A noite me devora. Entre barras de chocolate e petiscos suicidas a noite degusta cada parte do meu ser enquanto me tortura
Coisas de Twila
quinta-feira, 16 de junho de 2016
quarta-feira, 13 de abril de 2016
Como se fosse a primeira vez
De dentro dos meus pensamentos, você,
passado, presente, futuro (?),
arrepio que acompanha a linha do tempo,
desde sempre, desejo.
Cafona em cada sentimento,
velho e repetitivo,
ardente em cada momento,
cada fôlego mais vivo.
Da aspereza dos seus pelos,
a lembrança da sua voz,
envelheço dia após dia,
como se fosse a primeira vez.
passado, presente, futuro (?),
arrepio que acompanha a linha do tempo,
desde sempre, desejo.
Cafona em cada sentimento,
velho e repetitivo,
ardente em cada momento,
cada fôlego mais vivo.
Da aspereza dos seus pelos,
a lembrança da sua voz,
envelheço dia após dia,
como se fosse a primeira vez.
sábado, 12 de dezembro de 2015
Limbo
Não, eu não sumi, não desapareci, não esqueci das pessoas. Eu entrei numa depressão profunda e não consigo sair de casa, não consigo levantar da cama, fazer as coisas que todos nós deveríamos fazer normalmente.
Todos tem vergonha de falar sobre isso e muitos amigos dizem que eu não devo expor minha vida, minha situação, e que eu devo deixar todos acharem que eu estou muito bem. Mas eu não estou muito bem e, sinceramente, não tenho vergonha disso, tenho raiva.
O final de ano torna tudo pior, aumenta a melancolia, a saudade do passado, a saudade das pessoas.
Não consigo falar com os amigos, não consigo telefonar, me comunicar, visitar...
Tantas coisas entristecem meu coração, tantas pessoas, tantas atitudes...
Os remédios não fazem efeito, não existem milagres para momentos como esse e esperar por uma melhora é como estar com o pescoço amarrado numa forca sem saber se a corda vai soltar ou apertar.
Vejo a vida passar e não consigo acompanhar. E ela se vai e eu fico parada no mesmo lugar, num eterno limbo, onde nada acontece, nada faz sentido, nada é sentido.
Observo as pessoas nas mídias sociais, observo alguns "amigos" nas mídias sociais e tudo o que vem a minha mente é a quantidade de egoísmo, indiferença, esquecimento conveniente, e mentira que permeiam algumas das minhas relações. Não pensei que eu fosse capaz de me enganar tanto com algumas pessoas. Mas isso é apenas um efeito colateral do que estou passando nesse momento, pois em outros tempos, tempos de alegria e euforia, nada disso importaria.
O ano está acabando e naturalmente entro naquela fase reflexiva sobre o que passou e o que está por vir. Planos desfeitos, sonhos não realizados, expectativas para o próximo ano, novos planos...
Do limbo onde estou tento manter o mínimo de sanidade e atividade por causa da minha família, por causa da minha filha, por causa dos poucos amigos que insistem docemente em me ver bem.
Momentos como esse dificultam a interação social, o cuidado comigo mesma, a vontade de viver.
Adoram me perguntar sobre minha fé, sobre Deus, sobre minhas crenças. Isso me irrita e me cansa, pois não existe racionalidade na depressão e no transtorno bipolar. Continuo acreditando em Deus e orando insistentemente para Ele me ajudar, me curar, e acredito que se não fosse por Ele eu estaria muito pior ou sequer estaria aqui para escrever esse post.
Existem momentos bons, existem momentos de paz. Poucos, embora existam.
Infelizmente não há nenhuma fórmula mágica ou super herói que possa me salvar, embora existam tantos braços que me sustentam para eu não cair ainda mais no buraco escuro, fundo e interminável onde me encontro.
Como eu queria que tudo isso não passasse de drama, de frescura, como algumas pessoas pensam.
Um novo ano está prestes a começar e tudo o que eu desejo é que exista um novo remédio, uma nova tentativa, uma nova terapia, uma nova esperança, cura.
As pessoas que eu amo não merecem me ver assim, não merecem passar pelo que estão passando.
Quanto mais eu sofro, mas elas sofrem e mais eu sofro.
