quarta-feira, 29 de abril de 2009

ABSORVENTE ECOLÓGICO

Absorvente ecológico? Era só o que faltava…


Na linha do “é hora de radicalizar”, estão surgindo no mercado absorventes ecológicos que, diferentemente dos tradicionais, não vão para o lixo depois do primeiro uso. Assim, eles economizam papel (ou seja, árvores), plástico (petróleo), entre outros recursos naturais.
Um deles é o Moon Cup , uma espécie de copinho menstrual. Depois de recolher o fluxo, você o tira, lava na pia e pronto: é só colocar de volta. Na hora de guardar, a instrução é passar água com um pouco de sabonete, esperar secar ao ar livre e guardar na embalagem original.
O preço não é dos mais amigáveis: US$ 35 dólares mais US$ 2 de postagem. Mas, se comparado aos absorventes convencionais, é economicamente vantajoso. Como o produto dura até dez anos, segundo o site, sairia a US$ 0,29 por mês – contra US$ 4,00 gastos nos primeiros. Uma economia de US$ 445 em 120 meses.
Aqui, o depoimento da jornalista Jeanne Callegari, que testou o a novidade.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Lugar nenhum

Já não pertenço a lugar nenhum. Já não possuo ou desejo.

Inerte e amarrada,o que vivo não é vida e eu apenas vejo.

Procuro uma resposta, uma indicação, uma saída...

Mas o silêncio que me envolve é a voz que vibra.

YouTube - Ogum - Clipe da Música de Zeca Pagodinho




Salve Ogum!

YouTube - NEY MATOGROSSO - Balada do Louco




UM POUCO DE MIM... PARECE QUE EU É QUE ESTOU CANTANDO (NÃO NO SENTINDO LITERAL É CLARO)

terça-feira, 21 de abril de 2009

Um pouco mais da minha avó

Hoje chorei com medo de não lembrar a voz da minha avó.  Medo de não lembrar o tom, o ligeiro sotaque, a insistência constante em saber se a Sophia estava bem, se estava agasalhada, se tinha se alimentado direito e coisa do gênero. Em minha mente eu ouvia sua voz como se estivéssemos falando ao telefone. E chorava porque não poderia falar com ela, e chorava de culpa pois todos insistiam que eu estava atrapalhando a sua evolução espiritual, e chorava porque Sophia me abraçava e secava meus olhos com sua toalha de banho e se preocupava com a maquiagem borrada do meu rímel.  A voz de minha avó não sai da minha cabeça e me dá tantos conselhos e diz tantas coisas e ainda vejo seus pezinhos com dedos deformados pela artrose balançando enquanto ela está sentada na cama vendo a Sophia brincar. E passa a mão pelos cabelos preocupada com sua aparência. E fala das colegas do clube do sorriso que ligam para saber dela e que sofrem com a perda dos entes queridos. Hoje chorei de solidão porque no final das contas a minha avó se tornou a minha melhor amiga, a minha confidente, a minha conselheira, a minha razão de viver. E agora às 02:15 da manhã choro porque sei que ela já se foi e não sei muito bem o que fazer a respeito. E choro porque continuo ouvindo das pessoas próximas que eu não posso chorar, mas eu TENHO que chorar, eu PRECISO chorar ou eu explodo de tristeza, de raiva, de solidão, de incompreensão, de vazio, de desespero.  Não suporto mais o telefone - que se tornou o anunciante das más notícias e das mortes aguardadas e inesperadas. Não suporto mais o mundo porque ele se tornou um baú gigantesco de lembranças de todos os momentos vividos com ela e com todos que se foram. Nunca mais fui na Barra da Tijuca pois é insuportável estar numa dimensão tridimensional que me parece inexata já que me coloca numa linha atemporal invisível onde tudo ainda está aonde deve estar, mesmo que ela não esteja mais lá. Choro porque não existem mais gavetas cheias de bagulhos da Sophia no criado-mudo da vovó e nem moedas para os picolés e as besteiras que ela gostava de dar para a Sophia. Choro porque não consigo conceber a existência da Sophia sem a minha avó e isso é cruel, estúpido e egoísta, mas para mim elas sempre foram uma só, metades uma da outra. E a vida é insuportavelmente cruel com os que ficam e seus fantasmas concretos. A máquina de lavar dada de presente para o apartamento novo, a colcha tricotada para a Sophia, lençóis e agasalhos que nunca usei mas que foram dados em datas especiais por ela, a ausência do último presente de aniversário, do último beijo e do último pedaço de bolo que já estava marcado. Choro porque é indescritível enterrar a avó no dia do aniversário como se fosse um presente macabro ou uma homenagem mórbida. Choro porque tudo me lembra ela e porque parte dela sou eu e parte de mim era ela. E ela se foi. E eu fiquei. E Sophia ficou. E a Barra da Tijuca ficou. E a camisola cor de rosa que foi mandada por engano para a minha casa. E porque a última coisa que ela fez na minha frente foi um cheque de R$ 200,00 para a minha filha para ela comprar lanchinhos e coisinhas que quisesse. E porque amanhã eu acordarei novamente sem ela e com o telefone na mão, como em todas as manhãs desde que ela se foi como se algum milagre fosse acontecer e ela fosse atender. E essa merda dessa dor que não tem tamanho, não tem cor, não tem cheiro, tem um peso insuportável, arde, queima, dói, estraçalha, corta, fere... essa dor vai continuar até sei lá quando e eu vou ter que vive-la e aguentar cada fisgada ou quebrar o pacto da vida novamente e egoisticamente partir, não para encontrar todo esse amor novamente, mas para me livrar dessa dor que me impede de viver, de pensar e de existir. O que pode ser mais egoísta de minha parte? Permanecer vivendo automaticamente sem ser a mãe, a companheira, a irmã, a amiga e o ser humano que as pessoas merecem ou cessar de viver para libertar todas essas pessoas do fardo que é me ver morrer aos poucos de dor e de saudade chorando pelos cantos e não existindo plenamente como todos precisam que eu exista? Choro porque sei que não vou encontrar a minha avó tão cedo se é que um dia a encontrarei novamente e choro porque não sei o que é pior: a sua ausência ou a dor que permanece me torturando desde a sua partida.

