domingo, 21 de março de 2010

Os paralelepípedos da rua xingu (entre Deus, eu e o meu irmão)

A coisa mais linda. Tinha passado um dia maravilhoso. Uma chuva serena caía e a noite estava quase viva de tão aconchegante. Eu tinha acabado de descer a serra pensando no meu irmão, preocupações normais de irmã mais velha... se ele estava se cuidando direito, se ele estava indo ao médico fazer os check-ups regulares que todo mundo deve fazer, se ele estava se alimentando direito, se ele estava precisando de alguma coisa... aquele aperto no peito de irmã que sente falta, que quer ligar para perguntar, que quer torrar o saco por amor...
É uma merda ter irmão assim, fechadão, que não fala nada, que não divide nada. Mata irmã como eu de preocupação, me enche de psoríase, me faz gastar uma nota com valium e remédio pra gastrite... rsrsrs
Então...
A noite estava viva de tão aconchegante e eu pensando no meu irmão. Não conseguia parar de pensar nele. O dedo no celular pra ligar, mas sem coragem por causa do "muro" que cresceu entre nós há algum tempo.
Então aconteceu.
Eu quase bati o carro de tão lindo. E todo mundo vai achar tão idiota mas foi tããããoooo lindo.
Eu entrei na rua xingu e ela é de paralelepípedos. Na verdade a rua em que eu estava também era mas não tinha a mesma iluminação.
Então eu entrei na rua xingu e os postes iluminavam a rua de tal maneira, iluminavam os paralelepípedos de tal maneira que causavam um efeito, uma imagem, uma pintura....
Era uma obra de arte. Foi um presente de Deus. Foi impressionante. Eu me emocionei.
Não podia parar o carro.
Sabe orgasmo? Aquela coisa que acontece com a gente, que a gente percebe que está chegando e vai sentindo e vai sentindo e então explode, acontece e você queria muito, mas muito mesmo que durasse mais que alguns segundos, mas não dura e você tenta aproveitar o máximo possível aquela explosão, aquele clímax, aquele êxtase, e nenhum é igual ao outro e você sempre fica sem ar e ofegante tentando reter pelo menos um pouquinho daquela sensação, ou do que quer que seja aquilo?
Então, foi a mesma coisa. A luz era perfeita, os paralelepípedos eram perfeitos, a umidade era perfeita, a distribuição das poças de água era perfeita. Tudo era perfeito e fez com que a cor da rua simplesmente mudasse e tudo mudasse por uma fração de segundo. E foi tão lindo, tão espetacular, tão sublime, que meus olhos se encheram de lágrimas, e depois eu ria sozinha e agradecia por ter presenciado um puta momento como esse que só artistas, ou loucos, ou bipolares, ou deprimidos como eu conseguiriam ver, ou uma irmã com uma puta saudade do irmão e uma puta preocupação e que estivesse pensando tanto nele no momento e estivesse vibrando tanto amor e tanta saudade que tivesse tido a benção de ganhar esse presente de Deus. Para qualquer um pode parecer bem idiota, mas tudo bem, também achavam Van Gogh idiota, Da Vinci, e um monte de gênios que viam coisas como essa e tinham visões simples e singulares como essa e depois faziam coisas incríveis ou simplesmente se inspiravam por coisas como essa. E também não importa. Isso é entre os paralelepípedos, os postes, a chuva, entre Deus, eu e o meu irmão.


3 comentários:

  1. Obrigado Danni... ando meio pra baixo, meio down, confusa sobre a vida, mas tentando ser positiva... rsrsrs Queria ser como vc, sempre pra cima, sempre luz, sempre violeta, sempre universo em expansão... te admiro muito. Bjs

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  2. Ah Tatah...

    Vc por vezes me dá essa vontade de abraçar e colocar no colo...risos...

    Suas palavras de carinho para comigo me encheram de alegria.

    Bjo em seu coração

    Danni

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