quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Lindo presente que ganhei da minha amiga Camila... pra levantar a moral e ajudar a sobreviver

Vencer o dia
vencer a si
vencer o mau estar
vencer a vontade
a desvontade
a pura loucura
a dura realidade

vencer por vencer
por dar exemplo
por ser forte
mesmo que a força se perca

vencer por ser mãe
por ter objetivos
por ser a TATI!!!
ser  A  Tati não é pra qualquer um......

vencer pra quebrar o mau  carma
pra deixar sua mãe feliz
pra deixar o Rene feliz
pra deixar você feliz...
e orgulhosa por você ser você

um alguém com duvidas
com fraquezas
um ser humano comum
atropelado pelo mundo...
que sacode a poeira e manda lindos textos
tristes textos
lindas palavras
puras e duras realidades

que gosta de dançar
de sentir
de contar as coisas
de conversar

mesmo sem te encontrar
sinto daqui sua angustia
sinto seu peito pulsante

sinto que sente
e vive
e ama
e quer!!!
mas a resposta não chega
e não vai chegar
se você nao buscar
DENTRO DE VOCÊ!!!

que tal um pouco de NAM-MYOHO-RENGUE-KYO
pra animar a vida??

se cuida, Tati querida...
pode contar comigo, mesmo que no turbilhão que a vida nos posiciona...

mil beijos, Camilinha
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terça-feira, 28 de outubro de 2008

E Deus criou os irmãos... e viu que era bom

Dois telefonemas. Dois telefonemas que levantaram minha alma do vazio.
Taís e Diogo. Minha irmã e meu irmão.
Palavras que mudaram o meu dia e meu estado de ânimo. Telefonemas que re-aproximaram um irmão de quem eu sentia falta e uma irmã que eu desejava que morasse no apt ao lado.
E recebi o melhor remédio que alguém pode receber: amor.
Eu, que me julgava perdida e abandonada, me reencontrei e achei duas luzes no fim do túnel que me guiaram de volta à estrada da vida.
Palavras que me encorajam a lutar, a seguir, a passar por cima dos obstáculos e vencer.
Conselhos que valem mais do que qualquer intervenção externa.
Agora tudo vale a pena.
Agora vou seguir o conselho dos 21 dias, agora vou seguir o conselho de viver, agora vou acreditar que tudo é um teste para todas as coisas maravilhosas que virão em seguida.
Porque Deus me deu dois irmãos maravilhosos e eu vejo o quanto é bom.

Entre o céu e a Terra

Livre de tudo
a maré vermelha me atinge,
o céu é negro,
toda a alegria se esvaneceu no ar,
cansei de esperar.
A onda que engole,
não existe o bem e o mal
existe o agora.
O agora é cruel.
Não h'á saída.
Tuas mãos não encontram as minhas,
me perco na correnteza,
lentamente
me afogo.
Os anjos caídos aguardam minha alma.
Os anjos de luz observam.
Fico presa entre o céu e a Terra.
É tempo de decidir.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A bomba explodiu - a história de um colapso

A bomba que estava armada finalmente explodiu. Já era hora. Com direito a todo tipo de efeitos colaterais.

A vida vem me dando porrada faz um tempo e batendo direto na minha cara. Dizem que o cúmulo da desonra é apanhar no rosto. É só onde eu tenho apanhado.

Desde janeiro desse ano.

Começou com uma síndrome do pânico e eu não conseguia sair da cama, muito menos do quarto. Banho? Comida? Depilação? Pra que oras?

A síndrome do pânico me impediu de ir à PUC, que sempre foi a minha maior paixão e orgulho, onde eu era uma das melhores alunas de comunicação e tinha uma bolsa de 100% (quase impossível de se conseguir lá). Perdi a PUC, perdi a bolsa, perdi minha maior paixão.

O vazio e a falta e motivação de ficar trancada no quarto geraram manias, rituais, compulsões. Sorvete de chocolate da Nestlé de pote azul com calda de morango e fitas de DVD do seriado "House" toda madrugada. Entre outras coisas.

