sábado, 14 de junho de 2008

Mudança


O mais impressionante de quando fazemos uma mudança é como esquecemos daquilo que antes nos era tão familiar. Estou me preparando para assistir a segunda temporada de house no dvd no meu apt da Barra, onde mora minha avó e meu irmão, e a lembrança de  mim mesma deitada na minha cama, ou no chão há poucas semanas atrás, fazendo a mesma coisa é algo distante.
Eu sei que essa sempre vai ser a minha casa também, mesmo que agora eu tenha o meu apt, o apt onde vivo com a família que eu criei.
O apt da barra para mim é um lugar sagrado. Como se lá estivessem protegidas as lembranças dos meus pais, os momentos que vivemos juntos antes deles morrerem, as festas em que compartilhei alegrias indescritíveis com os amigos da família, amigos de infância de meus pais e seus filhos, meus amigos.
Cada pedaço daquele lugar é um pedaço de mim.
Meu marido nunca ousou dizer que aquela era a casa dele ou que algo ali era dele. Porque ele sabia que o apartamento do barramares é o útero que nunca deixou de existir para mim.
Ver a minha filha e a minha sobrinha convivendo nesse lugar é mágico. É como se existisse um túnel mágico do tempo, pois dentro de mim eu vivo o passado, o presente e o futuro ao mesmo tempo quando estou lá.
Nesse momento...
Acabei de perder a virgindade na sala em cima do tapete que a gente ama...
Cheguei completamente bêbada na festa de ano novo, olhei pro “tio” Valmir e fui jogada pela minha mãe no chuveiro gelado do banheiro dela...
Estou olhando a pedra da gávea com o René, sonhando apaixonada com mil possibilidades e compartilhando experiências sobrenaturais que só nós dois sabemos, só nós dois vimos...
Estou deitada com o Ranz na minha cama irritada pois ele só sabe dormir de lado e com a porra da almofada na cara, nunca comigo...
Estou de pé na cama vendo meu pai tentar matar ou afugentar o único rato que vimos no nosso apt... e morrendo de rir dos trejeitos dele...
Estou dormindo com a minha mãe quando tenho uma das minhas experiências mediúnicas mais fortes e acordo apavorada, mas ela me tranqüiliza e me abraça, para depois me dar um valium e me ajudar a dormir...
Estou vendo minha mãe na cama de hospital que foi trazida para o nosso apt, respirando no oxigênio, e contando para ela que o Maurício me traiu com a Déia... chorando em cima das bandagens que eu mesma fiz para ela...
Estou pintando as unhas do meu pai na sala enquanto ele lê jornal....
Estou indo me meter no meio dos meus pais no quarto deles querendo q

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