sábado, 29 de novembro de 2008
O engraxate no terminal
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Reflexão (vapt-vupt)
Documentário sobre os guaranis e sua luta
Os Guarani no Festival de Brasília
Do Distrito Federal, veio o quarto longa-metragem em competição no Festival de Brasília: "Nãnde Guarani (Nós Guarani)", de André Luís da Cunha. O filme é um documentário que retrata, com entrevistas, o cotidiano dos Guarani, com destaque para sua luta pelo direito a suas terras. Talvez por se tratar de um longa daqui, talvez pela pertinência de seu tema, o longa foi bastante aplaudido em sua sessão oficial, neste sábado, no Cine Brasília.
"Nãnde Guarani" nasceu do objetivo de auxiliar os Guarani em processos que se desenrolam na Justiça brasileira. Com estrutura de filme antropológico e narrativa simples, em que se alternam entrevistas com imagens cotidianas das aldeias, o documentário mostra os problemas dos índios Guarani, não apenas no Brasil, mas também em países como Argentina e Paraguai. As muitas ligações culturais entre
as tribos localizadas em nações distintas, a começar pelo idioma, sugere a necessidade de uma grande reserva na América do Sul, independentemente de fronteiras estabelecidas.
- Eu cresci espiritualmente e profissionalmente com o filme. Graças aos Guarani, eu passei a pensar diferentemente sobre a vida – disse o diretor, no palco do Cine Brasília.
Há bons depoimentos no documentário, tanto de índios, quanto de estudiosos do tema. Um antropólogo levanta a questão de que o Mercosul deveria ter a capacidade de conglomerar sociedades que têm relação além das fronteiras. Outro assunto que surge são os suicídios de índios no Mato Grosso do Sul, ponto de partida usado também no argumento de outro filme, a ficção "Terra vermelha", de Marco Bechis, que estréia na sexta-feira.
Com o documentário de Cunha, fica claro que o apego à terra, para os Guarani, tem origens culturais e religiosas, sendo muito mais forte do que os "homens brancos" costumam acreditar. Mas, por seu caráter institucional em defesa dos índios, o filme parece monótono, sem grandes revelações e imagens. A intenção, neste caso, tem bem mais valor do que o resultado.
domingo, 23 de novembro de 2008
Skylar
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Alerta para pais e responsáveis por crianças
Doçinho14: Oi. Que sorte que vc está aí! Pensei que alguém me seguia na rua hoje. Foi esquisito mesmo!
Meteoro123: RISADA. Vc assiste muita TV. Por que alguém te seguiria? Vc não mora em um bairro seguro?
Docinho14: Com certeza. RISADA. Acho que imaginei isso porque não vi ninguém quando virei.
Meteoro123: A menos que vc tenha dado seu nome online. Vc não fez isso, né?
Docinho14: Claro que não. Não sou idiota, vc já sabe.
Meteoro123: Você jogou vôlei depois do colégio hoje?
Docinho14: Sim e ganhamos!
Meteoro123: Ótimo! Contra quem?
Docinho14: Contra as Vespas do Colégio Sagrada Família. RISADA. Seus uniformes são um nojo! Pareciam abelhas.. RISADA
Meteoro123: Como se chama seu time?
Docinho14: Somos os Gatos de Botas. Temos garras de tigre nos uniformes.. São muito legais.
Meteoro123: Você joga no ataque?
Docinho14: Não, jogo na defesa. Tenho que sair. Tenho que fazer minha tarefa antes que cheguem meus pais. Não quero que fiquem bravos. Tchau!
Meteoro123: Falamos mais tarde. Tchau.
Entretanto Meteoro123 foi ao menu de membros e começou a buscar sobre o perfil dela. Quando apareceu, copiou e imprimiu. Pegou uma caneta e anotou o que sabia de Docinho até agora.
Seu nome: Tatiane
Aniversário: Janeiro 3, 1993.
Idade.: 13.
Cidade onde vive.: Santo Antônio da Platina, estado do Paraná.
Passatempos: vôlei , inglês, natação e passear nas lojas.
Além desta informação sabia que vivia em Santo Antônio da Platina porque ela lhe tinha contado recentemente. Sabia que estava sozinha até as 6.30 PM todas as tardes até que os pais voltavam do trabalho. Sabia que jogava vôlei nas quintas-feiras de tarde com o time do colégio, os Gatos de botas.
Seu numero favorito, o 4, estava estampado na sua jaqueta. Sabia que estava na oitava série no colégio Sebastião Paraná. Ela tinha contado tudo em conversas online.
Agora tinha suficiente informação para como encontrá-la. Tatiane não contou a seus pais sobre o incidente ao voltar do parque. Não queria que brigassem com ela e que lhe impedissem de voltar caminhando dos jogos de vôlei.
Os pais sempre exageram e os seus eram os piores. Ela teria gostado não ser filha única.
Talvez se tivesse irmãos seus pais não tivessem sido tão superprotetores. Na quinta-feira Tatiane já tinha esquecido que alguém a seguia. Seu jogo estava em plena ação quando de repente sentiu que alguém a observava. Então lembrou. Olhou desde sua posição para ver um homem observando-a de perto.
Estava inclinado contra a cerca na arquibancada e sorriu quando a viu. Não parecia alguém de quem temer e rapidamente fugiu o medo que sentiu. Depois do jogo, ele sentou-se num dos bancos enquanto ela falava com o treinador. Ela percebeu seu sorriso mais uma vez quando passou do lado.
Ele acenou com a cabeça e ela devolveu o sorriso. Ele percebeu seu nome nas costas da camiseta. Sabia que a tinha achado.
Silenciosamente caminhou numa distância certa atrás dela. Eram só umas quadras até a casa de Tatiane. Quando viu onde morava voltou logo ao parque para procurar seu carro.
Agora tinha que esperar. Decidiu comer algo até que chegou a hora de ir à casa de Tatiane. Foi a uma lanchonete e sentou até a hora de começar seu objetivo.
Tatiane estava no seu quarto, mais tarde essa noite, quando ouviu vozes na sala. 'Tati, vem!', chamou seu pai. Parecia perturbado e ela não imaginava o porquê. Entrou na sala e viu o homem do parque no sofá. 'Senta aí', começou seu pai, 'este senhor nos acaba de contar uma história muito interessante sobre você'.
Tatiane sentou-se. Como poderia ele contar-lhes qualquer coisa? Nunca o tinha visto antes de hoje!
'Você sabe quem sou eu?' perguntou o homem.
'Não', respondeu Tatiane.
'Sou policial e seu amigo do chat, Meteoro123'.
Tatiane ficou pasmada. 'É impossível! Meteoro123 é um menino de minha idade!
Tem 14, e mora em Minas Gerais !'
O homem sorriu. 'Sei que eu disse tudo isso, mas não era verdade. Veja, Tatiane, tem gente na internet que se faz passar por garotos; eu era um deles. Mas enquanto alguns o fazem para machucar crianças e jovens e fazer dano, eu sou de um grupo de pais que o faz para proteger as crianças dos malfeitores. Vim encontrá-la para lhe ensinar que é muito perigoso falar online. Você me contou o suficiente sobre você para eu achá-la facilmente.. Você me deu o nome da sua escola, do seu time e em que posição você joga.