O irônico é que ninguém que está ao seu redor percebe o que está acontecendo. Estava vivendo tudo aquilo sozinha e só ouvia frases de crítica e indignação pela casa. Todos racionais – "Como é que ela não sai daquela cama o dia inteiro?", "Essa garota não vai mais à faculdade não?", "É só isso que ela faz tá vendo? Fica deitada o dia inteiro na cama vendo televisão!"... e outros comentários do gênero ou piores.

Começou então uma pressão para eu me mudar. Sentia-se no ar.  E, finalmente, nos mudamos para um apartamento que não estava pronto, que não tinha infra-instrutora, que não tinha nada.

Outros rituais foram criados, outras obsessões. Chocolate toblerone de 400g, bombons trufados do cacau show, água com excesso de gelo, suco de laranja ao acordar e por aí vai.

24hs conectada na internet, como se fosse uma dimensão paralela e eu fosse um avatar.

Dias sem escovar dentes, sem pentear o cabelo (que começou a cair em chumaços como se eu estivesse fazendo quimioterapia), sem tomar banho, sem cortar a unha, sem trocar de roupa.

Minha avó num gesto de desespero pede para eu me consultar com o Dr. André.

Dr. André. (risos) Psiquiatra que conhecia a minha mãe, que era médica, que cresceu com ela, que fundou junto com ela a clínica que foi um dos maiores amores da vida dela, que me carregou no colo, que me chamava de Tatibitati, que me viu nascer e crescer.

Uma consulta foi marcada pela minha avó com a Nete (secretária da clínica, antiga secretária da minha mãe, que me viu crescer, que brincou comigo e que cuidou de mim tantas vezes quando eu ia com a mamãe).

Chego no dia marcado e – pasmen! – eu não acho a clínica. É como se a minha mente tivesse apagado as lembranças daquela época e daquele lugar. Fiquei parada no lugar onde ficava a clínica da minha infância, no calçadão de campo grande e, no lugar onde ela deveria estar uma obra estava sendo levantada. Pânico. Olho para um lado, para o outro. Não sei o que fazer nem aonde ir. Não sei mais se minhas lembranças existiram, não sei mais de nada. Ligo para a Nete e descubro que a clínica tinha mudado de localização há anos, que eu havia participado da mudança e que eu já havia freqüentado muito a clínica nova com a minha mãe. Continuo não entendendo o que a minha mente estava fazendo comigo e sigo para a clínica.

Não reconheço nada. Só a Nete. Estou nervosa, não sei como vai ser encontrar o André, o "tio" André da minha infância.

André abre a porta e nos olhamos. Ele é frio. Seco e distante. Nada da festa que ele fazia quando me via, nada de Tatibitati. Sequer olha para a minha filha, neta da grande amiga dele. Entramos no seu consultório. Uma consulta normal. Uma relação bem médico-paciente. Nada de lembranças, comentários sobre nossa intimidade. Entrega a receita e me espera em um mês. Saio da sala, saio da clínica, saio do ar. Entro no carro e desabo. Choro convulsivamente. Lembro tanto da minha mãe que dói. Lembro da sala dela, lembro do sorriso, lembro de tanta coisa.

E lá estou eu de volta a um tratamento psiquiátrico para psicose maníaco-depressiva. Pela primeira vez com lítio, tomando cymbalta (que eu já conhecia de outro tratamento com outro médico) e tentando acalmar a minha avó e retomar a minha vida.

Todos pensam que é fácil.

A psicose maníaco-depressiva é invisível. Para muitos é frescura. E só é notada em episódios extremos de euforia ou depressão. Como quando eu tentei me matar. Todos notaram. Depois esqueceram e aquilo ficou no passado, como se tivesse sido um ataque de pelica e não fosse mais acontecer, nunca.