Os anos que meus olhos refletem

Nos meus olhos vejo claramente o medo de envelhecer.  Não são meus ouvidos que ouvem o som dos novos tempos, ou minha boca que beija diferente e fala coisas maduras, nem a pele que prova a física indiscutível da gravidade quando despeja meus seios, meu abdomen ou minhas nádegas. Mas nos meus olhos, sempre admirados, maior símbolo do meu poder e beleza, orgãos representantes de toda a sedução que a vida proporcionou aos que os olharam... Nos meus olhos cada ruga, cada milímetro de pele caída, cada cor opaca dos tempos que passam, nos meus olhos o passar dos anos toma outra dimensão.  Porque talvez eu tenha, ingenuamente, acreditado que os meus olhos manteriam o frescor e a mágica da minha jovialidade e da minha aura feminina.  Ou talvez eles pudessem guardar num eterno "lifting" tudo o que viram e transmitiram nos anos em que eu vivi.  E de repente eu percebi que na morte não é a rigidez do corpo ou a sensação gélida do toque da pele de quem se foi que provocam a sensação definitiva e indiscutível do fim, mas a ausência do brilho nos olhos, certamente cerrados, que indicam que nenhuma alma habita aquele ser que partiu.  Sim, os meus olhos.  Olhos cor de mel e refletores de sorrisos e beijos marotos, olhos puxados, cílios longos e a profundidade dos poetas e sensíveis criaturas que habitam a Terra para trazer luz, cores e fantasia aos outros.  Olhos que cerram em máscaras de maquiagem negras que pretendem transmitir um convite ou o mistério pessoal.  Olhos que sorriem junto com os lábios e olhos que choram junto com o coração.  Olhos que pulsam cada sensação, cada emoção até cerrarem as pulsações que mantem a vida acesa. E hoje ao observar meus olhos no espelho e passar o creme que promete a imortalidade do seu brilho eu percebo que não temo envelhecer na flacidez do meu corpo, mas me apavoro ante a possibilidade de perder o brilho (não) eterno dos meus olhos. Marca registrada da minha vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Chegar - Cecília Meireles