O numero e o seu nome na jaqueta fizeram que eu a encontrasse rapidinho. Tatiane gelou. 'Você quer dizer que não mora em Minas Gerais ?'. Ele riu. 'Não, moro em Santo Antonio da Platina. Você se sentiu segura achando que morava longe, né?'
'Eu tinha um amigo cuja filha era como você. Só que ela não teve tanta sorte. O cara a encontrou e a assassinou enquanto estava sozinha em sua casa. Se ensina as crianças e jovens a não dizer pra ninguém quando que eles estão sozinhos, porém contam isso o tempo todo pela internet. As pessoas maldosas a enganam para tirar informação de aqui e de lá online. Antes de que você saiba você já lhes contou o suficiente para ele achá-la sem você perceber. Espero que você tenha aprendido uma lição disto e que não o faça de novo. Conte a outros sobre isto para que também estejam seguros'.
'Prometo que vou contar!'.
Essa noite, Tatiane e seus pais ajoelharam-se juntos e agradeceram a Deus por protegê-la do que poderia ter sido uma situação trágica.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Anjos
Não quis dizer adeus,
mas um dia você se foi.
Nada pude fazer.
Mais que a sua vida,
tiraram a minha,
me cortaram ao meio.
De tantos cortes, sou nada.
De tanto perder,
ele, ela, você.
Sei que agora são anjos,
mas eu vivo na Terra,
e não tenho asas.
(Para papai, mamãe, Rene, vovô, vovó e todos os amados falecidos que se foram... para os amados vivos que se foram só poetizo um foda-se!)
Tempo
O tempo se encontra na minha mente,
presente e passado um só,
a visão de uma existência maior,
certeza do eternamente.
Confundo momentos que eu vivi,
de dentro pra fora observo,
seleciono, separo e reservo,
mosaico do que existi.
Até agora e ainda no futuro,
janelas separam os meses
repetidos tantas e tantas vezes
num destino obscuro.
Nesse segundo o relógio pára.
Do almoço vou para o carro,
do passado no resente me encaro,
fico comigo cara a cara.
Essa linha atemporal, um desbunde,
desenrolo encontros e desencontros,
Deuses, mortais e monstros,
na realidade que se confunde.
Beijos do êxtase
Teus lábios
beijos do êxtase
conquistaram meu íntimo
Hálito morno
envolve membranas
me umedece inteira
Células e pupilas
teu toque molhado
descobre curvas, entradas, vãos,
De todo o sexo
tanta paixão
no amor uniram-se as mãos
Dio
Tanta coisa Dio,
pura cumplicidade,
infinito o que sinto,
o amor de uma eternidade.
Sua calma,
eu tão louca,
um mistério o que nos une,
antagônicos coisa pouca.
Salva por você,
anos, noite, dia,
meu porto seguro, Dio,
dez anos, quem diria!
Tanta vida juntos,
tento, mas não desisto,
maior do que eu esse nosso amor,
sem você eu não existo.
sábado, 15 de novembro de 2008
Cada um com seus problemas
Achei esse texto ótimo e me identifiquei muito com ele... É fácil lembrar de pessoas ou situações ao ler e úm ótimo guia para uma reflexão...
Cada um com seus problemas
por Maria Silvia Orlovas - morlovas@terra.com.brNa primeira vez em que ouvi alguém falar “cada um com seus problemas”, confesso que achei o termo muito agressivo. Como sou uma pessoa muito preocupada com o bem estar dos outros e sempre disponível para ajudar, não poderia achar correto alguém se fixar em si mesmo deixando o resto do mundo de lado. E ainda carregada com minha forma altruísta de ver a vida, achei a pessoa egoísta e autocentrada. Porém, com o passar do tempo observando as atitudes das pessoas e as minhas próprias fui entendendo o lado positivo desse pensamento.
Claro que no caminho espiritual aprendemos que devemos nos abrir ao amor, estender as mãos para as pessoas, ajudar o próximo, cuidar daqueles que estão à nossa volta, mas ainda assim precisamos saber o limite de nossas ações. Porque ajudar sem ser chamado, rapidamente nos transforma de bonzinhos em intrometidos. Saímos da sintonia de pessoas bem intencionadas e assumimos um ar inconveniente.
Precisamos saber dos nossos limites e aprender a respeitar os das pessoas. Falar demais não ajuda em nada, mas manter o silêncio em momentos em que as pessoas esperam uma opinião ou atitude nossa também não é bom.
Uma atitude sábia e amorosa é dar tempo ao tempo, mas ainda assim nos mantendo presentes e solícitos. E essa atitude consciente só é possível quando temos uma boa dose de autoconhecimento. Aliás, o autoconhecimento é o mais poderoso instrumento de cura na caminhada para uma vida melhor.
Quem se conhece não fica implorando por carinho tentando agradar a todos e constantemente sofrendo com o descaso das pessoas. Porque muitas vezes pessoas carentes fazem tudo pelos outros, se humilham na tentativa de ganhar o afeto e o respeito do outro. Depois, quando a relação balança ou termina se sentem humilhados, traídos e usados. Não foram poucas as pessoas que atendi com esse tipo de reclamação. E a maioria eram pessoas boas, amorosas que estavam sofrendo, inclusive, fisicamente com dores inexplicáveis, fibromialgia, enxaquecas constantes e outros sintomas com milhares de causas possíveis, mas que no fundo nasciam junto com um estado emocional perturbado e sofrido mergulhado no rancor.
Fazer o quê senão mudar de atitudes? Parece simples, mas não é, porque são processos inconscientes. As pessoas não sabem que estão se excedendo, amando demais, compreendendo demais, ajudando a família sem respeitar seus próprios limites. Claro que algumas situações são cármicas, o que torna a relação confusa e tumultuada. Já percebi que questões cármicas muitas vezes parecem ridiculamente fáceis de resolver para alguém de fora, mas são profundamente complicadas para quem está envolvido.
Assim, fica claro que não adianta dar palpites. Lucinéia me trouxe um caso típico dessa situação simples e complexa ao mesmo tempo. Desde criança tinha um relacionamento complicado com a mãe que, muito exigente, a criticava constantemente apontando suas falhas. Já a outra irmã de temperamento muito mais belicoso que o dela combateu a mãe e sem culpas se distanciou da família. Assim, foi natural e sofrido que ela terminasse cuidando da mãe idosa, o que ela fez com muita raiva e sofrimento. Como era uma pessoa amável, ao longo do penoso percurso de cuidados com a mãe, acabou se entendendo com ela e fazendo as pazes com o destino cruel. Felizmente, a revolta se transformou em libertação, embora tenha sido um tormento para aquela mulher vencer essa provação.
