Existe um texto que diz que há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas. Descobri que esse é um dos meus maiores medos, abandonar as roupas usadas, deixar o confortável para trás e me arriscar com o novo. Mas ao ler o livro ”Quem mexeu no meu queijo?” duas vezes seguidas eu percebi que agia como as pessoas que não saem do lugar e não tem coragem de ir além, mesmo que isso signifique lidar com o desconhecido e talvez até encontrar obstáculos desagradáveis e difíceis de enfrentar.
Para abandonar as minhas roupas usadas eu tenho que abrir mão da Tatiana que os outros conhecem, abrir mão do conforto de ser amada e querida, de ser a alegria da festa, de agradar a todos. Descobri, porém, que essa não é a Tatiana que eu sou e que eu gostaria de ser para mim mesma. Quem é mais importante, os outros ou eu mesma?
Como entrar no labirinto para achar o meu queijo? O que eu pretendo achar? O que estou disposta a fazer para chegar ao meu queijo? Eu tenho todas as ferramentas de que preciso, mas o medo de falhar me paralisa. Como sair do lugar?
As minhas roupas usadas estão repletas de palavrões, bebidas alcoólicas, festas desnecessárias. São roupas cheias de vícios e prazeres mundanos, são as roupas de uma adolescente, as roupas de alguém tão cheia de lacunas e vazios dentro de si que esqueceu o principal sentido de toda a existência. São roupas que fazem os outros me reconhecerem e gostarem de mim, mas que causam desconforto muitas vezes e escondem a minha verdadeira beleza e o a minha essência.
Certas roupas usadas não têm conserto, não podem ser lavadas, remendadas ou consertadas. Quanto mais se insiste em usar, mas sem sentido elas são. Escondem cicatrizes que não deveriam ficar escondidas.
Para me livrar das roupas usadas eu preciso ficar nua, completamente nua. A nudez nunca é confortável quando nos expõe. Para ficar nua sem as minhas roupas usadas eu sou obrigada a mostrar o que existe debaixo delas, mostrar minha pele, minhas rugas, minhas fraquezas, meus medos, meus anseios, meus desejos, meus defeitos, minhas qualidades, meus segredos mais profundos. Nua eu sou igual a qualquer um. Nua eu sou uma página em branco esperando ser preenchida. Para me livrar das roupas usadas eu preciso ter a coragem para ficar nua e agüentar o tempo que for necessário até achar novas roupas, que tenham um novo significado, que digam quem eu sou de uma nova maneira, de preferência da maneira certa. Assim como sapatos novos, as roupas novas são desconfortáveis no início, incomodam, machucam, pinicam, e nosso corpo nu demora a se adaptar.
Como são as novas roupas que eu desejo?
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