quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Não olharei para trás
O corpo está deitado na cama, doente, mas acho que a doença está na alma, no coração. Pior que perder alguém que morre é perder alguém que está vivo. Idéias perturbadoras sobre a insignificância da vida voltam a incomodar a minha mente. As caixas de comprimidos voltam a parecer pílulas salvadoras para a intensa dor latente dentro do peito. Não existe mais relógio pois o dia e a noite se confundem sob os lençóis dentro do quarto que tem sido parte do meu próprio corpo. Dois dias seguidos, dois dias afogados em lágrimas, perdidos na minha existência e sufocantes por causa da dor e da angústia. Anjos me tocam através do telefone, anjos me tocam sentando-se na minha cama e conversando comigo. Eu sou o silêncio. Eu sou o vazio. A febre é um alívio, a doença é um alívio. Quero esquecer as palavras ditas e as palavras não ditas. Quero esquecer aqueles olhos que eu não reconheço mais, aquele ser que eu não reconheço mais. Antes existia um abismo, agora existe um buraco negro. Para voltar a ser como era antes só criando-se um novo universo, um novo planeta, uma nova história. Há coisas que quando quebram não podem ser consertadas. Se nesse universo que foi destruído eu era uma vilã, uma mentirosa, alguém capaz de fazer mal a quem eu mesmo amava, então esse universo não era o mesmo em que eu vivia, em que eu vivo. Não olharei para trás. A partir de agora eu estou criando um novo universo onde as coisas em que eu acredito são mais importantes: amor, lealdade, família, honra e união. Não pretendo voltar a pensar no que ficou para trás. Não derramarei mais uma lágrima sequer. Ficarei doente o tempo que meu corpo, minha mente e minha alma acharem necessários para se recuperarem da decepção, da dor e do vazio e então, levantarei das cinzas que sobrarem como uma fênix. No meu universo existem coisas que sempre virão em primeiro lugar.
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