sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Miscelâneas religiosas

Estava dentro do ônibus 241 com minha filha Sophia indo para a rodoviária Novo Rio. Andar de ônibus no rio de janeiro é uma experiência fantástica ainda mais se estiver indo para a rodoviária via linha amarela (rs). Uma senhora de idade levanta do banco e se despede efusivamente de uma jovem que ela nunca havia visto antes com beijos e milhões de "Deus te abençõe" e a cena é tão fofa que me chama a atenção. Elas sentaram juntas e vieram conversando sobre o filho da senhora mais velha e sobre a vida e na hora da despedida estavam unidas por um laço que é bem típico dos brasileiros - essa amizade e afinidade súbitas e imediatas que acontecem nos lugares mais inusitados. Assim que a senhora de idade saiu do ônibus a moça mais jovem colocou fones nos ouvidos e começou a cantar em alto e bom tom hinos evangélicos e de tempos em tempos olhava em volta como se quisesse verificar se nós estávamos ouvindo. Pois bem, conforme o ônibus continuava a viagem me senti num curta metragem surreal daqueles exibidos em bienais de arte independente (rs). Olhando para fora da janela enquanto cantarola com a Sophia (em inglês pois ela está aprendendo) a música dos indiozinhos (one, little two, little three, little indians...) eu li num muro pichado a seguinte frase: "somente Jesus expulsa o demônio das pessoas". Arregalei os olhos, esboçei um sorriso no canto da boca e refleti rapidamente sobre o significado da frase mas logo depois esqueci e continuei cantarolando sobre os indiozinhos. Alguns minutos depois, mais alguns hinos evangélicos gritados pela moça do banco da frentes e sei lá quantos indiozinhos em inglês li outra frase pichada num muro: "somente Jesus expulsa o Tranca Rua das pessoas". Putz! Dei uma risadinha (minto, dei uma gargalhada) por dentro. Pensei comigo - agora o demônio ganhou um nome, né? Depois pensei - Melhor eu tomar cuidado, pois apesar de gostar muito de Jesus eu não quero que Ele expulse o Seu Tranca Rua de lugar nenhum... (rs). Lembrei de um colega de estágio da PUC que era evangélico fervoroso e um dia me pediu para orar para mim pois estava preocupado comigo e eu deixei. Mal sabia eu que ele ia colocar a mão e a bíblia na minha testa e ia começar a gritar que era para todas as entidades do candomblé, da macumba e sei lá mais o que deixarem o meu corpo... e enquanto ele gritava eu pedia em silêncio para minhas entidades não ouvirem ele, para meus Orixás não ouvirem ele e rezava para a oração dele não dar certo e pedia desculpas para meus Orixás pois eu não sabia que ele ia fazer aquilo (rsrsrssrs). Eu respeito muito a religião de todo mundo, apesar de sofrer muito preconceito por causa da minha, e por ser do candomblé eu já passei por cada situação que nem caberia no blog... hahahahaha

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