domingo, 21 de dezembro de 2008

A coragem para ser feliz (Osho) - recebido de uma amiga

PARECE ATÉ UMA RESPOSTA AO MEU ÚLTIMO POST.... HAHAHAHAHAHAHAHA
MAS VALEU PELA REFLEXÃO!


Continuamos a perder muitas coisas na vida só por causa da falta de coragem. Na verdade, nenhum esforço é necessário para conquistar – só é preciso coragem – e as coisas começarão a vir até você, em vez de você ir atrás delas. Pelo menos no mundo interior é assim.

E para mim, ser feliz é a maior coragem. Ser infeliz é uma atitude muito covarde. Na realidade, para ser infeliz, não é preciso nada. Qualquer covarde pode ser, qualquer tolo pode ser. Todo mundo é capaz de ser infeliz; para ser feliz é preciso coragem – é um risco tremendo.

Não temos o costume de pensar assim. Nós pensamos: “ O que é preciso para ser feliz? Todo mundo quer ser feliz.” Isso está absolutamente errado. É muito raro uma pessoa estar pronta para ser feliz – as pessoas investem tanto na infelicidade! Elas adoram ser infelizes. Na verdade, elas são felizes por serem infelizes.
 
 
Há muitas coisas para se entender – sem entendê-las é muito difícil se livrar da mania de ser infeliz. A primeira coisa é: ninguém está prendendo você; é você que decidiu ficar na prisão da infelicidade. Ninguém prende ninguém. O homem que está pronto para sair dela, pode sair quando quiser. Ninguém mais é responsável. Se uma pessoa é infeliz, é ela mesma a responsável. Mas a pessoa infeliz nunca aceita a responsabilidade – é por isso que continua infeliz. Ela diz: “ Estão me fazendo infeliz” .

Se outra pessoa está fazendo com que você seja infeliz, naturalmente não há nada que você possa fazer. Se você mesmo está causando a sua infelicidade, alguma coisa pode ser feita... alguma coisa pode ser feita imediatamente. Então ser ou não ser infeliz está nas suas mãos. Todavia as pessoas ficam jogando nos outros a responsabilidade – às vezes na mulher, às vezes no marido, às vezes na família, no condicionamento, na infância, na mãe, no pai... outras vezes na sociedade, na história, no destino, em Deus – mas não param de jogar nos outros. Os nomes são diferentes, mas o truque é sempre o mesmo.

 

Um homem torna-se realmente um homem quando aceita a responsabilidade total – é responsável pelo quer que seja. Essa é a primeira forma de coragem, a maior delas. É muito difícil aceitá-la porque a mente vai continuar dizendo: “Se você é responsável, porque criou isso?”. Para evitar isso, dizemos que os outros são responsáveis: “O que eu posso fazer? Não tem jeito... sou uma vítima! Sou jogado daqui para ali por forças maiores que eu e não posso fazer nada. Posso no máximo chorar porque sou infeliz e ficar ainda mais infeliz chorando”. E tudo cresce – se você cultiva uma coisa, ela cresce. Então você vai cada vez mais fundo... mergulha cada vez mais fundo.

Ninguém, nenhuma outra força, está fazendo nada a você. É você e só você. Isso resume toda a filosofia do karma – que é o seu fazer; karma significa ‘fazer’. Você fez e pode desfazer. E não é preciso esperar, postergar. Não é preciso tempo – você pode simplesmente pular fora disso.
 
 
Mas nós nos habituamos. Se pararmos de ser infelizes, nos sentiremos muito sozinhos, perderemos nossa maior companhia. A infelicidade virou nossa sombra – nos segue por toda a parte. Quando não há ninguém por perto, pelo menos a infelicidade está ali presente - você se casa com ela. E trata-se de um casamento muito, muito longo; você está casado com a sua infelicidade há muitas vidas.

Agora chegou a hora de se divorciar dela. Isto é o que eu chamo de a grande coragem – divorciar-se da infelicidade, perder o hábito mais antigo da mente humana, a companhia mais fiel.


*OSHO, The Buddha Disease, # 27

sábado, 20 de dezembro de 2008

Não tem nada a ver com 2009

Realmente, não tem nada a ver com 2009, apenas sinto uma daquelas ondas de mudança que afogam você de repente e que quando você conseque alcançar a superfície encontra tudo diferente (ou morre, é claro! rsrsrsrs).
Tô olhando em volta e não estou gostando do que estou vendo.
81 kilos? Vai pra puta que pariu... como é que uma anã de 1,55m consegue chegar a 81kg?
Doenças? Pro caralho com as doenças, só tenho 34 anos e não estou nem um pouco interessada em ser ou estar doente...
Tá incomodado com os meus palavrões? FODA-SE! Se você soubesse como eu estou escrevendo esse post muito muito muito puta, você acharia até que eu estou sendo educada.
Como dar um "chega" na vida sem dar um tiro no peito dos outros?
Como virar para o marido e dizer que o casamento tá uma merda e que vc está de saco cheio?
Como dizer que está cansada de olhar para o apartamento e achar que vive num chiqueiro?
Porra, eu sou super caprichosa, adoro cuidar do meu cantinho, mas tem umas coisas que não dá, sabe?
Lava pelo menos a porra do copo que usou.
Sophia tem 7 anos mas tem dois braços saudáveis para arrumar sua cama e jogar roupa suja no cesto de roupa suja.
De que adianta eu fazer comida se a gente nunca está em casa para comer?
TODO MUNDO sabe que eu não nasci para ser dona de casa, para ser "do lar", para ficar paparicando marido e dando uma de esposa dos anos 50.
Ultimamente ando quebrando tudo, mas tudo mesmo.
Hoje fiquei tão puta quando fui acordada de manhã que quase quebrei a porta do quarto.
Há anos que eu não tenho uma ansiedade tão séria que me faça roer as unhas até o sabugo.
Tô de saco cheio de um monte de gente que adora abrir a porra da boca para me criticar.  Porque fulaninhos e beltraninhos não vão cuidar da merdinha da vida deles e deixar a minha em paz?
Tem solução? Vai dar colo? Um bom conselho? Não? Então cala a merda da boca e vai empentelhar outra criatura porque essa, no momento, tá dando coice e mandando tomar no cú.
Eu tenho o direito de desabafar de vez em quando...
No momento a merda da minha vida é essa: estou desempregada, infeliz pra caralho, de saco cheio de tudo e de todos, sem estudar, doida pra fazer um monte de merda, há 4 meses sem tomar a única coisa que consegue me controlar que é a merda do lítio e sem um puto.
Tem noção do que é ter 34 anos e não ter dinheiro para comprar um chocolate?
Estar casada e querer estar no mundo?
Querer cortar os pulsos mas ter que pensar nos outros?
Viver essa torturante contagem regressiva da morte da vovó?
Ver todos prosperarem, evoluirem e ficar para trás?
Nada mais me dá prazer.
Esquece por um momento o lance de esposa, mãe de filha de 7 anos, etc etc etc
Esquece por um momento e entra na minha mente...
Eu quero pirar, ter uma boa trepada (ficou incomodado com o termo pesado? foda-se), beber até ficar dormente, ver o sol nascer ou se por, tomar banho pelada na praia como eu sempre fazia, dançar pra cacete, seduzir, me lambuzar, não ter destino nem direção...
Entrou na minha mente? Então é isso que vc vai achar...
Agora quer dar um pulo na minha realidade?
Esquece! Boooooooooooooooooooooooooooooooooring... Boring...
Vc vai cansar só de dar uma espiada...
Agora pára de ler essa merda afinal vc não tem obrigação nenhuma de ficar aturando uma frustrada como eu reclamando da vida à meia-noite...
Vai aproveitar por mim, vai....
Merda!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Participando da brincadeira - Teia da amizade

Finalmente alguém me convidou para essa brincadeira e lá vou eu participar...

Regras:

1- Indicar o contato que nos convidou (Fui indicada pela Danni Aranda (obrigado!)...)

2- Publicar as regras no nosso Multiply::

1- Indicar o contato que nos convidou
2- Publicar as regras no nosso multiply
3- Escrever seis pequenas frases que definem um pouco de nós, gostos, interesses, etc.
4- Passar o desafio a 6 contatos e indicá-los no final do post.
5- Deixar uma mensagem no guestbook de cada um que foi convidado.
6- Avisar quem nos convidou que aceitou o desafio e a tecer a Teia da Amizade.

3- Seis pequenas frases que definem um pouco de mim:
      a) "O inimigo mais perigoso que você irá encontrar será sempre você mesmo" (Nietszche)
          Eu sou um universo em constante explosão, vivenciando eternamente o "big bang" e
          se destruindo e se reconstruindo. Eu me instigo e me saboto num segundo.
      b) "Todo bipolar é risco de vida e de morte. Certeza de incerteza e incerteza da certeza.
          Sofrimento em cada segundo e um pouco de alegria pra variar.
          Não saber porque saber é certo. Nada é certo.
          Todo bipolar é incerto.
          Mas, incerta é a vida, ou não é?" (by eu mesma)
          Sou bipolar e isso define muito de como sou e de como as coisas aconteceram e
          acontecem na minha vida.

      c) "No amor, jamais nos deixamos de completar.
          Somos, um para o outro, deliciosamente desnecessários.
          O amor é tanto, não quanto. Amar é enquanto, portanto. Ponto." (Roberto Freire)
          Eu me apaixono e desapaixono e me apaixono de novo. A minha vida é contada por
          todos os meus amores.
      d) "Viver e não ter a vergonha de ser feliz... cantar e cantar e cantar a beleza de ser um
          eterno aprendiz... Eu sei que a vida podia ser bem melhor e será... mas isso não
          impede que eu repita... é bonita, é bonita e é bonita..." (adoro ouvir essa música)
          Eu vivo intensamente, impulsivamente, sem pensar nas consequências e sem medo 
          delas.  Me arrisco e não sei dizer não.
      e) "Desperta minha pequena,
           desenrolada na coberta,
           moleca doce e sapeca,
           minha menina morena.(...)" (by eu mesma)
           Ser mãe me deu um lugar no mundo e um significado para a minha existência.
           Ser mãe salvou a minha vida e me tornou alguém. Ser mãe é a coisa que eu mais
           amo na minha vida. É o que me faz levantar todo dia de manhã.
      f)   Finalizando...
           Sou carioca, malandra, rosacruz, morena, baixinha, geniosa, budista, kardecista, 
           macumbeira, poetisa, casada, mãe, gordinha mas gostosinha (rsrsrs), artista,
           apaixonada por gastronomia, turismo, arte, esoterismo, religiões, família, Orixás, etc.