Todos tem vergonha de falar sobre isso e muitos amigos dizem que eu não devo expor minha vida, minha situação, e que eu devo deixar todos acharem que eu estou muito bem. Mas eu não estou muito bem e, sinceramente, não tenho vergonha disso, tenho raiva.
O final de ano torna tudo pior, aumenta a melancolia, a saudade do passado, a saudade das pessoas.
Não consigo falar com os amigos, não consigo telefonar, me comunicar, visitar...
Tantas coisas entristecem meu coração, tantas pessoas, tantas atitudes...
Os remédios não fazem efeito, não existem milagres para momentos como esse e esperar por uma melhora é como estar com o pescoço amarrado numa forca sem saber se a corda vai soltar ou apertar.
Vejo a vida passar e não consigo acompanhar. E ela se vai e eu fico parada no mesmo lugar, num eterno limbo, onde nada acontece, nada faz sentido, nada é sentido.
Observo as pessoas nas mídias sociais, observo alguns "amigos" nas mídias sociais e tudo o que vem a minha mente é a quantidade de egoísmo, indiferença, esquecimento conveniente, e mentira que permeiam algumas das minhas relações. Não pensei que eu fosse capaz de me enganar tanto com algumas pessoas. Mas isso é apenas um efeito colateral do que estou passando nesse momento, pois em outros tempos, tempos de alegria e euforia, nada disso importaria.
O ano está acabando e naturalmente entro naquela fase reflexiva sobre o que passou e o que está por vir. Planos desfeitos, sonhos não realizados, expectativas para o próximo ano, novos planos...
Do limbo onde estou tento manter o mínimo de sanidade e atividade por causa da minha família, por causa da minha filha, por causa dos poucos amigos que insistem docemente em me ver bem.
Momentos como esse dificultam a interação social, o cuidado comigo mesma, a vontade de viver.
Adoram me perguntar sobre minha fé, sobre Deus, sobre minhas crenças. Isso me irrita e me cansa, pois não existe racionalidade na depressão e no transtorno bipolar. Continuo acreditando em Deus e orando insistentemente para Ele me ajudar, me curar, e acredito que se não fosse por Ele eu estaria muito pior ou sequer estaria aqui para escrever esse post.
Existem momentos bons, existem momentos de paz. Poucos, embora existam.
Infelizmente não há nenhuma fórmula mágica ou super herói que possa me salvar, embora existam tantos braços que me sustentam para eu não cair ainda mais no buraco escuro, fundo e interminável onde me encontro.
Como eu queria que tudo isso não passasse de drama, de frescura, como algumas pessoas pensam.
Um novo ano está prestes a começar e tudo o que eu desejo é que exista um novo remédio, uma nova tentativa, uma nova terapia, uma nova esperança, cura.
As pessoas que eu amo não merecem me ver assim, não merecem passar pelo que estão passando.
Quanto mais eu sofro, mas elas sofrem e mais eu sofro.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Jogo da Vida
A verdade é que a vida é um jogo. Tal como "Monopoly" ou "Jogo da Vida" vivemos num tabuleiro onde um dado invisível é jogado a todo instante ditando os nossos caminhos, guiando nossas direções e nos enchendo com cartões de ônus e bônus, impostos, taxas, filhos, casas, e um infindável mundo de "coisas".
A diferença entre o tabuleiro de jogo e a nossa vida é que não podemos parar quando desejamos, a menos que burlemos a principal regra do jogo da verdadeira vida que é - não tirar a própria vida. Não se matar. Não cometer suicídio!
Tudo muito fácil de entender a não ser por um detalhe: nos tabuleiros de jogos que demoram horas do início ao fim do jogo, com grandes reviravoltas, com altos e baixos, com perdas e ganhos, mesmo sendo uma brincadeira nos cansamos tão facilmente, como se fosse a vida real, então, imagina o peso verdadeiro da nossa vida?
Pensando em tudo isso cheguei a conclusão de que grande parte dos suicídios são uma resposta à essa regra de não poder sair do jogo na hora desejada. Algumas pessoas simplesmente não aguentam a pressão de tudo o que acumulam durante a sua passagem pelo tabuleiro da vida. Algumas pessoas simplesmente não aguentam se tornar "adultos". Crescer é um fardo pesado demais.
Mas e se pudéssemos desistir na hora que quiséssemos? Existiriam adultos? Existiriam idosos? Existiriam pessoas morrendo por causa da velhice?
