domingo, 30 de março de 2008
Refletindo sobre o meu aniversário
Mais um aniversário.
Quanto vale a minha vida? O que eu fiz por mim até hoje? Pelos meus amigos, pelo mundo?
Se eu morresse hoje até que eu morreria feliz. Graças a Deus não serei lembrada como santa.
Prefiro ser daquelas mulheres que são lembradas por terem sido mortas na fogueira, perseguidas em vilarejos, ou que foram apedrejadas por hipócritas.
Sei que falam mal, mas pelo menos falam de mim!
Eu tinha pavor de morrer virgem, mas "dei" produtivamente como "xuxu na serra".
Fui escoteira, atravessei vários "velhinhos" e ceguinhos na rua, levantei da cadeira do ônibus para as pessoas com necessidades especiais sentarem.
Já plantei mais do que uma árvore, plantei várias.
Traí e fui traída.
Experimentei drogas diversas e orgulhosamente não me tornei viciada em nenhuma, nunca fui dependente.
Bem...
Quer dizer...
Talvez eu beba mais do que deveria... talvez eu beba "pa caralhooooooo".
E, talvez eu passe um pouco do limite no que se refere à homens... amo os homens, sou viciada mesmo, isso sempre foi complicado... nunca estava satisfeita... um sempre era pouco.
Mas nada disso define minha vida, só o meu tesão.
Andei e viajei de trem, ônibus, avião, navio, carro, carroça, cavalo, barca, caminhão, lancha, barca, iate, bicicleta, moto, mula, caiaque, pedalinho, bote, balsa...
Hummmmm... preciso dar um jeito de arrumar um helicóptero, um submarino e um foguete espacial! Será que teletransporte será disponível logo?
Fiz as duas viagens obrigatórias na vida de uma pessoa: disney (com o pentelho do Ranz) e europa (duas vezes, com uma amiga e sozinha).
Vivi tantas aventuras que não caberiam aqui.
Já escalei montanhas e já guiei escaladas.
Andei muitas trilhas, conheci diversas cidades nos mais inusitados lugares.
(tenho que sair um minuto... continuarei essa minha reflexão depois...)
854
Um grupo de garis bate papo debaixo de um viaduto, numa mesinha de concreto com alguns banquinhos em frente ao "escritório" da comlurb.
Mais inusitado ainda: uma senhora de aparência razoável sentada em um sofá bem velho sob um tapete puído tira meleca grosseiramente enquanto observa o trânsito.
Um barulho chama minha atenção.
tloc tloc tloc
Um kadett velho continua rodando apesar de ter um dos pneus furados. Será que o motorista percebeu?
Adolescentes barulhentos perturbam a ordem berrando e mexendo uns com os outros na parte de trás do ônibus.
Eu sei que já fiz isso quando era mais nova, mas, puta que pariu, eles não podiam ir encher o saco de outro ônibus?
Estou atrasada para ajudar mais um amigo, alguém que amo muito.
Queria poder salvar todos, ajudar todos, mas sempre esqueço de mim.
Estrada do magarça, um paraíso. Cheiro de mato, de verde...
Zona rural, brisa gelada no meu rosto...
Adoro sentar na janela.
sábado, 29 de março de 2008
Tatibitati
Chegamos em um momento onde eu e ele estamos no mesmo nível.
É estranho.
Ele é o médico que era grande amigo da minha mãe e que trabalhava com ela, era sócio na clínica de campo grande. Brincou comigo, me pegou no colo, fez gracinhas e me viu na barriga da mamãe.
Mas hoje não é assim.
Ele é o meu psiquiatra e me ouve contar intimidades e problemas da minha vida particular.
Hoje somos homem e mulher, pais, casados, com uma bagagem de vida e conhecimentos praticamente iguais, não fosse o fato de ele ser muito mais velho, é claro.
Tenho vontade de sair da etiqueta de consultório e perguntar sobre os filhos, sobre a vida dele em friburgo, sobre como ele se sentiu com a morte da mamãe e como ele se sente em me atender profissionalmente.
Me calo.
Existem barreiras que talvez sejam necessárias para que ambos consigam o que desejam.
Mas o que eu desejo?
quarta-feira, 26 de março de 2008
Não ser
Ver tv a cabo ou jogar spider até ganhar a jogada.
