Esses dias em que as mãos,
despejos de palavras,
correm soltas no espaço,
descrevem um pouco do que eu faço,
sacodem meus sentimentos,
valorizam os meus momentos,
e me abandonam por aí.
Destino maldito por mim,
então não sei pra onde vou,
esse "por aí"dos solitários,
poetas, bipolares e otários,
errantes nessa vida sacana,
pra cada merda um minuto bacana,
ainda aguardo a nave espacial.
Esse teclado que me vicia,
rouba, trapaceia com a sanidade,
escraviza alegrias e dores,
expõe desafetos e amores,
chicoteia cérebro e entranhas,
sempre repleto de artimanhas,
de mim tutor e mentor.
Essas horas em que a existência,
reduzida a parágrafos,
preenche o vazio, o branco,
seja papel, tela, pedaço de um banco,
manifestação de um desespero,
uma pedra num vespeiro.
Não se traduz em som, só em tinta.
Um ritmo, tantas trilhas,
a verdade não é melodia,
arranho frases e conexões,
dispenso sentido ou razões,
essa maneira volúvel de ser,
poetas, bipolares, eu ou você,
nos delírios em que só letras contam.
Nessas esquinas do irreal,
casulos do pão de cada dia,
a ferro e fogo a sobrevivência é marcada,
cada sopro de ar, mais uma pegada,
o rastro que deixamos para os que vem,
amores, filhos, família, não importa quem,
importa que ainda não fui...
Nenhum comentário:
Postar um comentário