Foi tudo muito difícil, pois quando ela veio me procurar depois de dez anos do ocorrido, seus olhos ainda se enchiam de lágrimas frente àquele período de sua história. Como ela vinha de uma formação espírita, queria entender o que tinha feito no passado para merecer essa dor. Expliquei que esse sentimento não estava preso ao passado, mas que continuava alimentado por ela no presente porque se nos mantemos na condição psicológica correspondente à dor, ela se manifestará muitas vezes. O que vimos em vidas passadas confirmou minhas suspeitas de que esta mulher continuava não impondo limites em seus relacionamentos, nem se permitindo existir de verdade. Todos eram mais importantes do que ela. As vidas mostraram escravidão, dor, sofrimento e renúncia.
Quando terminamos a sessão ela ainda não compreendia o que fazer, como agir em sua vida já que há muito tempo não se dava ao respeito; ela não tinha idéia de que se não se respeitasse ninguém a respeitaria. Falamos sobre mudar a atitude e assumir seus sentimentos, sua contrariedade, sua negação, enfim, era fundamental que Lucinéia saísse desse estado de ânimo e visse a vida de uma outra forma.
Encarar que cada um deve cuidar de si mesmo com sabedoria é fundamental para uma libertação porque muitas vezes a questão pode até terminar no mundo objetivo, como aconteceu com Lucinéia, quando a mãe desencarnou e ela tinha feito tudo para o bom desenlace.No entanto, a situação continuava aflitiva porque ela sofria tendo pena de si mesma e daquilo que enfrentou. A dor continuava em sua mente e, com isso, a mãe já no plano espiritual se fixava nela com sentimentos de culpa por ter feito a filha sofrer. Ambas presas a um problema que não mais existia de forma objetiva.
Trabalhei com esta moça a libertação, ensinando meditações e incentivando a leitura e abertura para uma forma descontraída de ver a vida, porque o tempo passa e quanto mais nos perdemos sofrendo, mais nos distanciamos de uma existência saudável e positiva.
Faça o que precisa ser feito e deixe de lado a autopiedade e recriminações exageradas. Se você não pode mudar o mundo, mude você mesmo...
Confira os ensinamentos e meditações curativas que Maria Silvia ensina participando de um dos seus grupos.
Venha participar do seu Grupo de Meditação Dinâmica que acontece todas as quartas-feiras no seu espaço em São Paulo. Venha ouvir pessoalmente as canalizações.
Texto revisado por: Cris
| Maria Silvia Orlovas é uma forte sensitiva que possui um dom muito especial de ver as vidas passadas das pessoas à sua volta e receber orientações dos seus mentores. Lido 688 vezes, 32 votos positivos e 0 votos negativos. E-mail: morlovas@terra.com.br Visite o Site do autor |
GRANDES pessoas
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
A pergunta que nunca some: quando?
Acabo de voltar do hospital Barra Dor (de novo) e estou apavorada. Só EU sei o que eu passei hoje quando a vovó passou mal. A verdade é que pensei que ela estava morrendo lentamente na minha frente. Falava com ela e ela não respondia. Sacudia ela e nada. Parecia que ela estava indo lentamente para o "céu". Me senti tão sozinha! Liguei desesperada para meus irmãos, gritei, chorei, pedi para eles irem me encontrar, mas mesmo assim o medo não passou. Sophia me perguntou se a avó estava morta. Como lidar com isso? Não tinha como levar ela para o hospital pois não tinha carro. Não tinha como pegar o carro na oficina pois não tinha dinheiro. Não tinha dinheiro porque não me pagam o que me devem. Corri feito uma desesperada para a portaria e pedi socorro aos porteiros para levá-la ao táxi (que não apareceu mesmo uma hora depois). Meu irmão chegou na garagem e nos encontrou sentados à espera da porra do táxi que nunca apareceu. Fizemos um milagre para colocar a vovó, que é super pesada, na Hillux do meu irmão que é super alta. E lá fomos para o Barra Dor. De novo.
Não pude ficar com ela pois ela ficou no CTI. Graças a Deus que tenho a minha irmã ao meu lado, e só Ele sabe como fiquei feliz com a atitude do meu irmão e com a minha cunhada. Foi um dos melhores (e piores) momentos em família que tivemos juntos desde muito tempo. Conversamos, rimos, ficamos em silêncio. Mas ficamos juntos. O Dio largou tudo o que estava fazendo para ficar perto de mim e da vovó.
O médico veio conversar conosco. Ouvimos a sentença: Alzheimer e algo inexplicável, por enquanto, que fazia a minha avó ter quedas de glicemia severas em poucos minutos levando a um provável choque hipoglicêmico e perigando num coma. Silêncio. Nessas horas tudo para, o tempo para, o mundo para. Estamos perdendo a vovó aos poucos para o Alzheimer. Ela está se perdendo aos poucos no Alzheimer. Não reconheceu o meu irmão. Troca tudo e faz bobagens. A grande e foda Dona Hélia agora é uma vítima do Alzheimer e se afunda no que mais poderia abalar o que ela sempre foi: altiva e orgulhosa.
Que ironia!
Agora, aqui em casa, quietinha no meu canto choro baixinho. A minha irmã dorme no sofá que foi dos nossos avós e o Dio assiste o filme da Tinker Bell com as crianças. A minha vida passa na minha frente como um filme. Essa semana fiquei sabendo que estou com problemas no coração. Estou com cisto no ovário. Estou inchando tanto que não consigo andar. MInhas veias estão estourando pelo meu corpo. Meu rosto é um véu de acne como se eu fosse uma púbere. Estou pesando 80kg e meus cabelos caem. E a minha avó está morrendo lentamente junto com seu orgulho, com sua altivez, com sua memória, com sua lucidez. Eu morro por dentro, ela morre por fora. Alma e corpo.
E na minha mente a pergunta que nunca some e que tanto me apavora: quando? quando vai acontecer o pior? Não estou preparada para a resposta e nem para o acontecimento. De tudo o que eu perdi nesses últimos anos - amigos que morreram, amigos que pararam de falar comigo, amigos que não me merecem mais, o dinheiro que emprestei para as pessoas em quem confiava e amava, a PUC, meus avós - nada pode me ferir e me tirar mais da vida do que a minha avó Hélia. A mulher que me criou. A mulher com quem eu passei a vida inteira caindo na porrada, xingando, brigando, conversando, conhecendo, amando.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Anjo caído
Ao insistir em acrescentar,
tornei-te um Deus.
Devias amar e cuidar,
tornar seguros os teus,
abrir mão de engodo.
Anjo caído e mortal,
com tua adaga me roubaste,
amor, fé, dignidade...
De tudo que me tiraste,
a dor da infelicidade,
não há igual.
Encontrarás a roda da fortuna,
teu karma já está criado,
há tempos não possuis meu louvor,
um dia, só e abandonado,
verás que fui teu grande amor,
e não obterás clemência alguma.
Senhor do meu destino,
quando há anos ele nos juntou,
foste ceifando minha vida,
tudo que o verdadeiro Deus criou,
e nesta alma que deixaste perdida,
marcou com ferro e fogo, loucura e desatino.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Dio
pura cumplicidade,
infinita a paixão que sinto,
amor de uma eternidade.
