sábado, 24 de setembro de 2011

Algoritmo estranho

Agora mesmo...  Eu já não sei quem sou.  Não sou a mesma de alguns minutos atrás e nem a mesma de ontem ou de antes de ontem.  Isso parece ruim para você? Anormal? Essa sou eu.  O esquecimento de mim mesma faz parte da minha vida, o esquecimento do mundo e das coisas comuns. A lembrança é muito maior do que a simplicidade do cotidiano e vem de um lugar dentro da minha mente aonde nem eu mesma tenho acesso.  É difícil, tenho que admitir, é muito difícil.  Olhar nos olhos das pessoas como se estivesse entendendo, como se fizesse sentido.  As pessoas não fazem sentido para mim.  Só preciso que façam sentido as pessoas do meu coração e o meu coração é elitista, etnocêntrico, rude, desconfiado e coisa pior, pode crer.  Mas finjo tão bem que até mesmo as pessoas sem sentido acreditam e pensam que eu me importo.  Não tenho tempo para elas, pois perco tempo demais tentando fazer sentido eu mesma e me importando com os escolhidos do meu coração.  Mas essas pessoas sem sentido falam. Nossa, como elas falam! E eu meneio a cabeça em concordância, empresto algumas risadas para a minha boca, balanço a cabeça e faço alguns trejeitos simpáticos.  E finjo que não estou ali ouvindo, pois quando ouço meu rosto muda, meus olhos ficam nublados e sou tão antipática e tão rude que acabo dizimando o perímetro.  Sabe aqueles jogos de encaixar da infância? Formas que têm que encaixar em buracos, tijolinhos que devem encaixar com tijolinhos, lego que tem que encaixar com lego.  Talvez Deus não tenha tido infância e eu seja o bloco que não encaixa em nada, em lugar nenhum.  Não que eu me importe.  Mas as pessoas se importam.  O bom de não saber quem eu sou é poder  estar sempre tentando descobrir, eternamente atrás do sentido que não faz sentido no agora.  Sem contar que é divertido ser o bloco que não encaixa buscando o buraco que falta e encostando em todos os outros blocos em busca do 2 + 2 que é igual a 4.  Que algoritmo estranho sou eu? 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Primeira vez, primeiras vezes... do gozo

Ele perguntou sobre a primeira vez em que ela gozou.  Lembrança perdida no baú da memória, confundida com tantas vezes em que usou e abusou de seu corpo e do corpo de tantas pessoas envolvidas com a sua luxúria e desejo.  Gozo sozinha ou gozo com outras pessoas? 
Ela lembrou das tantas vezes em que sentiu prazer e em que esperou pelo prazer sem saber como ele seria. Mistério aguardado com tanto anseio e desespero, desfrutado com tantos tabus e tantas amarras, soltas somente com o amadurecimento da própria existência.  O gozo que constrange quem lê, quem imagina, quem ouve, quem participa indiretamente através das lembranças. O gozo do proibido, o gozo da traição, o gozo da primeira vez, o gozo do desconhecido, o gozo do segredo... Da primeira vez antes da primeira vez, da primeira vez dos dedos, dos lábios, da língua, dos brinquedos...
Ela se deu conta das tantas primeiras vezes que teve, dos tantos primeiros gozos, das tantas descobertas que fez sozinha, com outro, com outra, com outros e outras.
Ele se deleitava com suas lembranças e imaginava o que ela ainda não tinha feito, o gozo que ela ainda não tinha tido. Imaginava como poderia mostrar algo que ainda não havia sido mostrado, nem tentado, nem testado. Imaginou orgias, swing, menages, consolos, vibradores, kama sutra, tantra... Só queria provar, só queria mostrar que ainda existiam primeiras vezes a serem descobertas, só queria ser o primeiro de algo que ainda não tivesse sido vivido. 
Ela desejou outra primeira vez, desejou que houvesse algo novo, desconhecido. Fechou os olhos e procurou algo que ainda não tivesse tentado, testado, feito, experimentado. Difícil!
Ela desejou 9 e meia semanas de amor, um último tango em Paris, e tantos outros cenários pintados por outros que desejaram.
Ele tentou imaginar, tentou se lembrar.
Ela se lembrou das primeiras vezes.  Se lembrou do hall do apartamento, se lembrou do tapete fofo da sala, das flexões de braço na varanda, da "aflição" sem nome e sem explicação, da noite na praia, das muitas mãos e bocas e corpos de tantos quartos escuros.
Ambos souberam. Ambos perceberam que ainda há tantas primeiras vezes para serem vividas.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

