segunda-feira, 1 de março de 2010

No embalo da chuva

A chuva cai lá fora como uma dádiva, como uma canção. Eu lavo o banheiro, cheiro de lavanda, silêncio e meditação. Minha filha dorme como o bebê que já não é mais na minha cama cansada da manhã na escola. O apartamento parece dormir com ela. Se todos os dias fossem assim... que maravilha viver! O coração apertado preocupado com os amigos no Chile. O coração mais leve com a cura que está chegando com Orumilá. Salve Oxum! Salve Iansã! Salve Otolu! E os Orixás voltam a responder. O quarto da minha pequena é uma bagunça só. Do jeito dela, bem moleca. E eu recolho fronhas sujas, lençóis, cobertores, roupas. E recolho lembranças, pensamentos, esperanças, risos e manias insuportáveis deles dois. Sapatos largados pelos cantos, meias e camisas amarrotadas. E a minha pequena, que já não é mais tão pequena, dorme na cama embalada pelo friozinho da tarde chuvosa e pela cantiga dos pingos que batem no chão, nas plantas, no ar. Quero que o tempo pare e que eu possa gravar esse momento singelo, caseiro, dentro de mim. No final das contas não importa o turbilhão da vida, importa essa pequena, esse apartamento, esse barulho gostoso da chuva lá fora. Importa as msgs deixadas pelos amigos e pela minha irmã no orkut, no facebook e no universo virtual. Importa esse cara que levanta todo dia às 5:30h para garantir que os meus remédios sejam comprados, que ela tenha biscoitos para lanchar e que eu seja mimada como sempre fui com tudo o que é possível ser dado por ele. Mesmo nos momentos mais difíceis eu nunca fiquei sem meus dois vícios - internet e tv a cabo. O resto é tão pequeno, tão insignificante perto da grandeza de tudo isso e desse momento. O resto é o resto. Resto é lixo, comida para os porcos e para o lixo do astral. Eu só vejo luz em tudo isso o que eu vivo. Uma pequena luz de 8 anos, uma grande luz de 37, um luz muito elevada de 33 e outra pequena luz de 7. E muitas outras luzes que me cercam e me iluminam. Que delícia esse barulho da chuva! No meio desse aconchego todo eu tenho que voltar para algo mais "terra", mais "chão". Eu tenho que acabar de arrumar o meu apartamento e voltar para a vassoura. rsrsrsrs

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