terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Obama

Dormimos às 7 horas da manhã conversando sobre a vida e tomando uma garrafa maravilhosa de vinho espumante e comendo queijo camembert (mais feio, mais fedido e menos gostoso do que o Brie). Sophia tinha compromisso com a nova queridinha dela que é vizinha da minha cumadre e está grávida de mais de oito meses, quase parindo. Me acordou às 10 da manhã pulando em cima de mim. Voltei a dormir um sono que não conseguia ter desde nem lembro quando. Acordei às 15 horas com vozes e o som da televisão nova do meu cumpadre em alto som. Era o momento da posse do novo presidente dos EUA e minha amiga afro-descendente, politizada e emocionada tinha desmarcado todos os compromissos que tinha só para assistir pela  TV esse acontecimento. Tenho que confessar que ando num período meio "foda-se" pra tudo mas sentei na sala e resolvi prestar atenção também. Não tenho palavras para dizer o que senti. Realmente eu estou "cagando" para os EUA ou para o fato de estarem empossando um novo presidente, mas ao olhar na televisão o número de pessoas que estava presente, ao ver a figura de Obama e de sua família, sua mulher e filhas com os cabelos bem alisados e lindas, ao ver no fundo de seus olhos o que tudo aquilo significava para ele e ao ver seus parentes nas cadeiras atrás da sua eu tenho que confessar que me enchi de emoção. Puta que pariu! Não é uma questão de militância política ou racial, mas definitivamente é uma mudança incrível para o mundo a eleição de um negro com a história dele para a presidência de um dos países mais importantes do mundo. Quando chegou na hora do juramento presidencial eu já estava com lágrimas nos olhos e certa de que o mundo está mudando. E para melhor! Da mesma maneira (de um jeito diferente, é claro) que o Lula foi um bálsamo de esperança e de expectativas de mudança por ser do PT, de esquerda, do "povo", etc., Obama é um bálsamo de esperança e expectativa de mudança por ser negro, por ter um discurso muito mais "do povo" e de promessas de mudanças, de responsabilidade social, de preocupação com as transformções do mundo e de sua intenção de se adaptar a essas mudanças. Seu discurso foi direto, sua oratória foi impecável e suas promessas foram bem mais possíveis e palpáveis do que as promessas megalomaníacas e falsas que costumamos ouvir. Ele não podia deixar de mencionar questões que permearam a sua vida como no momento em que mencionou o fato de que há alguns anos atrás, não tão longe assim, o seu pai teria sido proibido de frequentar os mesmos restaurantes que ele frequenta hoje. Caralho! Tem noção? É como se no instante da premiação nós pudéssemos ver Martin Luther King e tantos outros militantes, negros ou brancos, reunidos ao redor desse homem negro que hoje é o presidente e pudéssemos sentir que finalmente eles triunfaram juntos, como uma força maior. Por mais longa e árdua que tenha sido essa luta, essa militância, o dia da vitória finalmente chegou. É isso. A posse de Obama representou o dia da vitória dessa longa luta. Seu pai, hoje em dia, não precisa mais usar banheiros e assentos segregados para negros, pode frequentar restaurantes e andar na rua com dignidade, mas muito mais do que isso ele, seu filho Obama, comanda a nação mais importante do planeta. E eu aos quase 35 anos, morena, negra, branca, filha de uma mãe negra e de um pai branco, criada num mundo que enfrentou tantas mudanças, estudante de colégios caros e particulares, mas que também passei por algumas situações, mesmo que discretas, de racismo e segregação, vivi para ver esse momento e para olhar para a minha filha morena jambo, linda, negra clara, ou seja lá a definição que dão para sua cor, e dizer para ela que apesar dela não entender a importância do momento, ela tinha tido a oportunidade de ver um dos dias mais importantes da história do planeta acontecer e que isso mudaria a sua vida e o seu futuro. Ainda estou emocionada. Sophia brinca com a prima também morena, negra, mulata, multiétnica, multicolorida e nós, mães e amigas de infância choramos e brindamos àquele homem na tv, negro, e às suas filhas de cabelo alisado e à sua linda mulher que começou essa nova era dando o seu recado: usando uma estilista cubana, usando verde e amarelo, usando cores alegres e prometendo ser a primeira dama mais forte e politizada da história. Atenção seres de todos os continentes, cores e planetas, durmam em paz, começou uma nova era.

3 comentários:

  1. Eu gostei mt do discursso e gostei como foi claro no que diz na política de discórdia termina, no sentido de deixar claro que Bush No More!

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  2. Caramba, falou tudo, tinha me esquecido disso... ele criticou muito claramente a era Bush e o mais impressionante foi ele levando o ex-presidente até o helicóptero... parecia até que o outro estava sendo despejado... hahahahaha nem os jornalistas da globo news conseguiram se conter, todos estavam dando graças a Deus pela saída do Bush... minha amiga falou que não sabia o que estava fazendo ela mais feliz, se a saída do canastrão do Bush ou se a eleição do Obama... hahahahahahaha

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