O poder da criação em nós

De todos os insights que eu venho tendo desde que fiz o DL e o practitioner o maior insight de todos é perceber que a dor mais profunda pode conviver com a mais colorida felicidade. A dor não vai embora, ela nunca vai embora. Não há como fazer desaparecer a saudade mais intensa, mas por mais insuportável que ela seja é possível conviver com ela e transformá-la em algo diferente e mais suave. A dor é tão importante quanto a felicidade e me lembra tudo o que eu vivi e tudo e todos que eu perdi, mas hoje é possível lembrar de tudo com alegria e sentir apenas aquela doce nostalgia, não da perda mas dos momentos maravilhosos que existiram. 

Tudo depende de nós. A vida é como nós desejamos que ela seja e o maior poder de todos, o poder que esperamos e dizemos vir de Deus, vem de nós mesmos, nós somos os Deuses da nossa existência. A criação começa dentro de nós como um simples desejo e uma simples idéia e quando decidimos fazer essa centelha se tornar realidade com tanta certeza que seria impossível não se tornar... fazemos a mágica e tudo acontece.

Não me engano mais, afinal percebi que a tristeza, a auto-piedade, e os sentimentos mais ruins que existem também são desejados por nós. Viver no pior dos mundos às vezes também faz parte dos nossos desejos e até mesmo das nossas necessidades. Resta a nós decidir desejar o melhor.

Continuo chorando, continuo sentindo tanta saudade que às vezes desejo estar morta, mas nesses momentos eu lembro todos esses ensinamentos preciosos que eu aprendi e me torno a Deusa que eu sou transformando e transmutando tudo para o melhor que eu mereço e desejo para mim. O Olimpo não existe tão longe de nós, o paraíso também não. O lar dos Deuses é aqui é está aberto para nós, para qualquer um que consiga enxergar e deseje ser o dono do seu destino.

 

Para abandonar as roupas usadas

Existe um texto que diz que há um momento em que é preciso abandonar as roupas usadas.  Descobri que esse é um dos meus maiores medos, abandonar as roupas usadas, deixar o confortável para trás e me arriscar com o novo.  Mas ao ler o livro ”Quem mexeu no meu queijo?” duas vezes seguidas eu percebi que agia como as pessoas que não saem do lugar e não tem coragem de ir além, mesmo que isso signifique lidar com o desconhecido e talvez até encontrar obstáculos desagradáveis e difíceis de enfrentar.

Para abandonar as minhas roupas usadas eu tenho que abrir mão da Tatiana que os outros conhecem,  abrir mão do conforto de ser amada e querida, de ser a alegria da festa, de agradar a todos. Descobri, porém, que essa não é a Tatiana que eu sou e que eu gostaria de ser para mim mesma. Quem é mais importante, os outros ou eu mesma?

Como entrar no labirinto para achar o meu queijo? O que eu pretendo achar? O que estou disposta a fazer para chegar ao meu queijo? Eu tenho todas as ferramentas de que preciso, mas o medo de falhar me paralisa. Como sair do lugar?

As minhas roupas usadas estão repletas de palavrões, bebidas alcoólicas, festas desnecessárias. São roupas cheias de vícios e prazeres mundanos, são as roupas de uma adolescente, as roupas de alguém tão cheia de lacunas e vazios dentro de si que esqueceu o principal sentido de toda a existência. São roupas que fazem os outros me reconhecerem e gostarem de mim, mas que causam desconforto muitas vezes e escondem a minha verdadeira beleza e o a minha essência.