Chegar...
Como brisa que atravessa a janela.
Soprando de leve, As brumas do passado.
Chegar...
Como o barco. Trazendo alegrias,
Após enfrentar as procelas sombrias.
Chegar...
Como a saudade.
Que bate, De manso, no coração.
Chega...
Como Chuva, fininha, Mansinha, criadeira,
Necessária e tão querida.
Ficar...
Nas lembranças do passado,
Nas estampas do presente,
A retratar nosso ontem no hoje.
Ficar...
Para sempre. Na imagem nunca esquecida,
Dos que nos são tão queridos.
A vida é chegar e ficar
Para sempre.
Vida nunca será partida.
Cecília Meireles

Despedidas


A despedida

Artur da Távola

Nunca se sabe onde está uma despedida. Até no afã do até logo pode esconder-se um nunca mais. Na frase infeliz, na simples conversa, algo pode estar morrendo, do amor ou da amizade.

Há despedidas que não são patentes. Não se lhes percebe o estalo do afastamento, que pode estar no instante de mau humor, na resposta infeliz, na alegria que não se repete ou na palavra que deixamos de dar e receber. Às vezes, está na palavra que dizemos.

Nem sempre as pessoas se separam: esgarçam-se às vezes. Viver esgarça. É algo que se afasta sem romper completamente. Também no que esgarça pode haver despedida pois, embora não haja perda de matéria, nunca mais será como antes.

Despedir-se é sutil, nem sempre aparece. Seres em mutação, vivemos a mudar sem saber. Na mudança, transforma-se em recordação o que antes era união e vontade, amizade ou convivência. Tudo faz-se retrato, álbum, caderno, poema, carta, saudade ou memória. A despedida não é por querer: acontece a despeito. Um simples "até já" pode conter inimagináveis nuncas. Ou sempres.

Maravilhosa e cruel a vida! Tudo pode acontecer. As ligações, salvo poucas, fazem-se precárias e falíveis.. Nosso destino é preso a acontecimentos semicontroláveis. Ou impulsos, cansaços, e as discordâncias, são imprevisíveis. E geram despedidas antes insuperáveis.

Ninguém sabe de quem se afastará. Nem quais as amizades e amores de toda a vida, nada obstante existam. Raros captam a dor que estala em cada hipótese de despedida. Separar-se contém sempre a hipótese da despedida. Por isso, uma dor sempre se infiltra em cada afastamento. Algo se assusta, escondido em tudo o que se separa. Ainda que para ir ali pertinho e logo voltar.

Quem viaja ameaça a despedida. "Partir é morrer um pouco". Dizem os franceses, e com razão.. Ainda que para encontrar-se depois, quem parte arrisca despedidas. Por isso, a emoção subjacente percorre-lhe o mistério e a "região das certezas absolutas".

As grandes despedidas dão-se - contudo - sem que o percebamos. As que sabemos e sofremos não são despedidas completas, pois a saudade e a memória hão de trazer de volta o sentimento genuíno que agora causa dor. As grandes despedidas infiltram-se no cotidiano e nos atos corriqueiros de cada dia sem ser percebidas. Muitos anos depois, vamos verificar que disfarçado em dia-a-dia ali estavam e estalavam saudades antecipadas, vários nuncas dos quais jamais suspeitamos. Nunca se sabe onde está uma despedida.

 

Despedidas


A despedida

Artur da Távola

Nunca se sabe onde está uma despedida. Até no afã do até logo pode esconder-se um nunca mais. Na frase infeliz, na simples conversa, algo pode estar morrendo, do amor ou da amizade.

Há despedidas que não são patentes. Não se lhes percebe o estalo do afastamento, que pode estar no instante de mau humor, na resposta infeliz, na alegria que não se repete ou na palavra que deixamos de dar e receber. Às vezes, está na palavra que dizemos.

Nem sempre as pessoas se separam: esgarçam-se às vezes. Viver esgarça. É algo que se afasta sem romper completamente. Também no que esgarça pode haver despedida pois, embora não haja perda de matéria, nunca mais será como antes.

Despedir-se é sutil, nem sempre aparece. Seres em mutação, vivemos a mudar sem saber. Na mudança, transforma-se em recordação o que antes era união e vontade, amizade ou convivência. Tudo faz-se retrato, álbum, caderno, poema, carta, saudade ou memória. A despedida não é por querer: acontece a despeito. Um simples "até já" pode conter inimagináveis nuncas. Ou sempres.

