Não sinto o meu coração bater. Ele estala, suspenso, congelado.
Não existe sol, nem luar. Existe apenas as chicotadas do vento.
Não sou gelo simplesmente, sou frígida, sou rígida e anárquica.
Vivo nesse iglu desarranjado com tralhas para todo lado.
Sinto que viro um iceberg a qualquer instante, sem desejar doravante.
Sou mais um saco de gelo para um isopor qualquer.
O coração estala, pois tudo que pulsa luta pra viver. Não quero viver.
Insistem em meus ouvidos o tanto que ainda há para eu ver.
Pensei que a pequenina me salvaria, mas só aumenta o meu desespero.
E estala cada vez mais o gelo.
Escultura de gelo. Posando como viva para o teatro da vida, mas estou fria, morta.
Olhos me buscam através de icicles em cavernas onde me escondo.
Mas só existe esse amaranhado triturado de gelo e lágrimas e vazio.
Tanta dor congelou esse rio. Meu sorriso ficou frio.
As velas do parabéns apagadas pela súbita nevasca. Despenco.
Tudo, tudo eu suportaria, mas isso eu não aguento. Congelo.
E o mundo vira um gelo. E estala quando a pequenina sorri. Mas é gelo.
Eu sou gelo. Icicle pendurado na caverna que se tornou minha existência.
Essa existência do por enquanto, do enquanto dure. E dura.
Eu, fria, gelada, icicle, iceberg, envolta na armadura. E sempre gelo.
Porque a vida é tão crua.
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