Sua calma,
eu tão louca,
o mistério que nos une,
antagônicos, coisa pouca.
Salva por você,
anos, noite e dia,
meu porto seguro, Dio,
dez anos, quem diria!
Tanta vida juntos,
tento, não desisto,
maior do que eu nosso amor,
sem você eu não existo.
(Dio, sei que sou seu inferno astral, sei que sou o buraco negro da sua vida, mas sei que sou todo amor que houver nessa vida para mim e para você... Você é o doido que permanece ao meu lado em qualquer situação: bêbada, psicótica, lindinha, puritana, puta safada, drogada (té parece), pobre e rica, doente e sadia... Você é cavaleiro do pangaré branco e o filho da puta que luta tato por mim que não me deixa morrer... saiba que eu te amo e vale viver por vc! Eu te amo seu filho-da-puta certinho correto e marido. O filho-da-puta que me levou a um casamento.... eu te amo todo dia e te odeio todo dia... mas, vindo de mim, não podia ser diferente, né?)
Brevedisfarce
paradoxos de emoções,
de minha alma apenas frações,
de meu corpo, tanto ardor.
Tantas pegadas,
marcas de quem eu sou,
sinais pelas estradas,
esmolas do amor que dou.
Nem capeta, santa (?)
cada paixão perdida uma face,
a sedução é tanta,
o envolvimento... breve disfarce
Cálices de fel
na solidão, no ato,
o tempo não é prestativo,
o silêncio, talento nato.
Nenhum vale das trevas,
manchas nos bosques de luz,
cada caminho uma sentença,
a escolha, minha cruz.
Felicidade, breve suspiro,
deixe-me respirar,
bolhas travessas, fugidias,
nenhum suspiro pode estourar.
O futuro, um melhor momento,
não há foguete, nem jato,
paciência, tênue e frágil limite
para o presente, momento ingrato.
terça-feira, 11 de novembro de 2008
Parábola da sogra (enviada por uma amiga)
Blog Samsara
Parábola da sogra
Posted: 11 Nov 2008 03:01 AM CST
Há algum tempo ouvi a história de um homem e uma mulher que moravam na China [...]. Eles haviam acabado de se casar e, quando a noiva se mudou para a casa do marido, ela imediatamente começou a brigar com a sogra por causa de pequenas questões caseiras. Aos poucos, as diferenças aumentaram, até que esposa e sogra não suportavam sequer olhar uma para a outra.
[...] Não havia nenhum motivo real para que a raiva tivesse crescido daquela forma. Mas, um dia, a esposa ficou tão furiosa com a sogra que decidiu que precisava tomar alguma providência para tirá-la do caminho. Então, foi ao médico e pediu um veneno para colocar na comida da sogra.
Ao ouvir as reclamações da jovem esposa, o médico concordou em vender o veneno. "Mas", ele advertiu, "se eu lhe desse algo forte e com efeito imediato, todos apontariam o dedo para você e diriam: 'Você envenenou sua sogra' e eles também descobririam que você comprou o veneno de mim, o que não seria bom para nenhum de nós. Então, vou lhe dar um veneno mais suave que terá um efeito bem gradual, de forma que ela não morrerá imediatamente".
Ele também a instruiu que, enquanto estivesse dando o remédio, deveria tratar a sogra muito, muito bem. "Sirva todas as refeições com um sorriso", ele aconselhou. "Diga que você espera que ela goste da comida e pergunte se ela quer que você faça mais alguma coisa. Seja muito humilde e doce para que ninguém suspeite de você."
Ela concordou e levou o veneno para casa. Na mesma noite, começou a colocar o veneno na comida da sogra e, muito educadamente, lhe ofereceu a refeição. Depois de alguns dias sendo tratada com tanto respeito, a sogra começou a mudar sua opinião sobre a esposa do filho. "Talvez ela não seja tão arrogante assim", a velha mulher pensou. "Talvez eu tenha me enganado a respeito dela". E, aos poucos, começou a tratar a nora com mais gentileza, elogiando as refeições e a forma como ela administrava o lar e até conversando e contando piadas.
À medida que a atitude e o comportamento da mulher mudavam, o da jovem também. Depois de alguns dias, ela começou a pensar: "Talvez minha sogra não seja tão ruim quanto imaginei. Na verdade, ela até parece ser uma pessoa muito boa."
Isso continuou por cerca de um mês, até que as duas mulheres passaram a ser boas amigas. E começaram a se dar tão bem que, em um determinado momento, a moça parou de envenenar a comida da sogra. E, então, começou a se preocupar porque percebeu que já havia colocado tanto veneno em cada refeição que a sogra poderia morrer.
Assim, voltou ao médico e disse: "Cometi um erro. Na verdade, minha sogra é uma pessoa muito boa. Eu não deveria tê-la envenenado. Por favor, me ajude e me dê um antídoto para o veneno".
O médico ficou em silêncio por um momento depois de ouvir a moça. "Sinto muito", ele lhe disse. "Não tenho como ajudá-la. Não existe um antídoto".
Ao ouvir aquilo, a moça ficou terrivelmente abalada e começou a chorar, jurando que se mataria.
"Por que você iria querer se matar?", o médico perguntou.
A moça respondeu: "Porque envenenei uma boa pessoa e agora ela vai morrer. Eu deveria tirar minha própria vida para me punir pelo ato terrível que cometi".
Mais uma vez, o médico ficou em silêncio por um momento e então começou a rir.
"Como você pode rir desta situação?", a moça lhe perguntou, indignada.
"Porque você não precisa se preocupar com nada", ele respondeu. "Não existe um antídoto para o veneno porque nunca lhe dei veneno algum. O que lhe dei foi uma erva inofensiva".
Gosto dessa história porque é um exemplo simples de como uma transformação natural da experiência pode ocorrer com tanta facilidade. [...] Como pessoas, elas não mudaram em nada. A única coisa que mudou foi sua perspectiva.