De vez em quando comer, beber água como se estivesse no deserto (não sei porque).
Dormir pelo menos umas duas, três horas por dia...
Rezar pra não ter que falar nada, ver nada, lidar com nada, interagir com ninguém.
Evitar deixar o celular ligado, não atender o telefone, nunca estar em casa (mesmo estando)...
Tomar sorvete napolitano, comer frango à parmegiana de microondas, miojo e patitas...
Esperar as pessoas sairem do lugar para entrar, evitar contato no elevador, não andar de ônibus para não ter que estar entre pessoas...
Não sonhar nas poucas horas que consegue dormir.
Não sonhar.
Não dormir.
Não desejar.
Não almejar.
Não ter.
Não ser.
Não ser.
Não ser.
segunda-feira, 24 de março de 2008
15 de março
domingo, 16 de março de 2008
Um dia muito especial
Ontem foi um dia muito especial.
Fiz uma festa linda, gastei um dinheiro que eu não tinha, pois queria dar tudo do bom e do melhor para as pessoas que são importantes na minha vida.
Me enrolei toda, comprei um vestido novo (eu não costumo fazer esse tipo de coisa), comprei um sapato novo (também não costumo fazer isso), enfim, me preparei para uma puta festa.
Eu me programei para receber a benção de Iemanjá, na praia, na beira do mar.
Nem a minha mãe de Santo (de Iemanjá), nem a minha madrinha (de Iemanjá) compareceram.
A minha madrinha, que seria responsável pela benção propriamente dita, caiu na noite anterior e quebrou o braço em 8 lugares, passou por cirurgia e está internada.
A praia e o mar? Bem, não houve condições de ir para a praia e para a beira do mar, pois choveu exageradamente sem parar com ventos significativos durante 24 horas seguidas sem intervalo.
Passei a manhã e parte da tarde correndo de um lado para o outro para comprar as coisas de última hora, para dar atenção ao Dio que não consegue fazer nada sem mim, comprando um vestido que eu não tinha conseguido achar antes, um sapato pra combinar com a porra do vestido que tem um cor bem peculiar, sem ter feito as unhas (porque eu sempre esqueço e nunca faço), sem ter arrumado o cabelo (porque eu sempre esqueço e nunca faço já que eu não ligo muito pra isso), e bem atrasada para a minha própria festa (pra variar).
Como sempre contei com o meu irmão, minha irmã, minha prima Sabrina e seu adorável marido Alexandre para ajudar com todas as coisas que eu me enrolei no final das contas.
Mas tudo deu certo.
E, graças à sensibilidade da Taís e da Sabrina, o salão até teve uns enfeites e umas flores.
Deu tudo certo. Ou pelo menos, quase tudo.
Eu demorei bastante a descer, pois fui a última a me arrumar e quis ficar um pouco sozinha antes de descer. Joguei spider, vi tv, tomei meu banho com bastante calma.
Quando eu cheguei no salão - surpresa: tinham 20 pessoas no salão.
20 pessoas.
Eu convidei cerca de 100 pessoas. Tinham 20 pessoas no salão.
Olhei o relógio e já eram quatro horas e alguma coisa. Eu tinha marcado o início para duas e meia da tarde, ou seja, ninguém tinha aparecido a não ser essas 20 pessoas.
Beijei todo mundo, circulei pelo vazio do salão e da varanda, apreciei a linda mesa que a Dona Clélia tinha preparado para "100 pessoas", chequei no bar os x00 reais que o Dio tinha gasto em bebidas diversas e não soube o que pensar.
Alguns diziam para cancelar a benção e deixar para outro dia.
O Dio repetia que quem interessava estava ali.
Sentei com meus 20 amigos, conversei, me entupi de refrigerante e guloseimas, lembramos bons momentos do passado, lembramos dos meus pais, da casa de guapi, do grupo escoteiro, das pessoas vivas e das pessoas mortas, das nossas próprias histórias...
