segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu não sei envelhecer (proponho uma rebelião)

Eu não sei envelhecer, não suporto envelhecer.
Estou no meio do caminho quando parte de mim ainda funciona perfeitamente e parte de mim começa a sofrer o impacto do tempo. Odeio isso.
Não há nada de poético em envelhecer enquanto não ficamos realmente velhos.
O metabolismo que muda, o corpo que muda, o sexo que muda, a tolerância à cervejinha que muda...
Que merda!
O que falamos tem que mudar, o modo como nos vestimos...
A roupa que gostamos fica ridícula e é preciso escolher ser ridícula ou não.
Quero trepar plantando bananeira como antigamente.
Quero beber o engradado inteiro de cerveja sem cair ou passar mal.
Quero me vestir do jeito que "sou" sem parecer uma "coroa" ridícula.
Sim, sim... não há nada como a experiência que adquirimos, com o "poder" que nos é dado e com a liberdade, mas a que preço?
Envelheci e fiquei fiel (ou o mais próximo possível disso). Envelheci e fiquei "caseira". Envelheci e guardei as botas e os coturnos, guardei as roupas extravagantes...
Envelheci e tomo remédio pra tiróide, psiquiátricos, etc etc etc
A barriga da cesárea que cai, o cabelo que afina, a pele que muda.
Puta que pariu!
Queria pular dos trinta para os sessenta logo. Seria ótimo!
Vou ficar linda aos sessenta com minhas tatuagens, com meus cabelos pintados de vermelho, meus piercings (no momento tirei eles), com minhas botas pretas, etc.
Me recuso a seguir a cartilha do envelhecimento.
Não sou a mãe comum, todos dizem isso. Minha filha diz que eu sou "mamãe maluquinha", que eu sou meio doida.
Não sou a companheira comum, todos dizem isso. Viajo por semanas sozinha, vou para fora do país, saio pra beber sem meu companheiro, e pra dançar com os amigos.
Me recuso a estar no lugar-comum.
Proponho uma rebelião.
Sejamos doidos, doidos-zen, doidos-loucos, doidos-rurais, doidos-hippies, etc., mas sejamos doidos.
Não nego que vou e que tenho que envelhecer.
Só me nego a deixar de ser.
De ser quem eu sou.
É odioso se ver deixar de ser quem somos dentro de nós e de nossa mente.
Pois nem nossa alma, nem nossa mente envelhecem!
Eu não sei envelhecer, eu não suporto observar o meu corpo envelhecer.

Roleta russa

Ela estica os braços e olha para o lado.
Participa de um jogo perigoso. A roda da fortuna, a roda da vida.
Só existem quatro caídas na roleta: lâmina, fita, balas, pena.
A roleta gira e ela olha indiferente. Seu desejo não conta, pois entrou no jogo sabendo o que poderia acontecer. A roleta gira e ela divaga.
Observa seus próprios pulsos atentamente, observa as veias, observa a pele, observa as mãos.
A roleta diminui sua velocidade e ela olha novamente para os pulsos.
Pensa no banco e nas suas dívidas, pensa nos irmãos e no que pensa deles, pensa em tudo o que conquistou e que não conquistou.
A roleta pára de girar.
Seus braços estão estendidos para lâminas, fitas de cetim, balas de revólver ou penas de pássaros.
A roleta pára de girar.

domingo, 28 de setembro de 2008

Dignidade (família)

Que dignidade pode ter alguém que não consegue viver e sustentar a sua própria família?
O que é, efetivamente, família?
Existe diferença entre família pobre e família rica?
Será que eu sou um estorvo para a minha família?
Não sinto nenhuma dignidade. Não sinto nenhuma alma dentro desse corpo.
Saí de lá como um trapo que deixa o banquete dos milionários e atrapalha o curso de suas vidas.
Ainda  me sinto um trapo.
Não tenho dúvida nenhuma de que grande parte do que está acontecendo tem relação com a minha ausência na casa de meu Pai, para onde devo voltar imediatamente.
Também sei que fiz escolhas na vida que me custam hoje em dia um preço alto e a completa falta de dinheiro, mas que garantiram a felicidade de pessoas que eu amo muito.
Às vezes sinto tão forte a sensação de família, às vezes não sinto nada.
Cada um com seus problemas, cada um por si.
Não durmo, só faço chorar. Choro de raiva, de vergonha, de humilhação, de emoção, de orgulho, de surpresa...
Mais uma madrugada, mais uma escolha: dormir e acordar ou dormir e dormir?
Rezo para que o dinheiro que temos dure até o fim do mês.
Não culpo ninguém  só a mim mesma.
Mas também não esqueço de certas palavras que foram ditas e de certas atitudes tomadas.
É fácil agir de certas maneiras quando estamos bem, quando estamos por cima.
Eu não estou por cima.
Onde está a dignidade que é inerente aos que têm controle sobre as suas vidas?
A dignidade que me resta é fruto da pessoa que eu sou,das coisas em que acredito, dos meus valores, da minha religião.
Mas onde está a dignidade que nos garante olhar nos olhos do outro e não nos sentir inúteis, insignificantes, montes de merda?
Procura-se dignidade. Perdida há cerca de um ano. Necessária para fazer uma pessoa que não tem dinheiro para participar de negócios da família desejar continuar viva, necessária para alguém que  não tem auto-estima para ir à festinhas infantis no condomínio e que não tem amor-próprio para dizer o que pensa aos familiares e às outras pessoas.
Procura-se dignidade para uma pessoa que não sabe viver sem ela.
Procura-se dignidade para uma pessoa que não sabe mais viver.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Um novo amor

