segunda-feira, 27 de junho de 2011

Primeira vez, primeiras vezes... do gozo

Ele perguntou sobre a primeira vez em que ela gozou.  Lembrança perdida no baú da memória, confundida com tantas vezes em que usou e abusou de seu corpo e do corpo de tantas pessoas envolvidas com a sua luxúria e desejo.  Gozo sozinha ou gozo com outras pessoas? 
Ela lembrou das tantas vezes em que sentiu prazer e em que esperou pelo prazer sem saber como ele seria. Mistério aguardado com tanto anseio e desespero, desfrutado com tantos tabus e tantas amarras, soltas somente com o amadurecimento da própria existência.  O gozo que constrange quem lê, quem imagina, quem ouve, quem participa indiretamente através das lembranças. O gozo do proibido, o gozo da traição, o gozo da primeira vez, o gozo do desconhecido, o gozo do segredo... Da primeira vez antes da primeira vez, da primeira vez dos dedos, dos lábios, da língua, dos brinquedos...
Ela se deu conta das tantas primeiras vezes que teve, dos tantos primeiros gozos, das tantas descobertas que fez sozinha, com outro, com outra, com outros e outras.
Ele se deleitava com suas lembranças e imaginava o que ela ainda não tinha feito, o gozo que ela ainda não tinha tido. Imaginava como poderia mostrar algo que ainda não havia sido mostrado, nem tentado, nem testado. Imaginou orgias, swing, menages, consolos, vibradores, kama sutra, tantra... Só queria provar, só queria mostrar que ainda existiam primeiras vezes a serem descobertas, só queria ser o primeiro de algo que ainda não tivesse sido vivido. 
Ela desejou outra primeira vez, desejou que houvesse algo novo, desconhecido. Fechou os olhos e procurou algo que ainda não tivesse tentado, testado, feito, experimentado. Difícil!
Ela desejou 9 e meia semanas de amor, um último tango em Paris, e tantos outros cenários pintados por outros que desejaram.
Ele tentou imaginar, tentou se lembrar.
Ela se lembrou das primeiras vezes.  Se lembrou do hall do apartamento, se lembrou do tapete fofo da sala, das flexões de braço na varanda, da "aflição" sem nome e sem explicação, da noite na praia, das muitas mãos e bocas e corpos de tantos quartos escuros.
Ambos souberam. Ambos perceberam que ainda há tantas primeiras vezes para serem vividas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O poder da criação em nós

De todos os insights que eu venho tendo desde que fiz o DL e o practitioner o maior insight de todos é perceber que a dor mais profunda pode conviver com a mais colorida felicidade. A dor não vai embora, ela nunca vai embora. Não há como fazer desaparecer a saudade mais intensa, mas por mais insuportável que ela seja é possível conviver com ela e transformá-la em algo diferente e mais suave. A dor é tão importante quanto a felicidade e me lembra tudo o que eu vivi e tudo e todos que eu perdi, mas hoje é possível lembrar de tudo com alegria e sentir apenas aquela doce nostalgia, não da perda mas dos momentos maravilhosos que existiram. 

Tudo depende de nós. A vida é como nós desejamos que ela seja e o maior poder de todos, o poder que esperamos e dizemos vir de Deus, vem de nós mesmos, nós somos os Deuses da nossa existência. A criação começa dentro de nós como um simples desejo e uma simples idéia e quando decidimos fazer essa centelha se tornar realidade com tanta certeza que seria impossível não se tornar... fazemos a mágica e tudo acontece.

Não me engano mais, afinal percebi que a tristeza, a auto-piedade, e os sentimentos mais ruins que existem também são desejados por nós. Viver no pior dos mundos às vezes também faz parte dos nossos desejos e até mesmo das nossas necessidades. Resta a nós decidir desejar o melhor.

Continuo chorando, continuo sentindo tanta saudade que às vezes desejo estar morta, mas nesses momentos eu lembro todos esses ensinamentos preciosos que eu aprendi e me torno a Deusa que eu sou transformando e transmutando tudo para o melhor que eu mereço e desejo para mim. O Olimpo não existe tão longe de nós, o paraíso também não. O lar dos Deuses é aqui é está aberto para nós, para qualquer um que consiga enxergar e deseje ser o dono do seu destino.