Em um determinado momento eu olhei em volta e observei as pessoas que estavam ali:
Fábio e Bia, esse casal de novos amigos que são tão queridos na nossa vida; André e Marcelinho com as Tatianas, os companheiros inseparáveis do Dio; Jonathas com sua mãe, mais do que ex-aluno, um grande jovem amigo que a gente fez; Carolzinha com Dudu e Vânia, também ex-alunos e amigos queridos; Cecília e Paulinho com Vanessa e o namorado, que me viram nascer, que cresceram com meus pais, que são tão parte da minha vida e da minha história; Sabrina e Alexandre, prima e "primo" que são super alto astral e que agora fazem parte constante da minha vida, graças a Deus; Adriana, minha cunhada querida, linda, que divide comigo o mesmo teto, a mesma família, e que já me ensinou tanta coisa; Diogo, meu irmão designer, trabalhador, leonino, mas que sempre está lá quando eu preciso, que é mais do que um irmão, que é tudo na minha vida; Taís, minha irmã amada, quase gêmea, tão linda, tão inteligente, tão bem-sucedida, exemplo para mim de caráter, de coragem, de perseverança, de luta; Carmen, minha antiga secretária, fiel amiga, sempre disposta a me ajudar, a me dar colo, a me amparar na queda; Vanusia, minha fiel escudeira, anjo da guarda da Sophia, meu anjo da guarda; Ranz, o primeiro amor, o melhor amigo, o mais enrolado do mundo, a mão que sempre está estendida e que sempre recebe a minha mão também, que testemunhou os momentos mais importantes da minha vida ao meu lado, no hospital quando a mamãe morreu, que me levou para o hospital quando a Sophia nasceu...
As crianças, Sophia, Bruna e Juju, tocando o terror no salão.
A vovó deitada em casa cheia de dor.
Cadê todo mundo?
Não sei.
Meu coração sentiu a falta dessas pessoas.
O Dio chamou todo mundo e fomos para o salão. Falamos coisas muito legais um para o outro. Minha avó me deu a pulseira secular de ouro dela de presente e Dio me entregou no meio do salão. Chorei pra caramba. Nunca pensei que passaria por um momento desse: receber uma jóia de família da vovó Hélia. Quem diria? Há um tempo atrás ninguém acreditaria.
Esse momento nunca irá acontecer de novo. Não irá se repetir. Foi lindo.
Tudo foi lindo.
Obrigado, Dio, por tudo o que você me proporcionou e pelo sacirfício que você faz constantemente para me fazer feliz.
Talvez você tenha razão: só estava lá quem tinha que estar. Nunca irei saber.
Mas sei que esse momento foi único e não irá se repetir.
E, como disse uma sábia conhecedora dos Orixás e Voduns, eu nunca conseguiria receber a benção de Iemanjá na praia, pelas mães de Santo de Iemanjá, sendo filha de quem sou... o ciúme bateu e Ela resolveu logo com a chuva e os ventos que decidiram o rumo da história...
No final, venceu Ela. Nada de praia, nada de Iemanjá.
Eparrê, Oyá!
domingo, 9 de março de 2008
A vida como ela é
Estou mais calma.
Não retiro uma palavra do que eu disse mas estou mais calma. Daqui a pouco vou começar a fazer o almoço e tenho que começar a me preparar psicologicamente para ir amanhã à PUC ou esquecer que ela existe e trancar. Estou com muita saudade da minha mãe, pois todas as pessoas que estão aparecendo no meu caminho agora são pessoas que eram muito ligadas a ela. Tem tanta coisa acontecendo que eu mal dou conta de tudo. Nosso novo lar está quase pronto e está chegando a hora de mudar. A Sophia vai voltar a ter um quarto só para ela, do jeito que ela sempre sonhou. E eu vou voltar a ter o meu quarto só para mim, do jeito que eu preciso, tanto na barra quanto em jacarepaguá, pois vou passar grande parte do meu tempo, se não a maioria, na barra para poder cuidar da vovó e do que ela precisa.
Meu aniversário está chegando e a lista de providências é grande, assim como a lista de reflexões. Esse ano não fiz reflexão no ano novo.
Do meu lado agora a Sophia cola os selinhos do jornal O Globo para ganhar o bichinho e o livrinho da semana. Que orgulho! Ela é linda demais, esperta demais, inteligente demais...
Dá pra acreditar ? Minha filha vai fazer 7 anos!!! Puta que pariu...
