penso nas palavras não ditas e nas palavras ditas. O silêncio que diz mais do que mil palavras. As pessoas que eram tão parte da minha vida. O "eu te amo" que fica sempre preso na garganta, mas que deseja tanto sair. Todas as noites que não foram descansadas por preocupação. O amor que une, o amor que separa, o amor que constrói e o amor que destrói. O amor que não sabe dividir e o amor que deseja tanto proteger que não consegue aceitar o que é certeza de dor. Esse "eu te amo" que arranha cada vez que os olhos se encontram, cada vez que se escuta a voz do outro do outro lado da linha do telefone. Separo o feijão, mas a comida não alimenta a alma. O que alimenta a alma é o abraço que não existe mais no cotidiano. E uma vontade tão grande de cuspir esse "eu te amo" traindo o orgulho, traindo a necessidade de evitar um contato que só traz mais dor. Uma vontade de arrancar o véu que cega na base da força e de provar uma verdade que não quer ser enxergada. Livre arbítrio. Quando descanso a colher com a comida na boca para provar se o tempero está bom eu sou jurado e juiz. Quando se trata de uma vida que não é minha tenho que ser observadora. Livre arbítrio. Essa merda desse livre arbítrio. Nas esquinas da vida, olhando para o passado, mesmo quando apanhei, mesmo quando chorei, mesmo quando sofri as piores dores do mundo respeitaram o meu livre arbítrio. Esse "eu te amo" que me deixa sem ar tantas vezes entalado na minha garganta, aguardando que tudo volte a ser como antes um dia, e será que isso é possível? Um "eu te amo" que tempera a minha boca com fel enquanto aguarda a chance de sair em voz alta da minha boca. Esses meus braços que desejam se jogar num abraço longo e apertado. O celular esperando um convite para um chopp, o sol esperando nos ver juntos na praia. Essa revolta que esmaga o meu peito e não me deixa em paz assistindo esse filme ruim. Mais uma noite com esse "eu te amo" latente na garganta, cariando meus dentes com a doçura que eu escondo, cortando minhas gengivas com a mágoa que tudo rasga... Esse "eu te amo" que ainda tem esperança de voltar a sair da minha boca porque sabe que mesmo distantes, mesmo tão frios um com o outro, nada tem o poder de nos separar. Porque esse "eu te amo" na minha garganta veio antes que qualquer outra história, porque esse "eu te amo" na minha garganta existe desde o nascimento, desde o primeiro momento... e é só seu.
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