sábado, 12 de dezembro de 2015

Limbo

Não, eu não sumi, não desapareci, não esqueci das pessoas. Eu entrei numa depressão profunda e não consigo sair de casa, não consigo levantar da cama, fazer as coisas que todos nós deveríamos fazer normalmente.
Todos tem vergonha de falar sobre isso e muitos amigos dizem que eu não devo expor minha vida, minha situação, e que eu devo deixar todos acharem que eu estou muito bem.  Mas eu não estou muito bem e, sinceramente, não tenho vergonha disso, tenho raiva.
O final de ano torna tudo pior, aumenta a melancolia, a saudade do passado, a saudade das pessoas.
Não consigo falar com os amigos, não consigo telefonar, me comunicar, visitar...
Tantas coisas entristecem meu coração, tantas pessoas, tantas atitudes...
Os remédios não fazem efeito, não existem milagres para momentos como esse e esperar por uma melhora é como estar com o pescoço amarrado numa forca sem saber se a corda vai soltar ou apertar.
Vejo a vida passar e não consigo acompanhar. E ela se vai e eu fico parada no mesmo lugar, num eterno limbo, onde nada acontece, nada faz sentido, nada é sentido.
Observo as pessoas nas mídias sociais, observo alguns "amigos" nas mídias sociais e tudo o que vem a minha mente é a quantidade de egoísmo, indiferença, esquecimento conveniente, e mentira que permeiam algumas das minhas relações. Não pensei que eu fosse capaz de me enganar tanto com algumas pessoas. Mas isso é apenas um efeito colateral do que estou passando nesse momento, pois em outros tempos, tempos de alegria e euforia, nada disso importaria.
O ano está acabando e naturalmente entro naquela fase reflexiva sobre o que passou e o que está por vir. Planos desfeitos, sonhos não realizados, expectativas para o próximo ano, novos planos...
Do limbo onde estou tento manter o mínimo de sanidade e atividade por causa da minha família, por causa da minha filha, por causa dos poucos amigos que insistem docemente em me ver bem.
Momentos como esse dificultam a interação social, o cuidado comigo mesma, a vontade de viver.
Adoram me perguntar sobre minha fé, sobre Deus, sobre minhas crenças. Isso me irrita e me cansa, pois não existe racionalidade na depressão e no transtorno bipolar. Continuo acreditando em Deus e orando insistentemente para Ele me ajudar, me curar, e acredito que se não fosse por Ele eu estaria muito pior ou sequer estaria aqui para escrever esse post.
Existem momentos bons, existem momentos de paz. Poucos, embora existam.
Infelizmente não há nenhuma fórmula mágica ou super herói que possa me salvar, embora existam tantos braços que me sustentam para eu não cair ainda mais no buraco escuro, fundo e interminável onde me encontro.
Como eu queria que tudo isso não passasse de drama, de frescura, como algumas pessoas pensam.
Um novo ano está prestes a começar e tudo o que eu desejo é que exista um novo remédio, uma nova tentativa, uma nova terapia, uma nova esperança, cura.
As pessoas que eu amo não merecem me ver assim, não merecem passar pelo que estão passando.
Quanto mais eu sofro, mas elas sofrem e mais eu sofro.




Nenhum comentário:

Postar um comentário