Nada a interessa, nada a estimula a sair desse pequeno mundo. O quarto, embora pequeno e modesto, parece grande demais para conter tudo o que ela está sentindo. O seu mundo agora é isso tudo que ela está sentindo.
Seu corpo clama por alguém.
Seu corpo inflama tudo ao redor com o calor e a energia da procura.
Como uma meditação orientada, toda a energia do poder e da chama (seja lá qual for a cor) penetra seu corpo, seu espírito, sua essência.
Sua mente, porém, medita apenas sexo, loucura, luxúria, prazer, devassidão.
Cansada de esperar por alguém que não vem ela levanta e decidi ir atrás da única coisa que poderá aliviar o que sente.
Pensa nos animes japoneses, pensa nas histórias sensuais que já leu.
Veste uma calcinha de renda vermelha, escolhe um espartilho condizente com suas intenções, desiste da meia calça 7/8 que só atrapalharia a logística do que pretende e calça seus saltos mais altos - extensão dos seus pés.
Pensa em várias roupas, mas desiste. Escolhe apenas um sobretudo fácil de despir e borrifa seu Poison Christian Dior. Poison. Nome perfeito - veneno. Quem será envenenado? Quem será o sortudo que encontrará essa mulher desesperada por um pouco de sexo selvagem, casual e desesperado.
Encobre os olhos com bastante lápis preto, como uma Cleópatra contemporânea e espalha a sombra que a torna mais misteriosa, enigmática e perigosa do que já é.
Sente os lábios com os dedos enquanto espalha o batom cor de sangue, cor de promessas, macios, voluptuosos, bem desenhados e profissionais na arte de sorver o que escolhe.
Acaricia cada parte do corpo com seu Victoria's secrets Hot e bagunça o cabelo com fúria.
Respira profundamente já sentindo o poder que emana da sua figura.
Nada de jóias.Algemas de cetim de cor pink com renda preta. Coleira de cetim preta. Faixa preta de cetim para os olhos da vítima. Sorri. Vítima sortuda.
As longas unhas pintadas de preto e vinho.
Admira suas tatuagens como símbolos de seu espírito selvagem. Sorri.
A idade modificou um pouco o seu corpo, mas não a sua alma, não a sua ânsia, não o seu desejo.
Toca os mamilos e agradece a Deus os lindos e fartos seios que tem.
Bebe uma, duas, três vodkas ice.
Até o momento ela só está vivendo um pouco de "sexo". Imagina quando começar a devassidão.
Pensa onde irá.
Sente que está excitada, sente aquele calor conhecido, dentro, latente.
O tempo urge.
O corpo clama.
A alma inflama.
Resta achar alguém.
Ou terminar sozinha o que começou.
Ela não se importa.
Sozinha ela pode mais. Acompanhada eles podem menos.
Sorri.
Porque não ter um pouco dos dois?
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