Certas roupas usadas não têm conserto, não podem ser lavadas, remendadas ou consertadas.  Quanto mais se insiste em usar, mas sem sentido elas são. Escondem cicatrizes que não deveriam ficar escondidas.

Para me livrar das roupas usadas eu preciso ficar nua, completamente nua.  A nudez nunca é confortável quando nos expõe.  Para ficar nua sem as minhas roupas usadas eu sou obrigada a mostrar o que existe debaixo delas, mostrar minha pele, minhas rugas, minhas fraquezas, meus medos, meus anseios, meus desejos, meus defeitos, minhas qualidades, meus segredos mais profundos. Nua eu sou igual a qualquer um. Nua eu sou uma página em branco esperando ser preenchida. Para me livrar das roupas usadas eu preciso ter a coragem para ficar nua e agüentar o tempo que for necessário até achar novas roupas, que tenham um novo significado, que digam quem eu sou de uma nova maneira, de preferência da maneira certa. Assim como sapatos novos, as roupas novas são desconfortáveis no início, incomodam, machucam, pinicam, e nosso corpo nu demora a se adaptar.

Como são as novas roupas que eu desejo?

 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

ESTRELAS E COMETAS

ESTRELAS E COMETAS

Há pessoas estrelas...Há pessoas cometas.
Os cometas passam. 
Apenas são lembrados pelas datas que passam e retornam.
As estrelas permanecem.
Os cometas desaparecem.

Há muita gente cometa.
Passam pela vida da gente apenas por instantes. 
Gente que não prende ninguém e a ninguém se prende.
Gente sem amigos.
Gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer,
sem marcar presença.
Há muita gente cometa.
Assim são muitos e muitos artistas.
Brilham apenas por instantes nos palcos da vida.
E com a mesma rapidez com que aparecem, também desaparecem.
Assim são muitos reis e rainhas de todos os tipos.
Reis de nações, rainhas de clubes ou concurso de beleza.
Assim rapazes e moças que se enamoram e
se deixam com a maior facilidade.
Assim são pessoas que
vivem numa mesma família e que passam
pelo outro sem serem presença.

Importante é ser estrela. Estar presente.
Marcar presença. Estar junto.
Ser luz. Ser calor. Ser vida.

Amigo é estrela.
Podem passar os anos, podem surgir distâncias,
mas a marca fica no coração.
Coração que não quer enamorar-se de cometas
que apenas atraem olhares passageiros.

E muitos são cometas por um momento.
Passam, a gente bate palma e desaparecem.

Ser cometa é não ser amigo.
É ser companheiro por instantes.
É explorar sentimentos.
É ser aproveitador das pessoas e das situações.
É fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo.
A solidão de muitas pessoas é conseqüência de
que não podem contar com ninguém.
A solidão é resultado de uma vida cometa.
Ninguém fica. Todos passam.
E a gente também passa pelos outros.

Há necessidade de criar um mundo de estrelas.
Todos os dias poder vê-las e senti-las.
Todos os dias poder contar com elas.
Todos os dias ver sua luz e calor.

Assim são os amigos.
Estrelas na vida da gente.
Pode-se contar com eles.
Eles são uma presença.
São aragem nos momentos de tensão.
São luz nos momentos escuros.
São pão nos momentos de fraqueza.
São segurança nos momentos de desânimo.

Olhando os cometas é bom não sentir-se como eles.
Nem desejar prender-se em sua cauda.

Olhando os cometas é bom sentir-se estrela.
Marcar presença.
Ter vivido e construído uma história pessoal.
Ter sido luz para muitos amigos.
Ter sido calor para muitos amigos.
Ter sido calor para muitos corações.

