Acabei de ver o filme "ps: eu te amo" com a Hillaru Swank e o Gerald "gostoso" Butler. Já faz um tempo que várias idéias rondam a minha mente, principalmente depois da morte da minha avó e da Teresa (assunto repetitivo) e muito mais ultimamente. O filme é delicioso, nem um pouco clichê, na minha opinião, e abriu meus olhos para muitas coisas. A trilha musical é sensacional e diz tudo que precisamos ouvir quando perdemos alguém. Não adianta eu me esforçar pois a culpa não é de ninguém, eu me sinto só mesmo numa multidão, não tem jeito. Porque existem certos olhares, certos carinhos, certos toques que não temos como substituir quando perdemos alguém, eles morrem com a pessoa. E alguns nós perdemos de pessoas vivas mesmo. Então essa solidão que oprime nossa vida é latente e inerente ao momento que vivemos, mas pode ser mudada. Procuro casas e sítios lá pra Lumiar, São Pedro da Serra e outras cidades que ficam entre as montanhas, as cachoeiras e os rios. Eu SEI do que eu preciso e eu SEI o que eu QUERO. Eu quero voltar a andar descalça, a usar minhas saias hippies herdadas da mamãe, quero voltar a caminhar nas trilhas das florestas e tomar banho de cachoeira. Eu quero acender incensos e viver com pouco, quero deitar na rede, quero olhar as estrelas e quero amizades simples com pessoas simples. Já percebi que não é mais a saudade que me oprime, mas o que eu tenho feito com ela. Eu não era TÃO deprimida quando tinha essas coisas. Não tenho como trazer de volta as sensações deliciosas que as presenças da minha mãe, da minha avó, dos meus avós, do Rene, da Teresa proporcionavam para mim. As conversas, os programas, a batida de côco que durava toda a madrugada. Não tenho como ter de novo a presença do Rene para discutir comigo sobre a vida e deitar na minha cama e dormir abraçado comigo sem maldade e sem malícia, e acordar olhando aquele homem lindo e saber que eu fazia parte de quem ele era pelo menos um pouco. Receber o seu abraço, os seus emails, as suas visitas e desfrutar do grande mestre que ele era. Também não tenho como sentir a familiaridade de viver todos os meus dias para a minha avó, por causa dela. Ouvir sua risadinha, os pés balançando na cama ou passar horas conversando com ela sobre a minha vida e ouvir seus conselhos. Assim como os dos meus avós paternos. Isso é passado, isso não existe mais e não voltará a existir. Nesse momento eu tenho muito pouco. Acabei de ver o filme e percebi que o que mais sinto falta é do amor, é de amar. Amar intensamente, suspirar, sentir o ar faltar no peito e estar constantemente ansiosa. Ninguém tem culpa de como eu me sinto. E eu me sinto péssima pois tinha tanta raiva dentro de mim que culpava todos, culpava Deus, culpava qualquer coisa. Mas essa não é a vida que eu quero para mim. Não mesmo! Se casamento for ficar o dia inteiro dando uma de empregada doméstica, de babá e concretizar a relação dormindo na mesma cama eu tô fora. Ser mãe é ir passear no parque, pegar uma praia, brincar na piscina, contar histórias, fazer dever de casa, dar banho, pintar as unhas de rosa (ela prefere azul, acredita?)... Ser mãe é fazer brigadeiro, ensinar as coisas da vida, mostrar as borboletas, os pássaros e aconchegar entre os braços para fazer dormir. Assistir aquela merda de High School Musical 1,2 e 3 um milhão de vezes e os mesmos desenhos e filmes indefinidamente. Parodiando Fernanda Young... eu vou ser uma merda de mãe trancada num apt e passando o dia inteiro cuidando da casa e de outras coisas, sem sentir prazer, sem sorrir, chorando pelos cantos e feia pra caralho. Todas essas pessoas queridas que já se foram com certeza não gostariam de me ver assim. Tenho certeza que minha avó preferia mil vezes ficar puta comigo por causa das minhas farras, tatuagens e loucuras do que ficar preocupada porque eu não me cuido e não faço nada da minha vida. Como um calhambeque velho eu começo a voltar a funcionar. Peguei meus cadernos Rosacruz, me inscrevi num workshop Xamânico, estou escolhendo a igreja do Daime que eu vou frequentar e voltei a meditar (Om Mani Padme Hum - Budismo Tibetano). Tõ quase raspando a cabeça de novo e só não entro mais fundo nesse "renascer" porque eu não tô mais sozinha. Não, eu não estoui pirando (como muitos amigos e familiares devem estar pensando). Eu estou voltando a ser eu mesma, doa a quem doer. Minha filha tem 8 anos. Não é uma adolescente, nem uma mulher, mas já faz tudo sozinha e tem sua própria opinião e seus próprios gostos. E cá entre nós ela topa tudo isso. Adora um atabaque, medita que é uma beleza e adora espiritualidade. Gosta de capoeira, de ler, de desenhar e pintar e é forte como um touro. Eu vou pegar esses trapos de eu mesma jogados no chão e fazer uma eu mesma bem melhor. Afinal, sou eu que escrevo meu destino, não é? Sugiro que vejam esse filme e comprem o cd. Vale a pena! Me inspirou muito. Além disso, eu adoro a Irlanda e apesar de não ter tido rolo com nenhum irlandês, eu me meti com um escocês e é bem parecido, é uma delícia (faz tempo, faz muito tempo).
Namasté.......
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