A palavra pode até ser uma novidade pra você, mas o coltan está dentro do seu celular, do seu laptop, em pagers, gamedesks, na sua tv de plasma e outros equipamentos eletrônicos sofisticados. Os níveis de consumo simplesmente irracionais de eletrônicos atinge o seu paroxismo no consumo de telefones celulares: todo mundo tem dois ou três dessas maquininhas imprescindíveis e o desperdício é correspondente - somente nos EUA, antes da crise financeira, cerca de 426 mil celulares eram jogados no lixo todos os dias!!!
“Coltan” é a combinação de duas palavras que correspondem aos respectivos minerais: a columbita e a tantalita, dos quais se extraem hoje um dos metais mais cobiçados do que o ouro. Se tomarmos em conta que estes metais são considerados altamente estratégicos e se agregarmos que 80% das suas reservas encontram-se na República Democrática do Congo, começaremos a vislumbrar porque dois países africanos como Ruanda e Uganda ocupam militarmente parte do território congolês. O coltan é essencial para o seu telefone celular tanto quanto para as estações espaciais, naves tripuladas, armas sofisticadas ou o aparelho que faz a ressonância magnética do seu corpo, assim como todo equipamento que utilize circuitos eletrônicos.
Os principais produtores mundiais são a Austrália, o Brasil e essencialmente a República Democrática do Congo (ex-Zaire) que possue cerca de 80% das reservas mundiais, numa zona que faz fronteira com o Ruanda e o Uganda. Estes dois países, não sendo produtores, são dois dos principais exportadores deste produto que é importado por empresas conhecidas de países capitalistas como os Estados Unidos, Bélgica, Alemanha, Holanda, onde é refinado.
Como é que Ruanda e Uganda entram neste negócio? Da maneira clássica, na expropriação de riquezas: simplesmente invadiram o vizinho Congo, ocuparam amplas parcelas do seu território e provocaram uma guerra que dura 13 anos e já provocou mais 5,5 milhões de mortos (o que dá a média macabra de mil pessoas mortas por dia). São violados os mais elementares direitos das populações, com a aplicação do trabalho forçado e da mão obra infantil, incluindo crianças de sete, oito anos, que são forçadas a deixar a escola para escavar as minas, chegando a juntar famílias inteiras na mineração. A essas condições, devemos agregar o estupro sistemático, que já atingiu cerca de 250 mil mulhers na região. Outra consequência é a destruição do meio-ambiente, pondo em risco a população de gorilas da região. O que adiciona gravidade a esta pirataria é a passividade da comunidade internacional.
A receita é simples: as empresas de tecnologia eletrônica compram o coltan dos “mineral traders” que, por sua vez, negociam a compra do composto mineral dos bandos armados na África que dominam a exploração.Os verdadeiros beneficiários são as grandes empresas de tecnologia que agora começam a se mexer pra garantir a "limpeza" de suas fontes. Entretanto, a China por exemplo, onde estão grandes indústrias de celulares & eletrônicos (Nokia, Motorolla, Sony), não tem o menor controle e nem se importa de que maneira o coltan é extraído. Acho que a situação não vai mudar muito rapidamente, pois o coltan do Congo é mais barato do que o produzido em outras regiões como a Austrália que, dado o arrefecimento do mercado após a crise financeira internacional, já desativou as suas minas.
Bem, esta série de links vai dar uma idéia clara da situação:
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