu irmão, minha irmã, eu com certeza me colocaria numa clínica psiquiátrica. Eu estou no meio de uma crise, eu estou dando todas as dicas e ninguém está me ouvindo.
Transmutação (ou não...)
Eu sempre soube que jogar paciência spider tinha algum "significado oculto, espiritual, transcendental", sei lá. Jogar era um momento de silêncio, de raciocínio, reflexão, um mundo só meu que não admitia a invasão de terceiros, nem mesmo da Sophia.
São duas horas da manhã e eu vim dormir na Barra porque a Sophia pediu e porque eu gosto de ficar perto da vovó, mas não consigo dormir direito, não consigo me acomodar e já não tenho dormido de verdade há muito tempo.
Estava assistindo TV e jogando paciência spider, pra variar, quando comecei a pensar em umas coisas...
Lembrei da mamãe e das coisas que fazíamos juntas como, por exemplo, freqüentar o templo budista tibetano, fazer meditação, entre tantas outras coisas. Eu era meio hippie, meio dark, meio qualquer coisa, mas eu me sentia bem mais equilibrada e mais parte do mundo.
Difícil explicar.
Percebi que não é que as coisas à minha volta estejam erradas, apesar de algumas estarem.
Como já havia dito antes eu estou em curto-circuito, mas só eu posso me consertar.
Preciso voltar a essas raízes que a minha mãe plantou junto comigo como se quisesse deixar o caminho marcado para mim. Tem certas coisas que nunca darão certo e certas coisas que sempre estarão lá e darão certo para mim.
Não é uma fórmula mágica para resolver todos os meus problemas, mas é um caminho para tentar recuperar meu equilíbrio.
O meu maior entendimento foi perceber que existem coisas que precisam ser adaptadas à evolução do tempo na nossa vida.
Eu tenho o corpo que eu mereço ter pelo o que eu venho fazendo com ele.
Eu tenho a pele que eu mereço ter pelo mesmo motivo.
Eu tenho a vida que eu mereço ter porque eu me joguei na correnteza e me deixei levar por ela.
Eu sou a governante da minha vida.
Ninguém pode mais do que eu, só meus Orixás, só os Deuses.
É bater a cabeça e o tambor num dia e ir orar mantras e meditar no outro.
Energias diferentes? Com certeza. Mas tudo pode funcionar junto com moderação e equilíbrio.
O que eu sei é que eu preciso dos dois.
Gosto de mudanças radicais para marcar viradas na minha vida. Foda-se que algumas pessoas pensem que é imaturidade. Eu nunca disse que era a mais madura do mundo. (hahahahahahahahahahahahahahahha)
Tomadas tais decisões eis minha listinha básica (algumas coisas não são tão novidade assim, eu já fiz antes, mas sinto uma IMENSA vontade de fazer de novo e, by the way, foda-se que eu já não tenho idade para certas coisas, também não tive idade pra coisa muito pior antes e fiz)
- pintar o cabelo de vermelho filme de terror
- cortar o cabelo (dessa vez não vou passar máquina zero. Acho eu.)
- voltar a pintar e desenhar
- voltar a dançar
- passar mais tempo no mato
- todo fim de semana fazer um picnic ou uma caminhada
- abolir alimentação ruim e usar a que mamãe ensinou
- trepar mais, muito muito mais
- sair mais com meus velhos amigos (os velhos amigos que já curtiam comigo desde o tempo da mamãe)
- voltar integralmente à minha casa de Santo
- voltar ao templo budista
- meditar e orar todos os dias
- voltar a nadar
- voltar a ir à praia
- voltar a ser quem eu sou sem reservas e assumir tudo em que acredito
- ecologicar
- sair pra dançar nem que seja sozinha
- e mais e mais e mais e mais...
Parece meio óbvio e ridículo, mas considerando a inércia e a depressão em que estou, ou melhor, estava presa, isso tudo é muito importante.
Amanhã vou terminar minhas tatoos, meu camarada virá aqui em casa me fazer sofrer um pouco. São 3 imensas borboletas na metade das costas, uma tatoo na parte superior do braço e uma na nuca. Isso só amanhã. Encontrei com ele no mercado de casa hoje, pode? hahahahahaha
Semana que vem corro atrás do resto.
