terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tomar ou não tomar o lítio, eis a questão

Sem tomar remédios há quase um mês por causa da falta de dinheiro eu comecei a refletir sobre qual o melhor caminho para mim. Eu SEI que o transtorno bipolar pode virar uma bomba sem controle médico, clínico e psicológico, mas também sei que sem os remédios eu volto a ser quem "eu me conheço". É difícil de explicar porque essa "Tatiana" que eu digo que conheço como sendo eu, teoricamente, é justamente a manifestação mais forte do Transtorno. Entretanto, sem os remédios eu estou uma "pimentinha" de novo. Sem risos... Eu lavo, passo, limpo, cozinho, danço, canto, trepo, pulo, dou cambalhota e ainda assobio. Quase não fico na cama e nem o laptop tenho usado tanto, pois prefiro ficar no desktop que é do lado da cozinha. Mas e o medo? Eu tenho pavor do que pode acontecer comigo sem os remédios, sem o controle, sem o lítio... Lítio é que nem ar e sangue pra quem tem Transtorno Bipolar, ou como insulina para quem é diabético. Claro que nem tudo são flores sem os remédios. Eu fico MUITO mais grossa, agressiva, sem paciência... Eu me sinto tão foda que fica difícil aceitar ajuda das outras pessoas e trato as pessoas que amo como se fossem merda. Aí eu imagino que você deve estar pensando - porra, se ela sabe tudo isso então como é que ela não controla?. É difícil explicar também. Quando eu vi a merda já saiu da minha boca. A minha disponibilidade para as pessoas fica mínima. É como um drogado que sai da "rehab" e volta às ruas. Há sempre o perigo da recaída e fica difícil evitar. No meu caso a minha recaída é ser grossa, agressiva e sem paciência. O sexo fica INFINITAMENTE melhor, mas, em compensação, ele fica menos "terno". É como se o meu marido fosse um boneco inflável e estivesse à minha disposição. Tem comida todo dia em casa, pois eu não consigo ficar sem fazer nada e adoro cozinhar, mas estraga coisa pra caramba porque somos dois adultos e uma princesa de 7 anos e o marido come pouco em casa por causa do trabalho. Crio pra cacete, escrevo sem parar, mas isso me torna tão egoísta com os outros, pois eu fico o tempo todo comigo mesma. É claro que eu ADORO ficar sem os remédios, mas - sinceramente - eu penso o tempo todo em fazer merda. Penso o tempo todo em sair com os amigos, sem o marido. Penso o tempo todo em beber sem parar, desejo todo pênis que é minimamente decente e agradável. Procuro roupas que já não fazem mais parte da realidade do meu corpinho de balzaquiana (rsrsrs...). Minhas cores passam a ser o vermelho e o preto (e eu não devo por causa da minha religião e da minha Pomba-gira). Enfim, Tatiana a mil por hora e cheia de disposição, mas egoísta, egocêntrica, megalomaníaca, cachaceira, "dada" e afastada do coração da família. Resumindo: corre atrás do Lírio senão a puta tá solta e anunciando na rua!

Nenhum comentário:

Postar um comentário