4-
Os contatos que indico:
   
http://luizcamajo.multiply.com
http://mariachelli.multiply.com
http://lolatest3.multiply.com
http://duasfridas.multiply.com
http://soniarmb.multiply.com
http://ariadnagaribaldi.multiply.com

sábado, 29 de novembro de 2008

O engraxate no terminal

Ele estava sentado nos degraus da escada do terminal de ônibus.  Ao seu lado uma caixa de engraxate e um pedaço de pano sujo.  Olhava fixamente para a imensa TV de plasma que passava um filme infantil de animação.  Comia um pedaço de pão francês e ria sem parar das travessuras cometidas pelos personagens do filme.  Era o típico engraxate, com seus cerca de 14 anos e vestido precariamente.  O que o diferenciava dos outros era a felicidade  em seus olhos.  Passei por ele quando ia pegar o ônibus para casa e ele me lembrou um sábio conselho: aproveitar as coisas simples da vida e esses súbitos momentos que aparecem no meio do dia, em qualquer lugar.  

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Reflexão (vapt-vupt)

Não é que eu não consiga lidar com o sucesso dos outros.  Eu não consigo é lidar com os meus fracassos.

Documentário sobre os guaranis e sua luta

Os Guarani no Festival de Brasília

 

Do Distrito Federal, veio o quarto longa-metragem em competição no Festival de Brasília: "Nãnde Guarani (Nós Guarani)", de André Luís da Cunha. O filme é um documentário que retrata, com entrevistas, o cotidiano dos Guarani, com destaque para sua luta pelo direito a suas terras. Talvez por se tratar de um longa daqui, talvez pela pertinência de seu tema, o longa foi bastante aplaudido em sua sessão oficial, neste sábado, no Cine Brasília.

"Nãnde Guarani" nasceu do objetivo de auxiliar os Guarani em processos que se desenrolam na Justiça brasileira. Com estrutura de filme antropológico e narrativa simples, em que se alternam entrevistas com imagens cotidianas das aldeias, o documentário mostra os problemas dos índios Guarani, não apenas no Brasil, mas também em países como Argentina e Paraguai. As muitas ligações culturais entre
as tribos localizadas em nações distintas, a começar pelo idioma, sugere a necessidade de uma grande reserva na América do Sul, independentemente de fronteiras estabelecidas.

- Eu cresci espiritualmente e profissionalmente com o filme. Graças aos Guarani, eu passei a pensar diferentemente sobre a vida – disse o diretor, no palco do Cine Brasília.

Há bons depoimentos no documentário, tanto de índios, quanto de estudiosos do tema. Um antropólogo levanta a questão de que o Mercosul deveria ter a capacidade de conglomerar sociedades que têm relação além das fronteiras. Outro assunto que surge são os suicídios de índios no Mato Grosso do Sul, ponto de partida usado também no argumento de outro filme, a ficção "Terra vermelha", de Marco Bechis, que estréia na sexta-feira.

Com o documentário de Cunha, fica claro que o apego à terra, para os Guarani, tem origens culturais e religiosas, sendo muito mais forte do que os "homens brancos" costumam acreditar. Mas, por seu caráter institucional em defesa dos índios, o filme parece monótono, sem grandes revelações e imagens. A intenção, neste caso, tem bem mais valor do que o resultado.

domingo, 23 de novembro de 2008

Skylar

Estou descendo a "grajaú-jacarepaguá" de ônibus para buscar a Sophia na casa da Carmen e não sei porque cargas d´água comecei a pensar na série "Heroes".  Skylar é apresentado como o vilão mais poderoso e mau que existe e a sua maior característica é abrir o cérebro de suas vítimas para roubar seus poderes especiais.  Analisando a situação percebi que é possível fazer um paralelo com a realidade e notei a semelhança que existe entre o tal Skylar e as pessoas invejosas, ambiciosas, gananciosas...  Essa criatura maligna existe e está do nosso lado.  Todos os dias encontramos alguém que nos suga energetica e fisicamente e que deseja nossos poderes especiais, sendo eles: o carisma, a bondade, a felicidade, o sucesso, o casamento que deu certo, o círculo de amigos, nossa vida...  Esses Skylars da vida, que matam e ferem para eliminar a luz que ofusca a escuridão em que vivem.  Esses skylars que matam como se pudessem, assim, absorver algo que admiram, odeiam ou desejam e que não faz parte deles.  Lembro de uma história nos EUA sobre um mórmon que tinha uma conduta impecável na comunidade, mas que assassinou outro homem e começou a viver, anonimamente, a vida dele.  Esse cara, que existe e mora nos EUA, é um skylar do mundo real.  É importante lembrar que o Skylar da série só é uma ameaça, um monstro, para aqueles que sabem o que ele faz e como ele faz e quais são os seus objetivos, já que ele deseja adquirir todos os poderes que existem.  E também é importante lembrar que a relação dele com os poderes e as pessoas os possuem é de pura admiração e não tem uma relação direta com a maldade, propriamente dita.  Tanto que ele não mata a Claire (personagem que se regenera e é imortal).  A admiração pelos poderes dela é tão grande que ele a socorre e diz que ela não tem noção da grandiosidade do futuro dela.  Então ele é mau ou invejoso? Ou um admirador do ser humano e de sua evolução?  Difícil saber, mas sinto como se ele estivesse ao meu lado me observando, porque, como disse anteriormente, em nossas vidas sempre há pelo menos um Skylar desejando o que nós temos de mais poderoso e especial.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Alerta para pais e responsáveis por crianças

Após deixar seus livros no sofá ela decidiu comer um lanche e entrar online. Conectou-se com o seu nome na tela: Docinho14. Revisou sua lista de amigos e viu que Meteoro123 estava conectado. Ela enviou uma mensagem instantânea:

Doçinho14: Oi. Que sorte que vc está aí! Pensei que alguém me seguia na rua hoje. Foi esquisito mesmo!

Meteoro123: RISADA. Vc assiste muita TV. Por que alguém te seguiria? Vc não mora em um bairro seguro?

Docinho14: Com certeza. RISADA. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando virei.

Meteoro123: A menos que vc tenha dado seu nome online. Vc não fez isso, né?

Docinho14: Claro que não. Não sou idiota, vc já sabe.

Meteoro123: Você jogou vôlei depois do colégio hoje?

Docinho14: Sim e ganhamos!

Meteoro123: Ótimo! Contra quem?

Docinho14: Contra as Vespas do Colégio Sagrada Família. RISADA. Seus uniformes são um nojo! Pareciam abelhas.. RISADA

Meteoro123: Como se chama seu time?

Docinho14: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigre nos uniformes.. São muito legais.

Meteoro123: Você joga no ataque?

Docinho14: Não, jogo na defesa. Tenho que sair. Tenho que fazer minha tarefa antes que cheguem meus pais. Não quero que fiquem bravos. Tchau!

Meteoro123: Falamos mais tarde. Tchau.

Entretanto Meteoro123 foi ao menu de membros e começou a buscar sobre o perfil dela. Quando apareceu, copiou e imprimiu. Pegou uma caneta e anotou o que sabia de Docinho até agora.

Seu nome: Tatiane

Aniversário: Janeiro 3, 1993.

Idade.: 13.

Cidade onde vive.: Santo Antônio da Platina, estado do Paraná.

Passatempos: vôlei , inglês, natação e passear nas lojas.

Além desta informação sabia que vivia em Santo Antônio da Platina porque ela lhe tinha contado recentemente. Sabia que estava sozinha até as 6.30 PM todas as tardes até que os pais voltavam do trabalho. Sabia que jogava vôlei nas quintas-feiras de tarde com o time do colégio, os Gatos de botas.

Seu numero favorito, o 4, estava estampado na sua jaqueta. Sabia que estava na oitava série no colégio Sebastião Paraná. Ela tinha contado tudo em conversas online.

Agora tinha suficiente informação para como encontrá-la. Tatiane não contou a seus pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que brigassem com ela e que lhe impedissem de voltar caminhando dos jogos de vôlei.

Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única.

Talvez se tivesse irmãos seus pais não tivessem sido tão superprotetores. Na quinta-feira Tatiane já tinha esquecido que alguém a seguia. Seu jogo estava em plena ação quando de repente sentiu que alguém a observava. Então lembrou. Olhou desde sua posição para ver um homem observando-a de perto.

Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando a viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente fugiu o medo que sentiu. Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela percebeu seu sorriso mais uma vez quando passou do lado.

Ele acenou com a cabeça e ela devolveu o sorriso. Ele percebeu seu nome nas costas da camiseta. Sabia que a tinha achado.

Silenciosamente caminhou numa distância certa atrás dela. Eram só umas quadras até a casa de Tatiane. Quando viu onde morava voltou logo ao parque para procurar seu carro.

Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de ir à casa de Tatiane. Foi a uma lanchonete e sentou até a hora de começar seu objetivo.

Tatiane estava no seu quarto, mais tarde essa noite, quando ouviu vozes na sala. 'Tati, vem!', chamou seu pai. Parecia perturbado e ela não imaginava o porquê. Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. 'Senta aí', começou seu pai, 'este senhor nos acaba de contar uma história muito interessante sobre você'.