Maravilhosa e cruel a vida! Tudo pode acontecer. As ligações, salvo poucas, fazem-se precárias e falíveis.. Nosso destino é preso a acontecimentos semicontroláveis. Ou impulsos, cansaços, e as discordâncias, são imprevisíveis. E geram despedidas antes insuperáveis.

Ninguém sabe de quem se afastará. Nem quais as amizades e amores de toda a vida, nada obstante existam. Raros captam a dor que estala em cada hipótese de despedida. Separar-se contém sempre a hipótese da despedida. Por isso, uma dor sempre se infiltra em cada afastamento. Algo se assusta, escondido em tudo o que se separa. Ainda que para ir ali pertinho e logo voltar.

Quem viaja ameaça a despedida. "Partir é morrer um pouco". Dizem os franceses, e com razão.. Ainda que para encontrar-se depois, quem parte arrisca despedidas. Por isso, a emoção subjacente percorre-lhe o mistério e a "região das certezas absolutas".

As grandes despedidas dão-se - contudo - sem que o percebamos. As que sabemos e sofremos não são despedidas completas, pois a saudade e a memória hão de trazer de volta o sentimento genuíno que agora causa dor. As grandes despedidas infiltram-se no cotidiano e nos atos corriqueiros de cada dia sem ser percebidas. Muitos anos depois, vamos verificar que disfarçado em dia-a-dia ali estavam e estalavam saudades antecipadas, vários nuncas dos quais jamais suspeitamos. Nunca se sabe onde está uma despedida.

 

Fábula da convivência

 

Há milhões de anos, durante uma era glacial, quando parte do nosso planeta esteve coberto por grandes camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio e morreram, indefesos, por não se adaptarem às condições.

Foi então que uma grande quantidade de porcos-espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver começaram a se unir e juntar-se mais e mais.

Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam uns aos outros, aqueciam-se mutuamente, enfrentando por mais tempo aquele frio rigoroso.

Porém - vida ingrata - os espinhos de cada um começaram a ferir os companheiros mais próximos, justamente aqueles que lhes forneciam mais calor, aquele calor vital. Questão de vida ou morte.
E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito...

Mas essa não foi a melhor solução.
Afastados, separados, logo começaram morrer de frio, congelados.
Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com cuidado, de tal forma que, unidos, cada qual conservava uma certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem magoar, sem causar danos e dores uns nos outros.

Assim, suportaram-se, resistindo à longa era glacial.
Sobreviveram.

É fácil trocar palavras. Difícil é interpretar o silêncio.
É fácil caminhar lado a lado. Difícil é saber como se encontrar.
É fácil beijar o rosto. Difícil é chegar ao coração.
É fácil apertar as mãos. Difícil é reter o calor.
É fácil conviver com pessoas. Difícil é formar uma equipe.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Mensagem de Chico

Mensagem Chico Xavier  
 

Nasceste no lar que precisavas,  
                Vestiste o corpo físico que merecias,  
                    Moras onde melhor Deus te proporcionou,  
                    De acordo com teu adiantamento.  
                    Possuis os recursos financeiros coerentes  

Com as tuas necessidades, nem mais,  
                    nem menos, mas o justo para as tuas lutas terrenas.  
                    Teu ambiente de trabalho é o que elegeste  
                    espontaneamente para a tua realização.  
                    Teus parentes, amigos são as almas que atraíste,  
                    com tua própria afinidade.  
                    Portanto, teu destino está constantemente sob teu controle.  

Tu escolhes, recolhes, eleges, atrais,  
                    buscas, expulsas, modificas tudo aquilo  
                    que te rodeia a existência.

Teus pensamentos e vontade são a chave de teus

atos e atitudes...  
                    São as fontes de atração e repulsão na tua

jornada vivência  

Não reclames nem te faças de vítima.  
                    Antes de tudo, analisa e observa.  
                    A mudança está em tuas mãos.  
                    Reprograma tua meta,  
                    Busca o bem e viverás melhor.  

Embora ninguém possa voltar atrás e  
                    fazer um novo começo,  
                    Qualquer Um pode Começar agora e fazer um Novo Fim.  
                    Benção do Chico.  

YouTube - Hey You




YouTube - Rihanna - Umbrella (Acoustic)




quarta-feira, 8 de abril de 2009

O que não preciso para ser feliz! (Frei Betto)


 "Estou apenas observando quanta coisa existe de que
 não preciso para ser feliz !"


