Nesse momento, mais que em todos os outros momentos, eu preciso de você. Não consigo sem você.
Porque você é o braço que me ampara, a mão que me afaga, a voz que me guia.
Todos os outros momentos não foram nada comparados a esse e estou prestes a atravessar o pior dos portais. Não me leia como a Nietzsche ou Schopenhauer, mas traduza minhas palavras de poetisa.
Minhas mãos trabalham sem parar e despejo em várias linhas o que não posso conter dentro de mim, assim como não posso conter tudo o que sinto por você.
Essa cachoeira de sentimentos que jorra com sinceridade precisa de um rio para desaguar portanto, seja o meu rio ou nada disso fará sentido e não terá onde parar.
Parece que estamos no fim da linha e teremos que decidir se iremos voar ou continuar juntos no ninho. A liberdade é traiçoeira e parece melhor do que realmente é.
Eu sei.
Eu já vivi apenas para usufruir dessa liberdade anárquica.
Ainda espero o teu chamado.
Não desisti de tentar.
Mas o fim da linha não tem continuação e terei que ir para algum lugar.
Posso ir para os seus braços? Ou devo voar?
Amo a minha gaiola, mas se eu for libertada nunca mais irei voltar.
Esse é o meu instinto, a minha essência.
Essa turbulência que me sacode pode mudar as coisas e mover os pensamentos de lugar.
Começo a sentir aquele cheiro da brisa da liberdade do vôo rasante sobre as ondas do mar, o cheiro de maresia, inesquecível, inigualável. Já começo a titubear.
Não me perca, eu imploro.
Sou artista, poetisa, louca, intensa...
Não me solte no ar. Sou o ar. No ar eu desaparecerei.
Começo a sentir a brisa gelada do pôr-do-sol que reflete na água do mar.
Breve me recolherei na noite e...
sabe lá o que poderá acontecer.
Não me leia como Nietzsche ou Schopenhauer, me traduza como Paulo Leminski, como Mário Quintana, Clarice Lispector...
A alma do pequeno príncipe está dentro de mim e as asas de Fernão Capelo Gaivota.
Sou apenas uma apanhadora no campo de centeio.
O perfume da solidão poética começa a me inebriar. Já me sinto sozinha.
Não me perca, eu imploro.
Estou prestes a voar sobre as ondas do mar para nunca mais voltar.
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