domingo, 18 de janeiro de 2009

Cássia Eller

Voltando do shopping de campinas para atibaia no carro da minha cumadre ouvimos o cd da Cássia Eller. Cada nota musical trazia uma lembrança diferente. O ano novo triste em que assisti ao anúncio da morte dela pela tv. As emoções que as músicas dela me despertaram tantas vezes na minha adolescência. O show do Rock in Rio quando eu estava grávida da Sophia que não consegui assistir, pois cheguei na última música. O show na praia do pepê quando ela levantou a blusa e nos levou à loucura com a sua loucura. Um pouco de tudo. Mas a melhor de todas as lembranças foi o show no teatro rival quando a minha mãe me levou para assistir à minha ídola (parodiando meu pai) junto com seu namorado francês Didier. Um dos melhores momentos da minha vida. Minha mãe dividindo comigo o prazer de assistir a uma cantora da minha geração respeitando minha escolha musical e admirando a performance espetacular dela. A puta presença de palco daquela mulher que amava outras mulheres, que exalava loucura, sexo, drogas e rock n roll. Aquela mulher que eu desejei platonicamente por tudo o que ela representava e que era a trilha sonora da minha vida naquele momento. Meus gritos enlouquecidos, eu subindo na mesa, lágrimas nos olhos de emoção, de tesão, de agradecimento... Horas e horas em que eu e minha mãe deixamos de ser simplesmente "mãe e filha" para sermos amigas, cúmplices, fãs. A saída no fim do show com a parada no camarim para comprar o cd que ainda era vendido nas apresentações e tentar conseguir um autógrafo, um olhar, um momento. Aquela escuridão do teatro que despertava todos os hormônios que fervem na puberdade e a sedução dos olhares entre estranhos. O rádio do carro toca "malandragem", "por enquanto", "ne me quitte pas" e vai tocando e eu vou lembrando e o corpo sente aquele calor dos momentos "Cássia Eller's" da minha vida. Quem sabe eu ainda sou uma garotinha esperando o ônibus da escola sozinha? Eu só peço a Deus um pouco de malandragem...

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