Faz tempo que eu me sinto assim: desconstruída, vazia, perdida. Eu não sei mais quem eu sou (e não é "maneira de falar", eu não sei MESMO). É como se eu tivesse acordado de um coma depois de 20 anos e tudo estivesse diferente e eu não me encaixasse. É como se todos falassem de uma pessoa que eu não reconhecesse e eles estivessem falando de mim. E como é se reconstruir? Como é ter toda a sua vida apagada e ter que viver mesmo assim, sem saber quem é você, como é você, o que fazer, o que é certo e o que é errado? Devo agir para me encaixar nas expectativas dos outros ou nas minhas? Quais são as minhas expectativas?

Puf! Você acorda do "coma". Tem 34 anos, não conseguiu se formar, não tem mais a bolsa na faculdade, perdeu o período na faculdade, engordou 25 kg, olha no espelho e não reconhece o rosto rechonchudo e cheio de acne e espinhas. Não tem emprego, não tem estágio, não tem renda. Tem um marido e uma filha de 7 anos (que precisa e espera muito de você). Não tem força para nada, não tem disposição, não tem tesão, não tem perspectiva de melhora ou de futuro.

Puf! Você acorda do "coma". Seu irmão é um empresário ocupado de sucesso, "casado", que não tem mais tempo para você, que não brinca mais com a sobrinha, que não fica mais em casa, que só chega de madrugada e que você nunca mais vê. Não é mais o irmão que vive em casa, que te dá toda atenção e cuja paixão é a sobrinha e a avó.

Sua irmã mora numa cidade que fica a 4 horas de distância, está divorciada, é uma executiva de sucesso cheia de amigos e de vida social. E é uma das suas melhores amigas. Não é mais aquela irmã distante, seca, com quem você não falava, de quem você tinha tanto rancor, que tinha poucos amigos e que não tinha vida social. Agora ela é linda, luta para ficar mais linda ainda, se cuida e batalha pela felicidade.

Puf! Você acorda do "coma". Não é mais magrinha, não é mais linda, não tem mais amigos, não é a rainha da "night", não sai mais para dançar ou beber ou conversar, não trepa o tempo todo, não tem o telefone tocando toda hora e não é mais "aquela mulher que todo mundo sempre admirou e que você sempre conheceu". Agora você depende de um marido, tem uma filha maravilhosa que pede o tempo todo sua atenção, tem um apartamento para decorar e para cuidar.

Quem sou eu? Pelo amor de Deus, quem sou eu?

Então chega o mês de outubro.

Vovó cai uma, duas, três, várias vezes. Vovó abre a cabeça e fica lelé. Vovó volta ao normal. Vovó tem um ataque no shopping e vai parar no hospital onde fica uma semana comigo. Vovó cai de novo e arrebenta o olho. O reboco e alguns azulejos da parede do prédio no condomínio caem em cima do carro que tínhamos acabado de tirar da agência para decidir se íamos comprar. Eu e Sophia sofremos um acidente com o mesmo carro. O marido fica com pneumonia, uma semana de molho em casa. Pegamos um carro emprestado. Outro acidente de carro. Pronto. Acabou o pavio e o limite. A bomba explode.

 

Não agüento mais. Não agüento mais. Só consigo repetir isso como um mantra.

Ligo para a minha melhor amiga e desabo. Choro convulsivamente, grito, bato a cabeça na parede, soco o chão. Eu não agüento mais. Eu não agüento mais. E não consigo parar de chorar.

Faço um esforço dantesco para não tirar minha própria vida. Um esforço que tenho que fazer a cada milésimo de segundo, porque a dor que sinto é maior do que a minha força e a minha capacidade de lutar. Alguns ignorantes dizem que é fuga. Só EU sei o que é, só eu sei como eu me sinto e o que está acontecendo dentro de mim. Só eu sei o que é se manter de pé todo dia quando na verdade tudo o que eu queria era me jogar num abismo.

Desde então não consigo parar de chorar e cada vez que eu choro é como se eu esvaziasse um pouco o meu corpo de alguma coisa ruim que me possui.

Eu me dei conta de coisas que me envergonharam tanto.

Não tinha noção de como estava mal, de como estava amarga, de como estava a um passo do colapso.

Tudo em mim e na minha vida é um colapso.