Tatiane sentou-se. Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa? Nunca o tinha visto antes de hoje!

'Você sabe quem sou eu?' perguntou o homem.

'Não', respondeu Tatiane.

'Sou policial e seu amigo do chat, Meteoro123'.

Tatiane ficou pasmada. 'É impossível! Meteoro123 é um menino de minha idade!

Tem 14, e mora em Minas Gerais !'

O homem sorriu. 'Sei que eu disse tudo isso, mas não era verdade. Veja, Tatiane, tem gente na internet que se faz passar por garotos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para machucar crianças e jovens e fazer dano, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores. Vim encontrá-la para lhe ensinar que é muito perigoso falar online. Você me contou o suficiente sobre você para eu achá-la facilmente.. Você me deu o nome da sua escola, do seu time e em que posição você joga.

O numero e o seu nome na jaqueta fizeram que eu a encontrasse rapidinho. Tatiane gelou. 'Você quer dizer que não mora em Minas Gerais ?'. Ele riu. 'Não, moro em Santo Antonio da Platina. Você se sentiu segura achando que morava longe, né?'

'Eu tinha um amigo cuja filha era como você. Só que ela não teve tanta sorte. O cara a encontrou e a assassinou enquanto estava sozinha em sua casa. Se ensina as crianças e jovens a não dizer pra ninguém quando que eles estão sozinhos, porém contam isso o tempo todo pela internet. As pessoas maldosas a enganam para tirar informação de aqui e de lá online. Antes de que você saiba você já lhes contou o suficiente para ele achá-la sem você perceber. Espero que você tenha aprendido uma lição disto e que não o faça de novo. Conte a outros sobre isto para que também estejam seguros'.

'Prometo que vou contar!'.

Essa noite, Tatiane e seus pais ajoelharam-se juntos e agradeceram a Deus por protegê-la do que poderia ter sido uma situação trágica.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Anjos

Não quis dizer adeus,

mas um dia você se foi.

Nada pude fazer.

Mais que a sua vida,

tiraram a minha,

me cortaram ao meio.

De tantos cortes, sou nada.

De tanto perder,

ele, ela, você.

Sei que agora são anjos,

mas eu vivo na Terra,

e não tenho asas.

(Para papai, mamãe, Rene, vovô, vovó e todos os amados falecidos que se foram... para os amados vivos que se foram só poetizo um foda-se!)

Tempo

O tempo se encontra na minha mente,

presente e passado um só,

a visão de uma existência maior,

certeza do eternamente.

 

Confundo momentos que eu vivi,

de dentro pra fora observo,

seleciono, separo e reservo,

mosaico do que existi.

 

Até agora e ainda no futuro,

janelas separam os meses

repetidos tantas e tantas vezes

num destino obscuro.

 

Nesse segundo o relógio pára.

Do almoço vou para o carro,

do passado no resente me encaro,

fico comigo cara a cara.

 

Essa linha atemporal, um desbunde,

desenrolo encontros e desencontros,

Deuses, mortais e monstros,

na realidade que se confunde.

Beijos do êxtase

Teus lábios

beijos do êxtase

conquistaram meu íntimo

Hálito morno

envolve membranas

me umedece inteira

Células e pupilas

teu toque molhado

descobre curvas, entradas, vãos,

De todo o sexo

tanta paixão

no amor uniram-se as mãos

Dio

Tanta coisa Dio,

pura cumplicidade,

infinito o que sinto,

o amor de uma eternidade.

 

Sua calma,

eu tão louca,

um mistério o que nos une,

antagônicos coisa pouca.

 

Salva por você,

anos, noite, dia,

meu porto seguro, Dio,

dez anos, quem diria!

 

Tanta vida juntos,

tento, mas não desisto,

maior do que eu esse nosso amor,

sem você eu não existo.

sábado, 15 de novembro de 2008

Cada um com seus problemas

Achei esse texto ótimo e me identifiquei muito com ele... É fácil lembrar de pessoas ou situações ao ler e úm ótimo guia para uma reflexão...

Cada um com seus problemas

por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br

Na primeira vez em que ouvi alguém falar “cada um com seus problemas”, confesso que achei o termo muito agressivo. Como sou uma pessoa muito preocupada com o bem estar dos outros e sempre disponível para ajudar, não poderia achar correto alguém se fixar em si mesmo deixando o resto do mundo de lado. E ainda carregada com minha forma altruísta de ver a vida, achei a pessoa egoísta e autocentrada. Porém, com o passar do tempo observando as atitudes das pessoas e as minhas próprias fui entendendo o lado positivo desse pensamento.

Claro que no caminho espiritual aprendemos que devemos nos abrir ao amor, estender as mãos para as pessoas, ajudar o próximo, cuidar daqueles que estão à nossa volta, mas ainda assim precisamos saber o limite de nossas ações. Porque ajudar sem ser chamado, rapidamente nos transforma de bonzinhos em intrometidos. Saímos da sintonia de pessoas bem intencionadas e assumimos um ar inconveniente.

Precisamos saber dos nossos limites e aprender a respeitar os das pessoas. Falar demais não ajuda em nada, mas manter o silêncio em momentos em que as pessoas esperam uma opinião ou atitude nossa também não é bom.

Uma atitude sábia e amorosa é dar tempo ao tempo, mas ainda assim nos mantendo presentes e solícitos. E essa atitude consciente só é possível quando temos uma boa dose de autoconhecimento. Aliás, o autoconhecimento é o mais poderoso instrumento de cura na caminhada para uma vida melhor.

Quem se conhece não fica implorando por carinho tentando agradar a todos e constantemente sofrendo com o descaso das pessoas. Porque muitas vezes pessoas carentes fazem tudo pelos outros, se humilham na tentativa de ganhar o afeto e o respeito do outro. Depois, quando a relação balança ou termina se sentem humilhados, traídos e usados. Não foram poucas as pessoas que atendi com esse tipo de reclamação. E a maioria eram pessoas boas, amorosas que estavam sofrendo, inclusive, fisicamente com dores inexplicáveis, fibromialgia, enxaquecas constantes e outros sintomas com milhares de causas possíveis, mas que no fundo nasciam junto com um estado emocional perturbado e sofrido mergulhado no rancor.

Fazer o quê senão mudar de atitudes? Parece simples, mas não é, porque são processos inconscientes. As pessoas não sabem que estão se excedendo, amando demais, compreendendo demais, ajudando a família sem respeitar seus próprios limites. Claro que algumas situações são cármicas, o que torna a relação confusa e tumultuada. Já percebi que questões cármicas muitas vezes parecem ridiculamente fáceis de resolver para alguém de fora, mas são profundamente complicadas para quem está envolvido.

Assim, fica claro que não adianta dar palpites. Lucinéia me trouxe um caso típico dessa situação simples e complexa ao mesmo tempo. Desde criança tinha um relacionamento complicado com a mãe que, muito exigente, a criticava constantemente apontando suas falhas. Já a outra irmã de temperamento muito mais belicoso que o dela combateu a mãe e sem culpas se distanciou da família. Assim, foi natural e sofrido que ela terminasse cuidando da mãe idosa, o que ela fez com muita raiva e sofrimento. Como era uma pessoa amável, ao longo do penoso percurso de cuidados com a mãe, acabou se entendendo com ela e fazendo as pazes com o destino cruel. Felizmente, a revolta se transformou em libertação, embora tenha sido um tormento para aquela mulher vencer essa provação.

Foi tudo muito difícil, pois quando ela veio me procurar depois de dez anos do ocorrido, seus olhos ainda se enchiam de lágrimas frente àquele período de sua história. Como ela vinha de uma formação espírita, queria entender o que tinha feito no passado para merecer essa dor. Expliquei que esse sentimento não estava preso ao passado, mas que continuava alimentado por ela no presente porque se nos mantemos na condição psicológica correspondente à dor, ela se manifestará muitas vezes. O que vimos em vidas passadas confirmou minhas suspeitas de que esta mulher continuava não impondo limites em seus relacionamentos, nem se permitindo existir de verdade. Todos eram mais importantes do que ela. As vidas mostraram escravidão, dor, sofrimento e renúncia.

Quando terminamos a sessão ela ainda não compreendia o que fazer, como agir em sua vida já que há muito tempo não se dava ao respeito; ela não tinha idéia de que se não se respeitasse ninguém a respeitaria. Falamos sobre mudar a atitude e assumir seus sentimentos, sua contrariedade, sua negação, enfim, era fundamental que Lucinéia saísse desse estado de ânimo e visse a vida de uma outra forma.

Encarar que cada um deve cuidar de si mesmo com sabedoria é fundamental para uma libertação porque muitas vezes a questão pode até terminar no mundo objetivo, como aconteceu com Lucinéia, quando a mãe desencarnou e ela tinha feito tudo para o bom desenlace.No entanto, a situação continuava aflitiva porque ela sofria tendo pena de si mesma e daquilo que enfrentou. A dor continuava em sua mente e, com isso, a mãe já no plano espiritual se fixava nela com sentimentos de culpa por ter feito a filha sofrer. Ambas presas a um problema que não mais existia de forma objetiva.

Trabalhei com esta moça a libertação, ensinando meditações e incentivando a leitura e abertura para uma forma descontraída de ver a vida, porque o tempo passa e quanto mais nos perdemos sofrendo, mais nos distanciamos de uma existência saudável e positiva.

Faça o que precisa ser feito e deixe de lado a autopiedade e recriminações exageradas. Se você não pode mudar o mundo, mude você mesmo...

Confira os ensinamentos e meditações curativas que Maria Silvia ensina participando de um dos seus grupos.
Venha participar do seu
Grupo de Meditação Dinâmica que acontece todas as quartas-feiras no seu espaço em São Paulo. Venha ouvir pessoalmente as canalizações.


