quarta-feira, 10 de junho de 2009

Primeira vez num hospital público e 5 injeções na bunda

Eu confesso que estava adiando mesmo sabendo que eu tinha que ir. Não tinha jeito, pois eu não tenho mais plano de saúde desde que minha avó morreu e estou com problemas sérios de saúde. Não é preconceito, não em relação ao Lourenço Jorge que acho ótimo. Mas eu teria que entrar sozinha, não sabia como era lá dentro e nem o que ia acontecer, não poderia falar com ninguém e não tinha certeza de como eles tratavam uma "emergência" lá. Resolvi ir sozinha e peguei o carro pra ir. Parei em tudo que é lugar antes de tanto medo. Tinha que tirar dinheiro então fui no shopping e aproveitei para usar um vale-troca que a Sophia tinha direito e peguei uma blusa que ela com certeza iria adorar. Comprei um lanche pois sempre ouvi dizer que demorava muito pra gente ser atendido. Levei vários livros. E fui. Quando eu cheguei lá eu nem estava morrendo de dor como tenho estado nos últimos dias, mas eu não tinha como prever quando seria a próxima dor aguda, então tinha que ir alguma hora. Me olharam detalhadamente, me perguntaram o que eu tinha e me mandaram fazer uma ficha. Eu tinha esquecido todos os meus documentos, mas me atenderam mesmo assim (primeira diferença que senti em relação aos hospitais particulares, pois eles nunca teriam me atendido sem documentações mil). Mandaram eu sentar num pequeno salão coletivo com cadeiras e uma tv lcd que ficava o tempo todo na Globo. Olhei em volta e haviam salas com placas feitas no computador ou feitas a mão dizendo qual a especialidade que se atendia naquela sala. Pessoas gemiam, pessoas assistiam tv, pessoas choravam... Outra diferença que notei pois ficamos todos misturados no mesmo lugar independente do nosso estado. Entrei na sala da clínica médica e disse que vinha sentindo dores agudas  no peito que se estendiam para o braço e dores de cabeça insuportáveis, além da dor na coluna (mas isso era por excesso de esforço mesmo). O doutor me olhou e não me deixou falar muito. Anotou algumas coisas na ficha e reparei que ele fez questão de colocar um PS bem grande dizendo que eu fazia tratamento para P.M.D. (PSICOSE MANÍACO DEPRESSIVA). Fiquei meio desconfiada, afinal fui lá por causa de dores intensas no coração e não usam mais esse termo, usam transtorno bipolar. Ele no mediu minha pressão (acho que isso seria essencial num caso de dores agudas no peito), não me auscultou, não tirou temperatura, sequer olhou para a minha cara. Me deu a ficha e mandou eu ir para a sala da enfermagem (quê??????). Andei pra lá e pra cá e nada de sala da enfermagem. Perguntei para um cara atrás de um balcão, que depois descobri que recolhia lixo, e fui para uma pequena salinha onde algumas enfermeiras batiam papo animadas. Fiquei 10 minutos em pé na porta como se fosse invisível até que me "inquisilei" e sacudi a ficha na cara de uma delas. Ela me olhou dos cabelos até os pés, reparou nas roupas e na bolsa (eu tava de legging e um blusão velho da minha mãe, nada demais). Mandou eu ir para a sala anexa, menor ainda onde tinha uma geladeira, alguns avisos colados em tudo quanto era lugar e uma pia. E preparou 5, leram direito ????, eu disse CINCO porras de injeções. Mandou eu abaixar as calças ali mesmo com a porta aberta. Eu pensei que ela ia me deitar em algum lugar ou coisa parecida, mas não... mandou eu ficar em pé mesmo. Eu nunca tomei injeção na minha vida desde a última vacina que eu nem me lembro quando foi e estava desesperada como uma menininha de 4 anos. Ela "enfiou" aquelas merdas de injeções em ambas as nádegas e mandou eu sentar (tá de sacanagem né?) para fazer os outros exames. Perguntei para que eram as injeções e ela respondeu que eram para dor, para o coração, para isso, aquilo e aquilo outro. Quinze minutos depois fiz um eletro numa salinha também minúscula e outros exames para o coração. Mandaram eu voltar para o doutor que disse calmamente> é minha filha, você tem um problema no coração, mas aqui é emergência e você tem que voltar amanhã pela manhã para marcar consulta com o especialista e fazer exames mais apurados. Fique em repouso, não faça esforço, não se exponha a emoções fortes, não isso, não aquilo e coisa e tal. E só. Mandou eu ficar mais um tempo lá para o caso de eu ter um episódio agudo e depois me mandou para a casa. Fui chorando. Menos pelo problema do coração, mais pela situação. Chorei muito. E não voltei para me consultar com o especialista. Ainda não sei o que vou fazer. Continuo elogiando o hospital, mas eu não consigo passar por isso de novo. Preciso de alguém do meu lado segurando a minha mão, sou medrosa, foram anos acompanhando minha  mãe com câncer, meus avós, indo no Barra Dor constantemente quando tinha problemas, enfim... Repito que elogio o hospital mas o problema sou eu.  

3 comentários:

  1. Querida Moça,

    Não sei se sou a pessoa indicada pra te ajudar, mas dependendo do dia e da hora, posso ir com vc e segurar sua mão, ok?

    Bj

    Danni

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  2. eu poderia fazer companhia nessas horas, porém estou longe demais.
    :)

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  3. Obrigado amiga... se Deus quiser não terei mais que passar por isso, mas de qq maneira é proibido entrar acompanhante no hospital público... beijos

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