Tic tac tic tac tic tac
Cada segundo representa vida.
Caminho ao redor do abismo olhando para o nada que há no fundo do vazio.
Ouço as vozes que me chamam, ouço o choro que implora, ouço Sophia.
Sento e olho para o céu. Tento dar algum valor às estrelas e ao universo. Nada.
Deito na terra que cobre o chão e acaricio cada minúsculo grão que a compõe. Deito como se estivesse no colo de Nanã e canto. Procuro um sentido, uma direção, procuro entender o que há embaixo dos meus pés. Nada.
Na beira do rio seguro o espelho como Oxum e busco a beleza que vi tantas vezes ali. Clamo por Oxum e sua sabedoria, clamo pela beleza que perdi. Somente a chuva que cai em meu rosto. Mais nada.
Olho para o fundo do abismo e minha imagem está refletida no vazio.
Caminho perdida em direção ao mar e afundo em cada onda que toma o meu corpo. Sinto o gosto de sal no olhos e na boca. Seguro nas mãos de Iemanjá e não quero mais sair, mas minhas respostas estão em outro lugar. No mar, nada.
Sento no abismo sem fim e subo na pedra das pedras. Reflito sobre toda a minha vida, vejo tudo e todos que fizeram parte dela. Sinto a firmeza da pedra, sinto a firmeza de Xangô. Tenho certeza da pessoa que fui, mas não tenho certeza de quem as pessoas que viveram comigo foram. Choro baixinho. Sinto as mãos de Xangô sobre meus ombros cansados, mas continuo carregando meu peso, meu fardo. Nada.
O abismo parece aumentar, o vazio parece aumentar.
A tentação de pular me confunde.
Corro sem direção.
Clamo pelos Deuses, clamo por Ogum, clamo por Oxalá, clamo por Ajunçum, clamo por Exu...
E arrebatada pelo vento dos ventos, pela tempestade das tempestades, sou levada ao centro da floresta e me ajoelho perante o meu Pai.
Pai e Mãe me observam. A dor é tanta, o tumor de sentimentos é tanto e um grito, um uivo feroz rasga o meu corpo e toma o mundo.
Os Deuses me respondem, Eles sempre estiveram ali.
Não há mais abismo.
Há a força de meu Pai, há o amor de Iemanjá e de Oxum por todas as pessoas, há a paz de Oxalá, há as ferramentas de Ogum, o poder de Exu, os meios de Iansã e tudo o que eu sempre precisei para vencer qualquer batalha.
O abismo sempre existiu dentro de mim.
As ferramentas para superá-lo também.
As borboletas, minhas borboletas me cercam como sempre, pois nunca deixaram de estar comigo.
O Tempo me saúda com luz.
Não sou mais Tatiana.
Sou aquela que ninguém pode saber o nome.
Sou a guerreira, a feitiçeira, a amazona. Sou quem eu nunca devo esquecer que eu sou.
A mensagem abaixo serve perfeitamente para si.
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Com carinho,
Francy
Obrigada pelo carinho amiga, como sempre. bjs
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