sábado, 12 de julho de 2008

Vovó Hélia no hospital

Ao meu lado a vovó geme sem parar. O médico está preocupado e acha que ela talvez tenha câncer. Estou apavorada. O cansaço é devastador, já são praticamente 3 noites sem dormir, estou trabalhando como um robô e tento manter o bom humor e a alegria perto dela. Não quero que ela saiba se estiver com câncer, não quero que ela morra triste e "doente".
Vovó não consegue achar nenhuma posição que a deixe confortável na cama, e geme sem parar. Ela acha que ainda está no hospital porque precisa melhorar "da coluna".
O meu plano de melhorar a minha alimentação e a minha rotina foi pro caralho. Numa situação dessas eu nunca consigo ficar longe de toneladas de chocolate e junk food.
Sophia chora de saudade. De mim, da bisavó que ela ama tanto. Quer dormir juntinho comigo e chora pois vou passar mais uma noite no hospital. As noites são minhas, as tardes do Diogo, as manhãs são minhas também.
Madrugadas acordada, mudando a posição da vovó de 15 em 15 minutos, comendo besteiras, vendo tv e sentindo aquele medo de olhar para o lado e ver um corpo inerte.
De quem será essa derradeira missão difícil?
Eu segurei o corpo inerte da mamãe, que faleceu meditando ao meu lado; da vovó Ricardina, minutos antes de ser "preparada" depois de sua morte no hospital. Será que passarei por isso de novo?
O destino é irônico. Logo eu, que sempre briguei com a vovó e troquei insultos terríveis com ela, sou a pessoa que mais se aproximou dela depois de "crescer". Preciso tanto dela. Não sei o que vai ser da minha vida sem ela.
O meu cabelo tem caído em chumaços imensos e estou com a aparência de uma senhora que está ficando careca. Minha pele está horrível.
Estamos há dias nesse hospital sem previsão de saída.
Odeio ver a vovó sofrer. Isso está me matando. E se for mesmo câncer?

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