Sendo Deus o criador do nosso tabuleiro, o que será que Ele espera de nós? Além do fato de não podermos desistir no meio do caminho.
Entretanto o mais impressionante que veio na minha mente depois foi...
E se existe a continuação do tabuleiro depois da morte tanto para quem morre no final do tabuleiro de maneira natural, quanto para quem tira a própria vida antes do tempo?
O que será que vem depois?
E o mistério permanecerá bem guardado até o dia que o próprio Criador assim desejar.
quinta-feira, 9 de abril de 2015
Só porque
Só porque eu não falo
só porque eu não te peço
só porque eu não te ligo
só porque eu não te escrevo
só porque eu não verbalizo
só porque eu não grito
não significa que eu não preciso!!!
só porque eu não te peço
só porque eu não te ligo
só porque eu não te escrevo
só porque eu não verbalizo
só porque eu não grito
não significa que eu não preciso!!!
quarta-feira, 8 de abril de 2015
Censura e preconceito
Em mais um "looping" na minha montanha russa bipolar eu reflito sobre o preconceito que eu sinto em relação a mim mesma e às minhas crises. Nas crises depressivas leves ou nos raros momentos de estabilidade aparecem tantas pessoas dizendo que eu não sou bipolar, dizendo que alguém colocou isso na minha cabeça, dizendo que isso é "modismo", e tantas outras coisas, que eu mesma começo a querer acreditar nisso tudo. Até aparecer outra crise maníaca, depressiva ou ciclotímica bem "heavy" e me lembrar que a minha bipolaridade não é uma fantasia ou uma ilusão.
Ser bipolar não é fácil. É caro ser atendida por um psiquiatra particular. É quase impossível ser atendida por um do SUS. É surreal ser atendida por um do plano de saúde. É indispensável ser atendida por qualquer um deles. É essencial ser atendida pelo mesmo sempre, eternamente. É óbvio que isso é utópico. E consequentemente é muito difícil ser bem medicada e ficar estabilizada.
Ser bipolar não é modismo. É real, é cruel, é visceral. É ruim quando é bom e é ruim quando é ruim. É ruim de qualquer jeito, pois as consequências sempre são catastróficas, embora nem sempre sejam percebidas assim imediatamente. É como ser uma bomba atômica prestes a explodir toda hora: energia nuclear condensada em seu mais alto grau (vida) mas que se acionada se desorganiza gerando caos (morte). PS: Não sou física, portanto expliquei em minhas palavras, do meu jeito, de qualquer jeito (rs).
Sinto muita censura quando falo que eu sou bipolar, como se fosse uma coisa feia, proibida, vexatória. Ou então, sinto um certo deboche, como se não fosse algo sério, como se fosse bobagem, criação da minha cabeça.
Eu já passei por tanta coisa com esse transtorno, já vivi tantos altos e baixos, e hoje às duas horas da madrugada, no meio de uma crise resolvi escrever um pouco sobre isso para vivenciar uma catarse.
Não sou mais, nem menos mulher, mãe, esposa, irmã, tia, madrinha, comadre, amiga, cristã, ser humano, Tatiana, por ser bipolar. Quando passo por uma crise, seja ela maníaca ou depressiva, preciso muito do psiquiatra, dos medicamentos, porém, mais do que tudo isso, preciso da aceitação e compreensão das pessoas que dizem que me amam e que entendem. Eu acredito que o maior poder de cura provém dessa aceitação. E, sinceramente, a maior censura vem de mim mesma. Preciso aprender a trabalhar isso dentro de mim.
Deveriam fazer grupos para bipolares como o AA, né?
Ser bipolar não é fácil. É caro ser atendida por um psiquiatra particular. É quase impossível ser atendida por um do SUS. É surreal ser atendida por um do plano de saúde. É indispensável ser atendida por qualquer um deles. É essencial ser atendida pelo mesmo sempre, eternamente. É óbvio que isso é utópico. E consequentemente é muito difícil ser bem medicada e ficar estabilizada.
Ser bipolar não é modismo. É real, é cruel, é visceral. É ruim quando é bom e é ruim quando é ruim. É ruim de qualquer jeito, pois as consequências sempre são catastróficas, embora nem sempre sejam percebidas assim imediatamente. É como ser uma bomba atômica prestes a explodir toda hora: energia nuclear condensada em seu mais alto grau (vida) mas que se acionada se desorganiza gerando caos (morte). PS: Não sou física, portanto expliquei em minhas palavras, do meu jeito, de qualquer jeito (rs).