 Por Frei Betto


 Ao viajar pelo Oriente, mantive contatos com monges do
 Tibete, da Mongólia, do Japão e da China. Eram homens
 serenos, comedidos, recolhidos e em paz nos seus mantos cor
 de açafrão. Outro dia, eu observava o movimento do
 aeroporto de São Paulo: a sala de espera cheia de
 executivos com telefones celulares, preocupados, ansiosos,
 geralmente comendo mais do que deviam. Com certeza, já
 haviam tomado café da manhã em casa, mas como a companhia
 aérea oferecia um outro café, todos comiam vorazmente.
 Aquilo me fez refletir: 'Qual dos dois modelos produz
 felicidade?'
 Encontrei Daniela, 10 anos, no elevador, às nove da
 manhã, e perguntei: 'Não foi à aula?' Ela respondeu:

 'Não, tenho aula à tarde'. Comemorei:
 'Que bom, então de manhã você pode brincar, dormir
 até mais tarde'. 'Não', retrucou ela,
 'tenho tanta coisa de manhã...'

 'Que tanta coisa?', perguntei.
 'Aulas de inglês, de balé, de pintura, piscina',
 e começou a elencar seu programa de garota robotizada.
 Fiquei pensando: 'Que pena, a Daniela
 não disse: 'Tenho aula de meditação!
 Estamos construindo super-homens e super mulheres,
 totalmente equipados, mas emocionalmente infantilizados.
 Uma progressista cidade do interior de São Paulo tinha, em
 1960, seis livrarias e uma academia de ginástica; hoje, tem
 sessenta academias de ginástica e três livrarias!

 Não tenho nada contra malhar o corpo, mas me preocupo com a
 desproporção em relação à malhação do espírito. Acho
 ótimo, vamos todos morrer esbeltos: 'Como estava o
 defunto?'. 'Olha, uma maravilha, não tinha uma
 celulite!' Mas como fica a questão da subjetividade? Da
 espiritualidade? Da ociosidade amorosa?
 Hoje, a palavra é virtualidade. Tudo é virtual. Trancado
 em seu quarto, em Brasília, um homem pode ter uma amiga
 íntima em Tóquio, sem nenhuma preocupação de conhecer o
 seu vizinho de prédio ou de quadra! Tudo é virtual. Somos
 místicos virtuais, religiosos virtuais, cidadãos virtuais.
 E somos também eticamente virtuais...
 A palavra hoje é 'entretenimento'; domingo,
 então, é o dia nacional da imbecilização coletiva.
 Imbecil o apresentador, imbecil quem vai lá e se apresenta
 no palco, imbecil quem perde a tarde diante da tela. Como a
 publicidade não consegue vender felicidade, passa a ilusão
 de que felicidade é o resultado da soma de prazeres:
 'Se tomar este refrigerante, vestir este tênis, usar
 esta camisa, comprar este carro,você chega lá!' O
 problema é que, em geral, não se chega! Quem cede
 desenvolve de tal maneira o desejo, que acaba precisando de
 um analista. Ou de remédios. Quem resiste, aumenta a
 neurose.
 O grande desafio é começar a ver o quanto é bom ser
 livre de todo esse condicionamento globalizante, neoliberal,
 consumista. Assim, pode-se viver melhor. Aliás, para uma
 boa saúde mental três requisitos são indispensáveis:
 amizades, autoestima, ausência de estresse.
 Há uma lógica religiosa no consumismo pós-moderno. Na
 Idade Média, as cidades adquiriam status construindo uma
 catedral; hoje, no Brasil, constrói-se um shopping-center.
 É curioso: a maioria dos shoppings-centers tem linhas
 arquitetônicas de catedrais estilizadas; neles não se pode
 ir de qualquer maneira, é preciso vestir roupa de missa de
 domingo. E ali dentro sente-se uma sensação paradisíaca:
 não há mendigos, crianças de rua, sujeira pelas
 calçadas...
 Entra-se naqueles claustros ao som do gregoriano
 pós-moderno, aquela musiquinha de esperar dentista.
 Observam-se os vários nichos, todas aquelas capelas com os
 veneráveis objetos de consumo, acolitados por belas
 sacerdotisas. Quem pode comprar à vista, sente-se no reino
 dos céus. Deve-se passar cheque pré-datado, pagar a
 crédito, entrar no cheque especial, sente-se no
 purgatório. Mas se não pode comprar, certamente vai se
 sentir no inferno... Felizmente, terminam todos na
 eucaristia pós-moderna, irmanados na mesma mesa, com o
 mesmo suco e o mesmo hambúrguer do Mc Donald...
 Costumo advertir os balconistas que me cercam à porta das
 lojas: 'Estou apenas fazendo um passeio socrático.'
 Diante de seus olhares espantados, explico: 'Sócrates,
 filósofo grego, também gostava de descansar a cabeça
 percorrendo o centro comercial de Atenas. Quando vendedores
 como vocês o assediavam, ele respondia:
 "Estou apenas observando quanta coisa existe de que
 não preciso para ser feliz !"


