quarta-feira, 11 de junho de 2008

Bela Adormecida

Uma capa de gelo sobre mim.
Bela adormecida.
Adormecida delicadamente nos braços do ar,
nos braços de quem conseguir pegar,
desmaiada e abençoada.
Seu toque sem cara e sem cor,
o arrepio envolvente de sempre,
nada de tremer, sem brutalidade,
um sopro suave de saudade.
Ouço suas palavras,
o corpo repousa no chão.
Saudade de sua força, de seu tamanho,
de sua energia e coragem de caçador.
O peito esquece a dor.
O corpo esquece, lentamente esquece.
A mente em prece.
Adormecida delicadamente nos braços do ar,
sabendo os braços seus.
Amada como a filha que ama.
Uma fé sem horizontes,
certeza sobre o senhor,
mais que antes.
O sopro guerreiro me desperta,
a caixa de pandora aberta.

(Para meu lindo, eterno, onipresente Pai Otolu, de quem não estou afastada, só fisicamente)

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