Texto revisado por: Cris



por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.br   
Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores.
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E-mail: morlovas@terra.com.br
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GRANDES pessoas

Antes eu me punia e me auto-criticava, num círculo vicioso de auto-piedade, por não ter me tornado a "grande" pessoa e puta jornalista e artista que eu planejava ser. Hoje percebo que nem toda "grande" pessoa precisa fazer grandes feitos e que ser famosa não é a real medida das coisas. A genialidade das pessoas está em coisas imensuráveis. Há "grandes" pessoas por trás de "pequenas" coisas. Cada um é grande em sua prórpia missão. Tento não ficar frustrada por causa das coisas que eu não realizei. Minhas expectativas eram muito grandes e eu fui criada com um excesso (será que isso existe?) de admiração pelos meus pais e grande parte das pessoas ao meu redor. O meu desenho sempre era o mais lindo, o meu poema sempre era incrível, a minha redação era primeiro lugar nos concursos da escola, mas isso não significava que o meu talento era do tamanho que as pessoas faziam parecer que fosse. É apavorante e frustrante não cumprir essas expectativas, mas quer saber? eu sou uma GRANDE pessoa nas pequenas coisas que eu faço. Sou uma "grande" pessoa no amor que devoto à minha família, nos cuidados com a minha avó, na preocupação pelos meus irmãos, no que sou capaz de fazer pelos meus amigos e pessoas que amo. No desapego que eu tenho pelas coisas materiais, no meu ativismo ecológico (mesmo que ainda pequeno), nos meus blogs, e em tanta coisa que não tem como ser listada. Tá, eu não fiz grande parte do que queria para sentir orgulho de mim, mas, em compensação, tudo o que eu fiz na minha vida é motivo de orgulho e satisfação e sei que valeu a pena. Eu sou uma "grande" pessoa na minha maneira de viver a vida e de encarar as coisas. E luto muito. Caio muito, mas sempre levanto. Então, foda-se o que não foi feito e um brinde às coisas que eu vivi, construi e realizei até hoje. 

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

A pergunta que nunca some: quando?

Acabo de voltar do hospital Barra Dor (de novo) e estou apavorada. Só EU sei o que eu passei hoje quando a vovó passou mal. A verdade é que pensei que ela estava morrendo lentamente na minha frente. Falava com ela e ela não respondia. Sacudia ela e nada. Parecia que ela estava indo lentamente para o "céu". Me senti tão sozinha! Liguei desesperada para meus irmãos, gritei, chorei, pedi para eles irem me encontrar, mas mesmo assim o medo não passou. Sophia me perguntou se a avó estava morta. Como lidar com isso? Não tinha como levar ela para o hospital pois não tinha carro. Não tinha como pegar o carro na oficina pois não tinha dinheiro. Não tinha dinheiro porque não me pagam o que me devem. Corri feito uma desesperada para a portaria e pedi socorro aos porteiros para levá-la ao táxi (que não apareceu mesmo uma hora depois). Meu irmão chegou na garagem e nos encontrou sentados à espera da porra do táxi que nunca apareceu. Fizemos um milagre para colocar a vovó, que é super pesada, na Hillux do meu irmão que é super alta. E lá fomos para o Barra Dor. De novo.

Não pude ficar com ela pois ela ficou no CTI. Graças a Deus que tenho a minha irmã ao meu lado, e só Ele sabe como fiquei feliz com a atitude do meu irmão e com a minha cunhada. Foi um dos melhores (e piores) momentos em família que tivemos juntos desde muito tempo. Conversamos, rimos, ficamos em silêncio. Mas ficamos juntos. O Dio largou tudo o que estava fazendo para ficar perto de mim e da vovó.

O médico veio conversar conosco. Ouvimos a sentença: Alzheimer e algo inexplicável, por enquanto, que fazia a minha avó ter quedas de glicemia severas em poucos minutos levando a um provável choque hipoglicêmico e perigando num coma. Silêncio. Nessas horas tudo para, o tempo para, o mundo para. Estamos perdendo a vovó aos poucos para o Alzheimer. Ela está se perdendo aos poucos no Alzheimer. Não reconheceu o meu irmão. Troca tudo e faz bobagens. A grande e foda Dona Hélia agora é uma vítima do Alzheimer e se afunda no que mais poderia abalar o que ela sempre foi: altiva e orgulhosa.

Que ironia!

Agora, aqui em casa, quietinha no meu canto choro baixinho. A minha irmã dorme no sofá que foi dos nossos avós e o Dio assiste o filme da Tinker Bell com as crianças. A minha vida passa na minha frente como um filme. Essa semana fiquei sabendo que estou com problemas no coração. Estou com cisto no ovário. Estou inchando tanto que não consigo andar. MInhas veias estão estourando pelo meu corpo. Meu rosto é um véu de acne como se eu fosse uma púbere. Estou pesando 80kg e meus cabelos caem. E a minha avó está morrendo lentamente junto com seu orgulho, com sua altivez, com sua memória, com sua lucidez. Eu morro por dentro, ela morre por fora. Alma e corpo.

E na minha mente a pergunta que nunca some e que tanto me apavora: quando? quando vai acontecer o pior? Não estou preparada para a resposta e nem para o acontecimento. De tudo o que eu perdi nesses últimos anos - amigos que morreram, amigos que pararam de falar comigo, amigos que não me merecem mais, o dinheiro que emprestei para as pessoas em quem confiava e amava, a PUC, meus avós - nada pode me ferir e me tirar mais da vida do que a minha avó Hélia. A mulher que me criou. A mulher com quem eu passei a vida inteira caindo na porrada, xingando, brigando, conversando, conhecendo, amando.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Anjo caído

Sempre foste meu Todo.
Ao insistir em acrescentar,
tornei-te um Deus.
Devias amar e cuidar,
tornar seguros os teus,
abrir mão de engodo.
Anjo caído e mortal,
com tua adaga me roubaste,
amor, fé, dignidade...
De tudo que me tiraste,
a dor da infelicidade,
não há igual.
Encontrarás a roda da fortuna,
teu karma já está criado,
há tempos não possuis meu louvor,
um dia, só e abandonado,
verás que fui teu grande amor,
e não obterás clemência alguma.
Senhor do meu destino,
quando há anos ele nos juntou,
foste ceifando minha vida,
tudo que o verdadeiro Deus criou,
e nesta alma que deixaste perdida,
marcou com ferro e fogo, loucura e desatino.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Dio

Tantas coisas, Dio,
pura cumplicidade,
infinita a paixão que sinto,
amor de uma eternidade.

Sua calma,
eu tão louca,
o mistério que nos une,
antagônicos, coisa pouca.

Salva por você,
anos, noite e dia,
meu porto seguro, Dio,
dez anos, quem diria!

Tanta vida juntos,
tento, não desisto,
maior do que eu nosso amor,
sem você eu não existo.

(Dio, sei que sou seu inferno astral, sei que sou o buraco negro da sua vida, mas sei que sou todo amor que houver nessa vida para mim e para você... Você é o doido que permanece ao meu lado em qualquer situação: bêbada, psicótica, lindinha, puritana, puta safada, drogada (té parece), pobre e rica, doente e sadia... Você é cavaleiro do pangaré branco e o filho da puta que luta tato por mim que não me deixa morrer... saiba que eu te amo e vale viver por vc! Eu te amo seu filho-da-puta certinho correto e marido. O filho-da-puta que me levou a um casamento.... eu te amo todo dia e te odeio todo dia... mas, vindo de mim, não podia ser diferente, né?)

Brevedisfarce

Toda forma de amar,
paradoxos de emoções,
de minha alma apenas frações,
de meu corpo, tanto ardor.

Tantas pegadas,
marcas de quem eu sou,
sinais pelas estradas,
esmolas do amor que dou.

Nem capeta, santa (?)
cada paixão perdida uma face,
a sedução é tanta,
o envolvimento... breve disfarce

Cálices de fel

Afastei cálices de fel,
na solidão, no ato,
o tempo não é prestativo,
o silêncio, talento nato.

Nenhum vale das trevas,
manchas nos bosques de luz,
cada caminho uma sentença,
a escolha, minha cruz.

Felicidade, breve suspiro,
deixe-me respirar,
bolhas travessas, fugidias,
nenhum suspiro pode estourar.

O futuro, um melhor momento,
não há foguete, nem jato,
paciência, tênue e frágil limite
para o presente, momento ingrato.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Parábola da sogra (enviada por uma amiga)

 

Blog Samsara
Parábola da sogra

Posted: 11 Nov 2008 03:01 AM CST
Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.

[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.

Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. "Mas", ele advertiu, "se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: 'Você envenenou sua sogra' e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente".

Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. "Sirva todas as refeições com um sorriso", ele aconselhou. "Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você."

Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. "Talvez ela não seja tão arrogante assim", a velha mulher pensou. "Talvez eu tenha me enganado a respeito dela". E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.

À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: "Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa."

Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.

Assim, voltou ao médico e disse: "Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno".

O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. "Sinto muito", ele lhe disse. "Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto".

Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.

"Por que você iria querer se matar?", o médico perguntou.

A moça respondeu: "Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi".

Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.

"Como você pode rir desta situação?", a moça lhe perguntou, indignada.

"Porque você não precisa se preocupar com nada", ele respondeu. "Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva".