 "Todo homem quer ser feliz mas para
 conseguí-lo precisa antes compreender o que é a
 felicidade." [Rosseau]

terça-feira, 7 de abril de 2009

Nada

Os outros não enxergam as entrelinhas da minha vida.

Já não vivo mais. Sigo automaticamente por respeito à filha e ao marido.

Não sou mais nada. Não sou mãe, não sou esposa, não sou mulher, não sou estudante, não sou família... Sou uma alma sem rumo. Sou Nada.

O apartamento, como uma zona de guerra, deixado do jeito que estava no dia da fatídica notícia é recheado de roupas amarrotadas, lixos que transbordam, sofá cheio de bagulhos de idas e voltas à rua, o piso branco coberto de uma negra camada de sujeira e o fogão vazio e sem uso.

Eu, a pessoa, um Nada, como uma indigente, deixada pior do que estava antes da fatídica notícia estou coberta por trapos quaisquer, cabelos despenteados e descuidados, unhas amareladas por fazer, olheiras e espinhas que enfeitam a pele do rosto e um corpo esquecido na cama, se possível para sempre.

A campainha do telefone é silenciosa e o celular permanece desligado (do mundo lá fora). O computador é a única fonte de comunicação e desabafo, um contato só de ida sem a necessidade de volta.

Onde está Deus nisso tudo? Deus? Que Deus? Não sei mais se Ele existe ou onde está. Será que ainda acredito? Qual propósito Divino me fez estar sozinha aos 35 anos? Cadê meu pai, minha mãe, meus avós (todos eles), cadê a minha família? O que é família?

Família é essa dor que arranca de mim tudo o que há de mais puro e bom? Família é esse sentimento de abandono e solidão, de traição e desprezo? É essa madrugada sem fim, essa busca pelo escuro, esse desejo desesperado pela morte? Pois que família eu tenho? É ficar estarrecida perante as mesquinharias de um universo de irmãos e irmãs e primas e primos. Viver numa teia de intrigas e fofocas e manobras de guerras civis e jurídicas.

Chove lá fora e eu adoro o som e a visão da chuva. O asfalto molhado que lembra uma obra de arte e o vento que canta nas árvores. Meu marido e minha filha dormem na minha cama de casal. A dor é tão grande que eu não tenho sido mãe, nem esposa, nem amante, nem zelosa, nada. Eu tenho sido Nada! Um Nada que tenta fugir da realidade e tenta não encarar o presente e o futuro.

Ainda sinto a presença da minha avó em tudo o que faço. Chego em casa e me preocupo em ligar para saber como ela está ou para contar que cheguei bem. Vou às minhas obrigações religiosas e me preocupo em pegar uma fruta para ela. Ela ainda existe na minha vida e eu não existo mais na vida de ninguém. Com quem vou conversar sobre as coisas que conversava com ela? Quem vai cuidar de mim? Quem vai se preocupar comigo e proteger "as minhas costas"? Me sinto sozinha e nada mais faz sentido.

Todos querem o mérito pelo milagre de me recuperar ou de me deixar melhor. Esse mérito não existe e não existirá, pois minha vida nunca mais será a mesma.

Entrei no meu quarto e a cena era a mesma do dia em que eu soube. Foi como se recebesse a notícia de novo.

