quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um choro de dor

Eu choro. Eu choro de dor, eu choro por tudo, eu choro porque enquanto o meu mundo está indo por água abaixo as pessoas à minha volta estão tão distantes e tão voltadas para si.
Me sinto tão sozinha e tão decepcionada. Me sinto tão insone, tão inchada, tão fraca, tão sem esperança. É como se eu gritasse e ninguém ouvisse. É como se eu afundasse e estendesse a minha mão, mas ninguém me puxasse.
Eu choro essas lágrimas que queimam o meu rosto, que gravam nomes, palavras, sentimentos, momentos.
A minha avó descansa no quarto dela sem imaginar o que está acontecendo com ela.
A Sophia dorme como uma princesa sem imaginar tudo o que está acontecendo e eu estou segurando sozinha para poupar as pessoas que amo.
Não existe mais PUC, não existe mais estágio, não existe mais trabalho, não existe mais nada.
O Dio dorme no apartamento me acusando de um monte de coisa tão injusta.
Quem sou eu???
Eu vivo para a minha família. Eu existo para a minha família, para os meus amigos.
Todas as vezes que eu estou tendo existência própria algo acontece e eu jogo tudo para o alto.
Dói tanto, está doendo tanto.
Tem tanta coisa acontecendo.
Como é que o Dio pode achar que eu não gostaria de estar no meu apartamento novo, curtindo ele, cozinhando, dormindo na minha cama? Mas eu nunca vou abandonar a minha avó, o meu irmão, a minha irmã, eles são tudo para mim.
Tudo está acontecendo ao mesmo tempo.
Tudo está desmoronando.
Eu preciso tanto, mas tanto do meu dinheiro, mas eu não posso simplesmente chegar para as pessoas que me devem e pedir de volta R$ xx.000,00...
Eu preciso tanto de tanta coisa, mas é a vida...
Um quer que eu largue tudo e só cuide de uma coisa, outros querem que eu não seja amiga das pessoas que são seus "inimigos", outros se afastam cada vez que arrumam uma pessoa nova... Será que eu só sirvo se for conveniente para eles?
Porque as coisas não podem ser como eram com os meus pais? Um grupo de amigos lindo que sobreviveu a tudo, que esteve unido em todos os momentos.
As festas em que todos se reuniam para celebrar juntos, o aniversário de 40 anos do meu pai, os anos-novos na minha casa com tema e tudo...
Será que eu sou uma idealista? Uma boba saudosista?
Eu devo me adaptar a essa realidade com a qual não concordo ou devo lutar pelo que acredito?
Ainda choro e choro muito.
Tento evitar fazer barulho, pois não quero preocupar a vovó e nem acordar a Sophia.
Ela já tem sofrido tanto por causa das minhas brigas com o Diógenes e de tantas outras coisas que tem acontecido. Suas férias foram completamente apagadas por causa dos problemas com a vovó.
Fiquei feliz com a viagem dos meus irmãos, não tenho inveja e nem rancor como os outros pensam. Só fiquei triste pela Sophia que ficou presa para cuidar da vovó junto comigo.
Eu nunca me perdoaria se acontecesse algo com ela por um descuido meu.
É isso que eles não entendem.
É como se eu pudesse, com o meu cuidado, segurar a vida da vovó nas minhas mãos e impedir a morte de levá-la. É como se eu pudesse salvá-la, garantir sua vida, sei lá.
Sei que isso parece pretensioso, mas não é, juro.
Não consigo parar de chorar.
Estou com muita saudade da minha mãe e do meu pai, e do Rene, e dos meus avós...
Estou com muita saudade da Carmen, do Ranz, do Jr, do Romolo, do Hiro, do Chris, da Teresa, da Glória, da Edna, do Fábio, de todo mundo.
Minha madrugada não tem música. Só o som dos pés da vovó se arrastando com o andador para chegar no banheiro e o medo de vê-la cair.
Sinto que nada faz muito sentido hoje em dia.
Qual a motivação? zero
Essa semana eu vou trabalhar essa dor de uma maneira bem arquétipica e profunda: tatuagem... ou melhor, tatuagens...
Essa sou eu...
piercings, tatoos, pinta de fodona e estraçalhada por dentro.
Continuo chorando muito...
Estou muito decepcionada...
Mas de repente isso não é problema de ninguém, né? só meu...
Eu que aprenda a lidar com os caprichos, as manias, as histerias e as qualidades e defeitos das pessoas que eu amo, meus amigos e parentes. Eles com certeza devem achar que estão muito muito muito certos e corretos nas suas atitudes.
Como dizem por aí... o acerto de contas não é comigo, é com o Maestro lá de cima..
e pra não perder a pose....
Foda-se...

2 comentários:

  1. Tatuagens!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Somos como manteiga derretida, choro por tudo e por todos....

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  2. Pois é... eu estou tão derretida ultimamente que só o que eu faço é chorar... hahaha... só me resta escrever, escrever, curtir nosso mundo virtual e desabafar...

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