 

Para abandonar as roupas usadas

Existe um texto que diz que há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas.  Descobri que esse é um dos meus maiores medos, abandonar as roupas usadas, deixar o confortável para trás e me arriscar com o novo.  Mas ao ler o livro ”Quem mexeu no meu queijo?” duas vezes seguidas eu percebi que agia como as pessoas que não saem do lugar e não tem coragem de ir além, mesmo que isso signifique lidar com o desconhecido e talvez até encontrar obstáculos desagradáveis e difíceis de enfrentar.

Para abandonar as minhas roupas usadas eu tenho que abrir mão da Tatiana que os outros conhecem,  abrir mão do conforto de ser amada e querida, de ser a alegria da festa, de agradar a todos. Descobri, porém, que essa não é a Tatiana que eu sou e que eu gostaria de ser para mim mesma. Quem é mais importante, os outros ou eu mesma?

Como entrar no labirinto para achar o meu queijo? O que eu pretendo achar? O que estou disposta a fazer para chegar ao meu queijo? Eu tenho todas as ferramentas de que preciso, mas o medo de falhar me paralisa. Como sair do lugar?

As minhas roupas usadas estão repletas de palavrões, bebidas alcoólicas, festas desnecessárias. São roupas cheias de vícios e prazeres mundanos, são as roupas de uma adolescente, as roupas de alguém tão cheia de lacunas e vazios dentro de si que esqueceu o principal sentido de toda a existência. São roupas que fazem os outros me reconhecerem e gostarem de mim, mas que causam desconforto muitas vezes e escondem a minha verdadeira beleza e o a minha essência.

Certas roupas usadas não têm conserto, não podem ser lavadas, remendadas ou consertadas.  Quanto mais se insiste em usar, mas sem sentido elas são. Escondem cicatrizes que não deveriam ficar escondidas.

Para me livrar das roupas usadas eu preciso ficar nua, completamente nua.  A nudez nunca é confortável quando nos expõe.  Para ficar nua sem as minhas roupas usadas eu sou obrigada a mostrar o que existe debaixo delas, mostrar minha pele, minhas rugas, minhas fraquezas, meus medos, meus anseios, meus desejos, meus defeitos, minhas qualidades, meus segredos mais profundos. Nua eu sou igual a qualquer um. Nua eu sou uma página em branco esperando ser preenchida. Para me livrar das roupas usadas eu preciso ter a coragem para ficar nua e agüentar o tempo que for necessário até achar novas roupas, que tenham um novo significado, que digam quem eu sou de uma nova maneira, de preferência da maneira certa. Assim como sapatos novos, as roupas novas são desconfortáveis no início, incomodam, machucam, pinicam, e nosso corpo nu demora a se adaptar.

Como são as novas roupas que eu desejo?

 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ESTRELAS E COMETAS

ESTRELAS E COMETAS

Há pessoas estrelas...Há pessoas cometas.
Os cometas passam. 
Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem.
Os cometas desaparecem.

Há muita gente cometa.
Passam pela vida da gente apenas por instantes. 
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos.
Gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer,
sem marcar presença.
Há muita gente cometa.
Assim são muitos e muitos artistas.
Brilham apenas por instantes nos palcos da vida.
E com a mesma rapidez com que aparecem, também desaparecem.
Assim são muitos reis e rainhas de todos os tipos.
Reis de nações, rainhas de clubes ou concurso de beleza.
Assim rapazes e moças que se enamoram e
se deixam com a maior facilidade.
Assim são pessoas que
vivem numa mesma família e que passam
pelo outro sem serem presença.

Importante é ser estrela. Estar presente.
Marcar presença. Estar junto.
Ser luz. Ser calor. Ser vida.

Amigo é estrela.
Podem passar os anos, podem surgir distâncias,
mas a marca fica no coração.
Coração que não quer enamorar-se de cometas
que apenas atraem olhares passageiros.