Meu peito requer um novo amor.
motivação para o copo de vinho,
música tocando baixinho,
um romance para ter onde pôr.

Um dengo gostoso sob as cobertas,
beijos molhados em dias de chuva,
sessões com filmes que ninguém aluga,
mãos sob a saia, pernas abertas.

Pôr-do-sol. passeios, luar,
nervoso, aflição e bobeira,
momentos de tirar o ar,
promessas para a vida inteira.

Meu velho e enferrujado peito,
não desiste de um novo amor,
apesar de tudo que já passou,

apesar do vazio que ficou,
da ausência de calor,
nunca, nunca satisfeito.

Tão bobo esse velho e enferrujado peito.

O tédio e o gozo

Não quero a sorte de um amor tranquilo com sabor de fruta mordida.
Quero o calor do "shot" de tequila e o torpor do sexo sem telefone.
Não quero a casa arrumada e com tudo no lugar.
Quero a bagunça dos lugares cheios de gente e vida.
Não quero a saladinha e a pirâmide alimentar.
Quero o p.f. do peão e os pingos de pimenta.
O mundo diz, mas é minha mente que me alimenta.
Descambo, como dizia mamãe, pro lado dos boêmios e malandros,
e estou mais pra "pomba-gira" do que pra moça de família.
Sem isso, só o tédio.
Com tudo isso: gozo.
Não quero gozar sussurrando com a luz apagada.
Quero gozar gritando e de cabeça pra baixo.
Pra que céu e inferno se a Terra é esse paraíso?
Fala comigo.
Quero soltar os pássaros das gaiolas e tirar os peixes dos aquários.
Sinto saudade do Amarelinho depois da CVM e das saídas com a galera que sabe se divertir.
Não quero ficar entre essas 4 paredes.
Quero fugir, sumir, ir.

sábado, 20 de setembro de 2008

Janis Joplin e eu

Assisto ao documentário sobre Janis Joplin (fantástico) e minha mente viaja. Observando o curso da vida dela é fácil perceber as mudanças pelas quais ela passou e tudo o que ela se tornou. Uma menina tímida, desprezada na escola, desprezada em casa, sem perspectivas, considerada feia...
A música foi sua salvação e o caminho para a sua destruição.
Todos nós somos assim, porém alguns conseguem superar esses obstáculos de forma positiva e outros não.
Não é questão de usar a maneira mais fácil ou a mais difícil.
Remédios de tarja preta são ótimos, drogas são ótimas, álcool é ótimo. São meios mais rápidos de diminuir a dor, de esquecer a dor, mesmo que momentaneamente.
Não estou fazendo uma apologia às coisas ilegais da vida, mas entendo exatamente o que ela e tantos outros artistas e pessoas que morreram de overdose ou que se afundaram nas drogas passaram.
Erroneamente, as drogas e o álcool permitiram a ela ser tudo o que ela sonhava e não conseguia ser antes. E permitiu que suas prioridades e neuroses deixassem de nortear a sua vida.
Ela me inspira. De “patinho feio” a cisne. O que ela passava com sua voz não tem adjetivo que classifique.
Em compensação percebe-se claramente o preço que ela pagou em tão pouco tempo nas mudanças em seu rosto, sua pele, seus cabelos...
Onde estão nossos medos, nossos monstros? O quanto eles nos afetam?
Eu carrego o meu dinossauro nas costas e até hoje tento encontrar uma maneira de lidar com ele sem me perder no submundo.
Porque para pessoas como eu, cá entre nós, o submundo é MUITO tentador e bem mais sedutor que o mundo como ele é.
Não estou negando o “bem” em contrapartida ao “mal”.
O mal está dentro das pessoas e em suas atitudes.
O bem continua dentro da pessoa que deseja, mesmo que ela esteja fazendo um tour no inferno.
Apesar da minha tendência a aventuras doidas e coisas que nem posso contar aqui, eu continuo caminhando na “senda do bem”.
Mas, Janis Joplin, você é minha ídala e eu sou sua discípula de toda a minha alma.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Olimpo de vidro

Ergue-te do teu Olimpo de vidro

em passos suaves para não desmoronar

não busques minha sombra na floresta

meu rastro a assombrará

 

Sigas o caminho dos eremitas

atrás daquilo que nunca terás

o conhecimento dos grandes mestres

sobre perdão e o que a libertarás

 

Esculpida em mármore sobre o passado,

de mover-te não serás capaz

e só terás a verdade,

 

irás chorar tua injustiça e crueldade

Tempo e mais Tempo é o que terás e

pensarás no que, por ti, foi dito e lavrado.