Sinto muita censura quando falo que eu sou bipolar, como se fosse uma coisa feia, proibida, vexatória. Ou então, sinto um certo deboche, como se não fosse algo sério, como se fosse bobagem, criação da minha cabeça.
Eu já passei por tanta coisa com esse transtorno, já vivi tantos altos e baixos, e hoje às duas horas da madrugada, no meio de uma crise resolvi escrever um pouco sobre isso para vivenciar uma catarse.
Não sou mais, nem menos mulher, mãe, esposa, irmã, tia, madrinha, comadre, amiga, cristã, ser humano, Tatiana, por ser bipolar. Quando passo por uma crise, seja ela maníaca ou depressiva, preciso muito do psiquiatra, dos medicamentos, porém, mais do que tudo isso, preciso da aceitação e compreensão das pessoas que dizem que me amam e que entendem. Eu acredito que o maior poder de cura provém dessa aceitação. E, sinceramente, a maior censura vem de mim mesma. Preciso aprender a trabalhar isso dentro de mim.
Deveriam fazer grupos para bipolares como o AA, né?
terça-feira, 24 de fevereiro de 2015
Transmutação
Os meus olhos de mãe parecem possuir lentes especiais. Minha filha cresceu, em todos os aspectos, está tão mais alta do que eu, tão maior do que eu, mas quando olho para ela os meus olhos ainda enxergam o mesmo bebê que eu vi crescer.
Ela sabe tanta coisa que eu não sei e anda na rua como se fizesse parte dela. Conhece as linhas de ônibus da cidade, os locais onde encontrar as coisas, os melhores horários para tudo. Ela ajuda em casa, estuda mais do que eu tenha estudado em qualquer dia da minha vida e é belíssima.
Eu consigo admitir essas coisas depois de um tempo de resistência, entretanto, quando preciso interagir com ela ainda vejo a minha filha, o meu bebê, a minha cria. É engraçado às vezes. As mãos dela são bem maiores do que as minhas mas quando eu peço para ela lavar a louça faço questão de lavar as coisas grandes e pesadas, ou as coisas de vidro, por exemplo, com medo de que ela se machuque. E normalmente quem se machuca sou eu.
Quando andamos de ônibus eu me preocupo se ela está segurando direito nos "apoios", se ela está bem acomodada, mas quem cai normalmente sou eu. E eu poderia dar dezenas, centenas de exemplos de como aos poucos o meu bebê está se tornando uma mulher e eu, mulher, estou me tornando novamente um bebê.
A sabedoria dela me encanta. A paciência dela comigo me encanta. A maturidade em relação à sua idade me encanta. E tudo isso ao mesmo tempo me entristece, pois não importa o quanto eu tente não conseguirei impedir o tempo de fazer o óbvio: fazer a minha filhota se tornar a grande mulher que ela está se tornando.
Ela sabe tanta coisa que eu não sei e anda na rua como se fizesse parte dela. Conhece as linhas de ônibus da cidade, os locais onde encontrar as coisas, os melhores horários para tudo. Ela ajuda em casa, estuda mais do que eu tenha estudado em qualquer dia da minha vida e é belíssima.
Eu consigo admitir essas coisas depois de um tempo de resistência, entretanto, quando preciso interagir com ela ainda vejo a minha filha, o meu bebê, a minha cria. É engraçado às vezes. As mãos dela são bem maiores do que as minhas mas quando eu peço para ela lavar a louça faço questão de lavar as coisas grandes e pesadas, ou as coisas de vidro, por exemplo, com medo de que ela se machuque. E normalmente quem se machuca sou eu.
Quando andamos de ônibus eu me preocupo se ela está segurando direito nos "apoios", se ela está bem acomodada, mas quem cai normalmente sou eu. E eu poderia dar dezenas, centenas de exemplos de como aos poucos o meu bebê está se tornando uma mulher e eu, mulher, estou me tornando novamente um bebê.
A sabedoria dela me encanta. A paciência dela comigo me encanta. A maturidade em relação à sua idade me encanta. E tudo isso ao mesmo tempo me entristece, pois não importa o quanto eu tente não conseguirei impedir o tempo de fazer o óbvio: fazer a minha filhota se tornar a grande mulher que ela está se tornando.
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