terça-feira, 3 de agosto de 2010

Feliz aniversário, menino lindo!

Era uma vez um menino que parecia mais doidinho do que o “menino maluquinho”.  Ele não usava uma panela na cabeça porque usava capacete para fazer todas as atividades loucas que ele pedia para a mãe dele o inscrever. Um menino hiperativo, especial, rápido como a velocidade da luz e invencível. Tinha um sorriso maior do que o universo e cachinhos que logo passaram a não existir. Esse menino tinha puxado os traços da mãe, a doçura e os cachinhos do pai e encantava a todos que o conheciam.  E esse menino cresceu.  Suas atividades  loucas ficaram famosas e apareceram na televisão, e viu a sua cidade lá de cima do céu quando pulou de pára-quedas, e fez amizade com os peixinhos quando tirou sua carteirinha de mergulhador, e sentiu o maior frio do mundo quando esquiou e fez snowboarding, e rasgou muitas ondas surfando com sua prancha. Os desenhos criativos que ele fazia desde criança se tornaram idéias e projetos e ele estudou e ganhou um diploma. As idéias se juntaram com as idéias de outros amigos e ele abriu um negócio e passou a ganhar dinheiro do jeito que todo mundo imaginava que seria – em contato com a natureza, de chinelos e numa casa imensa muito legal que tinha até uma piscina, ao invés de em um escritório. Era uma vez um menino que perdeu o pai e cresceu numa família de mulheres, cada uma mais forte e mais diferente que a outra. Foi mimado por uma avó que era uma matriarca, viu a irmã das brincadeiras de criança virar uma bem-sucedida executiva, aprontou pra caramba e cuidou muito de uma irmã maluca e teve a melhor mãe do mundo que também se foi bem cedo.   Apesar de eu me lembrar do menino franzino, elétrico, sempre queimado de sol,  o menino cresceu e se tornou um homem.  Esse menino agora não está sempre sujo de terra ou coberto de areia.  As pernas ainda continuam finas como as de um desenho do Ziraldo, o sorriso continua do tamanho do universo e ainda tem os olhos mais brilhantes que eu conheço. E esse menino agora vê duas meninas, filhas das suas irmãs, correrem atrás dele querendo aprontar as mesmas estripulias que ele fazia na infância e o vendo como um herói. Uma cheia de criatividade e talento para as artes como ele e outra cheia de cicatrizes das atividades loucas iguais as que ele praticava. Menino lindo que se transformou no meu melhor amigo, que fez tatuagem no mesmo momento que eu, que salvou a minha vida tantas vezes, que me impediu de morrer, que lê as loucuras do meu blog.  Menino lindo que acordava com minha filha subindo nas suas pernas, que me abraçava bem apertado à meia-noite com lágrimas nos olhos, que curtiu comigo e com nossa irmã tantas alegrias, tantas festas, tantas viagens, tantas perdas... Um menino que cresceu  numa família de mulheres incríveis, numa família tão pequena que cabia nas mãos.  Esse menino se tornou um homem, mas nunca deixará de ser aquele menino que eu vi crescer. Esse menino lindo.

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