quarta-feira, 8 de abril de 2015

Censura e preconceito

Em mais um "looping" na minha montanha russa bipolar eu reflito sobre o preconceito que eu sinto em relação a mim mesma e às minhas crises. Nas crises depressivas leves ou nos raros momentos de estabilidade aparecem tantas pessoas dizendo que eu não sou bipolar, dizendo que alguém colocou isso na minha cabeça, dizendo que isso é "modismo", e tantas outras coisas, que eu mesma começo a querer acreditar nisso tudo. Até aparecer outra crise maníaca, depressiva ou ciclotímica bem "heavy" e me lembrar que a minha bipolaridade não é uma fantasia ou uma ilusão.
Ser bipolar não é fácil.  É caro ser atendida por um psiquiatra particular.  É quase impossível ser atendida por um do SUS.  É surreal ser atendida por um do plano de saúde.  É indispensável ser atendida por qualquer um deles.  É essencial ser atendida pelo mesmo sempre, eternamente.  É óbvio que isso é utópico.  E consequentemente é muito difícil ser bem medicada e ficar estabilizada.
Ser bipolar não é modismo.  É real, é cruel, é visceral.  É ruim quando é bom e é ruim quando é ruim. É ruim de qualquer jeito, pois as consequências sempre são catastróficas, embora nem sempre sejam percebidas assim imediatamente.  É como ser uma bomba atômica prestes a explodir toda hora: energia nuclear condensada em seu mais alto grau (vida) mas que se acionada se desorganiza gerando caos (morte). PS: Não sou física, portanto expliquei em minhas palavras, do meu jeito, de qualquer jeito (rs).
Sinto muita censura quando falo que eu sou bipolar, como se fosse uma coisa feia, proibida, vexatória.  Ou então, sinto um certo deboche, como se não fosse algo sério, como se fosse bobagem, criação da minha cabeça.
Eu já passei por tanta coisa com esse transtorno, já vivi tantos altos e baixos, e hoje às duas horas da madrugada, no meio de uma crise resolvi escrever um pouco sobre isso para vivenciar uma catarse.
Não sou mais, nem menos mulher, mãe, esposa, irmã, tia, madrinha, comadre, amiga, cristã, ser humano, Tatiana, por ser bipolar.  Quando passo por uma crise, seja ela maníaca ou depressiva, preciso muito do psiquiatra, dos medicamentos, porém, mais do que tudo isso, preciso da aceitação e compreensão das pessoas que dizem que me amam e que entendem.  Eu acredito que o maior poder de cura provém dessa aceitação.  E, sinceramente, a maior censura vem de mim mesma. Preciso aprender a trabalhar isso dentro de mim.
Deveriam fazer grupos para bipolares como o AA, né?

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