 

Tento pacientemente me reerguer e me reconstruir. É difícil o papel em branco para o escritor. É difícil o corpo e a alma em branco para alguém que não sabe mais quem é e que tem que se reconstruir. Quem eu sou? Quem eu quero ser?

Todo mundo tem um conselho ou algo para dizer, mas ninguém entende que muita coisa não depende de mim. Existe uma barreira, um nível, que foge ao meu controle, pois a psicose maníaco-depressiva é um problema bioquímico e afeta grande parte de quem eu sou e de quem eu posso ser.

De qualquer maneira a bomba explodiu. Agora só existem dois caminhos: pegar toda a força que eu tenho dentro de mim e fazer alguma coisa ou desistir de vez e bye bye.

sábado, 18 de outubro de 2008

Caverna virtual

Acabei de ler um texto que falava de como a "era virtual" tem a tendência de destruir relacionamentos e afastar as pessoas. Dizia que algumas pessoas não conseguem largar o computador e deixam as outras coisas de lado. É complicado.

Acredito que quando existe alguma coisa mais interessante ou mais importante que a internet, as pessoas larguem o computador e pronto.

Entretanto, o computador é o meu refúgio, a minha caverna virtual. É onde eu me escondo, onde só conhece a minha cara quem eu quero, onde eu não há críticas (se não desejadas), onde não há roupa pra lavar, casa pra cuidar, problemas domésticos, marido "torrando o saco", essas coisas "mundanas" e absolutamente reais.

Na "caverna virtual" há paz, silêncio, muito mais respeito e amizade.

E o marido? a filha? os amigos concretos?

Eles têm que merecer o meu tempo, a minha atenção. Eu dedico 99,9% do meu tempo e da minha vida a eles, mas o momento que eu estou no computador é só meu. Da mesma forma que é o tempo em que estou fazendo as unhas no salão, me cuidando. Ou indo ao cinema sozinha, ou tomando avelan frozen no California coffee, ou vendo filmes clássicos no canal TCM.

O problema não é a internet.

Todos nós precisamos desses momentos em que não cabe um outro. e a internet é apenas uma outra dimensão, um outro planeta, para onde fugimos de vez em quando.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Corpo e letras

Quero ser lida
em corpo e letras,
quero teu olhar,
quero te contar,
quero escrever,
aventuras e desventuras,
prazeres e torturas,
explicar e criticar,
o mundo, as coisas,
você.
Não sou nada
sem você.
Quero blogar e teclar
o dia inteiro,
a noite inteira,
madrugada adentro,
tirar de dentro de mim
toda essa emoção
sem fim,
toda essa vida,
assim
sem compromisso,
só teu olhar
para me ler,
para me sorver,
em corpo e letras.

Ar

Acalmo o ar.
A brisa envolve o meu corpo,
não sou mais eu,
flutuo no nada.
Nos vales longínquos do além
a atmosfera é doce,
como nossa alma.
Um pouco de tudo me envolve,
não há limite, não há fronteira.
Sou um balão colorido.
Estresso o ar.
Caio no olho do furacão,
me divido em infinitos pedaços,
desabo no todo.
Nos montes paralelos das terras,
o espaço é concreto,
como nosso corpo.
Muito do nada me transpassa,
paredes, muros, o finito.
Sou uma pedra cinzenta.
Sou o próprio ar.
Envolvo a brisa e o furacão,
sou eu e infinitos pedaços,
flutuantes e caídos.
Nos vales, nos montes
paralelos do além,
atmosfera e espaço
concretamente doces,
envolvo tudo e transpasso
o balão colorido que sobe,
a pedra cinzenta que cai.
Ar,
brisa,
furacão,
eu.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Absolvido pela "justiça" (?)