Ser estrela neste mundo passageiro,
neste mundo cheio de pessoas cometas,
é um desafio, mas acima de tudo,
uma recompensa.
É nascer e ter vivido e não apenas existido.


Limpem os vidros das janelas: Netuno entra em Peixes!

Limpem os vidros das janelas: Netuno entra em Peixes!

:: Graziella Marraccini :: 

Eu não sei se vocês notaram, mas temos cada vez mais necessidade de sonhar! Sonhar com um mundo melhor, mais solidário e coeso, onde não exista fome, miséria e, sobretudo, violência. Mas será que esta não é uma utopia? Sim, creio certamente que este desejo seja utópico, já que no fundo os seres humanos não são isentos de sentimentos negativos, capazes de produzir a realidade caótica e cruel na qual vivemos. Acreditando que nossos pensamentos criam nossa realidade, concluo que será difícil controlar a mente de todo mundo com o intuito de eliminar completamente os pensamentos e sentimentos negativos. A contraposição do bem e do mal existe desde que foi criado o mundo! Faz parte da própria materialidade, da dualidade da criação. E as comunidades mais espiritualizadas e esotéricas, em seu desejo de criar um mundo melhor, oram e elevam cantos e cerimônias aos céus para fazer contraposição ao mal. Com essa mesma finalidade, as pessoas mais evoluídas e em campos elevados de consciência, sintonizadas nesta energia elevada, procuram em locais específicos, virtuais ou não, uma forma de compartilhar experiências, enriquecer seu conhecimento, crescer e progredir espiritualmente. Cada vez mais, percebemos que muitas pessoas valorizam mais o SER e não o ter. Parece um lugar comum, uma frase feita, mas não é. Valorizar o ser, procurar uma melhor qualidade de vida, está na cabeça de muitos jovens e eu sinto esta busca em meu consultório todos os dias. Os jovens procuram na astrologia cabalística sobretudo a compreensão de sua missão de vida, já que a sociedade atual não lhes oferece a plenitude interior. 

Sinceramente, eu acredito que a humanidade começará a encontrar rapidamente outros valores mais espirituais, pois este será o único meio de 'salvar a humanidade'! Este é o momento, é o 'turning point'! Este é o recado verdadeiro contido no 'mistério de 2012'. O que acontecerá em 2012? O ingresso de Urano em Áries que acelera e promove urgência, o ingresso de Netuno em Peixes (definitivamente em fevereiro de 2012), que estimula a espiritualidade, são indícios de uma Nova Era! 

Então, porque não entramos em sintonia com o planeta Netuno? Num artigo publicado em meu site em agosto de 2007 escrevi: "Netuno é chamado de 'solvente universal' em astrologia, pois fornece uma energia que apaga as fronteiras e os limites entre nós e os outros e que nos faz compreender que SOMOS TODOS UM! Netuno provoca em nós uma necessidade de integração e realização num impulso coletivo, não individual. Sob sua ação não pensamos em nós mesmos, mas pensamos em nós 'todos'! Netuno enfatiza o desejo de transcender nossa separatividade e por essa razão estimula a experiência mística e religiosa. Sob a ação de Netuno a percepção e a intuição se afinam com o Universo e percebemos então que não podemos nos destacar do sentimento de união com Deus. Por isso nos tornamos 'bons'." 
'Bons'... será verdade? 

Sim, é possível. E com essa realidade em mente podemos começar a alinhar nossos pensamentos para que as vibrações emanadas por nossa mente comecem a produzir a mudança de que necessitamos, seja no nosso microcosmo, seja, em conseqüência, no macrocosmo. Netuno ingressa lentamente no signo de Peixes, signo onde ele reina, e se encontra somente no primeiro grau, ainda com uma parte da energia em Aquário onde ele esteve nos últimos 12 anos. Tenho certeza que todos percebemos o quanto o mundo se tornou mais solidário nestes últimos anos! Mas isso não basta, pois com Netuno entrando em Peixes nossa realidade mudará de foco, porque ele virá trazer outra mensagem mais sutil, mais espiritual, similar àquela que o Cristo trouxe quando aqui se materializou: a mensagem do 'amor ao próximo'! Nunca, como atualmente, nesta era da internet, quando tudo é simultâneo e imediato, sentimos como nosso o sofrimento alheio e com ele interagimos, nos emocionamos, nos compadecemos. Não podemos mais ficar indiferentes diante da miséria, da violência e diante da contaminação de rios e mares, de céu e terra! 