Não consigo lembrar de nove dias da minha vida. Nove dias em que convivi com pessoas e não lembro. Dizem que xinguei, que berrei, que agredi, que agradeci, que chorei, dizem tantas coisas. Eu não lembro. Lembro de contar a notícia para a minha filha no colégio. Lembro que quebrei tudo que estava ao meu alcance no quarto. Lembro que gritei, urrei, e que pedi que meu marido ligasse para as pessoas, especificamente para o Ranz, a Carmen e para a Glória. Depois não lembro de mais nada.

Entrei em casa. Desde que voltei não toquei em nada. Não limpei, não cozinhei, não fiz nada. Todos os dias eu saio de casa e levo minha filha para comer em algum lugar. Todos os dias eu rezo para conseguir levar e buscar ela no colégio. Nem todos os dias eu consigo. Todos os dias eu deito na minha cama e rezo para não acordar no dia seguinte nem no seguinte nem em dia algum.

O telefone virou um objeto de repulsa. Quero ligar para minha avó como sempre fazia. Quero atender o telefone e ouvir a voz dela perguntando se a Sophia está bem, se o meu marido está mais calmo, se eu fui no médico, se eu estou tomando os remédios... Ninguém me pergunta nada.

Imagino meu marido chegando todo dia em casa e suspirando satisfeito por eu ainda estar viva. Vejo nos seus olhos a decepção de encontrar a casa do mesmo jeito que estava em 13 de março de 2009. Sei que ele não aguenta mais, que ele está de saco cheio. Eu também estaria.

A chuva continua a cair. Fico pensando nas coincidências. Meu pai morreu em 1987, minha mãe em 1997, meus avós paternos em janeiro e fevereiro de 2007 e a minha avó morreu na véspera do meu aniversário e foi enterrada no dia do meu aniversário. Esse foi o meu presente esse ano. E eu devia estar linda no velório (gostaria muito de me lembrar) pois tinha ido ao salão no dia anterior e feito cabelo, unhas, comprado vestido novo...

Não tenho conseguido comer. Dizem que emagreci muito. Eu simplesmente não sinto fome. Mas percebo que algumas coisas voltaram a acontecer. As manias, os rituais, a depressão, o corpo colado na cama eternamente, a mesma roupa, a escuridão.

Ao meu redor muitos conselhos, muitas conversas, muitas mudanças... Todos esperam algo de mim, alguma atitude, alguma cobrança, alguma ação judicial... Eu só espero que não esperem nada de mim. Por que eu sou Nada. E a princípio nada pretendo fazer. Não ajo como Caim e Abel. E prefiro virar a outra face. Mas sei do que estamos falando, não nego.

Já me desanimo e me desespero com o dia de amanhã. Acordar às 6, levar e buscar a Sophia na escola, inventar um almoço fora ou em casa, fazer o dever de casa na cama, ficar vendo televisão na cama, receber o marido quando ele chegar na cama, colocar Sophia para dormir na cama, ver televisão durante a madrugada na cama e dormir na cama. 

Sigo. Nada sou, mas sigo. Ainda que eu ache que eles ficariam melhor sem mim.

E Deus continua lá, sei lá onde, jogando com o peão Tatiana e arquitetando essa vida sem sentido. E Tatiana continua vivendo automaticamente essa vida desejando um sentido ou uma saída que faça sentido. E os outros continuam vivendo e agindo como se estivesse tudo como tem que estar.

Nada faz sentido. Mas será que tinha que ter? Não sei. Sou Nada e como Nada nada sei.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Gelo

No momento sou gelo.

Não sinto o meu coração bater. Ele estala, suspenso, congelado.

Não existe sol, nem luar. Existe apenas as chicotadas do vento.

Não sou gelo simplesmente, sou frígida, sou rígida e anárquica.

Vivo nesse iglu desarranjado com tralhas para todo lado.

Sinto que viro um iceberg a qualquer instante, sem desejar doravante.

Sou mais um saco de gelo para um isopor qualquer.

O coração estala, pois tudo que pulsa luta pra viver. Não quero viver.

Insistem em meus ouvidos o tanto que ainda há para eu ver.

Pensei que a pequenina me salvaria, mas só aumenta o meu desespero.

E estala cada vez mais o gelo.

Escultura de gelo. Posando como viva para o teatro da vida, mas estou fria, morta.

Olhos me buscam através de icicles em cavernas onde me escondo.

Mas só existe esse amaranhado triturado de gelo e lágrimas e vazio.

Tanta dor congelou esse rio. Meu sorriso ficou frio.

