Pois é.
Ontem foi um dia muito especial.
Fiz uma festa linda, gastei um dinheiro que eu não tinha, pois queria dar tudo do bom e do melhor para as pessoas que são importantes na minha vida.
Me enrolei toda, comprei um vestido novo (eu não costumo fazer esse tipo de coisa), comprei um sapato novo (também não costumo fazer isso), enfim, me preparei para uma puta festa.
Eu me programei para receber a benção de Iemanjá, na praia, na beira do mar.
Nem a minha mãe de Santo (de Iemanjá), nem a minha madrinha (de Iemanjá) compareceram.
A minha madrinha, que seria responsável pela benção propriamente dita, caiu na noite anterior e quebrou o braço em 8 lugares, passou por cirurgia e está internada.
A praia e o mar? Bem, não houve condições de ir para a praia e para a beira do mar, pois choveu exageradamente sem parar com ventos significativos durante 24 horas seguidas sem intervalo.
Passei a manhã e parte da tarde correndo de um lado para o outro para comprar as coisas de última hora, para dar atenção ao Dio que não consegue fazer nada sem mim, comprando um vestido que eu não tinha conseguido achar antes, um sapato pra combinar com a porra do vestido que tem um cor bem peculiar, sem ter feito as unhas (porque eu sempre esqueço e nunca faço), sem ter arrumado o cabelo (porque eu sempre esqueço e nunca faço já que eu não ligo muito pra isso), e bem atrasada para a minha própria festa (pra variar).
Como sempre contei com o meu irmão, minha irmã, minha prima Sabrina e seu adorável marido Alexandre para ajudar com todas as coisas que eu me enrolei no final das contas.
Mas tudo deu certo.
E, graças à sensibilidade da Taís e da Sabrina, o salão até teve uns enfeites e umas flores.
Deu tudo certo. Ou pelo menos, quase tudo.
Eu demorei bastante a descer, pois fui a última a me arrumar e quis ficar um pouco sozinha antes de descer. Joguei spider, vi tv, tomei meu banho com bastante calma.
Quando eu cheguei no salão - surpresa: tinham 20 pessoas no salão.
20 pessoas.
Eu convidei cerca de 100 pessoas. Tinham 20 pessoas no salão.
Olhei o relógio e já eram quatro horas e alguma coisa. Eu tinha marcado o início para duas e meia da tarde, ou seja, ninguém tinha aparecido a não ser essas 20 pessoas.
Beijei todo mundo, circulei pelo vazio do salão e da varanda, apreciei a linda mesa que a Dona Clélia tinha preparado para "100 pessoas", chequei no bar os x00 reais que o Dio tinha gasto em bebidas diversas e não soube o que pensar.
Alguns diziam para cancelar a benção e deixar para outro dia.
O Dio repetia que quem interessava estava ali.
Sentei com meus 20 amigos, conversei, me entupi de refrigerante e guloseimas, lembramos bons momentos do passado, lembramos dos meus pais, da casa de guapi, do grupo escoteiro, das pessoas vivas e das pessoas mortas, das nossas próprias histórias...
Em um determinado momento eu olhei em volta e observei as pessoas que estavam ali:
Fábio e Bia, esse casal de novos amigos que são tão queridos na nossa vida; André e Marcelinho com as Tatianas, os companheiros inseparáveis do Dio; Jonathas com sua mãe, mais do que ex-aluno, um grande jovem amigo que a gente fez; Carolzinha com Dudu e Vânia, também ex-alunos e amigos queridos; Cecília e Paulinho com Vanessa e o namorado, que me viram nascer, que cresceram com meus pais, que são tão parte da minha vida e da minha história; Sabrina e Alexandre, prima e "primo" que são super alto astral e que agora fazem parte constante da minha vida, graças a Deus; Adriana, minha cunhada querida, linda, que divide comigo o mesmo teto, a mesma família, e que já me ensinou tanta coisa; Diogo, meu irmão designer, trabalhador, leonino, mas que sempre está lá quando eu preciso, que é mais do que um irmão, que é tudo na minha vida; Taís, minha irmã amada, quase gêmea, tão linda, tão inteligente, tão bem-sucedida, exemplo para mim de caráter, de coragem, de perseverança, de luta; Carmen, minha antiga secretária, fiel amiga, sempre disposta a me ajudar, a me dar colo, a me amparar na queda; Vanusia, minha fiel escudeira, anjo da guarda da Sophia, meu anjo da guarda; Ranz, o primeiro amor, o melhor amigo, o mais enrolado do mundo, a mão que sempre está estendida e que sempre recebe a minha mão também, que testemunhou os momentos mais importantes da minha vida ao meu lado, no hospital quando a mamãe morreu, que me levou para o hospital quando a Sophia nasceu...
As crianças, Sophia, Bruna e Juju, tocando o terror no salão.
A vovó deitada em casa cheia de dor.
Cadê todo mundo?
Não sei.
Meu coração sentiu a falta dessas pessoas.
O Dio chamou todo mundo e fomos para o salão. Falamos coisas muito legais um para o outro. Minha avó me deu a pulseira secular de ouro dela de presente e Dio me entregou no meio do salão. Chorei pra caramba. Nunca pensei que passaria por um momento desse: receber uma jóia de família da vovó Hélia. Quem diria? Há um tempo atrás ninguém acreditaria.
Esse momento nunca irá acontecer de novo. Não irá se repetir. Foi lindo.
Tudo foi lindo.
Obrigado, Dio, por tudo o que você me proporcionou e pelo sacirfício que você faz constantemente para me fazer feliz.
Talvez você tenha razão: só estava lá quem tinha que estar. Nunca irei saber.
Mas sei que esse momento foi único e não irá se repetir.
E, como disse uma sábia conhecedora dos Orixás e Voduns, eu nunca conseguiria receber a benção de Iemanjá na praia, pelas mães de Santo de Iemanjá, sendo filha de quem sou... o ciúme bateu e Ela resolveu logo com a chuva e os ventos que decidiram o rumo da história...
No final, venceu Ela. Nada de praia, nada de Iemanjá.
Eparrê, Oyá!
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