Precisamos nos comprometer de maneira a modificar os nossos pensamentos egoístas, principalmente voltados para o nosso próprio bem-estar, aceitando que somente com o bem-estar de todos é que podemos nos sentir completos e integrados. Sim, repito, SOMOS TODOS UM! Ao fecharmos-nos dentro de nossas casas, e mantermos nossas portas e janelas trancadas, procurando manter nosso conforto somente no interior, não conseguiremos ser inteiramente felizes. 

Nestes dias frios do início do inverno, muitas vezes nossas janelas embaçam e não nos deixam enxergar direito o que acontece lá fora. Dentro, o calor do aquecedor produz uma sensação de conforto, mas... o que acontece lá fora onde existem tantos seres humanos que literalmente morrem de frio? Isso nos importa realmente? Doamos um agasalho, mas nos comprometemos com ações concretas? 

Ensina a Astrologia que Netuno funciona como a lente de uma máquina fotográfica que modifica a realidade reproduzindo-a segundo nossa própria ótica. E a modifica! Vocês já perceberam que quando olhamos algum peixe ou objeto em baixo d' água ele nos parece maior e diferente do que ele nos parecerá quando o retiramos da água? Essa é a lente de Netuno. Sua caminhada em Peixes aumentará a espiritualidade, a necessidade de procurar Deus, o Criador. Ele obrigará a humanidade a tomar medidas imediatas para resolver o problema das águas de nosso planeta Terra, resolver os problemas da poluição e da falta d' água, das inundações, ou desertificações, fatos que não podem mais ser ignorados e que devem estar na pauta obrigatória e permanente das grandes nações. Ah, ele espalhará vírus pela água: vocês viram o que está acontecendo atualmente na Alemanha? Não são os pepinos, mas é a água contaminada pelos venenos usados nas lavouras que espalha a morte! 

O 'efeito Netuno' pode ser muito perigoso: o Deus de Todos os Mares pode se enfurecer e revoltar-se, destruindo tudo! Os refúgios espirituais, os ashram e outras comunidades esotéricas irão se espalhar em todo mundo, e serão refúgios onde será possível expandir a experiência espiritual. Portanto, caros leitores, vamos começar a limpar nossas vidraças para enxergar o mundo lá fora? O autoconhecimento expande nossa consciência na União com o Todo e é indispensável para nossa evolução. As ciências esotéricas ou 'ocultas', como são chamadas, não são tão ocultas assim, já que estão à disposição daqueles que desejam evoluir. 

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Pitty - Só Agora (Clipe Oficial)




Fardos e pecados

O único som que escuto é o da minha sombra seguindo meus passos e sussurrando os meus pecados. Pé ante pé levo um corrente dourada repleta de badulaques de ouro e pedras preciosas que tornam a caminhada cansativa e que estão ali para me lembrar de tudo o que eu fiz, de tudo o que não poderia mudar nunca mais, do passado que não poderia ser apagado e do preço caro da minha existência após cada pecado cometido.

Sempre lasciva me surpreendo com o prazer que, mesmo acorrentado a dor das correntes, percorre cada átomo do meu corpo como se desejasse lembrar que tudo sempre vale a pena, tudo  sempre valeu a pena. Carrego fardos pesados, carrego o peso da culpa, o peso do desprezo, o peso da tristeza, o peso do arrependimento, o peso do julgamento, o peso do remorso. Carrego o medo do peso da vergonha que só existe quando o pecado é maior do que o pecador.