 

(peço desculpas se houver algum erro de concordância, porém a forma como eu escrevi era importante para o que eu sentia e queria dizer)

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Mundinho particular

Seus olhos me enxergam por dentro,
raio-x em qualquer momento
não me escondo, me mostro inteira
mulher, escritora, blogueira

Um diário de minhas tolices,
um mundo de sandices.
dramas, romances, comédias,
e todo tipo de tragédias.

Converso com centenas
coisas pesadas e amenas
amigos da vida, amigos virtuais,
crônicas, poemas, histórias reais.

Esse meu mundinho particular,
onde nem todos podem entrar,
onde tiro a roupa, a pele, a amarra,
e, sem temor, mostro a minha cara,

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dr. André que me perdoe mas loucura é fundamental

Meu psiquiatra que me perdoe mas loucura é fundamental (parodiando nosso querido poeta, mas com outras palavras).  Enlouqueci. Pintei o cabelo de vermelho, depois uma "criança" muito sapeca cortou e disse que era para eu ficar mais bonita. Eu estou mais bonita. Fui no salão e pintei as unhas das mãos de preto e as do pé de vermelho anos 80 (hahahaha). E sabe o que mais? Estou me sentindo ÓTIMA! Ando cantando por aí como um disco arranhado, mas cheio de esperançca e alegria. Arranquei do meu coração as queridas amizades que foram perdidas e que me deixaram tão mal, me livrei de amores mal resolvidos, fui negociar o pagamento do dinheiro que me devem numa boa e resolvi encerrar a conta no banco.  Se eu sinto falta dos amigos que perdi? Sinto pra caralho, mas foda-se, não foi uma escolha minha, foi deles. Continuo me procurando, me buscando, me analisando, mas sei que é algo sem fim. Usando uma gíria jovem: é "tipo assim", eu sei que eu estou gorda, mas, foda-se, porque eu sei que é por causa de uma doença séria que eu adquiri e resolvi deixar pra lá e comer o que tenho vontade, e olha que eu nem como tanto. É "tipo assim", eu não ando muito social, mas se um amigo bater na minha porta ou me chamar eu corro na hora, pois amo meus amigos. Eu quero mais é viver e ter prazer. Só tenho tido sonhos BEEEEMMMMM elucidativos e indicativos do que devo fazer. Passo as madrugadas da minha insônia vendo os clássicos no canal TCM ao invés de ficar rolando na cama: Assim caminha a humanidade, A um passo da eternidade, Gilda, Cinderela em Paris, Cassino Royale (1967), Música e lágrimas, O selvagem da motocicleta e muito muito mais. Sabe a minha filha? Eu levei ela na pediatra pois ela esteve bem doente e, tirando as notícias ruins, a pediatra disse que ela aumentou quase 10cm em um ano e que ela vai ser super alta, com ossos muito sadios e que ela realmente é precoce em relação à idade dela (porque eu recebi um recado da escola dela - pasmen! - pedindo que nós, os pais, tratássemos ela como criança, pois ela estava adulta demais para a idade e precoce demais em relação ao conhecimento dela). Senhoras e senhores, essa criança quando faz dever de casa faz assim: trabalho sobre micróbios ou sujeira - ela pede para nós mostrarmos tudo o que se achar no computador porque ela quer VER o que é micróbio. E é assim com tudo. Agora me diz: eu vou mudar o comportamento e a personalidade da minha filha porque ela é inteligente e bem orientada ?????  Estou comendo uma refeição caseira daquelas que a gente "boda" depois.... macarrão com linguiça mineira... hummmmmmmm    Me decepcionei com a Olimpíada de Pequim, não que eu seja uma terrorista, mas esperava mais movimentos e acontecimentos pró-Tibet. Enquanto isso vejo o horário eleitoral na TV e morro de rir (para não chorar). Eu ainda acredito que o Brasil é o país do futuro, mas já começo a me questionar se eu estarei viva pra ver! Me despeço com a barriga cheia (hahahahaha) e a minha caneca cor de rosa de 700ml da Betty Boop (minha irmã trouxe para mim da Disney, achou a minha cara - sexy, rosa e deve ser colocada no congelador porque faz gelo dentro do vidro pra tomar o que? BIRITA) cheia de mate com limão.... Birita não é pra todo dia.... hahahahahahhahahaha