Yongey Mingyur Rinpoche (1975~)
Tomar ou não tomar o lítio, eis a questão
Sem tomar remédios há quase um mês por causa da falta de dinheiro eu comecei a refletir sobre qual o melhor caminho para mim. Eu SEI que o transtorno bipolar pode virar uma bomba sem controle médico, clínico e psicológico, mas também sei que sem os remédios eu volto a ser quem "eu me conheço". É difícil de explicar porque essa "Tatiana" que eu digo que conheço como sendo eu, teoricamente, é justamente a manifestação mais forte do Transtorno. Entretanto, sem os remédios eu estou uma "pimentinha" de novo. Sem risos... Eu lavo, passo, limpo, cozinho, danço, canto, trepo, pulo, dou cambalhota e ainda assobio. Quase não fico na cama e nem o laptop tenho usado tanto, pois prefiro ficar no desktop que é do lado da cozinha. Mas e o medo? Eu tenho pavor do que pode acontecer comigo sem os remédios, sem o controle, sem o lítio... Lítio é que nem ar e sangue pra quem tem Transtorno Bipolar, ou como insulina para quem é diabético. Claro que nem tudo são flores sem os remédios. Eu fico MUITO mais grossa, agressiva, sem paciência... Eu me sinto tão foda que fica difícil aceitar ajuda das outras pessoas e trato as pessoas que amo como se fossem merda. Aí eu imagino que você deve estar pensando - porra, se ela sabe tudo isso então como é que ela não controla?. É difícil explicar também. Quando eu vi a merda já saiu da minha boca. A minha disponibilidade para as pessoas fica mínima. É como um drogado que sai da "rehab" e volta às ruas. Há sempre o perigo da recaída e fica difícil evitar. No meu caso a minha recaída é ser grossa, agressiva e sem paciência. O sexo fica INFINITAMENTE melhor, mas, em compensação, ele fica menos "terno". É como se o meu marido fosse um boneco inflável e estivesse à minha disposição. Tem comida todo dia em casa, pois eu não consigo ficar sem fazer nada e adoro cozinhar, mas estraga coisa pra caramba porque somos dois adultos e uma princesa de 7 anos e o marido come pouco em casa por causa do trabalho. Crio pra cacete, escrevo sem parar, mas isso me torna tão egoísta com os outros, pois eu fico o tempo todo comigo mesma. É claro que eu ADORO ficar sem os remédios, mas - sinceramente - eu penso o tempo todo em fazer merda. Penso o tempo todo em sair com os amigos, sem o marido. Penso o tempo todo em beber sem parar, desejo todo pênis que é minimamente decente e agradável. Procuro roupas que já não fazem mais parte da realidade do meu corpinho de balzaquiana (rsrsrs...). Minhas cores passam a ser o vermelho e o preto (e eu não devo por causa da minha religião e da minha Pomba-gira). Enfim, Tatiana a mil por hora e cheia de disposição, mas egoísta, egocêntrica, megalomaníaca, cachaceira, "dada" e afastada do coração da família. Resumindo: corre atrás do Lírio senão a puta tá solta e anunciando na rua!
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Amazonas
Ser mulher hoje em dia não é fácil. Coisa pra macho. Três jornadas sem tirar: Vida pessoal, trabalho e lar. Preço de uma emancipação social em busca por respeito? Muitas teorias e poucas respostas a tantos questionamentos. Todavia No mundo hoje vivemos a busca de um mito, em que nem mesmo a própria pessoa dá se conta de tal. E o mito de ser mulher é maravilhoso: Ela deve ser linda, sexy, malhada, jovem e extrovertida. Sempre bem arrumada e vestida, estar atenta a moda e a seus padrões. Mulher hoje em dia é fashion. Deve conhecer todas as estratégias e táticas de sedução e conquista, escolher um bom parceiro é fundamental. Saber ainda o tempo de validade da relação, produtividade da mesma, rentabilidade e intensidade, tudo isto garantido por todas as revistas especializadas do gênero. Na sexualidade deve conhecer se bem, decorar inúmeros malabarismos e invenções, ou ao menos saber interpretar bem os orgasmos, complementam tais revistas, para garantir o êxito da relação a dois. Tudo isto costurado a uma longa bagagem de fofocas e futilidades básicas graças a outras revistas direcionadas a fim de complementar sua formação intelectual, bagagem lapidada em salões de beleza e centros de estética. No campo profissional a coisa muda. Tudo normal, estudar, trabalhar como qualquer um, Mostrar competência e talento não é privilégio de ninguém, a exceção da jornada tripla que é o problema. Resumindo a brincadeira são dois universos em um só entre as guerreiras amazonas e a Afrodite sensual e fútil.
Nos dias de hoje estes universos degladiam se na própria identidade feminina: a guerreira feminista que busca seus direitos masculinizando se em sua luta, exacerbando sua vida profissional e intelectual à custa de sua vida afetiva e familiar. Estas encontraram um problema histórico intenso a perda de sua própria feminilidade tornando se machos capados, ou amazonas se preferir. Invadidas e identificadas com seu "Animus" e todo seu aspecto bélico e agressivo. Tornaram se excelentes profissionais e intelectuais, mas sua vida afetiva... Nem mesmo a bomba de Hiroshima fez tanto estrago. Lar arrebentado por sua agressividade
Desmedida. Outras nesta mesma identificação com seu "Animus" verteram se ao homossexualismo declarado. Não é raro as encontrarmos na sociedade, bradando, com sua postura nada pacífica, com inúmeras dificuldades afetivas em especial de comunicação e socialização. Tudo isto à custa de sua docilidade natural.
O outro lado da mulher moderna é a antítese da Amazona. Esta faz questão de ser fútil. Adora ser amante ou amada. É a nossa musa das novelas, Big Brother, Carnaval. Nossa mulher objeto, que pela e para a mídia persiste no estereótipo da "loira burra". Pensar para que se tenha um rabo gostoso? O negócio é arrumar um macho rico que me sustente e satisfaça todas as minhas vontades. A moeda de troca é o sexo. Seu nome manteúda. Na atualidade elas infestam as universidades, e locais públicos atraz de um bom partido. Conteúdo algo deixado a décimo plano. Ela se casa sem gostar, tudo por uma questão obvia ascensão e ou manutenção do status social. O extremo deste estilo é o que observamos publicamente na vida de modelos e atrizes, em casamentos faraônicos de duração semanal. A vida efêmera do espírito sem essência. “Estas também identificam se com seu “animus” só que canalizam sua agressividade a sua afetividade genuína privando se do gostar, o jogando em um racionalismo barato e superficial:” escolhendo o melhor casamento”, deixando o amor de lado.
Algumas pessoas podem achar que exagerei no estereótipo, o que de fato faço afim de não perder a graça. Mas a tragédia da vida mantém a vista de qualquer um estes dois universos que buscam sua integração no universo feminino. Mitos que são repassados culturalmente por nossas mamães em nossa educação machista. Aliás, estudando os arquétipos da região centro-oeste, e nosso inconsciente cultural brasileiro noto que não há nada mais machista que a própria mulher que transmite e perpetua tais valores na educação de seus filhos e filhas.
Vou concluir com outro absurdo a guerra declarada no meio acadêmico entre os gêneros, em especial na psicologia que iniciou esta tolice nos anos 70. Até hoje quando comemoramos o dia da mulher, vejo Amazonas de espada de teoria lançando se a guerra insana: quem é melhor homem ou mulher? Digo que nenhum dos dois, mas o ser humano equilibrado.
Por Jorge Monteiro de Lima em 30/05/2007
Um minuto bacana
despejos de palavras,
correm soltas no espaço,
descrevem um pouco do que eu faço,
sacodem meus sentimentos,
valorizam os meus momentos,
e me abandonam por aí.
Destino maldito por mim,
então não sei pra onde vou,
esse "por aí"dos solitários,
poetas, bipolares e otários,
errantes nessa vida sacana,
pra cada merda um minuto bacana,
ainda aguardo a nave espacial.
Esse teclado que me vicia,
rouba, trapaceia com a sanidade,
escraviza alegrias e dores,
expõe desafetos e amores,
chicoteia cérebro e entranhas,
sempre repleto de artimanhas,
de mim tutor e mentor.
