quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Desabafo... íntimo e particular... minha vida - Big Brother Tatiana

Eu não aguento mais! Não aguento mais passar necessidade sabendo que tem tanta gente me devendo dinheiro. Não aguento mais estar sofrendo as consequencias por ter ajudado as pessoas em quem eu confiava tanto, não aguento mais receber ligações e correspondências de cobrança, não aguento mais ficar sem o carro que é tão importante para o meu marido trabalhar... Eu sempre fico calada, eu sempre guardo tudo o que me incomoda para não incomodar os outros, mas eu estou de saco cheio. Cansada de chorar quando eu deveria estar rindo de felicidade. Cansada de saber que existe mais de 40 mil reais nas mãos das pessoas que eu ajudei e eu não tenho 50 reais para comprar comida. Cansada de dizer não para a minha filha quando eu queria dizer sim porque ela merece. Cansada de usar a mesma roupa por uma semana porque nenhuma outra cabe em mim porque eu engordei 20kg e não tenho dinheiro para comprar outra. Cansada de ir na casa da minha avó e pegar legumes, verduras, carnes e outras coisas escondido por ter vergonha de pedir dinheiro para fazer compras. Exausta de chorar, muito muito muito exausta. Exausta de sentir tanta vergonha que eu não precisava estar sentindo. Exausta de precisar de dinheiro e ter vergonha para pedir. Ver meu marido trabalhar de domingo a domingo para cobrir as dívidas mais urgentes e não sobrar nenhum centavo para o fim do mês ou para um pouco de lazer em família. Eu não me importo de andar de ônibus, sempre andei. Eu me importo de ver um homem que trabalha tanto e ganha seu próprio dinheiro ter que andar de ônibus tendo carro e ter que ir dar aula na Ilha do Governador às 5:30 da manhã para chegar na hora quando ele poderia gastar 30 minutos e sair de casa às 6:20 pela linha amarela. EU SIMPLESMENTE NÃO AGUENTO MAIS. Ficar calada está criando um futuro câncer dentro de mim, está me deixando doente, está fazendo cair meus cabelos, está fazendo eu não respirar. Eu não me arrependo de ter emprestado o dinheiro e de ter ajudado as pessoas que eu amava, mas eu me arrependo de ter acreditado que teria o dinheiro em minhas mãos na hora que eu precisasse. Me arrependo de ter achado que elas iriam vender carro, ou qualquer outro bem que possuissem para não me ver na merda. Eu odeio ouvir minha família, meu marido me dando sermão e tendo razão. Para ajudar as pessoas que eu amo eu fiquei devendo condomínio, cartões, pessoas, tudo. E na hora que eu precisei de ajuda ninguém esteve lá para me ajudar. Isso magoa muito. Eu não sou mendiga. Eu não preciso ficar pedindo dinheiro desesperadamente. Eu não deveria passar por isso. E  é por esse motivo que eu estou de saco cheio, que eu não aguento mais, que eu estou desabafando, que eu não quero mais ficar calada. O meu marido se mata para me dar o mínimo de conforto e de supérfluos que ele sabe que me fazem bem. Ele se mata para cuidar de mim e de nossa filha e garantir que eu esteja sempre tranquila e feliz. Ele me pede tão pouco. Ele me incentiva tanto. Eu não sou o tipo de mulher que fica em casa, eu gosto de trabalhar e de estudar. Imagina o que é passar por tudo isso que eu estou passando e ainda ter que ficar 24hs em casa, praticamente sem fazer nada e com todo o tempo do mundo para pensar e remoer tudo isso sem parar. Eu estou enlouquecendo. Ando pelo meu apt sem mesa, sem cadeiras, sem sofá, sem tanta coisa que eu precisava e merecia e queria ter. Vou visitar a minha avó com a Sophia pegando a porra do 748 que dá uma volta gigantesca. Arrebento a minha coluna com a Sophia no colo, fazendo faxina, arrumando a casa. Eu AMO fazer faxina e arrumar a minha casa e amo fazer comida, mas no momento eu não tenho força pra fazer porra nenhuma. O filho da puta do empreiteiro largou as obras do apt no meio e deixou um monte de coisa por fazer. Tudo bem, eu faço, mas COM QUE DINHEIRO já que eu preciso comprar tinta, pincel, prego, etc etc etc. A Sophia come a comida que eu improvisei toda feliz. Ela sofre me vendo chorar, vendo toda a dificuldade que estamos passando e vendo a bisavó indo aos poucos, porque ela não é burra e percebe tudo. Ela percebe a falta de dinheiro, ela percebe as doenças, ela percebe tudo. E, como a mãe, somatiza tudo e também fica doente. Hoje eu não consegui levar ela na escola, pois eu não consegui levantar da cama por causa da coluna, mas tive que levantar para fazer comida, pois sem comer ela não podia ficar. Agora choro. Choro muito. Acabei de receber mais uma ligação do banco e de cheques que estão voltando. Acabei de ligar para cobrar mais um dinheiro que eu emprestei e que preciso, e mais uma vez me senti uma mendiga quando não precisava e não deveria me sentir. Provavelmente ficarei na mão. E com a quantia negativa na conta, o cancelamento de cheques e cartões, e sem expectativa de receber algum dinheiro, eu não sei o que farei para a minha filha comer amanhã. Tomara que eu consiga R$ 4,20 para levar ela para almoçar na casa da minha avó. Como sempre chegando de mansinho, de surpresa, para minha avó não perceber o que está acontecendo conosco, afinal, que avó aguenta ver uma neta passar por isso, que bisavó aguenta ver uma bisneta passar por isso. Uma pequena observação: isso não é ficção, não está sendo exagerado e está sendo contado em tempo real. Isso é real. Isso é "big brother" Tatiana. Isso está sendo a minha vida. Tenho que sair do computador. Tenho que inventar alguma coisa para distrair a minha filha e fazer ela feliz. Mesmo sem dinheiro e na merda essa ainda é uma responsabilidade que eu não deixo na mão de ninguém. 

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