E muitos são cometas por um momento.
Passam, a gente bate palma e desaparecem.

Ser cometa é não ser amigo.
É ser companheiro por instantes.
É explorar sentimentos.
É ser aproveitador das pessoas e das situações.
É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
A solidão de muitas pessoas é conseqüência de
que não podem contar com ninguém.
A solidão é resultado de uma vida cometa.
Ninguém fica. Todos passam.
E a gente também passa pelos outros.

Há necessidade de criar um mundo de estrelas.
Todos os dias poder vê-las e senti-las.
Todos os dias poder contar com elas.
Todos os dias ver sua luz e calor.

Assim são os amigos.
Estrelas na vida da gente.
Pode-se contar com eles.
Eles são uma presença.
São aragem nos momentos de tensão.
São luz nos momentos escuros.
São pão nos momentos de fraqueza.
São segurança nos momentos de desânimo.

Olhando os cometas é bom não sentir-se como eles.
Nem desejar prender-se em sua cauda.

Olhando os cometas é bom sentir-se estrela.
Marcar presença.
Ter vivido e construído uma história pessoal.
Ter sido luz para muitos amigos.
Ter sido calor para muitos amigos.
Ter sido calor para muitos corações.

Ser estrela neste mundo passageiro,
neste mundo cheio de pessoas cometas,
é um desafio, mas acima de tudo,
uma recompensa.
É nascer e ter vivido e não apenas existido.


Limpem os vidros das janelas: Netuno entra em Peixes!

Limpem os vidros das janelas: Netuno entra em Peixes!

:: Graziella Marraccini :: 

Eu não sei se vocês notaram, mas temos cada vez mais necessidade de sonhar! Sonhar com um mundo melhor, mais solidário e coeso, onde não exista fome, miséria e, sobretudo, violência. Mas será que esta não é uma utopia? Sim, creio certamente que este desejo seja utópico, já que no fundo os seres humanos não são isentos de sentimentos negativos, capazes de produzir a realidade caótica e cruel na qual vivemos. Acreditando que nossos pensamentos criam nossa realidade, concluo que será difícil controlar a mente de todo mundo com o intuito de eliminar completamente os pensamentos e sentimentos negativos. A contraposição do bem e do mal existe desde que foi criado o mundo! Faz parte da própria materialidade, da dualidade da criação. E as comunidades mais espiritualizadas e esotéricas, em seu desejo de criar um mundo melhor, oram e elevam cantos e cerimônias aos céus para fazer contraposição ao mal. Com essa mesma finalidade, as pessoas mais evoluídas e em campos elevados de consciência, sintonizadas nesta energia elevada, procuram em locais específicos, virtuais ou não, uma forma de compartilhar experiências, enriquecer seu conhecimento, crescer e progredir espiritualmente. Cada vez mais, percebemos que muitas pessoas valorizam mais o SER e não o ter. Parece um lugar comum, uma frase feita, mas não é. Valorizar o ser, procurar uma melhor qualidade de vida, está na cabeça de muitos jovens e eu sinto esta busca em meu consultório todos os dias. Os jovens procuram na astrologia cabalística sobretudo a compreensão de sua missão de vida, já que a sociedade atual não lhes oferece a plenitude interior. 

Sinceramente, eu acredito que a humanidade começará a encontrar rapidamente outros valores mais espirituais, pois este será o único meio de 'salvar a humanidade'! Este é o momento, é o 'turning point'! Este é o recado verdadeiro contido no 'mistério de 2012'. O que acontecerá em 2012? O ingresso de Urano em Áries que acelera e promove urgência, o ingresso de Netuno em Peixes (definitivamente em fevereiro de 2012), que estimula a espiritualidade, são indícios de uma Nova Era! 