Essas horas em que a existência,
reduzida a parágrafos,
preenche o vazio, o branco,
seja papel, tela, pedaço de um banco,
manifestação de um desespero,
uma pedra num vespeiro.
Não se traduz em som, só em tinta.
Um ritmo, tantas trilhas,
a verdade não é melodia,
arranho frases e conexões,
dispenso sentido ou razões,
essa maneira volúvel de ser,
poetas, bipolares, eu ou você,
nos delírios em que só letras contam.
Nessas esquinas do irreal,
casulos do pão de cada dia,
a ferro e fogo a sobrevivência é marcada,
cada sopro de ar, mais uma pegada,
o rastro que deixamos para os que vem,
amores, filhos, família, não importa quem,
importa que ainda não fui...
Mais um dia
outra chance de vencer,
sei que não depende de você,
mas, de mim.
Outro dia nublado,
uma noite mal-dormida,
essa ladeira que é a vida,
sobe ou desce nesse dia?
Mais um "X"no calendário,
ganho ou perco do tempo,
no que descubro aqui dentro,
para onde será que vou?
A cama me abre as pernas,
sussurros me chegam da televisão,
no ar se sente toda a tensão,
e o que farei da minha vida.
domingo, 9 de novembro de 2008
LAR DOCE LAR - DEPOIS
Júlia
duas luas novas, teus olhos negros,
pele alva, fartos cabelos,
lábios de peixinho, e saliva e borbulha.
Criança mais que bem-vinda,
outra menina nessa fêmea família,
sobrinha, te amo como a uma filha,
Júlia, nascida tão linda.
Riso contido, serelepe, moleca,
precocemente sofrida na injusta ausência,
da mãe herdeira do caráter e decência,
e beleza, tão correta e esperta.
Juju, Jujuba,Júlia,
tal como a mãe curvas e bunda,
nas ruas da vida desbunda,
à tia coruja orgulha.
Tão linda, Júlia há muito nascida,
segue o melhor dos futuros,
ultrapassa, altiva, da vida os muros,
vive, bela sobrinha, a alegria merecida.
(Para um dos amores da minha vida, minha sobrinha linda e gostosa Júlia, que, tal como a mãe, só nos traz orgulho, alegria e felicidade. Te amo!)
sábado, 8 de novembro de 2008
O sol que começa a nascer após a tempestade
Consegui um dinheirinho para comprar o principal para fazer comida e, apesar de ter carregado todas as compras no ônibus 734-Madureira lotado e com a Sophia, agora tenho a cesta básica que toda casa tem que ter: pão, arroz, sal, açúcar, macarrão, molho de tomate, suco e frango.
Consegui um frete para levar a mesa, as cadeiras e o sofá com as poltronas da casa do meu avô par ao apartamento novo e, finalmente, tenho como receber as pessoas e, finalmente, o apartamento está com cara de lar doce lar. Organizei o máximo que pude e agora farei a faxina final. Estou imensamente feliz com isso. Apesar de ter ficado muito triste ao visitar o apt onde vivi tanta coisa com eles, apesar de ter chorado de saudade, apesar de ter chorado por tudo o que tenho passado, estou muito feliz agora e tudo está voltando a valer a pena. Mal consigo me mexer por causa da coluna que não agüenta mais carregar peso, fazer compras de ônibus, estou com uma contratura no trapézio terrível, um terçol, mas estou muito feliz.
Consegui ir ao médico que atende a mim e a vovó e peguei as receitas da vovó que haviam acabado e são controladas, e conversei com ele sobre tudo que eu tenho sentido e que tem acontecido comigo, e estou começando uma nova dieta, e farei novos exames, e vou comprar a pomada para o terço que ele indicou e estou me sentindo como se estivesse começando a me re-erguer. Mesmo sem imunidade nenhuma, mesmo com psoríase, mesmo com toda essa merda, eu SEI que eu vencerei no final.
Fiquei feliz, pois a vovó ficou tranqüila por eu ter ido ao médico, por ter as receitas que precisava tanto para seus remédios essenciais para a dor, para a incontinência, para a pressão, para o coração...
Estou finalmente conseguindo ter momentos super legais com a minha cunhada e isso está sendo muito importante para mim. Ela me ofereceu uma massagem no trapézio que melhorou muito a dor que eu estava sentindo e a contratura. Além disso, só a demonstração de carinho e o interesse na minha situação já me comoveram pra caramba e me enterneceram.
Meu irmão voltou a ficar mais próximo – eu sentia muita falta dele - e estamos tendo momentos super legais juntos e voltamos a conversar. Ele voltou a brincar comigo e a Sophia, a fazer piadinhas, a deitar e rolar como fazia antigamente. Eu sei que ele está exausto, que ele está trabalhando pra cacete, que ele está “crescendo”, mas para mim ele sempre será o Dioguinho, meu irmão caçula, o único macho da família (agora temos os maridos, o Pablo e o Rodrigo Tb...)
Sinto como se os milagres da vida estivessem voltando a acontecer para mim...
Milagres como o pôr-do-sol e o mar, milagres como momentos de amor e paz em família, milagres como voltar a andar para frente e evoluir. Não deixarei esses milagres escaparem. Sei que endureci um pouco com as coisas que aconteceram nos últimos meses, mas ainda tenho a minha essência original num cantinho remoto do meu coração.
Sinto falta da Teresa, embora não acredite que voltaremos a ser amigas um dia. Olho o Ranz de uma maneira diferente, com menos idolatria e mais pé no chão, e estou muito magoada com ele. Morro de saudade da Glória e do Xandão. E perdi a frescura de não dar nome aos bois. Fico triste por ter me afastado do Rodrigo e do Dudu. Fico triste por não curtir mais tantos momentos com pessoas que estão ocupadas demais, acomodadas demais ou afastadas demais, porém curto demais os momentos que estou tendo em família.
Espero que esse seja o primeiro post de muitos outros posts mais positivos.
quinta-feira, 6 de novembro de 2008
LAR DOCE LAR
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
CRIANDO MONSTROS - temos que aprender a dizer NÃO!
CRIANDO MONSTROS
O que pode criar um monstro? O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a própria vida e a vida de outras duas jovens por… NADA?
Será que é índole? Talvez, a mídia? A influência da televisão? A situação social da violência? Traumas? Raiva contida? Deficiência social ou mental? Permissividade da sociedade? O que faz alguém achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma família, fazer reféns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a polícia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes?
O rapaz deu a resposta: "ela não quis falar comigo". A garota disse Não, não quero mais falar com você. E o garoto, dizendo que ama, não aceitou um não.
Seu desejo era mais importante.
Não quero ser comparado como um desses psicólogos que infestam os programas vespertinos de TV, que explicam tudo de maneira simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros. Mas ontem, enquanto não conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o não da menina Eloá foi o único.
Faltaram muitos outros nãos nessa história toda.
Faltou um pai e uma mãe dizerem que a filha de 12 anos NÃO podia namorar um rapaz de 19.
Faltou uma outra mãe dizer que NÃO iria sucumbir ao medo e ir lá tirar o filho do tal apartamento a puxões de orelha.