Fecho os olhos e reflito sobre a natureza da minha existência, sobre a natureza selvagem da minha alma. Labaredas, fogueiras, incêndios... Em minhas veias corre o fogo, em meu coração pulsa paixão e inconseqüência, em minha carne o suor da loucura seca antes mesmo de pingar. Carrego em cada marca desse corpo as escolhas que fiz, as encruzilhadas pelas quais passei e o impulso do meu espírito. Carrego em cada marca desse corpo a feiticeira, a cigana, a vadia, a guerreira, a amazona, a matriarca, a rainha, a sacerdotisa, a bruxa, a donzela e a puta.

O espelho não se parte em mil pedaços quando me vê. O espelho me lembra quem eu sou, de onde vim e por que estou aqui. O espelho me lembra do orgulho de tudo o que eu vivi. Ele me mostra como é linda a corrente dourada com badulaques dourados e cada marca do meu corpo.

Minha vida está entalhada com ferro e fogo nas pedras do destino. Sou o que sou, de onde vim eu sei, para onde vou é o melhor mistério de todos. 

quinta-feira, 3 de março de 2011

Quase chegando aos 40

Prestes a fazer "quase" quarenta anos na data em que fará dois anos em que minha avó foi enterrada. Sim, volto ao mesmo assunto e nem sei quantas vezes ainda voltarei. Tudo é diferente agora. O passado foi enterrado de vez, todos estão libertos do que nos prendia a uma vida que deixou de nos pertencer há bastante tempo. Não há mais como manter aparências a qualquer custo, todos são obrigados a lidar com novas experiências, a mudar planos, a conquistar novas fronteiras. O sucesso é saber aceitar as mudanças sem revolta e fazer da possibilidade do que vem pela frente algo prazeroso e cheio de mistérios. O mistério faz da vida um jogo maravilhoso de se jogar.

Não sei o que vai acontecer, só sei que sou dona do meu próprio caminho. Com quase quarenta anos de vida penso em tudo que ainda quero fazer e em tanta coisa que preciso mudar. O corpo já não é mais o mesmo corpo e mostra os sinais do tempo, não no meu rosto que continua o mesmo rosto de menina a não ser por umas manchas hormonais, mas na disposição dos meus movimentos, na força dos meus músculos, e em todos os meus ossos e articulações.

Decido entrar na academia para sorver da fonte da juventude que nada mais é do que ter consciência de que nossos atos irão gerar conseqüências e de que cuidar do corpo, da mente e do espírito são fatores essenciais para se manter jovem. Desejo continuar jovem. Desejo continuar dançando pelas madrugadas, bebendo com os amigos até enlouquecer, correr com minha filha para brincarmos juntas. Desejo fazer sexo com disposição para quaisquer posições e para o tempo que desejar. Desejo sentir que tenho controle sobre o tempo que não tenho controle.

Quero ter a escolha de morrer de velhice, ou atropelada por um carro, mas não por não ter cuidado de mim.

Comparo a chegada dos meus quarenta anos aos quarenta anos dos meus pais. Tudo é tão diferente. Eles fizeram 40 anos cercados pelos pais, pela família, pelos amigos de toda a vida. Eles fizeram 40 anos com a vida borbulhando para eles. Não quero sentir nenhuma auto-piedade. Também estou aproveitando bem os meus quase 40 anos. Mas comemorarei sem meus pais, sem a maior parte dos amigos de toda a vida e sem algumas das únicas pessoas que poderia chamar de família. Mas como dizem por aí... Quem me ama está ao meu lado e é isso que importa. Antes só do que mal acompanhado, e eu definitivamente não estou só e deixei de estar  mal acompanhada há bastante tempo. Na minha vida só permanece quem me faz bem.

