Às vezes deve ser entediante ler o meu blog, pois ele é muito pessoal e eu vivo momentos muto parecidos. O transtorno bipolar é bem previsível e, exceto em crises eufóricas exageradas, as coisas que acontecem são basicamente sempre iguais.
As fases depressivas são entediantes, são um saco e parece que demoram uma eternidade para acabar. Dessa vez não está sendo diferente a não ser pelo fato de muitos fatores externos que me davam segurança e suporte estarem mudando também.
O dia dos pais foi muito depressivo dessa vez por causa desse momento baixo astral que venho vivendo há algum tempo.
Senti muita falta do meu pai.
Não consegui dar um dia dos pais muito legal para o Dio.
Já escrevi essa frase milhares de vezes, mas, eu gostaria tanto de sumir do mapa por um tempo. É como se eu precisasse ficar sozinha para tentar me curar ou melhorar.
Estou na fase "como eu gostaria de cortar os pulsos", mas tenho bastante consciência das consequências graças a última tentativa.
É terrível sobreviver a uma tentativa de suicídio porque você fica marcada pro resto da vida e tem que lidar com consequências que são piores do que a vida que existia antes da tentativa.
Se eu tentar de novo imagino que nunca mais vou ver a luz do dia.
Eu nunca tive que excluir alguém que amava e considerava amigo (a) da minha vida e está sendo muito difícil fazer isso.
Primeiro porque eu adoro a família dessa pessoa e segundo porque ela tem ligação direta com a minha filha.
Sophia está morrendo de saudade e perguntou quando a iria ver e eu não soube muito bem o que responder. Disse que essa pessoa tinha me excluído da vida dela, que não queria mais a minha amizade e nem me ver, e que por isso se ela quisesse vê-la teria que ligar para alguém da família dela ou para ela diretamente e combinar alguma coisa que não me incluísse.
Como é que alguém elimina outra da sua vida assim tão futilmente?
Enfim...
Hoje não estava querendo falar com ninguém.
Avisei a todos que não falassem comigo, por favor, e passei o dia quieta refletindo na vida.
Tanto lítio e anti-depressivos não adiantam de vez em quando. É como se déssemos um curto-circuito temporário.
Estou em curto-circuito.
O pior disso é a dificuldade de me relacionar com as pessoas, de ser carinhosa e a vontade de beber o tempo todo, como se isso pudesse sanar parte do problema.
Vejamos o lado positivo: eu ainda não quebrei nada, não tentei me matar e não agredi as pessoas que, no meu ponto de vista, mereciam isso. Estou conseguindo manter um ótimo relacionamento com a minha família e tenho até participado de tudo.
Entretanto, eu não durmo antes das 5 da manhã, não acordo antes das 11, não consigo chegar nem a um km da PUC, não consigo arrumar um emprego e estou parecendo uma boneca de vodoo de tão maltratada que eu estou.
Rezo para essa fase acabar.
O que as pessoas não entendem é como eu odeio tudo isso, como eu me odeio dentro dessa situação instável da doença, como eu me irrito quando vejo que estou passando por essa ou aquela fase e não consigo fazer nada para sair ou me proteger.
É como seu eu fosse um robô controlado por essa parte do cérebro que vive independente de mim (que doideira!).
O que me consola é que eu sei que a fase seguinte sempre é boa depois da fase ruim.
Ainda penso no meu pai e no meu avô. Dizem que ele se suicidou pulando lá de cima do pão de acúcar. Isso tudo é genético. Parece que eu sou o receptáculo de merda da família, pois só eu manifestei todas as coisas genéticas ruins da família, até agora.
Não é que eu esteja me menosprezando, não. Estou analisando racionalmente.
Meus irmãos são espetaculares, fantásticos, bem-sucedidos, lindos, etc etc etc
Só me interessa garantir que minha filha, meus futuros filhos, não tenham isso ou sejam tratados desde cedo com medicação e acompanhamento médico e psicológico.
Muita gente acha que isso é frescura.
Só quem tem sabe!
Agora eu quero entrar dentro de uma concha e ficar lá por um tempo.
Agora eu quero ir para uma ilha deserta.
Agora eu luto para me manter viva e para não me machucar.
Começo a tomar atitudes que já deveria ter tomado e estou de saco cheio de certas coisas.
Uma coisa ninguém pode negar: todos podem contar comigo, eu largo qualquer coisa para ajudar um amigo e mais ainda para ajudar a família, e eu vivo para fazer o bem. E me prejudico muito por causa disso. É por isso que agora eu tô fora. Tô cortando pessoas e coisas. Só quero me cercar do que vale a pena e do que me faz bem.
Amiga,
ResponderExcluirAlguem precisa dizer não aos outros, de vez em quando, para dizer Sim para si mesma e é o que estás fazendo agora....estás no caminho certo e podes contar com a minha amizade.
um beijo e fica com Deus.
Francy
Obrigado querida. Estou passando uma fase muito difícil, mas tenho fé que vou sair dessa... obrigado pelo carinho, bjs
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