Horas de julgamento.
Uma mãe que perdeu o filho com um tiro nas costas dado por um segurança particular, PM, contratado por uma promotora da justiça.
A maior polêmica que todos discutem é sobre o fato do assassino ter sido contratado por uma "PROMOTORA DE JUSTIÇA" para acompanhar seu filho na "night".
Sinceramente, isso realmente interessa?
A promotora disse na época que o segurança tinha sido contratado porque ela tinha recebido ameaças após um caso que ela tinha defendido.
Todos têm o direito de usar seguranças para se proteger, inclusive promotoras de justiça.
A questão não é essa!
Também não interessa se o filho da mãe da vítima era um "pitbull" como acusaram algumas das testemunhas. Isso não era motivo para condená-lo à morte com um tiro covarde.
A questão é que uma criatura da Polícia Militar, que deveria ter sido treinado para vários tipos de situação, inclusive a citada, não estava preparado e agiu de forma incorreta matando um jovem de 18 anos.
Desde quando um dado pelas costas pode ter sido dado numa situação em que a vítima estava tentando tirar o revólver da mão do agressor? Não tem lógica.
O fato é que o rapaz que morreu caso estivesse errado deveria ter sido preso, contido, expulso, mas nunca morto.
O fato é que alguém atirou, assassinou o rapaz.
O fato é que o rapaz morreu.
Isso é homicídio. Homicídio é crime. Crime é punido com prisão.
Como é que o agressor pode ser absolvido UNANIMEMENTE por um júri composto por 7 pessoas, seres humanos, seres racionais, pensantes.
Puta que pariu, até onde vai a impunidade?
Como vai ficar essa mãe que perdeu o filho?
Vão soltar uma criatura que carrega um revólver e, ou não saber usar, ou usa a seu bel prazer assassinando pelas costas qualquer um que esteja contra ele.
A Deusa da Justiça deve estar se contorcendo no Olimpo.
Eu estou me contorcendo até agora. De indignação. Mais uma vez.

Os três mosqueteiros de Telma e Jorge

Ele se encolhe na cama ao chegar do trabalho e não se move.
Ela não pára de ligar para casa e para o celular dos irmãos.
Ela não dorme e anda pela casa sem parar verificando o tempo todo.
Cada um vive a sua dor do jeito que sabe e que pode.
No fundo ninguém aguenta.
Ele trabalha tanto que se transformou em outra pessoa.
Ela está tão focada em sobreviver à decepção e continuar a vida que se transformou em outra pessoa.
Ela esteve tão preocupada em proteger todos os que amava e cuidar deles que se transformou em outra pessoa.
Ele vive uma nova vida.
Ela vive uma nova vida.
Ela vive uma nova vida.
Ele cresce profissionalmente e vive um relacionamento.
Ela se destaca profissionalmente e saiu de um relacionamento.
Ela é frustrada profissionalmente e tenta salvar um relacionamento.
Ele não tem tempo.
Ela não tem tempo.
Ela tem todo o tempo do mundo e isso cansa.
Eles se amam. Eles não se conhecem. Eles precisam se conhecer.
Eles brigam, choram, riem, se abraçam, conversam, discutem, se culpam, se desculpam, se amam, se odeiam, se invejam, se orgulham, se amam, se necessitam.
Eles têm uma família.
Eles têm uma avó.
Eles têm um apartamento que guarda todas as lembranças e todas as perdas.
Eles têm um ao outro.

A resposta da vida

Através das cortinas as nuvens cinzentas me olham
tão cinzentas como os dias que tenho vivido.
Barbie é um cisne no filme da televisão.
Quisera eu ser um cisne encantado na floresta.
Ao meu lado a mulher da minha vida,
antes a avó com quem eu duelava e brigava,
hoje a vovó de quem eu cuido
com quem tenho os mais doces momentos.
O hospital já é continuação da minha casa,
parte da minha rotina,
a dura cama da noite não dormida.
Nos seus delírios vovó vive mil vidas,
mil aventuras, toda a sua idade.
Nos meus delírios volto no tempo,
volto na vida, volto.
Tremo.
O frio do ar condicionado
não é pior que o frio do medo.
Tenho medo.
Tenho frio.
Nenhum oráculo tem a resposta da vida:
a resposta da morte.
Enquanto isso, aguardo.
Sua morte, minha morte, qualquer morte.
E tenho medo,
e sinto frio.