Não existem tais potes de maionese repletos de lembranças do passado e memórias maravilhosas. Quando perguntam para mim porque eu fiquei tão presa ao passado e porque é tão difícil andar para frente a resposta é muito fácil. Não existe mais aquela sensação deliciosa de amor que eu sentia porque meu irmão existia e não existem mais momentos maravilhosos do tio-herói com as crianças. Não existe mais a vovó botando ordem na vida de todos nós e mantendo todo mundo unido e conectado. Também não existe mais os almoços de domingo com todo mundo sentado à mesa e nem os feriados em que ficávamos juntos independente de namorados e namoradas porque a família vinha em primeiro lugar. Não existe mais nada. Eu não fiquei orfã só de pai, de mãe e de avós...
Os potes de maionese estão repletos de sobras de comida porque a família ficou muito pequena. Os domingos são cheios das risadas das crianças, solitárias, correndo em volta de duas irmãs que lutam para dar a elas a sensação cálida de família. O cheiro que fica no ar é da minha comida nas panelas da cozinha e do perfume juvenil da Sophia. O telefone quase não toca mais e sinto falta das muitas ligações que a vovó fazia durante o dia para saber de mim e da bisneta.
Eu SEI que estou estagnada, eu SEI que estou presa demais ao passado, eu SEI que não estou conseguindo seguir em frente. Não existem milagres para os vazios do coração. Existem dores e questões dentro de mim que são excruciantes. É como ser torturada infinitamente e não conseguir fazer parar. A tortura não para nunca, a dor não para nunca por mais que se implore. Para certas dores não existe antidepressivo, nem antipsicótico, nem calmante. Para certas dores a cura vem de fora e não vem de nós, portanto estamos destinados a sofrer indefinidamente.
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