O mais difícil está sendo voltar para a PUC. Tá foda. É um pânico que não tem explicação racional.
Amanhã é o churrasco do meu irmão e eu tô apavorada pra ir. Estou meio anti-social e sei que vou encher a cara, pois me conheço. Fora umas questões pessoais com as quais não estou com saco de lidar.
Vamos ver.
Só sei que amanhã eu durmo de cabelo vermelho e com todas as tatoos terminadas. E com o cabelo cortado.
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Axé
Cada segundo representa vida.
Caminho ao redor do abismo olhando para o nada que há no fundo do vazio.
Ouço as vozes que me chamam, ouço o choro que implora, ouço Sophia.
Sento e olho para o céu. Tento dar algum valor às estrelas e ao universo. Nada.
Deito na terra que cobre o chão e acaricio cada minúsculo grão que a compõe. Deito como se estivesse no colo de Nanã e canto. Procuro um sentido, uma direção, procuro entender o que há embaixo dos meus pés. Nada.
Na beira do rio seguro o espelho como Oxum e busco a beleza que vi tantas vezes ali. Clamo por Oxum e sua sabedoria, clamo pela beleza que perdi. Somente a chuva que cai em meu rosto. Mais nada.
Olho para o fundo do abismo e minha imagem está refletida no vazio.
Caminho perdida em direção ao mar e afundo em cada onda que toma o meu corpo. Sinto o gosto de sal no olhos e na boca. Seguro nas mãos de Iemanjá e não quero mais sair, mas minhas respostas estão em outro lugar. No mar, nada.
Sento no abismo sem fim e subo na pedra das pedras. Reflito sobre toda a minha vida, vejo tudo e todos que fizeram parte dela. Sinto a firmeza da pedra, sinto a firmeza de Xangô. Tenho certeza da pessoa que fui, mas não tenho certeza de quem as pessoas que viveram comigo foram. Choro baixinho. Sinto as mãos de Xangô sobre meus ombros cansados, mas continuo carregando meu peso, meu fardo. Nada.
O abismo parece aumentar, o vazio parece aumentar.
A tentação de pular me confunde.
Corro sem direção.
Clamo pelos Deuses, clamo por Ogum, clamo por Oxalá, clamo por Ajunçum, clamo por Exu...
E arrebatada pelo vento dos ventos, pela tempestade das tempestades, sou levada ao centro da floresta e me ajoelho perante o meu Pai.
Pai e Mãe me observam. A dor é tanta, o tumor de sentimentos é tanto e um grito, um uivo feroz rasga o meu corpo e toma o mundo.
Os Deuses me respondem, Eles sempre estiveram ali.
Não há mais abismo.
Há a força de meu Pai, há o amor de Iemanjá e de Oxum por todas as pessoas, há a paz de Oxalá, há as ferramentas de Ogum, o poder de Exu, os meios de Iansã e tudo o que eu sempre precisei para vencer qualquer batalha.
O abismo sempre existiu dentro de mim.
As ferramentas para superá-lo também.
As borboletas, minhas borboletas me cercam como sempre, pois nunca deixaram de estar comigo.
O Tempo me saúda com luz.
Não sou mais Tatiana.
Sou aquela que ninguém pode saber o nome.
Sou a guerreira, a feitiçeira, a amazona. Sou quem eu nunca devo esquecer que eu sou.
segunda-feira, 11 de agosto de 2008
O momento do sim
Era como um casamento. Ele seria chamado ao altar e teria que decidir se diria sim ou não à morte e, como ele bem sabia, essa decisão muda a vida de qualquer um dramaticamente. A morte parecia mais tranquila que o casamento, menos estressante e sem cobranças. Seria?
Ele tomou um rápido banho e lavou o rosto com produtos específicos para espinhas. Há algum tempo que ele vinha apresentando problemas que nunca havia tido como espinhas, obesidade, queda exagerada de cabelo.
Não sabia muito bem se devia ou não tirar a vida.
