sábado, 16 de outubro de 2010
Camisa de força
Em pé eu não fico. A dança do corpo e dos sentidos é impregnada de cores e prismas. Os olhos só vêem o que os olhos querem ver, o coração não sente. O coração não sente. Estico a mão e toco a camisa de força. Corpo preso, mente presa, coração preso, boca presa, olhos presos. Hora do comprimido branco, hora do comprimido azul, hora do comprimido pequenininho, hora do comprimido rosa, o relógio dos comprimidos girando sem parar. A vida passando através da janela. Levanta e deita, levanta e deita, levanta e deita. Tudo parece uma coisa só. Nada de café, nada de almoço, falta de apetite, falta de vontade, falta de desejo. Cama, cama, cama, cama. Hora do banho queira ou não queira. Não sei se é quarta ou sexta feira. Em pé eu não fico. Comida eu não quero. O relógio dos comprimidos não para. Eu e a cama, a cama e eu. Saudade, muita saudade. Camisa de força pra segurar a vontade, a verdade, a sinceridade, o excesso de capacidade. O coração não sente. Da janela imagino como está sendo lá, da janela assisto ao que deixei de assistir.
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