quinta-feira, 6 de março de 2008

Blá, blá, blá... grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

Sabe como é estranha essa sensação de estar muito forte, muito bem, mas perceber que seus atos não mostram isso? Ficar trancada no quarto, não conseguir sair de casa, não ter ido à faculdade  nenhum dia desde que começou há duas semanas, mas ao mesmo tempo estar cuidando da saúde, emagrecendo, tomando vitaminas. Dentro existe uma vontade e uma vida que não acontecem na prática no mundo real. As pessoas olham e vêem sorriso, energia, tesão, "alegria", e dentro não tem nada, está vazio.
Uma frustração sem fim. Parece que o corpo está preso na cama, que os olhos estão presos na televisão, na tela do computador. O cérebro diz lá no fundo do fundo do fundo que você tem que levantar e o corpo responde não se movendo.
Por fora tudo lindo, por dentro um deserto. Por que não podem estar em equilíbrio, pra variar?
Será que a decepção foi maior do que eu imaginava? Será que me afetou emocionalmente de tal maneira que me paralisou?
Eu quero dizer - chega!
Não ficar tão afetada com o que acontece à minha volta e com o que fazem comigo.
Preciso engatar a primeira de novo. Preciso avançar.
Vem um cretino e diz que eu sou cheia de problemas...
A diferença entre mim e o resto do mundo é que eu escrevo e falo sobre os meus problemas, logo todos sabem e parecem ser muitos. Acredito que todos tenham esses problemas também. Dificuldade com alguma coisa, tristeza, paralisia, decepção.
Cada um sabe de si, como dizia minha avó Ricardina.
Se eu amo a Sophia? amo. Mas às dez horas da noite quando eu quero ter o meu tempinho para usar a internet, ou na hora que vai passar o meu programa preferido, e ela começa a fazer manha, chorar à toa, agir de forma mimada... eu tenho vontade de sumir.
Se eu adoro o Dio? adoro. Mas quando não estou afim de fazer um sanduíche, ou de namorar, ou qualquer outra coisa... eu quero que ele exploda.
O psiquiatra pergunta: sua família sabe que você tem essa doença, eles têm noção do que isso significa? eu respondo que não sei. Como posso saber?
Não gosto desse estigma "doente". Mas sei que isso me faz diferente em muita coisa.
E, nesse momento - cymbalta, lítio e lioram - a única coisa que eu quero é ficar sozinha, mesmo sabendo que é exatamente o que eu não deveria fazer.
Eu já tento demais. Faço demais pensando em todo mundo.
Eu quero o meu momento, a minha vontade, o meu desejo.
Eu SEI que tenho responsabilidades, ninguém precisa me dizer isso. Eu posso ser louca, mas não sou criança e nem burra.
Só quero o meu momento. Quero começar a escrever logo, terminar essa porra de faculdade logo (mesmo amando estar lá).
Não quero viver a vida e os sonhos dos outros.
Desde que a vovó ficou doente eu não consigo fazer nada de tanto medo que eu tenho de perde-la.
Não consigo dormir com medo de algo acontecer de madrugada, não consigo sair de casa por muito tempo, não consigo respirar direito. O medo é insuportável, paralisante, como duas mãos ao redor do meu pescoço tentando me sufocar. Não quero ouvir nada a esse respeito, pois serão só palavras e não mudará o que eu sinto e nem o que vai acontecer inevitavelmente.
Ninguém entende que é um direito meu estar como estou agora. Os meses desde a virada do ano têm sido uma tortura, cada dia algo pior acontece. Eu não queria descobrir nada, não queria saber de nada, eu não queria ter que passar pelo que estou passando.
Está tudo errado. Eu estou tendo que consertar sozinha. Não tem ninguém para pegar a minha mão e me guiar.
E, de qualquer  maneira, quando eu conseguir dar o primeiro passo para sair desse limbo todo mundo vai reclamar também. 
A carta da "torre" do tarô. É mais ou menos isso que estou vivendo. Ainda tem muito tijolo pra cair. Eu ainda vou apanhar muito. Mas quer saber?
Ninguém sobrevive a esses cataclismas melhor do que eu.
Eu garanto uma coisa: quando eu levantar, o que tiver caído dessa torre nunca mais vai fazer parte dela de novo, porque eu sou leal, mesmo parecendo doida às vezes. Todos os meus atos têm uma razão.

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