Faltou o governo dizer NÃO ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram.
Simples assim.
NÃO.
Pelo jeito, a única que disse não nessa história foi punida com uma bala na cabeça.
O mundo está carente de nãos. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer não às crianças. Mulheres ainda têm medo de dizer não aos maridos (e alguns maridos, temem dizer não às esposas). Pessoas têm medo de dizer não aos amigos. Noras que não conseguem dizer não às sogras, chefes que não dizem não aos subordinados, gente que não consegue dizer não aos próprios desejos. E assim são criados alguns monstros.
Talvez alguns não cheguem a sequestrar pessoas. Mas têm pequenos surtos quando escutam um não, seja do guarda de trânsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar é normal. E é legal.
Os pais dizem: "não posso traumatizar meu filho". E não é raro eu ver alguns tomando tapas de bebês com 1 ou 2 anos.
Outros gastam o que não têm em brinquedos todos os dias e festas de aniversário faraônicas para suas crias.
Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, é difícil ouvir alguém dizer não, você não pode bater no seu amiguinho.
Não, você não vai assistir a uma novela feita para adultos.
Não, você não vai fumar maconha enquanto for contra a lei.
Não, você não vai passar a madrugada na rua.
Não, você não vai dirigir sem carteira de habilitação.
Não, você não vai beber uma cervejinha enquanto não fizer 18 anos.
Não, essas pessoas não são companhias pra você.
Não, hoje você não vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate.
Não, aqui não é lugar para você ficar.
Não, você não vai faltar na escola sem estar doente.
Não, essa conversa não é pra você se meter.
Não, com isto você não vai brincar.
Não, hoje você está de castigo e não vai brincar no parque.
Crianças e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes NÃOS, crescem sem saber que o mundo não é só deles.
E aí, no primeiro não que a vida dá ( e a vida dá muitos ) surtam.
Usam drogas.
Compram armas.
Batem em professores.
Furam o pneu do carro do chefe.
Chutam mendigos e prostitutas na rua.
E daí por diante...
Não estou defendendo a volta da educação rígida e sem diálogo, pelo contrário. Acredito piamente que crianças e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma sanção do pai ou da mãe, um tapa, um castigo, um não.
Intuem que o amor dos adultos pelas crianças não é só prazer - é também responsabilidade.
E quem ouve uns nãos de vez em quando também aprende a dizê-los quando é preciso. Acaba aprendendo que é importante dizer não a algumas pessoas que tentam abusar de nós de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem.
O não protege, ensina e prepara.
Por mais que seja difícil, eu tento dizer não aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que é hora - e tento respeitar também os nãos que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que é aí que está a verdadeira prova de amor. E é também aí que está a solução para a violência cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.
fonte: blog.mafaldacrescida.com.br
Desabafo... íntimo e particular... minha vida - Big Brother Tatiana
Eu não aguento mais! Não aguento mais passar necessidade sabendo que tem tanta gente me devendo dinheiro. Não aguento mais estar sofrendo as consequencias por ter ajudado as pessoas em quem eu confiava tanto, não aguento mais receber ligações e correspondências de cobrança, não aguento mais ficar sem o carro que é tão importante para o meu marido trabalhar... Eu sempre fico calada, eu sempre guardo tudo o que me incomoda para não incomodar os outros, mas eu estou de saco cheio. Cansada de chorar quando eu deveria estar rindo de felicidade. Cansada de saber que existe mais de 40 mil reais nas mãos das pessoas que eu ajudei e eu não tenho 50 reais para comprar comida. Cansada de dizer não para a minha filha quando eu queria dizer sim porque ela merece. Cansada de usar a mesma roupa por uma semana porque nenhuma outra cabe em mim porque eu engordei 20kg e não tenho dinheiro para comprar outra. Cansada de ir na casa da minha avó e pegar legumes, verduras, carnes e outras coisas escondido por ter vergonha de pedir dinheiro para fazer compras. Exausta de chorar, muito muito muito exausta. Exausta de sentir tanta vergonha que eu não precisava estar sentindo. Exausta de precisar de dinheiro e ter vergonha para pedir. Ver meu marido trabalhar de domingo a domingo para cobrir as dívidas mais urgentes e não sobrar nenhum centavo para o fim do mês ou para um pouco de lazer em família. Eu não me importo de andar de ônibus, sempre andei. Eu me importo de ver um homem que trabalha tanto e ganha seu próprio dinheiro ter que andar de ônibus tendo carro e ter que ir dar aula na Ilha do Governador às 5:30 da manhã para chegar na hora quando ele poderia gastar 30 minutos e sair de casa às 6:20 pela linha amarela. EU SIMPLESMENTE NÃO AGUENTO MAIS. Ficar calada está criando um futuro câncer dentro de mim, está me deixando doente, está fazendo cair meus cabelos, está fazendo eu não respirar. Eu não me arrependo de ter emprestado o dinheiro e de ter ajudado as pessoas que eu amava, mas eu me arrependo de ter acreditado que teria o dinheiro em minhas mãos na hora que eu precisasse. Me arrependo de ter achado que elas iriam vender carro, ou qualquer outro bem que possuissem para não me ver na merda. Eu odeio ouvir minha família, meu marido me dando sermão e tendo razão. Para ajudar as pessoas que eu amo eu fiquei devendo condomínio, cartões, pessoas, tudo. E na hora que eu precisei de ajuda ninguém esteve lá para me ajudar. Isso magoa muito. Eu não sou mendiga. Eu não preciso ficar pedindo dinheiro desesperadamente. Eu não deveria passar por isso. E é por esse motivo que eu estou de saco cheio, que eu não aguento mais, que eu estou desabafando, que eu não quero mais ficar calada. O meu marido se mata para me dar o mínimo de conforto e de supérfluos que ele sabe que me fazem bem. Ele se mata para cuidar de mim e de nossa filha e garantir que eu esteja sempre tranquila e feliz. Ele me pede tão pouco. Ele me incentiva tanto. Eu não sou o tipo de mulher que fica em casa, eu gosto de trabalhar e de estudar. Imagina o que é passar por tudo isso que eu estou passando e ainda ter que ficar 24hs em casa, praticamente sem fazer nada e com todo o tempo do mundo para pensar e remoer tudo isso sem parar. Eu estou enlouquecendo. Ando pelo meu apt sem mesa, sem cadeiras, sem sofá, sem tanta coisa que eu precisava e merecia e queria ter. Vou visitar a minha avó com a Sophia pegando a porra do 748 que dá uma volta gigantesca. Arrebento a minha coluna com a Sophia no colo, fazendo faxina, arrumando a casa. Eu AMO fazer faxina e arrumar a minha casa e amo fazer comida, mas no momento eu não tenho força pra fazer porra nenhuma. O filho da puta do empreiteiro largou as obras do apt no meio e deixou um monte de coisa por fazer. Tudo bem, eu faço, mas COM QUE DINHEIRO já que eu preciso comprar tinta, pincel, prego, etc etc etc. A Sophia come a comida que eu improvisei toda feliz. Ela sofre me vendo chorar, vendo toda a dificuldade que estamos passando e vendo a bisavó indo aos poucos, porque ela não é burra e percebe tudo. Ela percebe a falta de dinheiro, ela percebe as doenças, ela percebe tudo. E, como a mãe, somatiza tudo e também fica doente. Hoje eu não consegui levar ela na escola, pois eu não consegui levantar da cama por causa da coluna, mas tive que levantar para fazer comida, pois sem comer ela não podia ficar. Agora choro. Choro muito. Acabei de receber mais uma ligação do banco e de cheques que estão voltando. Acabei de ligar para cobrar mais um dinheiro que eu emprestei e que preciso, e mais uma vez me senti uma mendiga quando não precisava e não deveria me sentir. Provavelmente ficarei na mão. E com a quantia negativa na conta, o cancelamento de cheques e cartões, e sem expectativa de receber algum dinheiro, eu não sei o que farei para a minha filha comer amanhã. Tomara que eu consiga R$ 4,20 para levar ela para almoçar na casa da minha avó. Como sempre chegando de mansinho, de surpresa, para minha avó não perceber o que está acontecendo conosco, afinal, que avó aguenta ver uma neta passar por isso, que bisavó aguenta ver uma bisneta passar por isso. Uma pequena observação: isso não é ficção, não está sendo exagerado e está sendo contado em tempo real. Isso é real. Isso é "big brother" Tatiana. Isso está sendo a minha vida. Tenho que sair do computador. Tenho que inventar alguma coisa para distrair a minha filha e fazer ela feliz. Mesmo sem dinheiro e na merda essa ainda é uma responsabilidade que eu não deixo na mão de ninguém.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
Amor do passado
num sonho qualquer,
no meu amor de mulher,
num bilhete amassado.