Gosto dessa história porque é um exemplo simples de como uma transformação natural da experiência pode ocorrer com tanta facilidade. [...] Como pessoas, elas não mudaram em nada. A única coisa que mudou foi sua perspectiva.
Yongey Mingyur Rinpoche (1975~)

Tomar ou não tomar o lítio, eis a questão

Sem tomar remédios há quase um mês por causa da falta de dinheiro eu comecei a refletir sobre qual o melhor caminho para mim. Eu SEI que o transtorno bipolar pode virar uma bomba sem controle médico, clínico e psicológico, mas também sei que sem os remédios eu volto a ser quem "eu me conheço". É difícil de explicar porque essa "Tatiana" que eu digo que conheço como sendo eu, teoricamente, é justamente a manifestação mais forte do Transtorno. Entretanto, sem os remédios eu estou uma "pimentinha" de novo. Sem risos... Eu lavo, passo, limpo, cozinho, danço, canto, trepo, pulo, dou cambalhota e ainda assobio. Quase não fico na cama e nem o laptop tenho usado tanto, pois prefiro ficar no desktop que é do lado da cozinha. Mas e o medo? Eu tenho pavor do que pode acontecer comigo sem os remédios, sem o controle, sem o lítio... Lítio é que nem ar e sangue pra quem tem Transtorno Bipolar, ou como insulina para quem é diabético. Claro que nem tudo são flores sem os remédios. Eu fico MUITO mais grossa, agressiva, sem paciência... Eu me sinto tão foda que fica difícil aceitar ajuda das outras pessoas e trato as pessoas que amo como se fossem merda. Aí eu imagino que você deve estar pensando - porra, se ela sabe tudo isso então como é que ela não controla?. É difícil explicar também. Quando eu vi a merda já saiu da minha boca. A minha disponibilidade para as pessoas fica mínima. É como um drogado que sai da "rehab" e volta às ruas. Há sempre o perigo da recaída e fica difícil evitar. No meu caso a minha recaída é ser grossa, agressiva e sem paciência. O sexo fica INFINITAMENTE melhor, mas, em compensação, ele fica menos "terno". É como se o meu marido fosse um boneco inflável e estivesse à minha disposição. Tem comida todo dia em casa, pois eu não consigo ficar sem fazer nada e adoro cozinhar, mas estraga coisa pra caramba porque somos dois adultos e uma princesa de 7 anos e o marido come pouco em casa por causa do trabalho. Crio pra cacete, escrevo sem parar, mas isso me torna tão egoísta com os outros, pois eu fico o tempo todo comigo mesma. É claro que eu ADORO ficar sem os remédios, mas - sinceramente - eu penso o tempo todo em fazer merda. Penso o tempo todo em sair com os amigos, sem o marido. Penso o tempo todo em beber sem parar, desejo todo pênis que é minimamente decente e agradável. Procuro roupas que já não fazem mais parte da realidade do meu corpinho de balzaquiana (rsrsrs...). Minhas cores passam a ser o vermelho e o preto (e eu não devo por causa da minha religião e da minha Pomba-gira). Enfim, Tatiana a mil por hora e cheia de disposição, mas egoísta, egocêntrica, megalomaníaca, cachaceira, "dada" e afastada do coração da família. Resumindo: corre atrás do Lírio senão a puta tá solta e anunciando na rua!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Amazonas

Ser mulher hoje em dia não é fácil. Coisa pra macho. Três jornadas sem tirar: Vida pessoal, trabalho e lar. Preço de uma emancipação social em busca por respeito? Muitas teorias e poucas respostas a tantos questionamentos. Todavia No mundo hoje vivemos a busca de um mito, em que nem mesmo a própria pessoa dá se conta de tal. E o mito de ser mulher é maravilhoso: Ela deve ser linda, sexy, malhada, jovem e extrovertida. Sempre bem arrumada e vestida, estar atenta a moda e a seus padrões. Mulher hoje em dia é fashion. Deve conhecer todas as estratégias e táticas de sedução e conquista, escolher um bom parceiro é fundamental. Saber ainda o tempo de validade da relação, produtividade da mesma, rentabilidade e intensidade, tudo isto garantido por todas as revistas especializadas do gênero. Na sexualidade deve conhecer se bem, decorar inúmeros malabarismos e invenções, ou ao menos saber interpretar bem os orgasmos, complementam tais revistas, para garantir o êxito da relação a dois. Tudo isto costurado a uma longa bagagem de fofocas e futilidades básicas graças a outras revistas direcionadas a fim de complementar sua formação intelectual, bagagem lapidada em salões de beleza e centros de estética. No campo profissional a coisa muda. Tudo normal, estudar, trabalhar como qualquer um, Mostrar competência e talento não é privilégio de ninguém, a exceção da jornada tripla que é o problema. Resumindo a brincadeira são dois universos em um só entre as guerreiras amazonas e a Afrodite sensual e fútil.

Nos dias de hoje estes universos degladiam se na própria identidade feminina: a guerreira feminista que busca seus direitos masculinizando se em sua luta, exacerbando sua vida profissional e intelectual à custa de sua vida afetiva e familiar. Estas encontraram um problema histórico intenso a perda de sua própria feminilidade tornando se machos capados, ou amazonas se preferir. Invadidas e identificadas com seu "Animus" e todo seu aspecto bélico e agressivo. Tornaram se excelentes profissionais e intelectuais, mas sua vida afetiva... Nem mesmo a bomba de Hiroshima fez tanto estrago. Lar arrebentado por sua agressividade

Desmedida. Outras nesta mesma identificação com seu "Animus" verteram se ao homossexualismo declarado. Não é raro as encontrarmos na sociedade, bradando, com sua postura nada pacífica, com inúmeras dificuldades afetivas em especial de comunicação e socialização. Tudo isto à custa de sua docilidade natural.

O outro lado da mulher moderna é a antítese da Amazona. Esta faz questão de ser fútil. Adora ser amante ou amada. É a nossa musa das novelas, Big Brother, Carnaval. Nossa mulher objeto, que pela e para a mídia persiste no estereótipo da "loira burra". Pensar para que se tenha um rabo gostoso? O negócio é arrumar um macho rico que me sustente e satisfaça todas as minhas vontades. A moeda de troca é o sexo. Seu nome manteúda. Na atualidade elas infestam as universidades, e locais públicos atraz de um bom partido. Conteúdo algo deixado a décimo plano. Ela se casa sem gostar, tudo por uma questão obvia ascensão e ou manutenção do status social. O extremo deste estilo é o que observamos publicamente na vida de modelos e atrizes, em casamentos faraônicos de duração semanal. A vida efêmera do espírito sem essência. “Estas também identificam se com seu “animus” só que canalizam sua agressividade a sua afetividade genuína privando se do gostar, o jogando em um racionalismo barato e superficial:” escolhendo o melhor casamento”, deixando o amor de lado.

Algumas pessoas podem achar que exagerei no estereótipo, o que de fato faço afim de não perder a graça. Mas a tragédia da vida mantém a vista de qualquer um estes dois universos que buscam sua integração no universo feminino. Mitos que são repassados culturalmente por nossas mamães em nossa educação machista. Aliás, estudando os arquétipos da região centro-oeste, e nosso inconsciente cultural brasileiro noto que não há nada mais machista que a própria mulher que transmite e perpetua tais valores na educação de seus filhos e filhas.

Vou concluir com outro absurdo a guerra declarada no meio acadêmico entre os gêneros, em especial na psicologia que iniciou esta tolice nos anos 70. Até hoje quando comemoramos o dia da mulher, vejo Amazonas de espada de teoria lançando se a guerra insana: quem é melhor homem ou mulher? Digo que nenhum dos dois, mas o ser humano equilibrado.

Por Jorge Monteiro de Lima em 30/05/2007



Um minuto bacana

Esses dias em que as mãos,
despejos de palavras,
correm soltas no espaço,
descrevem um pouco do que eu faço,
sacodem meus sentimentos,
valorizam os meus momentos,
e me abandonam por aí.
Destino maldito por mim,
então não sei pra onde vou,
esse "por aí"dos solitários,
poetas, bipolares e otários,
errantes nessa vida sacana,
pra cada merda um minuto bacana,
ainda aguardo a nave espacial.
Esse teclado que me vicia,
rouba, trapaceia com a sanidade,
escraviza alegrias e dores,
expõe desafetos e amores,
chicoteia cérebro e entranhas,
sempre repleto de artimanhas,
de mim tutor e mentor.
Essas horas em que a existência,
reduzida a parágrafos,
preenche o vazio, o branco,
seja papel, tela, pedaço de um banco,
manifestação de um desespero,
uma pedra num vespeiro.
Não se traduz em som, só em tinta.
Um ritmo, tantas trilhas,
a verdade não é melodia,
arranho frases e conexões,
dispenso sentido ou razões,
essa maneira volúvel de ser,
poetas, bipolares, eu ou você,
nos delírios em que só letras contam.
Nessas esquinas do irreal,
casulos do pão de cada dia,
a ferro e fogo a sobrevivência é marcada,
cada sopro de ar, mais uma pegada,
o rastro que deixamos para os que vem,
amores, filhos, família, não importa quem,
importa que ainda não fui...





Mais um dia

Então, mais um dia,
outra chance de vencer,
sei que não depende de você,
mas, de mim.

Outro dia nublado,
uma noite mal-dormida,
essa ladeira que é a vida,
sobe ou desce nesse dia?

Mais um "X"no calendário,
ganho ou perco do tempo,
no que descubro aqui dentro,
para onde será que vou?

A cama me abre as pernas,
sussurros me chegam da televisão,
no ar se sente toda a tensão,
e o que farei da minha vida.

domingo, 9 de novembro de 2008

LAR DOCE LAR - DEPOIS




Fotos do apt novo depois da limpeza e da arrumação... agora falta só um pouquinho para ficar exatamente como eu desejo...

Júlia

Nascida tão linda, Júlia
duas luas novas, teus olhos negros,
pele alva, fartos cabelos,
lábios de peixinho, e saliva e borbulha.

Criança mais que bem-vinda,
outra menina nessa fêmea família,
sobrinha, te amo como a uma filha,
Júlia, nascida tão linda.

Riso contido, serelepe, moleca,
precocemente sofrida na injusta ausência,
da mãe herdeira do caráter e decência,
e beleza, tão correta e esperta.

Juju, Jujuba,Júlia,
tal como a mãe curvas e bunda,
nas ruas da vida desbunda,
à tia coruja orgulha.

Tão linda, Júlia há muito nascida,
segue o melhor dos futuros,
ultrapassa, altiva, da vida os muros,
vive, bela sobrinha, a alegria merecida.

