quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A resposta da vida

Através das cortinas as nuvens cinzentas me olham
tão cinzentas como os dias que tenho vivido.
Barbie é um cisne no filme da televisão.
Quisera eu ser um cisne encantado na floresta.
Ao meu lado a mulher da minha vida,
antes a avó com quem eu duelava e brigava,
hoje a vovó de quem eu cuido
com quem tenho os mais doces momentos.
O hospital já é continuação da minha casa,
parte da minha rotina,
a dura cama da noite não dormida.
Nos seus delírios vovó vive mil vidas,
mil aventuras, toda a sua idade.
Nos meus delírios volto no tempo,
volto na vida, volto.
Tremo.
O frio do ar condicionado
não é pior que o frio do medo.
Tenho medo.
Tenho frio.
Nenhum oráculo tem a resposta da vida:
a resposta da morte.
Enquanto isso, aguardo.
Sua morte, minha morte, qualquer morte.
E tenho medo,
e sinto frio.

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