Já começo a comemorar os meus 40 anos desde já, mesmo sabendo que faltam alguns anos, pois não acho que seja necessário esperar para comemorar nada. Então comemorarei nos próximos anos e meus 40 anos serão festejados incessantemente, com direito a grandes festas, grandes viagens, grandes eventos. Quero ir a Las Vegas com a minha irmã, quero levar minha família à Europa, quero ir com minha filha à Disney, quero fazer um cruzeiro marítimo, quero curtir com minhas amigas e amigos, quero fazer plásticas para continuar gostosa como eu gosto de achar que eu sou e quero chegar no dia dos meus 40 anos com a certeza de que eu aproveitei muito, que eu fiz praticamente tudo o que eu gostaria e que eu estou pronta para mais 40 anos.

Descartável

Seus passos sumiram na minha estrada

Deixei o destino me levar

Escrevi novos rumos

Não há o que achar, nem o que procurar

Tudo ficou para trás  na mesma estrada

Onde larguei minha bagagem, memórias

Agora na nova empreitada

Só o que é bom, novo, saudável

Porque aprendi que nessa vida

Tudo é descartável.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mas louco é quem me diz e não é feliz!

A virada do ano foi punk. Muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, muita informação, muita mudança. Incertezas e certezas inquestionáveis. O fim de uma era abrindo espaço para o início de outra. Um corte definitivo e profundo com o passado e novos horizontes para o futuro. A eterna busca, eu mais perdida do que nunca, muitas perguntas, algumas respostas. 
Descobertas tão intensas que fui obrigada a desconstruir muita coisa dentro de mim para abrir espaço para coisas que nem sei como serão.
Tudo dando certo, tão certo que acaba dando um certo medo.
Uma frieza diante do que não me acrescenta nada que nem parece que vem de mim.
Muitos passos largos para frente em busca da evolução.
Como sempre os Orixás, sempre por perto, sempre mandando mensagens, sempre guiando o caminho e lembrando que Eles existem independente de intermediários.
Um universo de caminhos para seguir.
E me chamam de louca, de maluca, de coisas piores. E falam tanto de mim, perdem tanto tempo falando de mim, verdades e mentiras. E me chamam de doida, de louca.
Mas louco é quem me diz e não é feliz!!!
Eu sou feliz.

sábado, 8 de janeiro de 2011

2011

quem sou eu:

Quem sou eu é um mistério, mas sou uma pessoa mais forte, mais madura e mais sábia.  Em 2010 eu descobri que palavras voam com o vento, que a honra desaparece como fumaça, que a dignidade é o nosso maior tesouro, que as mentiras são mais bem aceitas do que a verdade e que a verdade pode ser distorcida até pelas pessoas que acreditamos serem as mais verdadeiras. Aprendi que quem eu acreditava estar entre os meus melhores amigos foi capaz de me descartar sem pensar duas vezes e que as pessoas que eu pensava que não significam nada para mim se transformaram em grandes amigos. Descobri que Deus está dentro de mim, que os Orixás não abandonam quem realmente Os ama e que religião pode trazer mais tristeza e decepção do que paz e iluminação. Aprendi que a bíblia não mente quando fala dos falsos sacerdotes e dos falsos profetas e que nem o amor pode salvar as relações mais importantes para nós. Aprendi que laços de sangue não significam nada necessariamente, mas que a amizade mais importante pode envolver laços de sangue. Em 2010 fome e comida passaram a ter outro significado para mim, dinheiro passou a ter outro valor e respeito e confiança passaram a ser uma ilusão. Espero que em 2011 eu não me iluda tanto, não sofra tanto, não me decepcione tanto, não me magoe tanto e não cause esses mesmos sentimentos nas outras pessoas, pois sei que também não sou perfeita. Em 2011 pretendo dar valor a quem me dá valor, a não sofrer pelas pessoas que eu amo e que me excluíram das suas vidas, do seu orkut e a entender que eu só posso fazer parte da vida de quem me quer em sua vida. Mas a única certeza que eu tenho é que 2010 acabou, mas mudar e fazer tudo diferente eu posso fazer todos os dias. Que venha 2011!