Entretanto havia percebido há algum tempo que nada mais fazia sentido ou o agradava. Era uma vida vazia, mecânica, sem prazer ou perspectivas.
Ele tinha tudo, mas era como se não tivesse nada. Seu apartamento não parecia seu, nada o apetecia e ele não tinha vontade de fazer absolutamente nada.
Não é que ele achasse o mundo injusto ou que achasse que nada havia dado certo para ele, pois tinha dado.
Deitado em sua cama pensava no momento do sim.
Sentia a morte ao seu lado esperando ansiosa o momento de tê-lo.
Uma sensação de adeus. Olhava cada parte do quarto e das suas coisas.
Teve vontade de beber as garrafas de smirnoff ice, de vinho, de amarulla e de cachaça que tinha em seu bar. Existem certas coisas que devem ser aproveitadas e não devem ser deixadas para trás, para os outros.
Lembrou do chocolate da Kopenhagen guardado no armário e sentiu vontade de comer miojo.
Pensou em todos os amores que teve e em tudo o que havia vivido.
Segurou a caixa de remédios em suas mãos e teve dúvidas. Remédios? Como homem que era deveria apelar para algo mais forte e mais dramático. Pensou em se jogar da varanda, mas morava em andar baixo. Pensou em se enforcar, mas não gostava muito da visão de um enforcado e gostaria que quem o achasse visse uma imagem melhor. Existiria uma imagem melhor?
Olhou tudo a sua volta novamente. Pegou a faca mais afiada da cozinha e riu pensando na raiva que as mulheres da casa iam sentir, pois adoravam aquela faca.
Sentou na beira da cama. Colocou no canal da MTV. A morte sentou do seu lado.
Ele olhou bem nos olhos dela e pensou que era o momento do sim. Ou não.
domingo, 10 de agosto de 2008
Cortar os pulsos ou não?
As fases depressivas são entediantes, são um saco e parece que demoram uma eternidade para acabar. Dessa vez não está sendo diferente a não ser pelo fato de muitos fatores externos que me davam segurança e suporte estarem mudando também.
O dia dos pais foi muito depressivo dessa vez por causa desse momento baixo astral que venho vivendo há algum tempo.
Senti muita falta do meu pai.
Não consegui dar um dia dos pais muito legal para o Dio.
Já escrevi essa frase milhares de vezes, mas, eu gostaria tanto de sumir do mapa por um tempo. É como se eu precisasse ficar sozinha para tentar me curar ou melhorar.
Estou na fase "como eu gostaria de cortar os pulsos", mas tenho bastante consciência das consequências graças a última tentativa.
É terrível sobreviver a uma tentativa de suicídio porque você fica marcada pro resto da vida e tem que lidar com consequências que são piores do que a vida que existia antes da tentativa.
Se eu tentar de novo imagino que nunca mais vou ver a luz do dia.
Eu nunca tive que excluir alguém que amava e considerava amigo (a) da minha vida e está sendo muito difícil fazer isso.
Primeiro porque eu adoro a família dessa pessoa e segundo porque ela tem ligação direta com a minha filha.
Sophia está morrendo de saudade e perguntou quando a iria ver e eu não soube muito bem o que responder. Disse que essa pessoa tinha me excluído da vida dela, que não queria mais a minha amizade e nem me ver, e que por isso se ela quisesse vê-la teria que ligar para alguém da família dela ou para ela diretamente e combinar alguma coisa que não me incluísse.
Como é que alguém elimina outra da sua vida assim tão futilmente?
Enfim...
Hoje não estava querendo falar com ninguém.
Avisei a todos que não falassem comigo, por favor, e passei o dia quieta refletindo na vida.
Tanto lítio e anti-depressivos não adiantam de vez em quando. É como se déssemos um curto-circuito temporário.
Estou em curto-circuito.
O pior disso é a dificuldade de me relacionar com as pessoas, de ser carinhosa e a vontade de beber o tempo todo, como se isso pudesse sanar parte do problema.
Vejamos o lado positivo: eu ainda não quebrei nada, não tentei me matar e não agredi as pessoas que, no meu ponto de vista, mereciam isso. Estou conseguindo manter um ótimo relacionamento com a minha família e tenho até participado de tudo.