Amor do passado,
de hoje, de sempre,
eternamente ausente,
sempre, nunca vivido.
Ouvi sua voz, seu violão,
ouvi seu chamado,
longe, virtual, blogado,
na música feita para mim (?).
Ah, como eu lembro que te amo,
no que foi prometido,
no que poderia ter sido,
no que ainda não foi.
O sono de Sophia
desenrolada na coberta,
moleca doce e sapeca,
minha linda morena.
Velo seu sono agitado,
acalmo seu corpo inquieto,
em meu colo o descanso é certo,
em meu coração o seu é amado.
Observo seu descanso,
cada segundo um benção,
toda a minha atenção,
até onde não te alcanço.
Meu dengo, filha querida,
tendo ao meu lado você,
majestosa, meu bem-querer,
tem razão a minha vida.
Salve Jorge!
Minhas mãos, extensões genéticas das suas mãos.
Na história, na família.
Somos uma ilha.
Tatiana, filha de Jorge. Salve Jorge!
Neta de Demétrius e Ricardina, poetisa, mulher, menina.
Bisneta de Alzemira e Zequito e de Maria que veio da fazenda.
Cada pedaço, cada ponto dessa renda.
Agora o ponto Sophia, neta de Telma, esposa de Jorge,
filha de Hélia e Paulo, neta de Alice e Manoel, bisneta de alguém.
Filha de Tatiana, casada com ninguém.
Onde te encontro novamente,
avô, amado, ausente. Salve Jorge!
Jorge poeta, goleiro, iogue, atleta.
Jorge maçom, rosacruz, católico em macumbeiro, economista da Eletrobrás, arteiro.
Minhas mãos continuam as suas mãos ausentes.
E nessa prosa, poema da vida, como nas suas poesias,
louvo meus parentes.
Salve Jorge! E Telma, e Hélia, e Paulo, e Alice, e Manoel, e Ricardina, e Demétrius, e Maria, e Alzemira, e Zequito, e Lourival...
A constrangedora trepada dos cães
Ela, 7 anos, SUPER esperta, começa a observar a paisagem e se recorda da época em que moramos no itanhangá, da época em que moramos perto do Rio das Pedras, e muitas outras coisas.
Chegamos no lugar mais movimentado do local, em frente ao restaurante Estação Azul que passou a ser referência por causa das vans e ônibus que param ali.
Entramos na "rua do canal".
Ela olha para os prédios, para o condomínio onde moramos, para o prédio onde moramos e pergunta onde era nosso apartamento, nossa varanda...
Observa os caminhos abertos para ligarem o condomínio com a zona comercial...
Observa o lixo, o mato, observa...
De repente eu observo.
Observo um bando de urubus comento ossos imensos largados no chão junto com o lixo...
Observo dois cães trepando. Putz!
Eu, mãe, liberal, doidinha, cheia de regras, princípios, valores...
Eu fiquei enlouquecida e sem saber o que fazer.
Não faço comentários.
Não vou ficar explicando que os cães estão trepando e nem que os urubus estão comendo os restos de algum ser vivo, agora morto.
Eu tapo os olhos da minha SUPER esperta Sophia antes que ela veja (se já não viu), antes que ela pergunte (o que vou dizer... rsrsrsrs), antes que a cadela finja gozar e o cão goze e caia exausto no chão.
O minuto seguinte
Você que se foi,
mágica do momento,
estando ali desapareceu.
Coração partido,
não respiro, nem amo,
apenas sigo.
Sem seguir sigo.
Doença de falta,
de ausência, saudade,
toda a felicidade.
Com você.
Você
que num minuto
esteve aqui,
até desaparecer, ir,
na mágica do minuto seguinte.
Deixa meu coração
partido, errante,
na fobia do minuto,
derradeiro minuto seguinte.
Eu e a chuva
Nos amamos eu e a chuva.
Me arrepio ao seu toque e ouço de olhos fechados o seu sussurro.
Os pingos que acariciam minha pele, minha nuca, que arrepiam meus pêlos e deslizam por cada pedaço de mim. Beijo a chuva. Estico minhas mãos e busco seus beijos molhados e o abraço da brisa fresca que a acompanha.
Me entorpece o cheiro de jasmim que há no ar.
Esqueço do mundo, esqueço da tristeza, esqueço dos problemas. E lembro de mim...
Na chuva. Corpo, moléculas, mulher.
Um desejo latente desperto pela chuva.
O tempo pára.
Naquele caso fugás com a chuva tudo desaparece. Só existem pingos, toques, chuva, corpo, eu e muito amor.
Quando nos amamos.
Eu e a chuva.
domingo, 2 de novembro de 2008
Quem eu sou
Sou o riso pronto para explodir e dominar o ar, esperando para sair e vendo o tempo passar sem me permitir.
Sou a mão estendida no vazio.
Sou a barriga que mal espera a hora de ter o segundo filho.
Sou o grito que não saiu da boca e devia ter saído.
Sou os pés cansados de esperar para andar caminhos desconhecidos e aventuras desventuradas.
Sou a que foi sua amiga um dia.
Sou a sua amiga.
Sou a que deseja ser sua amiga.
Sou a debutante que acreditava ser uma borboleta saindo do casulo.
Sou a balzaquiana que vislumbra no horizonte a meia-idade.
Sou mulher.
Sou metade.