quarta-feira, 20 de maio de 2009

Abandono

Abandono essa vida, abandono esse corpo, abandono esse enredo.

Levo comigo a dor, toda a desilusão e a minha falta de fé,

melhor desaparecer enquanto a vida persiste em engatar a ré,

crer num novo começo, na certeza e investir sem medo.

 

Para a vida no astral, no inferno ou para a vida na Terra,

melhor ser pó do que viver assim, ou existir e não mais viver.

Sofrimento por sofrimento, o futuro não tenho como saber,

tomada  a decisão encerro como quem a tudo enterra.

 

Egoísta, fria, calculista, desalmada...  sei que dirão

de tudo, e todas as palavras terão um fundo de verdade,

somente eu que sangro e agonizo sei como é a realidade,

e o fardo que retiro das costas dos que amo e ficarão.

 

No horizonte há um caminho e uma incerta redenção,

no presente tudo o que existe é discórdia, saudade de amar.

Vou e não olho pra trás, sei o que deixo mas não sinto pesar,

com um punhal, ainda sem nome, gozo o fim da minha desilusão.

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