sábado, 22 de maio de 2010

Os ares da Espanha

As janelas emolduradas por pedras de outros séculos escondem os meus sonhos. A brisa de florestas ancestrais entra na sala e ameaça brigar com o aroma de carne que vem do fogão à lenha. Os quadros pintados por mim enfeitam as paredes e garrafas de vinho e uísque ocupam espaço no aparador. Ouço apenas o silêncio, mas afinal é o que eu sempre sonhei. Flores frescas em cima da mesa, taças de vinho o dia inteiro, uma velha máquina de escrever para criar um livro que nunca será publicado e um computador para lembrar que já estou no século 21. Os ares da espanha são como a cura para essa alma vazia de vida e de luz. Tudo o que eu peço são os ares da espanha, de suas cidades pequenas, de suas casas seculares feitas de pedra e quintais repletos de frutas e comida fresca. Tudo o que eu peço são telas feitas de tecido cru e preparadas à moda antiga como ensinadas pelo Sérgio Apolinário nas aulas da minha adolescência, quando mamãe pintava cartas de tarô e eu pintava orgias imaginadas e não vividas pelos meus poucos anos de vida. 
Ah, que saudade dos ares da espanha... dos castelos majestosos, das praias maravilhosas, dos vinhos e das aventuras de outrora. Dos camponeses apaixonantes, dos piqueniques feitos nos jardins e dos barcos ancorados nos portos.
Passeios pelas feiras populares para comprar frutas, legumes e peixes sempre frescos pescados por pescadores rústicos de camisa aberta e chapéu na mão.
Saudade dos museus, das caves, dos "tapas" e das estrelas diferentes que eu via no céu.


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