As velas do parabéns apagadas pela súbita nevasca. Despenco.

Tudo, tudo eu suportaria, mas isso eu não aguento. Congelo.

E o mundo vira um gelo. E estala quando a pequenina sorri. Mas é gelo.

Eu sou gelo. Icicle pendurado na caverna que se tornou minha existência.

Essa existência do por enquanto, do enquanto dure. E dura.

Eu, fria, gelada, icicle, iceberg, envolta na armadura. E sempre gelo.

Porque a vida é tão crua.

É tempo de recomeçar


 
VOCÊ ESTÁ PRONTO PARA RECOMEÇAR?
por Wanda Ribeiro - wandinha_rs@hotmail.com


"Tudo tem começo e meio. O fim só existe para quem não percebe o recomeço"

Ao longo na nossa existência, passamos por diversos períodos em que tudo parece difícil, ou mesmo impossível. São fases em que somos expostos às mais diversas “provas”, que podem ser “aplicadas” pelo fim de um intenso romance, perda do emprego, morte de alguém querido, doença grave, vícios em estágio extremo, ou mesmo por uma insatisfação pessoal inexplicável.

Pois é justamente nesses momentos mais difíceis que “surgem” as forças para uma revolução pessoal. É a hora em que nos redesenhamos e, consequentemente, traçamos um novo rumo para nossas vidas. Porque nada pára, a vida continua. O mundo não pára diante de nossas fraquezas, diante de nossos problemas e ter esse entendimento não é nada fácil, mas só depende de cada uma de nós. Não adianta pararmos por causa de algo que nos trava. Será que podemos simplesmente deixar a vida passar e ir levando como dá ou devemos cuidar de cada dia com atenção especial mesmo quando as coisas não dão certo como desejamos?

Hoje é um bom dia para começar novos desafios. Hoje é o dia da faxina mental. Vamos lá... Vamos recomeçar. Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo é renovar as esperanças na vida e o mais importante é acreditar em você de novo. Joga fora tudo que te prende ao passado ao mundinho de coisas tristes, mas principalmente esvazie seu coração. Se você sofreu muito num determinado período de sua vida, lembre-se foi aprendizado. Se chorou muito foi limpeza da alma. Ficou com raivas das pessoas foi para perdoá-las um dia. Não importa quem te feriu, o importante é que você ficou. Não interessa o que te faltou, tudo pode ser conquistado novamente. Não se ligue em quem te traiu, você foi fiel. Não se lamente por quem se foi, cada um tem seu tempo. Pare de falar segunda - feira eu recomeço.” Por que Segunda -feira? Por que não hoje? O problema é que sempre ficamos esperando pela próxima segunda-feira, pelo próximo dia 1º. E esquecemos que quem tem essa energia, quem tem a capacidade e o poder de gerar um novo começo, um recomeço, somos nós - não o dia da semana ou do mês. O começo, o recomeço, só acontecerão se nós os fizermos acontecer. Depende de nós. Sei que recomeçar é difícil, mas dê o primeiro passo e logo você ganhará forças para prosseguir na caminhada. Aceite o momento, aceite o que você é.

Sempre é tempo de recomeçar. Em qualquer situação podemos abrir novas portas, conhecer novos lugares, novas pessoas, ter outros sonhos. Renovar o nosso compromisso com a vida e assim, renascer para a vida e alcançar a felicidade. Recomece a viver, recomece a reencontrar você, recomece a amar você. Não perca mais tempo remoendo o passado. O mundo está cheio de novas oportunidades. As portas se abrem para os que não têm medo de enfrentar as adversidades da vida. O que importa é que sempre é possível e necessário "Recomeçar" Então, por que não hoje? Hoje é um belo dia pra recomeçar! Não pare na vida, porque ela não te espera. Vamos recomeçar?

"O fracasso é uma oportunidade para começar de novo, desta vez de forma mais inteligente." (Henry For)


por Wanda Ribeiro - wandinha_rs@hotmail.com  
Wanda Ribeiro é Terapeuta Holística e Numeróloga Cabalista. Utilizo a Numerologia como ferramenta para orientar uma pessoa quanto aos seus aspectos de personalidade, habilidades ou talentos, melhores profissões e para que aproveite os melhores ciclos de sua vida para a sua realização pessoal e profissional. Envio por e-mail ou sedex.
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