(Para um dos amores da minha vida, minha sobrinha linda e gostosa Júlia, que, tal como a mãe, só nos traz orgulho, alegria e felicidade. Te amo!)

sábado, 8 de novembro de 2008

O sol que começa a nascer após a tempestade

Talvez o sol que vem depois da minha tempestade esteja começando a mostrar os seus primeiros raios. Depois do colapso, depois do desabafo, depois do pior estou começando a desfrutar das primeiras amostras de melhora.
Consegui um dinheirinho para comprar o principal para fazer comida e, apesar de ter carregado todas as compras no ônibus 734-Madureira lotado e com a Sophia, agora tenho a cesta básica que toda casa tem que ter: pão, arroz, sal, açúcar, macarrão, molho de tomate, suco e frango.
Consegui um frete para levar a mesa, as cadeiras e o sofá com as poltronas da casa do meu avô par ao apartamento novo e, finalmente, tenho como receber as pessoas e, finalmente, o apartamento está com cara de lar doce lar. Organizei o máximo que pude e agora farei a faxina final. Estou imensamente feliz com isso. Apesar de ter ficado muito triste ao visitar o apt onde vivi tanta coisa com eles, apesar de ter chorado de saudade, apesar de ter chorado por tudo o que tenho passado, estou muito feliz agora e tudo está voltando a valer a pena. Mal consigo me mexer por causa da coluna que não agüenta mais carregar peso, fazer compras de ônibus, estou com uma contratura no trapézio terrível, um terçol, mas estou muito feliz.
Consegui ir ao médico que atende a mim e a vovó e peguei as receitas da vovó que haviam acabado e são controladas, e conversei com ele sobre tudo que eu tenho sentido e que tem acontecido comigo, e estou começando uma nova dieta, e farei novos exames, e vou comprar a pomada para o terço que ele indicou e estou me sentindo como se estivesse começando a me re-erguer. Mesmo sem imunidade nenhuma, mesmo com psoríase, mesmo com toda essa merda, eu SEI que eu vencerei no final.
Fiquei feliz, pois a vovó ficou tranqüila por eu ter ido ao médico, por ter as receitas que precisava tanto para seus remédios essenciais para a dor, para a incontinência, para a pressão, para o coração...
Estou finalmente conseguindo ter momentos super legais com a minha cunhada e isso está sendo muito importante para mim. Ela me ofereceu uma massagem no trapézio que melhorou muito a dor que eu estava sentindo e a contratura. Além disso, só a demonstração de carinho e o interesse na minha situação já me comoveram pra caramba e me enterneceram.
Meu irmão voltou a ficar mais próximo – eu sentia muita falta dele - e estamos tendo momentos super legais juntos e voltamos a conversar. Ele voltou a brincar comigo e a Sophia, a fazer piadinhas, a deitar e rolar como fazia antigamente. Eu sei que ele está exausto, que ele está trabalhando pra cacete, que ele está “crescendo”, mas para mim ele sempre será o Dioguinho, meu irmão caçula, o único macho da família (agora temos os maridos, o Pablo e o Rodrigo Tb...)
Sinto como se os milagres da vida estivessem voltando a acontecer para mim...
Milagres como o pôr-do-sol e o mar, milagres como momentos de amor e paz em família, milagres como voltar a andar para frente e evoluir. Não deixarei esses milagres escaparem. Sei que endureci um pouco com as coisas que aconteceram nos últimos meses, mas ainda tenho a minha essência original num cantinho remoto do meu coração.
Sinto falta da Teresa, embora não acredite que voltaremos a ser amigas um dia. Olho o Ranz de uma maneira diferente, com menos idolatria e mais pé no chão, e estou muito magoada com ele. Morro de saudade da Glória e do Xandão. E perdi a frescura de não dar nome aos bois. Fico triste por ter me afastado do Rodrigo e do Dudu. Fico triste por não curtir mais tantos momentos com pessoas que estão ocupadas demais, acomodadas demais ou afastadas demais, porém curto demais os momentos que estou tendo em família.
Espero que esse seja o primeiro post de muitos outros posts mais positivos.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

LAR DOCE LAR


Toda manhã várias maritacas pousam na enorme palmeira que fica em frente à varanda

A zona do novo apartamento antes de arrumarmos tudo e limparmos... sala verde e lilás, quarto cor de rosa de princesa pra Sophia, quarto lilás e magenta pra mim... tá ficando a minha cara!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

CRIANDO MONSTROS - temos que aprender a dizer NÃO!

CRIANDO MONSTROS

O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… NADA?

Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?

O rapaz deu a resposta: "ela não quis falar comigo". A garota disse Não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.
Seu desejo era mais importante.

Não quero ser comparado como um desses psicólogos que infestam os programas vespertinos de TV, que explicam tudo de maneira simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.

Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim.
NÃO.
Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.

O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos, temem dizer não às esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.

Os pais dizem: "não posso traumatizar meu filho". E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos.
Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias.
Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho.

Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.

Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS, crescem sem saber que o mundo não é só deles.
E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam.
Usam drogas.
Compram armas.
Batem em professores.
Furam o pneu do carro do chefe.
Chutam mendigos e prostitutas na rua.
E daí por diante...

Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.
Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.

E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara.

Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.

fonte: blog.mafaldacrescida.com.br 

Desabafo... íntimo e particular... minha vida - Big Brother Tatiana

Eu não aguento mais! Não aguento mais passar necessidade sabendo que tem tanta gente me devendo dinheiro. Não aguento mais estar sofrendo as consequencias por ter ajudado as pessoas em quem eu confiava tanto, não aguento mais receber ligações e correspondências de cobrança, não aguento mais ficar sem o carro que é tão importante para o meu marido trabalhar... Eu sempre fico calada, eu sempre guardo tudo o que me incomoda para não incomodar os outros, mas eu estou de saco cheio. Cansada de chorar quando eu deveria estar rindo de felicidade. Cansada de saber que existe mais de 40 mil reais nas mãos das pessoas que eu ajudei e eu não tenho 50 reais para comprar comida. Cansada de dizer não para a minha filha quando eu queria dizer sim porque ela merece. Cansada de usar a mesma roupa por uma semana porque nenhuma outra cabe em mim porque eu engordei 20kg e não tenho dinheiro para comprar outra. Cansada de ir na casa da minha avó e pegar legumes, verduras, carnes e outras coisas escondido por ter vergonha de pedir dinheiro para fazer compras. Exausta de chorar, muito muito muito exausta. Exausta de sentir tanta vergonha que eu não precisava estar sentindo. Exausta de precisar de dinheiro e ter vergonha para pedir. Ver meu marido trabalhar de domingo a domingo para cobrir as dívidas mais urgentes e não sobrar nenhum centavo para o fim do mês ou para um pouco de lazer em família. Eu não me importo de andar de ônibus, sempre andei. Eu me importo de ver um homem que trabalha tanto e ganha seu próprio dinheiro ter que andar de ônibus tendo carro e ter que ir dar aula na Ilha do Governador às 5:30 da manhã para chegar na hora quando ele poderia gastar 30 minutos e sair de casa às 6:20 pela linha amarela. EU SIMPLESMENTE NÃO AGUENTO MAIS. Ficar calada está criando um futuro câncer dentro de mim, está me deixando doente, está fazendo cair meus cabelos, está fazendo eu não respirar. Eu não me arrependo de ter emprestado o dinheiro e de ter ajudado as pessoas que eu amava, mas eu me arrependo de ter acreditado que teria o dinheiro em minhas mãos na hora que eu precisasse. Me arrependo de ter achado que elas iriam vender carro, ou qualquer outro bem que possuissem para não me ver na merda. Eu odeio ouvir minha família, meu marido me dando sermão e tendo razão. Para ajudar as pessoas que eu amo eu fiquei devendo condomínio, cartões, pessoas, tudo. E na hora que eu precisei de ajuda ninguém esteve lá para me ajudar. Isso magoa muito. Eu não sou mendiga. Eu não preciso ficar pedindo dinheiro desesperadamente. Eu não deveria passar por isso. E  é por esse motivo que eu estou de saco cheio, que eu não aguento mais, que eu estou desabafando, que eu não quero mais ficar calada. O meu marido se mata para me dar o mínimo de conforto e de supérfluos que ele sabe que me fazem bem. Ele se mata para cuidar de mim e de nossa filha e garantir que eu esteja sempre tranquila e feliz. Ele me pede tão pouco. Ele me incentiva tanto. Eu não sou o tipo de mulher que fica em casa, eu gosto de trabalhar e de estudar. Imagina o que é passar por tudo isso que eu estou passando e ainda ter que ficar 24hs em casa, praticamente sem fazer nada e com todo o tempo do mundo para pensar e remoer tudo isso sem parar. Eu estou enlouquecendo. Ando pelo meu apt sem mesa, sem cadeiras, sem sofá, sem tanta coisa que eu precisava e merecia e queria ter. Vou visitar a minha avó com a Sophia pegando a porra do 748 que dá uma volta gigantesca. Arrebento a minha coluna com a Sophia no colo, fazendo faxina, arrumando a casa. Eu AMO fazer faxina e arrumar a minha casa e amo fazer comida, mas no momento eu não tenho força pra fazer porra nenhuma. O filho da puta do empreiteiro largou as obras do apt no meio e deixou um monte de coisa por fazer. Tudo bem, eu faço, mas COM QUE DINHEIRO já que eu preciso comprar tinta, pincel, prego, etc etc etc. A Sophia come a comida que eu improvisei toda feliz. Ela sofre me vendo chorar, vendo toda a dificuldade que estamos passando e vendo a bisavó indo aos poucos, porque ela não é burra e percebe tudo. Ela percebe a falta de dinheiro, ela percebe as doenças, ela percebe tudo. E, como a mãe, somatiza tudo e também fica doente. Hoje eu não consegui levar ela na escola, pois eu não consegui levantar da cama por causa da coluna, mas tive que levantar para fazer comida, pois sem comer ela não podia ficar. Agora choro. Choro muito. Acabei de receber mais uma ligação do banco e de cheques que estão voltando. Acabei de ligar para cobrar mais um dinheiro que eu emprestei e que preciso, e mais uma vez me senti uma mendiga quando não precisava e não deveria me sentir. Provavelmente ficarei na mão. E com a quantia negativa na conta, o cancelamento de cheques e cartões, e sem expectativa de receber algum dinheiro, eu não sei o que farei para a minha filha comer amanhã. Tomara que eu consiga R$ 4,20 para levar ela para almoçar na casa da minha avó. Como sempre chegando de mansinho, de surpresa, para minha avó não perceber o que está acontecendo conosco, afinal, que avó aguenta ver uma neta passar por isso, que bisavó aguenta ver uma bisneta passar por isso. Uma pequena observação: isso não é ficção, não está sendo exagerado e está sendo contado em tempo real. Isso é real. Isso é "big brother" Tatiana. Isso está sendo a minha vida. Tenho que sair do computador. Tenho que inventar alguma coisa para distrair a minha filha e fazer ela feliz. Mesmo sem dinheiro e na merda essa ainda é uma responsabilidade que eu não deixo na mão de ninguém. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Amor do passado

Encontrei você por aí
num sonho qualquer,
no meu amor de mulher,
num bilhete amassado.