Entretanto, eu não durmo antes das 5 da manhã, não acordo antes das 11, não consigo chegar nem a um km da PUC, não consigo arrumar um emprego e estou parecendo uma boneca de vodoo de tão maltratada que eu estou.
Rezo para essa fase acabar.
O que as pessoas não entendem é como eu odeio tudo isso, como eu me odeio dentro dessa situação instável da doença, como eu me irrito quando vejo que estou passando por essa ou aquela fase e não consigo fazer nada para sair ou me proteger.
É como seu eu fosse um robô controlado por essa parte do cérebro que vive independente de mim (que doideira!).
O que me consola é que eu sei que a fase seguinte sempre é boa depois da fase ruim.
Ainda penso no meu pai e no meu avô. Dizem que ele se suicidou pulando lá de cima do pão de acúcar. Isso tudo é genético. Parece que eu sou o receptáculo de merda da família, pois só eu manifestei todas as coisas genéticas ruins da família, até agora.
Não é que eu esteja me menosprezando, não. Estou analisando racionalmente.
Meus irmãos são espetaculares, fantásticos, bem-sucedidos, lindos, etc etc etc
Só me interessa garantir que minha filha, meus futuros filhos, não tenham isso ou sejam tratados desde cedo com medicação e acompanhamento médico e psicológico.
Muita gente acha que isso é frescura.
Só quem tem sabe!
Agora eu quero entrar dentro de uma concha e ficar lá por um tempo.
Agora eu quero ir para uma ilha deserta.
Agora eu luto para me manter viva e para não me machucar.
Começo a tomar atitudes que já deveria ter tomado e estou de saco cheio de certas coisas.
Uma coisa ninguém pode negar: todos podem contar comigo, eu largo qualquer coisa para ajudar um amigo e mais ainda para ajudar a família, e eu vivo para fazer o bem. E me prejudico muito por causa disso. É por isso que agora eu tô fora. Tô cortando pessoas e coisas. Só quero me cercar do que vale a pena e do que me faz bem.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Sonho doido com a minha mãe
Se o sonho que eu tive ontem com a vovó foi "sinistro" o de hoje foi muito mais.
Eu sonhei que eu acordava no antigo quarto dos meus pais que tinha passado a ser meu e do Dio. A Vanusia e o Dio estavam sentados na cama olhando para mim com ar sério e diziam que tinha uma pessoa que queria me ver. Eles olhavam para o quarto onde eu e a minha irmã dormíamos quando éramos crianças e eu via a minha mãe sentada na cama me olhando ansiosa. Eu não entendia nada, afinal, a minha mãe havia morrido há 11 anos.
Eu levantava da cama correndo e me vestia e corria para o quarto.
A minha irmã estava deitada e me contava que a mamãe estava viva e que toda a história da morte dela e do funeral haviam sido falsos. Contava que já sabia há algum tempo e que a mamãe havia fingido porque precisava sumir e que não tinha condições de nos criar e nos sustentar.
Eu ficava enlouquecida de raiva e muito confusa.
Dizia que não havia desculpa para o que ela havia feito e perguntava à minha irmã como ela tinha tido coragem de esconder isso de mim.
Eu ia até a cozinha e a minha mãe estava fritando filés de frango para o almoço e estava usando muito óleo. Eu brigava com ela e dizia que a vovó não podia comer nada com tanto óleo e que se ela tivesse permanecido conosco ela saberia disso.
Ela e eu discutíamos.
Eu voltava para o quarto e discutia com o Dio, pois ele estava defendendo ela.
O resto é nebuloso e eu não lembro muito, mas acho que esse sonho não faz o menor sentido.
No final eu ainda dizia que não podia amá-la, pois a pessoa que estava na minha frente não era a mãe que eu havia conhecido e dizia que eu sabia quem ela era, mas que não a conhecia mais.
Porque será que eu sonhei um negócio desses?