É isso. A vida é muito louca, cheia de ciclos, cheia de rituais de passagem...
Sabe uma coisa muito doida? Eu não consigo deixar de sentir isso... uma linha do tempo sem início, meio e fim, e daqui onde estou, nesse presente/futuro de 2008, eu sinto como se estivesse acontecendo hoje ao mesmo tempo vários momentos de muitos anos atrás. Tatiana criança, Tatiana adolescente, Tatiana adulta, todas se encontram e se olham, e se observam, e vivem o que as outras estão vivendo.
Nesse momento eu estou sentada no meio fio do colégio Saint John, no pré-vestibular, conversando...
Nesse momento eu estou rindo pra caramba com todos os meus amigos de infância no meu quarto no dia do ano novo... todos com a camisa que era confeccionada para o tema do ano...
Nesse momento eu estou brincando de comidinha na frente da casa da vovó em guapimirim e sinto o cheiro da chuva que está chegando, o que significa que faremos guerra de lama...
Agora estou deitada no sofá do meu apartamento na Tirol vendo tv coberta pelo edredom, me sentindo no melhor lugar do mundo, super aconchegada...
Agora estou na UTI do barra d'or sem lembrar como foi que eu parei ali... sem medo, apenas sem saber como eu fui parar ali... olhando em volta confusa...
Hummmmm...
Isso é tão bom,, tão gostoso... viver esses mil momentos no mesmo segundo e senti-los efetivamente...
Nem dá para escrever tudo o que estou sentindo... tem coisas que vão ser logo mal interpretadas ou vistas como sinal de alguma coisa que na verdade não existe.
Agora? o meu momento de agora é esse... um quarto bagunçado pra caramba, minha filha arrumando a bagunça dela e preparando as coisas dela para ir à escola no dia seguinte, o Dio deitado na cama feito um hipopótamo vendo um filme chato pra caramba e reclamando que eu fico no computador o dia inteiro e que não casa comigo se eu continuar assim... (claro que casa!)
Eu amo o computador!
É o único lugar que é só meu, que eu não preciso dividir... é como um livro... você entra e deixa de perceber e se conectar com o que acontece à sua volta... hahahahaha (foge)
Voltando para o mundo normal...
Imposto de renda, pagamentos, dívidas, vender isso, comprar aquilo, fazer almoço, lavar a louça, remédios da vovó, comprar remédios...
Lidar com a vida como ela é....
quinta-feira, 6 de março de 2008
Blá, blá, blá... grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr
Uma frustração sem fim. Parece que o corpo está preso na cama, que os olhos estão presos na televisão, na tela do computador. O cérebro diz lá no fundo do fundo do fundo que você tem que levantar e o corpo responde não se movendo.
Por fora tudo lindo, por dentro um deserto. Por que não podem estar em equilíbrio, pra variar?
Será que a decepção foi maior do que eu imaginava? Será que me afetou emocionalmente de tal maneira que me paralisou?
Eu quero dizer - chega!
Não ficar tão afetada com o que acontece à minha volta e com o que fazem comigo.
Preciso engatar a primeira de novo. Preciso avançar.
Vem um cretino e diz que eu sou cheia de problemas...
A diferença entre mim e o resto do mundo é que eu escrevo e falo sobre os meus problemas, logo todos sabem e parecem ser muitos. Acredito que todos tenham esses problemas também. Dificuldade com alguma coisa, tristeza, paralisia, decepção.
Cada um sabe de si, como dizia minha avó Ricardina.
Se eu amo a Sophia? amo. Mas às dez horas da noite quando eu quero ter o meu tempinho para usar a internet, ou na hora que vai passar o meu programa preferido, e ela começa a fazer manha, chorar à toa, agir de forma mimada... eu tenho vontade de sumir.
Se eu adoro o Dio? adoro. Mas quando não estou afim de fazer um sanduíche, ou de namorar, ou qualquer outra coisa... eu quero que ele exploda.
O psiquiatra pergunta: sua família sabe que você tem essa doença, eles têm noção do que isso significa? eu respondo que não sei. Como posso saber?
Não gosto desse estigma "doente". Mas sei que isso me faz diferente em muita coisa.