Então, porque não entramos em sintonia com o planeta Netuno? Num artigo publicado em meu site em agosto de 2007 escrevi: "Netuno é chamado de 'solvente universal' em astrologia, pois fornece uma energia que apaga as fronteiras e os limites entre nós e os outros e que nos faz compreender que SOMOS TODOS UM! Netuno provoca em nós uma necessidade de integração e realização num impulso coletivo, não individual. Sob sua ação não pensamos em nós mesmos, mas pensamos em nós 'todos'! Netuno enfatiza o desejo de transcender nossa separatividade e por essa razão estimula a experiência mística e religiosa. Sob a ação de Netuno a percepção e a intuição se afinam com o Universo e percebemos então que não podemos nos destacar do sentimento de união com Deus. Por isso nos tornamos 'bons'." 
'Bons'... será verdade? 

Sim, é possível. E com essa realidade em mente podemos começar a alinhar nossos pensamentos para que as vibrações emanadas por nossa mente comecem a produzir a mudança de que necessitamos, seja no nosso microcosmo, seja, em conseqüência, no macrocosmo. Netuno ingressa lentamente no signo de Peixes, signo onde ele reina, e se encontra somente no primeiro grau, ainda com uma parte da energia em Aquário onde ele esteve nos últimos 12 anos. Tenho certeza que todos percebemos o quanto o mundo se tornou mais solidário nestes últimos anos! Mas isso não basta, pois com Netuno entrando em Peixes nossa realidade mudará de foco, porque ele virá trazer outra mensagem mais sutil, mais espiritual, similar àquela que o Cristo trouxe quando aqui se materializou: a mensagem do 'amor ao próximo'! Nunca, como atualmente, nesta era da internet, quando tudo é simultâneo e imediato, sentimos como nosso o sofrimento alheio e com ele interagimos, nos emocionamos, nos compadecemos. Não podemos mais ficar indiferentes diante da miséria, da violência e diante da contaminação de rios e mares, de céu e terra! 

Precisamos nos comprometer de maneira a modificar os nossos pensamentos egoístas, principalmente voltados para o nosso próprio bem-estar, aceitando que somente com o bem-estar de todos é que podemos nos sentir completos e integrados. Sim, repito, SOMOS TODOS UM! Ao fecharmos-nos dentro de nossas casas, e mantermos nossas portas e janelas trancadas, procurando manter nosso conforto somente no interior, não conseguiremos ser inteiramente felizes. 

Nestes dias frios do início do inverno, muitas vezes nossas janelas embaçam e não nos deixam enxergar direito o que acontece lá fora. Dentro, o calor do aquecedor produz uma sensação de conforto, mas... o que acontece lá fora onde existem tantos seres humanos que literalmente morrem de frio? Isso nos importa realmente? Doamos um agasalho, mas nos comprometemos com ações concretas? 

Ensina a Astrologia que Netuno funciona como a lente de uma máquina fotográfica que modifica a realidade reproduzindo-a segundo nossa própria ótica. E a modifica! Vocês já perceberam que quando olhamos algum peixe ou objeto em baixo d' água ele nos parece maior e diferente do que ele nos parecerá quando o retiramos da água? Essa é a lente de Netuno. Sua caminhada em Peixes aumentará a espiritualidade, a necessidade de procurar Deus, o Criador. Ele obrigará a humanidade a tomar medidas imediatas para resolver o problema das águas de nosso planeta Terra, resolver os problemas da poluição e da falta d' água, das inundações, ou desertificações, fatos que não podem mais ser ignorados e que devem estar na pauta obrigatória e permanente das grandes nações. Ah, ele espalhará vírus pela água: vocês viram o que está acontecendo atualmente na Alemanha? Não são os pepinos, mas é a água contaminada pelos venenos usados nas lavouras que espalha a morte! 

O 'efeito Netuno' pode ser muito perigoso: o Deus de Todos os Mares pode se enfurecer e revoltar-se, destruindo tudo! Os refúgios espirituais, os ashram e outras comunidades esotéricas irão se espalhar em todo mundo, e serão refúgios onde será possível expandir a experiência espiritual. Portanto, caros leitores, vamos começar a limpar nossas vidraças para enxergar o mundo lá fora? O autoconhecimento expande nossa consciência na União com o Todo e é indispensável para nossa evolução. As ciências esotéricas ou 'ocultas', como são chamadas, não são tão ocultas assim, já que estão à disposição daqueles que desejam evoluir.