Amor do passado,
de hoje, de sempre,
eternamente ausente,
sempre, nunca vivido.

Ouvi sua voz, seu violão,
ouvi seu chamado,
longe, virtual, blogado,
na música feita para mim (?).

Ah, como eu lembro que te amo,
no que foi prometido,
no que poderia ter sido,
no que ainda não foi.

O sono de Sophia

Desperta minha pequena,
desenrolada na coberta,
moleca doce e sapeca,
minha linda morena.

Velo seu sono agitado,
acalmo seu corpo inquieto,
em meu colo o descanso é certo,
em meu coração o seu é amado.

Observo seu descanso,
cada segundo um benção,
toda a minha atenção,
até onde não te alcanço.

Meu dengo, filha querida,
tendo ao meu lado você,
majestosa, meu bem-querer,
tem razão a minha vida.

Salve Jorge!

Li tuas palavras como se fossem as minhas.
Minhas mãos, extensões genéticas das suas mãos.
Na história, na família.
Somos uma ilha.
Tatiana, filha de Jorge. Salve Jorge!
Neta de Demétrius e Ricardina, poetisa, mulher, menina.
Bisneta de Alzemira e Zequito e de Maria que veio da fazenda.
Cada pedaço, cada ponto dessa renda.
Agora o ponto Sophia, neta de Telma, esposa de Jorge,
filha de Hélia e Paulo, neta de Alice e Manoel, bisneta de alguém.
Filha de Tatiana, casada com ninguém.
Onde te encontro novamente,
avô, amado, ausente. Salve Jorge!
Jorge poeta, goleiro, iogue, atleta.
Jorge maçom, rosacruz, católico em macumbeiro, economista da Eletrobrás, arteiro.
Minhas mãos continuam as suas mãos ausentes.
E nessa prosa, poema da vida, como nas suas poesias,
louvo meus parentes.
Salve Jorge! E Telma, e Hélia, e Paulo, e Alice, e Manoel, e Ricardina, e Demétrius, e Maria, e Alzemira, e Zequito, e Lourival...

A constrangedora trepada dos cães

Eu e Sophia dentro do ônibus 748 voltando para casa.
Ela, 7 anos, SUPER esperta, começa a observar a paisagem e se recorda da época em que moramos no itanhangá, da época em que moramos perto do Rio das Pedras, e muitas outras coisas.
Chegamos no lugar mais movimentado do local, em frente ao restaurante Estação Azul que passou a ser referência por causa das vans e ônibus que param ali.
Entramos na "rua do canal".
Ela olha para os prédios, para o condomínio onde moramos, para o prédio onde moramos e pergunta onde era nosso apartamento, nossa varanda...
Observa os caminhos abertos para ligarem o condomínio com a zona comercial...
Observa o lixo, o mato, observa...
De repente eu observo.
Observo um bando de urubus comento ossos imensos largados no chão junto com o lixo...
Observo dois cães trepando. Putz!
Eu, mãe, liberal, doidinha, cheia de regras, princípios, valores...
Eu fiquei enlouquecida e sem saber o que fazer.
Não faço comentários.
Não vou ficar explicando que os cães estão trepando e nem que os urubus estão comendo os restos de algum ser vivo, agora morto.
Eu tapo os olhos da minha SUPER esperta Sophia antes que ela veja (se já não viu), antes que ela pergunte (o que vou dizer... rsrsrsrs), antes que a cadela finja gozar e o cão goze e caia exausto no chão.

O minuto seguinte

Adoeci sem você.
Você que se foi,
mágica do momento,
estando ali desapareceu.
Coração partido,
não respiro, nem amo,
apenas sigo.
Sem seguir sigo.
Doença de falta,
de ausência, saudade,
toda a felicidade.
Com você.
Você
que num minuto
esteve aqui,
até desaparecer, ir,
na mágica do minuto seguinte.
Deixa meu coração
partido, errante,
na fobia do minuto,
derradeiro minuto seguinte.

Eu e a chuva

A chuva cai. Os pingos dançam no chão e salpicam o ar. A noite é linda assim, molhada e úmida. A teia de chuviscos muda a paisagem e muda o meu corpo.
Nos amamos eu e a chuva.
Me arrepio ao seu toque e ouço de olhos fechados o seu sussurro.
Os pingos que acariciam minha pele, minha nuca, que arrepiam meus pêlos e deslizam por cada pedaço de mim. Beijo a chuva. Estico minhas mãos e busco seus beijos molhados e o abraço da brisa fresca que a acompanha.
Me entorpece o cheiro de jasmim que há no ar.
Esqueço do mundo, esqueço da tristeza, esqueço dos problemas. E lembro de mim...
Na chuva. Corpo, moléculas, mulher.
Um desejo latente desperto pela chuva.
O tempo pára.
Naquele caso fugás com a chuva tudo desaparece. Só existem pingos, toques, chuva, corpo, eu e muito amor.
Quando nos amamos.
Eu e a chuva.

domingo, 2 de novembro de 2008

Quem eu sou

Sou uma lágrima que escorre no rosto triste por existir e cai sabendo que não precisaria estar ali se as pessoas fossem o que desejávamos e acreditávamos.
Sou o riso pronto para explodir e dominar o ar, esperando para sair e vendo o tempo passar sem me permitir.
Sou a mão estendida no vazio.
Sou a barriga que mal espera a hora de ter o segundo filho.
Sou o grito que não saiu da boca e devia ter saído.
Sou os pés cansados de esperar para andar caminhos desconhecidos e aventuras desventuradas.
Sou a que foi sua amiga um dia.
Sou a sua amiga.
Sou a que deseja ser sua amiga.
Sou a debutante que acreditava ser uma borboleta saindo do casulo.
Sou a balzaquiana que vislumbra no horizonte a meia-idade.
Sou mulher.
Sou metade.


quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lindo presente que ganhei da minha amiga Camila... pra levantar a moral e ajudar a sobreviver

Vencer o dia
vencer a si
vencer o mau estar
vencer a vontade
a desvontade
a pura loucura
a dura realidade

vencer por vencer
por dar exemplo
por ser forte
mesmo que a força se perca

vencer por ser mãe
por ter objetivos
por ser a TATI!!!
ser  A  Tati não é pra qualquer um......

vencer pra quebrar o mau  carma
pra deixar sua mãe feliz
pra deixar o Rene feliz
pra deixar você feliz...
e orgulhosa por você ser você

um alguém com duvidas
com fraquezas
um ser humano comum
atropelado pelo mundo...
que sacode a poeira e manda lindos textos
tristes textos
lindas palavras
puras e duras realidades

que gosta de dançar
de sentir
de contar as coisas
de conversar

mesmo sem te encontrar
sinto daqui sua angustia
sinto seu peito pulsante

sinto que sente
e vive
e ama
e quer!!!
mas a resposta não chega
e não vai chegar
se você nao buscar
DENTRO DE VOCÊ!!!

que tal um pouco de NAM-MYOHO-RENGUE-KYO
pra animar a vida??

se cuida, Tati querida...
pode contar comigo, mesmo que no turbilhão que a vida nos posiciona...

mil beijos, Camilinha
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Antes de imprimir lembre-se de sua responsabilidade e compromisso com o meio ambiente!

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terça-feira, 28 de outubro de 2008

E Deus criou os irmãos... e viu que era bom

Dois telefonemas. Dois telefonemas que levantaram minha alma do vazio.
Taís e Diogo. Minha irmã e meu irmão.
Palavras que mudaram o meu dia e meu estado de ânimo. Telefonemas que re-aproximaram um irmão de quem eu sentia falta e uma irmã que eu desejava que morasse no apt ao lado.
E recebi o melhor remédio que alguém pode receber: amor.
Eu, que me julgava perdida e abandonada, me reencontrei e achei duas luzes no fim do túnel que me guiaram de volta à estrada da vida.
Palavras que me encorajam a lutar, a seguir, a passar por cima dos obstáculos e vencer.
Conselhos que valem mais do que qualquer intervenção externa.
Agora tudo vale a pena.
Agora vou seguir o conselho dos 21 dias, agora vou seguir o conselho de viver, agora vou acreditar que tudo é um teste para todas as coisas maravilhosas que virão em seguida.
Porque Deus me deu dois irmãos maravilhosos e eu vejo o quanto é bom.