Ainda estou febril e não consigo parar de pensar nisso.
segunda-feira, 4 de agosto de 2008
O sonho da morte da vovó
Eu, vovó e tia Maria Alice estávamos sentadas numa mesa conversando e de repente a tia Maria Alice começa a falar para mim que ela tinha pena de mim, pois eu iria ficar sozinha em breve já que a minha avó não iria viver muito e já que eu havia perdido praticamente toda a minha família, exceto os descendentes. Ela dava a impressão de querer dizer que eu não teria ninguém para cuidar de mim.
Quando a minha avó ouve ela falar isso começa a passar mal.
Eu olho para a vovó e a vejo parada, sem respirar e começo a gritar e correr atrás de socorro.
Não lembro muito bem do que acontece depois até a hora em que estou na emergência do hospital com ela.
Seguro um objeto estranho, como um relógio, que aperto sem parar como se aquilo fosse o que mantinha a minha avó viva. Sinto isso muito forte.
O médico declara o óbito e eu começo a gritar e apertar o tal objeto.
Ao meu lado estão o Ranz e o Dio.
Caminho em direção à sala de espera que vejo através de uma porta de vidro. Meus irmãos e primas estão lá.
Quando chego na porta de vidro começo a cair devagar e chorar compulsivamente e grito de dor.
A Sophia me acordou e o sonho acabou aí, mas foi o suficiente para eu me desesperar.
Dá para imaginar como a minha mente está com toda essa situação pelo sonho que eu tive.
Estou passando mal até agora.
domingo, 3 de agosto de 2008
O melhor dos mundos
Por um instante toda a nuvem negra que tem ficado sobre a minha cabeça sumiu e eu me enchi de luz, o meu irmão me enche de luz.
De repente a porta da frente abriu e ele apareceu cheio de mochila e pacotes, com aquele sorriso imenso que só ele tem e eu saí correndo e me joguei em cima dele para encher ele de abraços e de beijos.
A Sophia não conseguia se conter de tanta felicidade e tanta saudade, e a saudade era tão grande e tão autêntica que ela mal deu atenção aos presentes, só queria saber de abraçar ele e de contar as novidades.
Fazia muito tempo que meu irmão não ficava sozinho conosco desde que ele começou a namorar e posso dizer com certeza que faz tempo que eu não me sentia tão feliz e tão próxima dele. Ainda estou pulsando de felicidade.
Esses dias com a vovó me mostraram muita coisa a respeito de todos nós e ver ela tão feliz não tem preço.
E para completar essa felicidade eu voltei para o meu apartamento, para o meu quarto, para a minha cozinha.
É uma sensação muito gostosa entrar no lugar que você projetou para você mesmo em todos os detalhes.
É um oásis no meio do furacão que começará essa semana: exames invasivos na vovó, exames invasivos em mim, diagnósticos, início das aulas da Sophia, etc.
Entretanto, nada vai conseguir tirar do meu coração os momentos felizes que eu tive hoje durante todo o meu dia.
O Dio ter ido almoçar conosco, o almoço ter sido na mesa com a vovó participando e conversando conosco, a Sophia sentada no lugar onde o tio senta para matar a saudade e dizendo que estava sentindo o "cheirinho" dele, a chegada do meu irmão, a felicidade da vovó, comer kitkat (hahahahahaha) e saber que não importa o que aconteça ninguém vai nos separar ou modificar o amor que temos um pelo outro. E é isso que me importa.
Foda-se as pessoas que não querem mais a minha presença, foda-se as pessoas que se comportam como crianças mimadas e pentelhas, foda-se a gente estar falido e desesperado por causa de dinheiro, foda-se a possibilidade de vovó e eu estarmos com câncer, foda-se tudo... Foda-se tudo porque hoje eu tive momentos maravilhosos com a minha família, com a minha avó e com o meu irmão.
Só falta a minha irmã com a Juju...
sábado, 2 de agosto de 2008
Sobre as ondas do mar
Porque você é o braço que me ampara, a mão que me afaga, a voz que me guia.
Todos os outros momentos não foram nada comparados a esse e estou prestes a atravessar o pior dos portais. Não me leia como a Nietzsche ou Schopenhauer, mas traduza minhas palavras de poetisa.
