sábado, 12 de julho de 2014

Como morrer sem dor

Pesquisando sobre tendências suicidas em adolescentes e pré-adolescentes descobri que uma das maiores procuras no google é sobre como morrer "sem dor".  É assustadora a quantidade de blogs, sites, e links que encontrei sobre auto-mutilação, cortes nos pulsos e diversas coisas extremamente sombrias.  A dor tem se tornado tão insuportável que muitos preferem morrer. A angústia dentro do coração tem sido tão grande que muitos desejam se machucar para sentir uma dor paliativa que ajude a diminuir ou esconder a verdadeira dor.
A questão é que não existe fórmula mágica, não existe atalho, não existe paliativo para diminuir ou acabar com a angustiante dor da alma.
É impossível morrer sem dor.
Mesmo porque quem morre não tem uma consciência pós morte para avaliar se sentiu ou não dor.  Portanto a dor da morte é o maior segredo que o morto leva consigo.
Sempre lembro dos períodos obscuros da minha vida em que passei por surtos eufóricos e depressivos de bipolaridade, E.P.T., internações psiquiátricas e coisas do gênero.  Meu psiquiatra sempre conversava sobre os efeitos da overdose de remédios e outras substâncias e eu nunca consegui esquecer disso.
Morrer dói.  Overdose de remédios dói.  Ingestão de substâncias tóxicas dói.  Inalação de gases tóxicos dói.  Queda de lugares altos dói.  Enforcamento dói.  Asfixia dói.  Tudo dói.  Morrer dói.
A questão é qual dor a pessoa consegue suportar mais: a dor da vida ou a dor da morte.
Ninguém sabe o que acontece "depois da morte".  Qual a garantia que o suicida tem de que depois da morte a dor, a angústia, a tristeza, a frustração - ou qualquer que seja seu motivo para não aguentar viver - vai acabar?
Vale mais a pena apostar numa mudança e melhoria de vida ou na incerteza do pós morte?
Viver pode ser difícil às vezes, mas quem garante que morrer também não é?
Se existir mesmo o suposto e temido "umbral" como será viver por lá por tempo indeterminado por ter sido um suicida?
Se existir mesmo o suposto e temido "inferno" como será viver a eternidade lá por ter ido contra as leis do Criador e ter tirado a própria vida?
Será a solidão do umbral e do inferno melhor do que a solidão da vida?

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Perto dos 40

Os anos passaram e finalmente cheguei ao ponto em que todos costumam chamar de "meia-idade".  Que fique registrado que eu sempre tive certeza de que a morte iria chegar, mas nunca me dei conta de que a "meia-idade" iria chegar também.  A verdade é que a morte é certa, mas o envelhecimento não.  Ninguém tem como saber quanto tempo viverá.  Eu acho que posso ser ousada em dizer que sempre estive preparada para morrer, mas nunca para envelhecer.  Não dá para expressar o tamanho do meu desespero e da minha ansiedade nesse ponto em que estou agora.  Todas as limitações, todos os anos que eu perdi, tudo o que deixei de fazer, tudo o que nunca mais poderei fazer, todas as mudanças inerentes ao passar do tempo.  É devastador.  Não acredito que isso aconteça com todos.  Acredito que existem pessoas que alcançam seus sonhos e objetivos de vida de tal forma que sentem-se afortunados com o passar dos anos.  Não é o meu caso.
Eu passei tanto tempo da minha vida elaborando sonhos, planos, desejos, que perdi o "timing", por assim dizer.  Sempre achando que eu tinha tempo, que eu podia deixar para depois, até chegar nesse momento e ver que o tempo passou e nada foi feito.
Tudo bem, talvez eu esteja exagerando.  Eu fiz muitas coisas, vivi uma vida que muitos invejam, mas uma vida "sem rédeas".  Troquei o fim pelo começo.  Decidi fazer tudo o que não admitiria deixar de fazer antes de morrer, mas não fiz o que precisava fazer para viver antes de morrer.
Ainda estou desenvolvendo tudo isso dentro de mim.