Entre o céu e a Terra

Livre de tudo
a maré vermelha me atinge,
o céu é negro,
toda a alegria se esvaneceu no ar,
cansei de esperar.
A onda que engole,
não existe o bem e o mal
existe o agora.
O agora é cruel.
Não h'á saída.
Tuas mãos não encontram as minhas,
me perco na correnteza,
lentamente
me afogo.
Os anjos caídos aguardam minha alma.
Os anjos de luz observam.
Fico presa entre o céu e a Terra.
É tempo de decidir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A bomba explodiu - a história de um colapso

A bomba que estava armada finalmente explodiu. Já era hora. Com direito a todo tipo de efeitos colaterais.

A vida vem me dando porrada faz um tempo e batendo direto na minha cara. Dizem que o cúmulo da desonra é apanhar no rosto. É só onde eu tenho apanhado.

Desde janeiro desse ano.

Começou com uma síndrome do pânico e eu não conseguia sair da cama, muito menos do quarto. Banho? Comida? Depilação? Pra que oras?

A síndrome do pânico me impediu de ir à PUC, que sempre foi a minha maior paixão e orgulho, onde eu era uma das melhores alunas de comunicação e tinha uma bolsa de 100% (quase impossível de se conseguir lá). Perdi a PUC, perdi a bolsa, perdi minha maior paixão.

O vazio e a falta e motivação de ficar trancada no quarto geraram manias, rituais, compulsões. Sorvete de chocolate da Nestlé de pote azul com calda de morango e fitas de DVD do seriado "House" toda madrugada. Entre outras coisas.

O irônico é que ninguém que está ao seu redor percebe o que está acontecendo. Estava vivendo tudo aquilo sozinha e só ouvia frases de crítica e indignação pela casa. Todos racionais – "Como é que ela não sai daquela cama o dia inteiro?", "Essa garota não vai mais à faculdade não?", "É só isso que ela faz tá vendo? Fica deitada o dia inteiro na cama vendo televisão!"... e outros comentários do gênero ou piores.

Começou então uma pressão para eu me mudar. Sentia-se no ar.  E, finalmente, nos mudamos para um apartamento que não estava pronto, que não tinha infra-instrutora, que não tinha nada.

Outros rituais foram criados, outras obsessões. Chocolate toblerone de 400g, bombons trufados do cacau show, água com excesso de gelo, suco de laranja ao acordar e por aí vai.

24hs conectada na internet, como se fosse uma dimensão paralela e eu fosse um avatar.

Dias sem escovar dentes, sem pentear o cabelo (que começou a cair em chumaços como se eu estivesse fazendo quimioterapia), sem tomar banho, sem cortar a unha, sem trocar de roupa.

Minha avó num gesto de desespero pede para eu me consultar com o Dr. André.

Dr. André. (risos) Psiquiatra que conhecia a minha mãe, que era médica, que cresceu com ela, que fundou junto com ela a clínica que foi um dos maiores amores da vida dela, que me carregou no colo, que me chamava de Tatibitati, que me viu nascer e crescer.

Uma consulta foi marcada pela minha avó com a Nete (secretária da clínica, antiga secretária da minha mãe, que me viu crescer, que brincou comigo e que cuidou de mim tantas vezes quando eu ia com a mamãe).

Chego no dia marcado e – pasmen! – eu não acho a clínica. É como se a minha mente tivesse apagado as lembranças daquela época e daquele lugar. Fiquei parada no lugar onde ficava a clínica da minha infância, no calçadão de campo grande e, no lugar onde ela deveria estar uma obra estava sendo levantada. Pânico. Olho para um lado, para o outro. Não sei o que fazer nem aonde ir. Não sei mais se minhas lembranças existiram, não sei mais de nada. Ligo para a Nete e descubro que a clínica tinha mudado de localização há anos, que eu havia participado da mudança e que eu já havia freqüentado muito a clínica nova com a minha mãe. Continuo não entendendo o que a minha mente estava fazendo comigo e sigo para a clínica.

Não reconheço nada. Só a Nete. Estou nervosa, não sei como vai ser encontrar o André, o "tio" André da minha infância.

André abre a porta e nos olhamos. Ele é frio. Seco e distante. Nada da festa que ele fazia quando me via, nada de Tatibitati. Sequer olha para a minha filha, neta da grande amiga dele. Entramos no seu consultório. Uma consulta normal. Uma relação bem médico-paciente. Nada de lembranças, comentários sobre nossa intimidade. Entrega a receita e me espera em um mês. Saio da sala, saio da clínica, saio do ar. Entro no carro e desabo. Choro convulsivamente. Lembro tanto da minha mãe que dói. Lembro da sala dela, lembro do sorriso, lembro de tanta coisa.

E lá estou eu de volta a um tratamento psiquiátrico para psicose maníaco-depressiva. Pela primeira vez com lítio, tomando cymbalta (que eu já conhecia de outro tratamento com outro médico) e tentando acalmar a minha avó e retomar a minha vida.

Todos pensam que é fácil.

A psicose maníaco-depressiva é invisível. Para muitos é frescura. E só é notada em episódios extremos de euforia ou depressão. Como quando eu tentei me matar. Todos notaram. Depois esqueceram e aquilo ficou no passado, como se tivesse sido um ataque de pelica e não fosse mais acontecer, nunca.

Faz tempo que eu me sinto assim: desconstruída, vazia, perdida. Eu não sei mais quem eu sou (e não é "maneira de falar", eu não sei MESMO). É como se eu tivesse acordado de um coma depois de 20 anos e tudo estivesse diferente e eu não me encaixasse. É como se todos falassem de uma pessoa que eu não reconhecesse e eles estivessem falando de mim. E como é se reconstruir? Como é ter toda a sua vida apagada e ter que viver mesmo assim, sem saber quem é você, como é você, o que fazer, o que é certo e o que é errado? Devo agir para me encaixar nas expectativas dos outros ou nas minhas? Quais são as minhas expectativas?

Puf! Você acorda do "coma". Tem 34 anos, não conseguiu se formar, não tem mais a bolsa na faculdade, perdeu o período na faculdade, engordou 25 kg, olha no espelho e não reconhece o rosto rechonchudo e cheio de acne e espinhas. Não tem emprego, não tem estágio, não tem renda. Tem um marido e uma filha de 7 anos (que precisa e espera muito de você). Não tem força para nada, não tem disposição, não tem tesão, não tem perspectiva de melhora ou de futuro.

Puf! Você acorda do "coma". Seu irmão é um empresário ocupado de sucesso, "casado", que não tem mais tempo para você, que não brinca mais com a sobrinha, que não fica mais em casa, que só chega de madrugada e que você nunca mais vê. Não é mais o irmão que vive em casa, que te dá toda atenção e cuja paixão é a sobrinha e a avó.

Sua irmã mora numa cidade que fica a 4 horas de distância, está divorciada, é uma executiva de sucesso cheia de amigos e de vida social. E é uma das suas melhores amigas. Não é mais aquela irmã distante, seca, com quem você não falava, de quem você tinha tanto rancor, que tinha poucos amigos e que não tinha vida social. Agora ela é linda, luta para ficar mais linda ainda, se cuida e batalha pela felicidade.

Puf! Você acorda do "coma". Não é mais magrinha, não é mais linda, não tem mais amigos, não é a rainha da "night", não sai mais para dançar ou beber ou conversar, não trepa o tempo todo, não tem o telefone tocando toda hora e não é mais "aquela mulher que todo mundo sempre admirou e que você sempre conheceu". Agora você depende de um marido, tem uma filha maravilhosa que pede o tempo todo sua atenção, tem um apartamento para decorar e para cuidar.

Quem sou eu? Pelo amor de Deus, quem sou eu?

Então chega o mês de outubro.

Vovó cai uma, duas, três, várias vezes. Vovó abre a cabeça e fica lelé. Vovó volta ao normal. Vovó tem um ataque no shopping e vai parar no hospital onde fica uma semana comigo. Vovó cai de novo e arrebenta o olho. O reboco e alguns azulejos da parede do prédio no condomínio caem em cima do carro que tínhamos acabado de tirar da agência para decidir se íamos comprar. Eu e Sophia sofremos um acidente com o mesmo carro. O marido fica com pneumonia, uma semana de molho em casa. Pegamos um carro emprestado. Outro acidente de carro. Pronto. Acabou o pavio e o limite. A bomba explode.

 

Não agüento mais. Não agüento mais. Só consigo repetir isso como um mantra.

Ligo para a minha melhor amiga e desabo. Choro convulsivamente, grito, bato a cabeça na parede, soco o chão. Eu não agüento mais. Eu não agüento mais. E não consigo parar de chorar.

Faço um esforço dantesco para não tirar minha própria vida. Um esforço que tenho que fazer a cada milésimo de segundo, porque a dor que sinto é maior do que a minha força e a minha capacidade de lutar. Alguns ignorantes dizem que é fuga. Só EU sei o que é, só eu sei como eu me sinto e o que está acontecendo dentro de mim. Só eu sei o que é se manter de pé todo dia quando na verdade tudo o que eu queria era me jogar num abismo.

Desde então não consigo parar de chorar e cada vez que eu choro é como se eu esvaziasse um pouco o meu corpo de alguma coisa ruim que me possui.

Eu me dei conta de coisas que me envergonharam tanto.

Não tinha noção de como estava mal, de como estava amarga, de como estava a um passo do colapso.

Tudo em mim e na minha vida é um colapso.

 

Tento pacientemente me reerguer e me reconstruir. É difícil o papel em branco para o escritor. É difícil o corpo e a alma em branco para alguém que não sabe mais quem é e que tem que se reconstruir. Quem eu sou? Quem eu quero ser?

Todo mundo tem um conselho ou algo para dizer, mas ninguém entende que muita coisa não depende de mim. Existe uma barreira, um nível, que foge ao meu controle, pois a psicose maníaco-depressiva é um problema bioquímico e afeta grande parte de quem eu sou e de quem eu posso ser.

De qualquer maneira a bomba explodiu. Agora só existem dois caminhos: pegar toda a força que eu tenho dentro de mim e fazer alguma coisa ou desistir de vez e bye bye.