Minhas mãos trabalham sem parar e despejo em várias linhas o que não posso conter dentro de mim, assim como não posso conter tudo o que sinto por você.
Essa cachoeira de sentimentos que jorra com sinceridade precisa de um rio para desaguar portanto, seja o meu rio ou nada disso fará sentido e não terá onde parar.
Parece que estamos no fim da linha e teremos que decidir se iremos voar ou continuar juntos no ninho. A liberdade é traiçoeira e parece melhor do que realmente é.
Eu sei.
Eu já vivi apenas para usufruir dessa liberdade anárquica.
Ainda espero o teu chamado.
Não desisti de tentar.
Mas o fim da linha não tem continuação e terei que ir para algum lugar.
Posso ir para os seus braços? Ou devo voar?
Amo a minha gaiola, mas se eu for libertada nunca mais irei voltar.
Esse é o meu instinto, a minha essência.
Essa turbulência que me sacode pode mudar as coisas e mover os pensamentos de lugar.
Começo a sentir aquele cheiro da brisa da liberdade do vôo rasante sobre as ondas do mar, o cheiro de maresia, inesquecível, inigualável. Já começo a titubear.
Não me perca, eu imploro.
Sou artista, poetisa, louca, intensa...
Não me solte no ar. Sou o ar. No ar eu desaparecerei.
Começo a sentir a brisa gelada do pôr-do-sol que reflete na água do mar.
Breve me recolherei na noite e...
sabe lá o que poderá acontecer.
Não me leia como Nietzsche ou Schopenhauer, me traduza como Paulo Leminski, como Mário Quintana, Clarice Lispector...
A alma do pequeno príncipe está dentro de mim e as asas de Fernão Capelo Gaivota.
Sou apenas uma apanhadora no campo de centeio.
O perfume da solidão poética começa a me inebriar. Já me sinto sozinha.
Não me perca, eu imploro.
Estou prestes a voar sobre as ondas do mar para nunca mais voltar.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Queria que o tempo parasse agora
É tão gostoso lembrar de tanta coisa. Aniversários passados, festas de ano-novo, natal em família, escotismo, alpinismo...
Ver a evolução das pessoas, os homens que ficaram carecas e gordos (hahaha), as pessoas que ficaram juntas, que se separaram, que nasceram, que se foram.
Fotos do meu primeiro dia de vida, fotos da minha infância, dos meus pais.
Achei a carteira de identidade de uma das minhas bisavós paternas, foto do avô paterno que eu não conheci e que descobri que era "mecânico de rádio".
A minha avó Hélia fazendo pose de princesa ao lado da minha tia-avó Helaine.
Minha filha teve a oportunidade de conhecer a história dessa família que em grande parte ela não conheceu.
Os dias têm sido pesados e hoje não foi diferente. O médico da minha avó ligou cedo para mim com notícias difíceis de ouvir e pedidos de exames super invasivos para fazer nela.
O Dio e eu não ficamos mais quase nenhum minuto juntos, mas hoje pedi para ele ficar comigo um pouco, pois estava precisando muito dele e não conseguia parar de chorar.
Uma das minhas melhores amigas me mandou uma mensagem dizendo que não é mais minha amiga e dizendo que só fala comigo por educação quando me encontra. Eu desabei de novo e não consigo parar de chorar.
A Sophia pede a minha atenção e não consegue entender porque eu estou chorando.
Sinto tanta saudade do meu Santo e queria ir tanto ir ficar um pouco com Ele.
Amanhã começo a fazer os exames que o meu médico pediu para verificar o que eu não quero saber.
Estou me sentindo muito perdida e sem saber o que fazer.
Tenho medo de como vai ser minha reação quando eu melhorar.
Essa semana falarei com todas as pessoas que me devem, pois preciso do dinheiro. Se eu não pegar esse dinheiro de volta eu vou me ferrar muito e não acho justo. Não posso sujar o meu nome e nem o do Dio.
Vai ser uma semana e tanto.
Odeio escrever entradas tão tristes, pessimistas, baixo-astrais.
Queria que o tempo parasse agora.