E, nesse momento - cymbalta, lítio e lioram - a única coisa que eu quero é ficar sozinha, mesmo sabendo que é exatamente o que eu não deveria fazer.
Eu já tento demais. Faço demais pensando em todo mundo.
Eu quero o meu momento, a minha vontade, o meu desejo.
Eu SEI que tenho responsabilidades, ninguém precisa me dizer isso. Eu posso ser louca, mas não sou criança e nem burra.
Só quero o meu momento. Quero começar a escrever logo, terminar essa porra de faculdade logo (mesmo amando estar lá).
Não quero viver a vida e os sonhos dos outros.
Desde que a vovó ficou doente eu não consigo fazer nada de tanto medo que eu tenho de perde-la.
Não consigo dormir com medo de algo acontecer de madrugada, não consigo sair de casa por muito tempo, não consigo respirar direito. O medo é insuportável, paralisante, como duas mãos ao redor do meu pescoço tentando me sufocar. Não quero ouvir nada a esse respeito, pois serão só palavras e não mudará o que eu sinto e nem o que vai acontecer inevitavelmente.
Ninguém entende que é um direito meu estar como estou agora. Os meses desde a virada do ano têm sido uma tortura, cada dia algo pior acontece. Eu não queria descobrir nada, não queria saber de nada, eu não queria ter que passar pelo que estou passando.
Está tudo errado. Eu estou tendo que consertar sozinha. Não tem ninguém para pegar a minha mão e me guiar.
E, de qualquer maneira, quando eu conseguir dar o primeiro passo para sair desse limbo todo mundo vai reclamar também.
A carta da "torre" do tarô. É mais ou menos isso que estou vivendo. Ainda tem muito tijolo pra cair. Eu ainda vou apanhar muito. Mas quer saber?
Ninguém sobrevive a esses cataclismas melhor do que eu.
Eu garanto uma coisa: quando eu levantar, o que tiver caído dessa torre nunca mais vai fazer parte dela de novo, porque eu sou leal, mesmo parecendo doida às vezes. Todos os meus atos têm uma razão.
Caminhos obscuros
Pra quem ainda vier a me amar - Roberto Freire
Quero dizer que te amo só de amor. Sem idéias, palavras, pensamentos.
Quero fazer que te amo só de amor. Com sentimentos, sentidos, emoções.
Quero curtir que te amo só de amor. Olho no olho, cara a cara, corpo a corpo.
Quero querer que te amo só de amor. São sombras as palavras no papel.
Claro-escuros projetados pelo amor, dos delírios e dos mistérios do prazer.
Apenas sombras as palavras no papel.
Ser-não-ser refratados pelo amor no sexo e nos sonhos dos amantes.
Fátuas sombras as palavras no papel.
Meu amor te escrevo feito um poema de carne, sangue, nervos e sêmen.
São versos que pulsam, gemem e fecundam. Meu poema se encanta feito o amor
dos bichos livres às urgências dos cios e que jogam, brincam, cantam
e dançam fazendo o amor como faço o poema.
Quero a vida as claras superfícies onde terminam e começam meus amores.
Eu te sinto na pele, não no coração. Quero do amor as tenras superfícies
onde a vida é lírica porque telúrica, onde sou épico porque ébrio e lúbrico.
Quero genitais todas as nossas superfícies.
Não há limites para o prazer, meu grande amor, mas virá sempre antes,
não depois da excitação.
Meu grande amor, o infinito é um recomeço.
Não há limites para se viver um grande amor.
Mas só te amo porque me dás o gozo e não gozo mais porque eu te amo.
Não há limites para o fim de um grande amor.
Nossa nudez, juntos, não se completa nunca, mesmo quando se tornam
quentes e congestionadas, úmidas e latejantes todas as mucosas.
A nudez a dois não acontece nunca, porque nos vestimos um com o corpo do outro,
para inventar deuses na solidão do nós. Por isso a nudez, no amor, não satisfaz nunca.
Porque eu te amo, tu não precisas de mim. Porque tu me amas, eu não preciso de ti.
No amor, jamais nos deixamos de completar.
Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Aniversário da Iemanjá da minha mãe
| Start: | Mar 3, '08 6:00p |
| Location: | são joão |
Benção na praia
| Start: | Mar 15, '08 2:00p |
| Location: | praia da barra |